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A Direita está Viva!

Iniciado por milton em 24/02/2012 · 38 mensagens

milton#1
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Claro, direto, transparente, esclarecedor, aberto e oportuno artigo de João Melião Neto no Estadão.

Uma nova direita, por que não?

A resistência da opinião pública à direita se explica: a direita foi a principal força civil a sustentar a ditadura. E os militares, no período, jamais respeitaram os direitos humanos e as garantias individuais de ninguém.

Por causa disso, um fenômeno raro na maior parte do mundo ocorreu no Brasil: nas últimas eleições presidenciais os principais concorrentes eram dois candidatos assumidamente esquerdistas. Cada um deles foi apoiado por uma constelação de partidos menores cujo único ponto em comum é a inclusão das palavras social e socialista em suas siglas. Até os mais empertigados empresários, no País, alegam ser dotados de "consciência social". Em resumo, não existe aqui nenhum partido estruturado que defenda ideias de direita. Até segunda ordem, todos os gatos são pardos. Esse fenômeno é curioso porque as teses da direita não são de difícil entendimento, ao contrário, elas têm muito que ver com o que a maioria das pessoas pensa. O que precisa mudar é a forma de abordagem: conquistam-se os homens mais pelas ideias do que pelas baionetas.

Talvez por medo do impressionante avanço comunista durante a guerra fria, nossos melhores pensadores de direita acabaram por se engajar no movimento dos generais. Isso foi fatal para eles: perderam sua moral e sua credibilidade.

Mas o pensamento da direita ainda existe. E está bem vivo tanto na Europa como nos Estados Unidos. A maioria dos governos no Velho Continente é de direita - Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha, Portugal, Espanha. Será que os povos de todos esses países simplesmente não sabem votar? Seríamos nós, aqui, nos rincões da América Latina, os únicos que conhecem a verdade? Deveríamos, então, doutriná-los, mostrar-lhes qual é, de fato, o "caminho justo"?

Na verdade, o "caminho justo" boa parte deles já conhece. E quer distância dele. São os povos da Europa do Leste, os quais, depois da 2.ª Guerra Mundial, foram obrigados a ser felizes à maneira da União Soviética. Angela Merkel, que cresceu do lado de lá, hoje é a chanceler dos alemães. E chegou a esse posto por defender ideias conservadoras.

Afinal, o que é a direita? Ela se divide em duas vertentes: a conservadora e a liberal. E embora ambas pensem de forma semelhante, não é sempre que estão de acordo. Sobre os liberais trataremos em outro artigo. Façamos uma breve descrição do pensamento conservador.

O primeiro autor a retratar o conservadorismo foi o irlandês Edmund Burke, no final do século 18. Seu livro Reflexões sobre a Revolução na França e sobre o Comportamento de Certas Comunidades em Londres Relativo a esse Acontecimento foi uma resposta aos excessos cometidos pela Revolução Francesa. Segundo Burke, todas as reformas necessárias poderiam ter sido implantadas sem derramamento de sangue, ou a execução de seu rei.

E o que é o pensamento conservador? Em primeiro lugar, o conservador entende que os pensadores atuais são meros anões nos ombros de gigantes do passado. Eles acreditam enxergar mais longe, mas isso se dá unicamente em função da estatura de seus antecessores. No que tange a ideias, tudo o que existe já foi pensado ou implantado no passado. A única que medrou foi a da democracia liberal - conceito que foi mais bem desenvolvido por Karl Popper na sua obra Sociedade Aberta e os Seus Inimigos.

Os conservadores, por entenderem - como Platão - que a prudência é a maior da virtudes, levam muito a sério o que denominam "teste do tempo". A ideia subjacente disso é a de que o passar dos anos é o grande algoz das falsas ideias. Elas surgem, empolgam e algum tempo depois desaparecem ou caem em desuso. Se isso é válido até para as ciências, que dirá, então, da sociedade?

O conservador entende que, apesar do gigantesco avanço tecnológico dos tempos recentes, praticamente em nada se evoluiu em termos de moral ou de política. Apesar do conforto material ser muito maior, será que tivemos algum avanço em termos de felicidade? Provavelmente, não. O homem é até mais infeliz porque foi desentranhado de seu hábitat natural. E esse hábitat era harmonioso, uma vez que fora o resultado de séculos e séculos de arranjos sociais, todos eles decorrentes de tentativas e erros através da História.

Nunca é recomendável se atirar com ímpeto nas novas concepções de mundo. Primeiro, porque os radicais, apesar de ridicularizarem os nossos usos e costumes e questionarem as nossas instituições, nunca se mostraram capazes de construir algo melhor do que o que antes existia. As mudanças devem sempre existir, mas na forma de aperfeiçoamentos, jamais de ruptura. As pessoas têm de entender que o "novo" não é necessariamente melhor que o "velho".

Outra forte razão para não dar ouvidos aos radicais é que, após tantos séculos de civilização, é, no mínimo, improvável que nós, modernos, venhamos a descobrir algo de realmente novo em termos de moral, política ou arranjos sociais. Nenhuma ideia é plenamente nova. Tudo já foi pensado e idealizado. E se não foi implantado, é porque se mostrou inviável. Os conservadores, defendendo a ideia de que o livre-arbítrio existe, jamais culpariam a sociedade, em geral, por o malfeitor ser o que é. Todas as pessoas são dotadas de consciência, ninguém há de se compadecer dos malfeitores.

