Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Ser revolucionário

Iniciado por lllljulian em 28/01/2012 · 8 mensagens

lllljulian#1
Cultura Ocidental e o surgimento do Socialismo e do Liberalismo

O socialismo é fruto do surgimento do "ser revolucionário" e tem em Marx o seu "produto final", Marx apesar de não ter competência para cuidar da própria vida - criou a idéia de "transformar o mundo". O liberalismo, surgido com o "ser liberal" tem como base a realidade da vida no mundo e a condição humana imperfeita inserida nela, encara a dura luta contra as adversidades da natureza e da vida tal qual a tragédia grega antiga encarava.

O maior exemplo dessa pretensão divinizada foi dado por Platão no século IV a.C. na Grécia.

Platão foi o humano que pela primeira vez idealizou uma sociedade perfeita onde a harmonia, a justiça e a racionalidade existiriam soberanas.
Platão foi o primeiro a sistematizar uma teoria para mudar radicalmente a cultura e as tradições da sociedade de sua época.
Platão foi o primeiro a querer "transformar o mundo".
Platão não fez apenas filosofia, sua obra "A República" (e também em sua obra "Leis") não foi apenas um experimento filosófico, Platão quis colocar em prática a sua teoria política, isto está largamente comprovado.

http://sintesedomarxismo.blogspot.com/

A mentalidade revolucionária

Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 16 de agosto de 2007

O advento do revolucionário ao primeiro plano do cenário histórico – fenômeno que começa a perfilar-se por volta do século XV e se manifesta com toda a clareza no fim do século XVIII – inaugura a era do totalitarismo, das guerras mundiais e do genocídio permanente. Ao longo de dois séculos, os movimentos revolucionários, as guerras empreendidas por eles e o morticínio de populações civis necessário à consolidação do seu poder mataram muito mais gente do que a totalidade dos conflitos bélicos, epidemias terremotos e catástrofes naturais de qualquer espécie desde o início da história do mundo.

http://www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html

Reproduzo trechos de dois textos, o primeiro diz que o ser revolucionário surgiu com o idealismo de Platão e o segundo diz que surgiu no século XV. E faço a seguinte pergunta: quando realmente surge o ‘’Ser revolucionário’’?
ludwig#2
Pergunta difícil.
ludwig#3
Detectar a gênese do homem revolucionário é uma tarefa dificílima.

Olavo vem arduamente trabalhando há anos nisso, penso que um dos grandes legados que deixara para posteridade será justamente esse:
A gênese da mentalidade revolucionária.

Com esse tesouro em mãos as gerações futuras terão esperança de eliminar essa praga que vem assolando a humanidade.
srtaanglica#4
 Dom Estevão bittencourt tem uma tese bem interesante a respeito disso:

Os Quatro Não!
saudoso D.
Estevão Bettencourt, falecido neste ano, se referia muitas vezes ao que
chamava de “Os Quatro Naõs da história”, que segundo ele foram
responsáveis pela situação de descrença, materialismo, ateísmo,
relativismo moral e religioso que vivemos hoje.

Segundo o
mestre de muitos anos, o primeiro golpe foi o “Não à lgreja Católica”,
dito pela Reforma protestante (séc. XVI). Muitos homens continuaram a
crer no Evangelho e em Jesus Cristo; não, porém, na Igreja fundada por
Cristo. Os princípios subjetivos do “livro exame”, “sola Scriptura”, não
à Igreja e ao Papa, não à Tradição Apostólica, estabelecidos por Lutero
e seus seguidores, promoveu um esfacelamento crescente da Cristandade
pela multiplicação de novas “igrejas”. Cristo foi mutilado. Segundo
Teilhard de Chardin, “sem a Igreja Cristo se esfacela”. A túnica
inconsútil do Mestre foi estraçalhada.

Até esta época da
História, o mundo Ocidental girava em torno do ensinamento da Igreja,
assistida e guiada pelo Espírito Santo. A Reforma “quebrou o gelo”, e
inaugurou a contestação `a doutrina ensinada pela Igreja, depois de
quinze séculos. A partir daí muitas outras contestações foram
inevitáveis. É preciso lembrar que após o início da Reforma, a Igreja
realizou o mais longo Concílio Universal, o de Trento (1545-1563), por
dezoito anos, e nada mudou da doutrina que recebeu de Cristo e dos
Apóstolos.

O segundo golpe foi dado no século XVIII: foi dito
um “Não a Cristo”. Não à religião Revelada por Cristo. Surgiu por parte
do Racionalismo, que teve a sua expressão mais forte na Revolução
Francesa (1789). Os iluministas, positivistas, introduziram a deusa da
razão na Catedral de Notre Dame de Paris. Muitos pensadores passaram a
professar o deísmo (crença em Deus como ser reconhecido pela razão
natural apenas), em lugar do teísmo (crença em Deus que se revelou pelos
profetas bíblicos e por Jesus Cristo). Depois do Não `a Igreja, veio o
Não a Cristo.
srtaanglica#5
O terceiro golpe foi dado no século XIX: o “Não ao próprio Deus”
oriundo do ateísmo em suas diversas modalidades ateístas. A tomada de
consciência da história e da sua influência, tal como Darwin e os
evolucionistas a propuseram, contribuiu para disseminar o historicismo
que coloca a história acima de Deus. Daí surgiu o relativismo e o
ceticismo, que impregnaram muitas correntes de pensamento de então até
os nossos dias. Hoje o Papa Bento XVI fala de uma “ditadura do
relativismo”; que tenta negar a verdade objetiva.

