Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Bandidos e Letrados.

Iniciado por rorschach_2 em 31/01/2012 · 1 mensagem

rorschach_2#1
http://interstitial?u=http://www.olavodecarvalho.org…LwAAAAAAAAAA

Entre as causas do banditismo carioca, há uma que todo o mundo
conhece mas que jamais é mencionada, porque se tornou tabu: há
sessenta anos os nossos escritores e artistas produzem uma cultura de
idealização da malandragem, do vício e do crime.
Como isto poderia deixar de contribuir, ao menos a longo prazo, para criar
uma atmosfera favorável à propagação do banditismo? De Capitães da Areia até a novela Guerra sem
Fim
, passando pelas obras de Amando Fontes, Marques Rebelo, João
Antônio, Lêdo Ivo, pelo teatro de Nelson Rodrigues e Chico
Buarque, pelos filmes de Roberto Farias, Nelson Pereira dos Santos, Carlos
Diegues, Rogério Sganzerla e não-sei-mais-quantos, a palavra-de-ordem
é uma só, repetida em coro de geração em geração:
ladrões e assassinos são essencialmente bons ou pelo menos
neutros, a polícia e as classes superiores a que ela serve são
essencialmente más (1). Não conheço um único bom livro brasileiro no qual
a polícia tenha razão, no qual se exaltem as virtudes da
classe média ordeira e pacata, no qual ladrões e assassinos
sejam apresentados como homens piores do que os outros, sob qualquer aspecto
que seja. Mesmo um artista superior como Graciliano Ramos não fugiu
ao lugar-comum: Luís da Silva, em Angústia, o mais
patológico e feio dos criminosos da nossa literatura, acaba sendo
mais simpático do que sua vítima, o gordo, satisfeito e
rico Julião Tavares — culpado do crime de ser gordo, satisfeito
e rico. Na perspectiva de Graciliano, o único erro de Luís
da Silva é seu isolamento, é agir por conta própria
num acesso impotente de desespero pequeno-burguês: se ele tivesse
enforcado todos os burgueses em vez de um só, seria um herói.
O homicídio, em si, é justo: mau foi cometê-lo em
pequena escala.
................
Jamais pensei que leria algo nesse sentido no Brasil. Olavo realmente é via de escape em um pais podre na sua essência.

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