O conservador, por fim, entende que a ordem moral é um valor permanente no universo. Se uma sociedade se pautar por um forte sentido de certo e errado, por uma ordem moral duradoura e por convicções pessoais sobre honra e justiça, ela prosperará. Mas se, por outro lado, não passar de uma malta de indivíduos ignorantes das normas e convenções, voltados exclusivamente para a imediata satisfação de seus apetites primários, essa sociedade, por melhor que seja o seu governo, desaparecerá.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,uma-nova…839845,0.htm
eduardo_24#2
andr_10#3
Muita reflexão teórica e muita burrice para deixar de enxergar os fatos.

"E os militares, no período, jamais respeitaram os direitos humanos e as garantias individuais de ninguém.

[...]

Talvez por medo do impressionante avanço comunista durante a guerra
fria, nossos melhores pensadores de direita acabaram por se engajar no
movimento dos generais. Isso foi fatal para eles: perderam sua moral e
sua credibilidade."


Não adianta nada, absolutamente nada, reflexões teóricas a respeito do que seja o discurso conservador, se o sujeito ainda professa o credo esquerdista a respeito dos fatos históricos, a respeito do que aconteceu no mundo real das pessoas de carne e osso.

Pois o que esse tal de João Melião fez foi isto. É mentira grosseira que os militares jamais respeitaram os direitos humanos de qum quer que seja. Houve a decretação legal do Estado de exceção e tudo foi feito para se proteger os direitos mais elementares da própria turma da esquerda. Abusos houveram, isolados, sem o respaldo das autoridades do regime. Mas o sujeito pinta um período histórico de uma maneira que ele não foi, de uma maneira que ninguém da época o enxergou.

E ainda por cima erra no diagnóstico. Por mais que tal período tenha sido assim, não é verdade que não há direita hoje em dia por causa de tais supostos fatos. A esmagadora maioria da população que vive e vota hoje não viveu naquele período e se viveu, eram ainda crianças. A geração que se encontra hoje no poder, composta por senhores de mais de 60 anos, era ela própria adolescente neste período. Os poucos velhinhos que nos restam, testemunhas conscientes do que de fato ocorreu naquele período é, em esmagadora maioria, conservadora até a medula.
rorschach_2#4
O único erro do texto foi exatamente esse, tratar todos os militares da época como torturadores sendo que apenas uma parcela muito pequena que lidava diretamente com os comunistas que os tratavam da forma que eles desejam tratar as pessoas, os militares nos salvaram em países onde a guerrilha continua o numero de mortes é absurdo. O real erro dos militares foi ter feito o serviço malfeito vide a Dilma e sua turma viva hoje em dia =P rsrs.
domrafael#5
Pessoal, gostaria de saber livros que tratar de 1964 sob outro prisma que não essa da esquerda. Algum???

Shalom.
ariel#6
[url]/Main#Profile?uid=3812487123778486787[/url]:
Pessoal, gostaria de saber livros que tratar de 1964 sob outro prisma que não essa da esquerda. Algum???

Shalom.

tbm estou atrás. Quem souber, favor ajudar.
solideogloria#7
http://www.4shared.com/dir/15667982/f32cc107/sharing.html#dir=16378606

O Steve Mcqueen uma vez postou a pasta dele do 4shared e tinha coisas interessantíssimas sobre o período.
orkut_5#8
Não trata só de 1964, mas irá analisar o período (e não só ele) sem a imbecilidade de esquerda
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/re…216792248460
riscardo#9

LEI Nº 4.898, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965. 


Regula o Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de autoridade.


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4898.htm

riscardo#10
Os esquerdistas hoje já dizem que os guerrilheiros e terroristas comunistas lutavam pela democracia. Só falta mesmo os direitistas dizerem que os militares eram monstros.
andr_10#11
Muito mais importante que aspectos teóricos do pensamento conservador é o imaginário popular a respeito da própria história do Brasil.

O povo, mesmo alguns de maior cultura que se consideram conservadores, imaginam o seguinte:

 - o Brasil foi "roubado" por Portugal na época colonial
 - o Império do Brasil era um absolutismo monárquico
 - o golpe de 1964 foi injustificado e incitado pela intervenção americana

Isto sem falar no imaninário da história de um modo geral, que nos diz coisas como:

 - a Idade Média foi um período de ignorância
 - a Revolução francesa nos libertou das trevas do Ancien Régime e a ela devemos todos os nossos sacrossantos direitos fundamentais, nossa liberdade e a democracia.

e etc. Estas idéias são todas falsas e devem ser desmoralizadas. Os ídolos fundadores do mundo moderno devem ser desmascarados. Sem isso, de nada adiantará ficar com reflexões teóricas a respeito do que quer que seja.
domrafael#12
[url]/Main#Profile?uid=10515083900847358746[/url]:
http://interstitial?u=http://www.4shared.com/dir/156…LwAAAAAAAAAA

O Steve Mcqueen uma vez postou a pasta dele do 4shared e tinha coisas interessantíssimas sobre o período.
E vi rapidamente e salvei em meus favoritos. Mas... poderia me dizer quais são destes? se não, beleza!