Infelizmente
assistimos hoje o triste espetáculo de pesquisadores que escrevem
livros ensinando o ateísmo; difundindo isso nas universidades e
afastando os jovens de Deus, como se crer fosse um subdesenvolvimento
cultural ou mental.

A mudança de mentalidade foi se realizando
em velocidade crescente, principalmente a partir de meados do século
passado (1850): o desenvolvimento das ciências e da técnica deixou os
homens mais ou menos atordoados diante de perspectivas inéditas, sem que
soubessem, de imediato, fazer a síntese dos novos valores com os
clássicos.

O quarto Não é dito ao homem. Depois do Não à Igreja,
à Cristo, `a Deus, agora, como consequência, assistimos ao triste Não
dito ao homem. São Tomás de Aquino dizia que “quanto mais o homem se
afasta de Deus, mais se aproxima do seu nada”. É o que acontece hoje.
Sem Deus o homem é um nada. O Papa João Paulo II disse na primeira
encíclica que escreveu – “Jesus Cristo Redentor do Homem” – afirmou que
“o homem sem Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um
enigma indecifrável, um mistério insondável”. Quer dizer, sem Deus, sem
Jesus Cristo, o homem é um desorientado; não sabe de onde veio, não sabe
quem é, não sabe o que faz nesta vida, não sabe o sentido da vida, da
morte, do sofrimento. E na agonia desse mistério insondável vive muitas
vezes no desespero, como muitos filósofos ateus que desorientaram a
muitos.
srtaanglica#6
Esse Não dito ao homem, conseqüência dos Não anteriores, se manifesta
hoje na perda dos valores transcendentes da pessoa humana, o desprezo
pela sua dignidade humana, o desaparecimento do seu valor intrínseco.
Isto se manifesta nas aprovações aberrantes de tudo que há 20 séculos
ninguém tinha dúvida em condenar: aborto, eutanásia, manipulação e
destruição de embriões, “camisinhas”, sexo livre, “família alternativa”,
“casamentos alternativos”, e tudo o mais que a Igreja continua a
condenar como práticas ofensivas a Deus e ao homem.

Mas em
nossos dias nota-se um retorno aos valores eternos, que a Igreja guardou
fielmente através das tempestades. Muitos se dão por desiludidos do
cientificismo e do tecnicismo, e procuram de novo no transcendental os
grandes referenciais do seu pensar e viver. A busca do ateísmo cede
lugar de novo à consciência de Deus e dos valores místicos, sem os quais
a vida humana se auto-destrói. O homem moderno percebe que os frutos da
tecnologia por si só não lhe satisfazem; a prova disso é que crescem
as mazelas humanas: depressão, guerras, injustiças, imoralidade…

A
sociedade moderna decaiu. O Modernismo, o Relativismo e o
Indiferentismo Religioso dominaram o mundo. Os dogmas foram desprezados;
a fé e a moral calcados aos pés. Em lugar de Deus o homem idolatra-se a
si mesmo, o dinheiro, a Ciência, o prazer da carne, … o pecado.

O
mundo moderno não deu atenção ao Papa Pio IX quando este apontou os
erros que lhe levariam ao caos em seu Syllabus; não quis ouvir a voz da
Igreja no Concílio Vaticano I, quando este mostrou a harmonia entre fé e
razão e a suprema autoridade do Papa. Não ouviu também o apelo dos Papa
Leão XIII, Pio X, Pio XI, Bento XV, Pio XII… quando eles apontaram os
males do mundo moderno em suas encíclicas de fundo moral e social.
srtaanglica#7
O resultado de tudo isso é a decadência moral, ética e sobretudo
religiosa que assistimos hoje, razão de tantas desordens, crises e
sofrimentos. Tudo nos faz lembrar a máxima de São Paulo: “O salário do
pecado é a morte” (Rm 6,23). Por tapar os ouvidos à voz de Deus
anunciada ao mundo pelos últimos Papas, o mundo experimentou duas
terríveis guerras mundiais com mais de 60 milhões de mortos, e depois a
tragédia do nazismo e comunismo com mais de 100 milhões de vítimas,

A
sociedade moderna, enfim, rejeitou a voz da Igreja e dos Papas e
preferiu dar ouvidos aos hereges. Hoje querem destruir a Igreja com um
programa laicista em escala mundial.

Por isso tudo, o homem
moderno mergulha no caos do pecado e nas sombras da desesperança e da
morte. Eis que surge mais uma vez o Vigário de Cristo a falar da
Esperança que nasce em Deus (Salvi Spes). Será que será ouvido?

Somente
abandonando os “valores” modernistas e deixando-se guiar pela Igreja é
que a nossa Civilização poderá superar suas crises e dores. Está na
hora da Civilização Ocidental voltar-se novamente a Jesus Cristo, que a
espera de braços abertos.

A Igreja terá novamente de salvar a
nossa Civilização, que começa a desabar, como há 13 séculos quando ela
desabou com o Império Romano. Estejamos preparados.
srtaanglica#8

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