Salam.
misquiati#13
[url]/Main#Profile?uid=3812487123778486787[/url]:
Pessoal, gostaria de saber livros que tratar de 1964 sob outro prisma que não essa da esquerda. Algum???

Shalom.

Recomendo aos amigos a leitura do site:
A Verdade Sufocada,A História que a Esquerda Não Quer Que o Brasil Conheça

 com a colaboração do cel. Brilhante Ustra, com ampla variedade de tópicos e detalhada abordagem do período:

http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com…37&Itemid=78
domrafael#14
[url]/Main#Profile?uid=12837817761172359057[/url]:
Recomendo aos amigos a leitura do site:
A Verdade Sufocada,A História que a Esquerda Não Quer Que o Brasil Conheça

 com a colaboração do cel. Brilhante Ustra, com ampla variedade de tópicos e detalhada abordagem do período:

http://interstitial?u=http://www.averdadesufocada.co…LwAAAAAAAAAA
Já salvei aqui Colega-san nos favoritos; amanhã ou hoje ainda eu leio. Mas só uma dúvida: quando eu tento discutir com os meus sogros sobre esse "revisionismo" em relação 1964, eles sempre citam as torturas cometidas pelos militares, e de, naquela época, qualquer um poderia ser preso, que era só necessário alguém por aí acusá-lo de comunista, de que poderia ser preso, torturado e até morto, e de que eles até citam um caso de um irmão pastor dum interior do Ceará, acho, que nem sabia nada sobre comunismo, ismo e tal; que o acusaram d´ele ler só ficar andando para cima e para baixo com um livro por aí. Daí prenderam ele, torturam (acho) e quase mataram-no! diante disso, eu fico sem o que dizer!
Claro, eu sou totalmente contra ditaduras, torturas et cetera.

Aqui eles dizem que isso fazia parte do regime, mas eu tenho lido por aqui que foram casos isolados, ou abusos cometidos pelo regime. O que vocês acham?

Salam.
thiago_7#15
votei nele para deputado estadual , mas ele não foi reeleito
steve#16
E façam o favor de baixar logo, antes que o 4shared delete. (Como já deletou alguns livros).
felipemark#17
leia reacionário do Nelson Rodrigues
milton#18
Olavo de Carvalho comenta artigo de João Melião Neto, postado no início do tópico:

Porque a direita sumiu

Em artigo recente, João Mellão Neto define muito corretamente o espírito do conservadorismo, mas falha em explicar por que a direita se enfraqueceu no Brasil ao ponto de todos os candidatos, nas duas últimas eleições presidenciais, serem de esquerda. (ver http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,uma-nova…839845,0.htm).

Isto aconteceu, diz ele, porque a direita apoiou a ditadura e a ditadura não respeitou os direitos humanos. Esse diagnóstico revela mais sobre a mente que o produziu do que sobre os fatos a que pretende aludir.

Mellão, com toda a evidência, aceitou a narrativa histórica dos adversários e argumenta contra eles numa perspectiva que, no fim das contas, continua sendo a deles.

Ninguém entenderá a história do período militar sem estar consciente de que em 1964 não houve um golpe, porém dois: o primeiro removeu do poder um governante odiado pela população, que foi às ruas aplaudir entusiasticamente a derrubada do trapalhão esquerdista. O segundo, meses depois, traiu a promessa de restauração democrática imediata e iniciou o longo e deprimente processo de demolição das lideranças políticas conservadoras, substituídas, no poder, por uma elite onipotente de generais e tecnocratas "apolíticos".

A grande ironia das duas décadas de governo militar foi que este, movendo céus e terras para liquidar a esquerda armada, nada fez contra a desarmada, mas antes a cortejou e protegeu, permitindo que assumisse o controle de todas as instituições universitárias, culturais e de mídia, fazendo daqueles vinte anos "de chumbo" uma época de esfuziante prosperidade da indústria das ideias esquerdistas no Brasil.

Vasculhem a história do período e verão que, se o governo perseguia e amaldiçoava a violência guerrilheira, ao mesmo tempo nada fazia para combater o comunismo no plano ideológico, muito menos para ensinar à nação o valor perene dos princípios conservadores, que pouco a pouco foram caindo no total esquecimento até tornar-se como que uma língua estrangeira, desaparecida do cenário público decente já antes de os líderes esquerdistas mais notórios voltarem do exílio.

À imperdoável omissão dos governos militares no campo da guerra cultural e ideológica somou-se o desprezo da clique oficial pela classe política e as grandes lideranças conservadoras foram sendo apagadas, uma a uma, como velas sob um vendaval.

Foi durante aquele regime que vozes poderosas do campo conservador, como as de Carlos Lacerda e Adhemar de Barros, foram caladas, enquanto outras, como as de Pedro Aleixo e Paulo Egídio Martins, foram menosprezadas e esquecidas, e outras ainda, como a de Roberto de Abreu Sodré, acabaram se acomodando à mediocridade oficial até perderem toda relevância própria.

Tanto foi assim que, quando o governo Geisel deu sua virada à esquerda, adotando uma política nuclear antiamericana, estimulando o mais obsceno "terceiromundismo" na diplomacia e até fornecendo armas, dinheiro e assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola, não se ouviu um protesto sequer das lideranças civis.
A única resistência que apareceu, vinda do campo militar por meio do valente general Sylvio Frota, foi logo sufocada sob acusações de "golpismo" e aplausos gerais ao presidente triunfante que estrangulara a "linha dura".

Nas universidades, a direita foi sistematicamente preterida na distribuição de verbas e cargos, que a generosidade insana do governo prodigalizava aos esquerdistas na ilusão de neutralizá-los ou seduzi-los (o processo, de indecência sem par, é descrito em http://www.ecsbdefesa.com.br/defesa/fts/QTMFB.pdf) pelo estudioso venezuelano Ricardo Vélez Rodriguez, um dos mais abalizados conhecedores da vida universitária no Brasil).

Até mesmo no jornalismo foi ainda durante o período militar que a esquerda assumiu de vez o controle das redações (v. meus artigos em
http://www.olavodecarvalho.org/semana/111124dc.html; http://www.olavodecarvalho.org/semana/111125dc.html
e http://www.olavodecarvalho.org/semana/111130dc.html), enquanto porta-vozes fulgurantes do pensamento conservador, como Gustavo Corção, Lenildo Tabosa Pessoa e Nicolas Boer, iam sendo jogados para escanteio sem que ninguém desse pela sua falta.

A direita pensante e atuante foi, literalmente, esmagada pela ditadura, que ao mesmo tempo, na esperança idiota de dividir os adversários e ganhar o apoio de uma parte deles, abria as portas e os cofres das instituições de cultura para o ingresso da revolução gramsciana.

Quando terminou a era dos governos militares, em 1988, só o povão mudo, desprovido de canais para fazer valer suas opiniões, era ainda conservador no Brasil, enquanto o espaço cultural inteiro – mídia, movimento editorial, universidades, escolas secundárias e primárias, etc. – já era ocupado, gostosamente, pela multidão de tagarelas da esquerda que ainda mandam e desmandam no panorama mental brasileiro.

Aos sucessos retumbantes que obteve na economia e no combate às guerrilhas, a ditadura aliou, em triste compensação, uma cegueira ideológica indescritível, que expulsou a direita do cenário público e entregou o espaço àqueles que até hoje o dominam.

Cabe, nesse contexto, lembrar mais uma vez o dito de Hugo Von Hofmannsthal, segundo o qual nada está na política de um país que primeiro não esteja na sua literatura (tomada em sentido amplo de alta cultura). A direita saiu da política nacional porque, com a complacência e até a ajuda do governo militar, foi primeiro banida da cultura nacional.

http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-me…ireita-sumiu
riscardo#19
Tanto foi assim que, quando o governo Geisel deu sua virada à esquerda,
adotando uma política nuclear antiamericana, estimulando o mais obsceno
"terceiromundismo" na diplomacia e até fornecendo armas, dinheiro e
assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola
, não se ouviu um
protesto sequer das lideranças civis.



Alguém conhece a fonte dessa informação?

A única resistência que apareceu, vinda do campo militar por meio do
valente general Sylvio Frota, foi logo sufocada sob acusações de
"golpismo" e aplausos gerais ao presidente triunfante que estrangulara
a "linha dura".


Em "O Outro Lado do Poder", que é extremamente crítico ao governo
Geisel, Hugo Abreu demonstra que algumas preocupações do Sylvio Frota
eram infundadas. Em "Ernesto Geisel", Geisel mostra que o diagnóstico
do Frota sobre os problemas nacionais era limitado e equivocado. Tenho
muita vontade de ler "Ideais Traídos" para poder comparar com os
depoimentos do Hugo Abreu e do Geisel, mas ele ainda está muito caro.

Acredito que Sylvio Frota era um homem valente, honrado e patriota, mas
até o momento creio que
o Geisel agiu corretamente frustrando a possibilidade do Frota se
firmar como candidato à sucessão presidencial. Frota não quis impor a
sua candidatura, setores mais radicais
e bitolados das FFAA, apoiados pela elite econômica paulista, é que
tentaram transformá-lo no sucessor de Geisel. Frota era um soldado, não
um intelectual, anticomunista, ele não tinha um projeto para combater
amplamente o comunismo. Acho que se o Frota tivesse virado presidente
ele acabaria se tornando refém dos radicais bitolados e dos
oportunistas que o apoiaram, assim como aconteceu com Costa e Silva.
andr_10#20
"Alguém conhece a fonte dessa informação?"

É meio complicado você falar de fonte de uma informação que sempre foi pública, tornando-se desconhecida posteriormente.

Uma breve análise no acervo digital da Revista Veja nos dá uma boa amostra disto:

"O fato de hoje em dia o governo de Angola estar estritamente ligado à União Soviética e à Cuba é mais uma razão para que o Brasil esteja presente. O Brasil e outros países ocidentais. Não é que o Brasil pretenda se opor a esta influência, mas a sua ação de presença será, sem dúvida, saudável."

Presidente Ernesto Geisel, durante viagem à França.
Revista Veja, edição 400, 5 de maio de 1976 - pg 19
andr_10#21
Pela afirmação acima, não se pode saber no quê constia a presença brasileira em Angola. Só se pode concluir que ela existia, servia para alguma coisa e que não era para atrapalhar os interesses soviético-cubanos.
riscardo#22
Eu gostaria de saber qual a fonte primária que permite afirmar que o governo Geisel forneceu armas, dinheiro e assistência técnica para Fidel Castro invadir Angola. Sobre a presença brasileira em Angola, veja o que o Geisel diz:

Quando o Brasil reconheceu a independência de Angola, mais uma vez os Estados Unidos ficaram do outro lado...

Geisel - Em Angola, eles estiveram insuflando a guerra. Falam tanto em paz mas insuflam a guerra. O que é a Unita? É uma tribo de Angola que faz a guerra contra o governo angolano, apoiada com armas, com dinheiro, com técnicas, com tudo, pelos americanos.


Quando o Brasil reconheceu a independência de Angola já se sabia queCuba tinha tropas lá?

Geisel - Já se sabia. Mas havia outros interesses. Em primeiro lugar, tratava-se de uma fronteira marítima nossa e, em segundo lugar, os
angolanos falam português, a nossa língua. Já disse que éramos a favor das colônias portuguesas que se emancipavam de Portugal. Achávamos que o nosso apoio a Portugal nesse terreno tinha que mudar, inclusive porque somos anticolonialistas. Reconhecemos todos os países da costa oeste e, na costa leste, Moçambique. E o importante é que em Angola há petróleo! Presentemente estamos explorando petróleo no mar, em Angola, por intermédio da Braspetro, associada a outras empresas.

(...)

Apesar das divergências, existia um alinhamento ideológico entre Brasil e Estados Unidos, não?

Existia, apesar de todos esses problemas. O Brasil estava de acordo em não permitir a expansão do comunismo dentro da América
Latina e, nessa ação, sempre foi coerente. O Brasil não reatava relações com Cuba, entre outras razões, por solidariedade aos Estados Unidos. Mas o problema maior estava no nosso continente americano. Cuba procurava exportar sua revolução para outros países da América do Sul, seja com Che Guevara, seja financiando a subversão com Brizola, seja, enfim, formando e instruindo sediciosos brasileiros para agirem revolucionariamente aqui.

Aqui é possível fazer o download de toda a entrevista: http://www.4shared.com/office/QWKiedDS/Ernesto_Geise…elina_d.html
andr_10#23
Eu não tenho fontes primárias para provar este ponto específico. Só posso fornecer uma linha de raciocínio:
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.
Geisel afirma que o Brasil estava presente lá em Angola. Fazendo o quê?
.
Dando apoio ao movimento de independência?
.
Que tipo de apoio? Por enquanto, só isto não sabemos, com certeza.
.
Mas, seguinte em frente, quem era o governo que liderava a emancipação angolana?
.
Era um movimento comunista apoiado e controlado por URSS e Cuba, sendo que este último, vassalo da URSS, tinha mais de 50 mil soldados lá para suportar o governo.
.
Ora, então o fato é que o governo Geisel estava dando apoio para a operação comunista em Angola, em nome do princípio anti-colonialista que regia a cabeça oca de nossos militares. Que tipo de apoio foi este, não sabemos, mas a própria entrevista de Geisel nos permite concluir que não era mero apoio moral e diplomático, mas havia certa presença física brasileira lá em Angola.
.
Além disto, para não se dizer que o Brasil apoio a revolução comunista em Angola à toa, Geisel nos conta que o Brasil conseguiu, com isto, uns contratinhos para exploração de petróleo...
.
.
Então o fato é que, com ou sem intenção, fornecendo armas ou não, Geisel deu algum suporte material ao saque de Angola promovido por Cuba e URSS, o que mostra a profunda ignorância da qual eram vítimas os nossos governos militares.
andr_10#24
Por falar neste negócio de Independência, e bom ter em mente o seguinte:

Quando Angola e Moçambique, até então lugares prósperos, se tornaram independentes de Portugal, foram dominados e saqueados pelo movimento comunista internacional que os reduziram à ruína.

O mesmo se passou com o Timor Leste, que foi invadido pela Indonésia no dia seguinte à saída dos portugueses.

Moral da história: com este princípio idiota de anti-colonialismo, que é difundido pela esquerda e que faz o imaginário de boa parte da classe falante que se acha conservadora, a consequência mais provável é que você vai, por causa disto, dar apoio a atrocidades cometidas pelos comunistas e pelos islâmicos. Tudo em nome da emancipação da malvada metrópole lusitana.

O fato é que necessáriamente nosso governo militar não fez isto por má fé, mas por entender o processo histórico de acordo com ditames do próprio movimento revolucionário.
riscardo#25
Geisel afirma que o Brasil estava presente lá em Angola. Fazendo o quê?

Pelo menos nessa entrevista que
postei, ele não afirmou isso. Mas se estava, devia ser
através de empresas brasileiras que exploravam o petróleo lá.


O Geisel defendia a opinião
de era impossível contruir o Brasil sendo simplesmente contra a
corrupção e o comunismo, somente com um projeto negativo, era preciso
também ter um projeto positivo que promovesse o crescimento econômico.
Considerando que Angola
é fronteira marítima com o Brasil e é rica em petróleo, que empresas brasileiras exploravam ou tinham o interesse de explorar petróleo em Angola, e que o
Brasil é extremamente dependente de petróleo, é razoável supor que o governo
brasileiro devesse ter a preocupação de defender os interesses da economia
brasileira em Angola.
riscardo#26
"O que aconteceu com o Frota — estou fazendo aqui um juízo que pode ser um pouco subjetivo — é que ele era um homem modesto que
se cercou de alguns auxiliares muito mais inteligentes do que ele, que procuraram se aproveitar dele. Meteram na cabeça do Frota que ele é que tinha que salvar o país do comunismo. Daí ele acabou endossando a campanha para fazê-lo presidente da República, por influência do ambiente em que vivia. Agora, problemas com o Frota, com o Exército, do ponto de vista militar, da organização militar, não havia. Eu nãotinha nenhum programa de expansão ou de reaparelhamento para o Exército, que teria apenas que assegurar sua vida diária e seu funcionamento normal, inclusive na manutenção da ordem interna."



"O primeiro problema que tive foi quando se resolveu reatar relações diplomáticas com a China, no começo do meu governo. Silveira
tinha conversado sobre o assunto e, após analisá-lo, acabei concordando. O Frota veio a mim, manifestar-se contrário: achava que
não era conveniente. Outro que no começo também foi contrário foi o Henning, da Marinha. O Araripe, da Aeronáutica, era mais ou menos
contra e chegou a conversar ligeiramente sobre o assunto. Todos traziam as opiniões e o pensamento de escalões hierarquicamente
inferiores. Reuni os três e lhes perguntei: "Por que nós não vamos reatar relações com a China?" A resposta foi que a China era um país
comunista. "Por que então vocês não vêm me propor romper relações com a Rússia? Se o Brasil tem relações com a Rússia, por que não pode ter com a China? Se vocês querem ser coerentes, então vamos cortar relações com a Rússia também e vamos nos isolar, vamos virar mesmo uma colônia dos Estados Unidos." Tinha havido um problema no início da Revolução de 64 com uma missão chinesa que estava no Brasil tratando de relações comerciais e que foi presa e submetida a inquérito. Havia, desde então, um preconceito contra os chineses. Argumentei com a posição geográfica da China em relação ao Brasil, com o fato de que a China representava um grande mercado para os nossos produtos exportáveis. Estávamos liberalizando o país, que já era adulto, não se justificando um complexo de inferioridade. Tínhamos o próprio exemplo dos Estados Unidos, o campeão do anticomunismo, que mantinha relações com a China."



"O mesmo problema surgiu quando reatei as relações com Angola. A mesma história: "É um país comunista, os Estados Unidos estão
subsidiando a revolução contra o governo de Angola, e nós somos solidários com os Estados Unidos!" Respondi: "Não, nesse ponto eu não sou solidário. Acho que os Estados Unidos não têm o direito de fomentar a revolução em outro país. Não concordo com esse
posicionamento. E tem mais: Angola é fronteira marítima com o Brasil. Nossa fronteira oriental é toda a costa oeste da África. Então não vamos ter relações com um país fronteiriço? Além disso, Angola é descendente de Portugal, fala como nós, a mesma língua! E há outro interesse: as perspectivas são de que o litoral angolano tenha petróleo, e nós poderemos obter suprimento em Angola". Respondiam: "Mas o governo é comunista!" E eu: "É, é subsidiado pela Rússia, mas a revolução que existe em Angola é subsidiada pelo americano. O americano está financiando uma revolução lá dentro!" A Unita, até hoje, ainda é subsidiada pelo americano em armamento, em munição, em dinheiro e tudo mais. "Que direito têm os Estados Unidos de intervir no país e lá provocar uma revolução? Não temos nada com isso, não temos nada com a Unita. No passado sempre transacionávamos com Angola e agora temos interesse em trazer petróleo de lá." Foi outra discussão. Eu dizia: "Vocês têm que abrir os olhos, o mundo é outro! Vocês não podem ficar nesse círculo estreito!" Eles engoliram a solução, mas evidentemente resmungando."



"Nos focos subversivos que ainda existiam continuava a haver combate. Eu reagia muito com relação a certas ações repressivas
isoladas e estabeleci que elas não podiam ser empreendidas sem o meu conhecimento. Certa vez, eu disse ao Frota: "Nós estamos, desde o levante de 35 na Praia Vermelha, combatendo o comunismo. E você vem me dizer, na nossa conversa, que o comunismo está cada vez mais ativo, cada vez mais forte e perigoso. Vamos admitir que isso seja verdade. Qual é a conclusão a que vamos chegar? Se o comunismo está sendo combatido desde 1935 e nós já estamos além de 1970 e ele está cada vez mais forte, cada vez mais poderoso, então o método de luta que estamos adotando não serve, está errado! A solução atual de matar, de esfolar, de brigar não serve. Vamos ter que encontrar outra solução, pois essa que estamos usando há 40 anos não resolve". O raciocínio claro era esse: vamos estudar, vamos ver uma outra maneira de enfrentar o adversário. É claro que, no fundo, isso não é um problema militar. É também um problema social, é um problema político. Há uma série de razões para que o comunismo possa proliferar."
orkut_5#27
"- a Revolução francesa nos libertou das trevas do Ancien Régime e a ela
devemos todos os nossos sacrossantos direitos fundamentais, nossa
liberdade e a democracia."

Confesso que o erro não está claro para mim
andr_10#28
É muito difícil falar sobre o Mito da Revolução Francesa, mas acho que podemos começar assim:

Um dos mitos principais que circulam nos dias de hoje é que é grças à revolução francesa que devemos o governo limitado constitucional e que antes disso reinava a tirania de monarcas malvados e etc.

Isto é falso. A idéia de governo limitado é antiquíssima, cuja evolução passa pela filosofia grega e cristã medieval. Na própria Idade Média só haviam governos limitados, tanto pelo poder da Igreja quanto pelo poder dos senhores feudais, das corporações de ofício, das Ordens religiosas e etc.

O poder concentrado nas mãos do rei é um fenômeno moderno, a partir do séc XVI, que se deu por causa das guerras religiosas, da propagação do antigo direito romano e por causa também de certos avanços tecnícos que concentraram poder militar nas mãos do Estado.

Mas, mesmo assim nunca houve o tal absolutismo que tantos pregam. O poder é e sempre foi uno, sendo as divisões entre legislativo, executivo e judiciário meras divisões administrativas de um único poder. Antigamente de fato isto não ocorria, ficando tudo nas mãos do monarca, mas de modo algum era um poder arbitrário, pois era senso comum a idéia de que este poder estatal vinha de cima, no sentido de que só tinha valor enquanto se baseava em princípios religiosos. Ademais, o próprio tamanho do Estado era muito menor, e tinha de ser assim até por questões tecnológicas. O Rei mais poderoso da época do iluminismo, em termos de poder, mesmo que concentrasse em si as funções judiciária, executiva e legislativa, era um nada diante de um presidente do Brasil dos dias de hoje.

Então o fato é que a Revolução Francesa foi, em certo sentido, uma tentativa de regresso às antigas liberdades medievais, pois realmente estava havendo concentração de poder nas mãos do rei e do Estado de modo geral. Mas o resultado foi bem diferente do pretendido: matou-se o rei, mas o poder estatal começou a crescer como nunca, agora nas mãos de supostos representantes do povo.

Prova deste crescimento do poder estatal é a própria guerra cultural anti-cristã promovida pela revolução. Saiu-se do absolutismo, muito mal compreendido, para se entrar na época do totalitarismo, do Estado engenheiro social.

Mas todo mundo, conservadores e liberais, amam a revolução francesa. Este é o grande problema. Temos que destruir este mito em nossas consciências.
andr_10#29
E, putz, lendo esta entrevista você vê que o Geisel era uma besta quadrada que não tinha capacidade de entender absolutamente nada do que estava acontecendo.

Você vê que para a cabeça oca dele, o que importava era a ordem estabelecida, seja qual fosse. Como o governo de Angola era comunista, não importava que este comunismo tenha vindo sob patrocínio violento da URSS e Cuba, ele era legítimo - ilegítimo era os EUA patrocinarem uma guerrilha oposicionista. Ou seja, o errado não é o comunismo... o errado é fazer guerrilhas contra qualquer governo estabelecido.

E ainda ele ainda solta, de um modo bem indireto que, se nós não podemos contra o comunismo, vamos nos juntar com ele, pois foi isto que ele fez.
riscardo#30
E ainda ele ainda solta, de um modo bem indireto que, se nós não
podemos contra o comunismo, vamos nos juntar com ele, pois foi isto que
ele fez.

De modo algum ele propôs nos juntarmos ao comunismo. Não fale uma bobagem dessa. Foi durante o governo Geisel que ocorreu a Chacina da Lapa, durante o governo Geisel os descontrolados órgãos da repressão já estavam matando até militantes do PCB, organização que não havia aderido à luta armada. O que Geisel propôs foi uma reavaliação da estratégia de combate ao comunismo, porque a atuação dos órgãos de segurança, além de não resolver o problema, havia criado outros problemas como o aumento da corrupção no meio militar e o desrespeito à hierarquia e à disciplina.

Não conheço todas as consequências do chamado "Pragmatismo Responsável" adotado pelo governo,
ainda não conheço com profundidade as críticas do Roberto Campos à Azeredo da Silveira, mas cabeça oca o Geisel definitivamente não era.
milton#31
Novo artigo do João Melião Neto no Estadão

Liberdade x igualdade

Um debate ideológico que já estava esgotado na maioria das nações civilizadas voltou. E voltou com especial virulência. É a monótona discussão entre a direita e a esquerda, que parecia de início não ter sobrevivido à passagem do século. Ao que se percebe, agora, é que ela se tem limitado ao Continente Americano. A novidade, desta vez, é a entrada em cena do conflito também no seio dos Estados Unidos.

Nós, aqui, na América Latina, sempre cultivamos heróis e mártires que combinavam em seu discurso nacionalismo, esquerdismo, e antiamericanismo. Só mesmo por aqui poderiam ter dado certo o populismo e a Teologia da Libertação. A tese que os dois defendem é de fácil assimilação: "Somos pobres, sim, mas por culpa deles!". E quem são eles? A resposta já vem na ponta da língua: "Os imperialistas que desde sempre nos exploraram". Sejam eles quem forem: os portugueses, os espanhóis, os ingleses, os norte-americanos e, em breve, os chineses. Ora, se na lamuriosa América Latina - um subcontinente em que quase todas as nações adquiriram a sua independência há quase dois séculos - esse tipo de discurso ainda faz sucesso, algo não vai bem na saúde mental de seus povos. Parecem fazer parte da nossa cultura a paranoia e a terceirização das responsabilidades.

Nós acreditávamos ingenuamente que todas essas doenças infantis de nossa civilização já tinham ficado para trás. Qual não tem sido a nossa surpresa ao perceber que elas voltaram. Na Venezuela - onde há tanta abundância de petróleo e tamanha carência de estadistas - quem ocupa o espaço público é um esperto coronel que há 14 anos se mantém no poder sob o pretexto de estar implantando o "socialismo bolivariano". Como ninguém sabe exatamente do que se trata, e enquanto a oposição permanecer desunida, ele se vai perpetuando no comando. Hugo Chávez conta com a bênção de Fidel Castro. Aliás, basta acenar com ajuda econômica que os irmãos Castro abençoam todo mundo.

Na Bolívia há um ditador que afirma estar no poder para lutar pela restauração de uma civilização indígena que nunca foi, de fato, uma civilização. No Paraguai, o governante é um prolífero (e promíscuo) bispo progressista. Na Argentina há uma presidente populista que governa dentro da mística trágica e melodramática do peronismo. No México um líder radical de esquerda por muito pouco não venceu as eleições presidenciais. Nas universidades de todo o continente ainda há muita gente que acredita que Salvador Allende foi um bom presidente do Chile. O Uruguai é governado pelos legendários tupamaros. E, por fim, temos o próprio Brasil, que há quase uma década vem sendo governado por uma elite que diz estar lá justamente para nos defender das elites.

Esquerdismo e populismo não são apenas uma rima, são também uma fórmula política. Uma música que faz sucesso, não importa quantas vezes é reeditada, sempre faz sucesso. Desacatar um embaixador norte-americano, vociferar contra um primeiro-ministro inglês, falar mal em público do presidente dos Estados Unidos, tudo isso é recebido com entusiasmo por aqui. Faz bem à nossa tão propalada "macheza latina".

O que não se esperava é que coisas assim chegassem ao Hemisfério Norte. O atual presidente, oriundo do Partido Democrata, tem-se revelado tão desastrado que logrou uma verdadeira proeza: conseguiu fazer os setores mais obscurantistas da sociedade norte-americana serem ouvidos, ganharem respeito, e acabarem por ter influência decisiva na política nacional. Vale lembrar que, na nomenclatura de lá "liberal" não significa a mesma coisa que no resto do mundo. Os liberais norte-americanos equivalem aos social-democratas, gente que se situa à esquerda no espectro ideológico.

Mas, afinal, o que significa, de fato, ser de direita ou ser de esquerda? Sem me alongar em maiores detalhes, o que existe na sociedade são duas concepções de mundo logicamente impecáveis e realistas, mas inconciliáveis em grande parte: é a liberdade em contraposição à igualdade. Estas são as duas maiores aspirações da sociedade desde o Iluminismo, foram muito bem resumidas por Rousseau e acabaram sendo insculpidas no pavilhão da Revolução Francesa.

Acontece que esses dois princípios, em parte, se excluem entre si. Os seres humanos não nascem todos iguais. Eles diferem em talento, capacidade e empenho. Numa sociedade que aplica o princípio da igualdade como valor maior, os melhores não se poderão destacar e o sistema será opressivo para eles.

Por outro lado, numa sociedade em que a liberdade se mostrar total, alguns se sairão melhor do que outros. Em consequência, eles se tornarão cada vez mais ricos. E assim se gerará a desigualdade.

A questão permanece inconclusa 200 anos depois: a esquerda defende a igualdade, os direitos sociais e a ideia de que os mais fortes têm a obrigação de ajudar os mais fracos. Já aos olhos da direita as questões que importam são bem distintas. A direita defende a liberdade, os direitos humanos e o direito de cada um vencer na vida e buscar a felicidade à sua maneira.

No ano passado ocorreu um célebre diálogo entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, as duas maiores potências do planeta. A China adotou o capitalismo sem grande convicção, apenas por entendê-lo como útil para o desenvolvimento econômico e para não ficar atrasada em relação às outras nações. Já os Estados Unidos fazem do capitalismo o seu próprio modo do de ser.

Barack Obama questionou Hu Jintao sobre as recorrentes violações dos direitos humanos e da democracia na China. Hu Jintao, diplomaticamente, reconheceu a importância desses assuntos, mas disse que, por enquanto, isso não é prioridade. "Prioritário, para nós, é alimentar, vestir e abrigar o povo chinês".

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,liberdad…846080,0.htm
ayrton#32

"Por que a direita sumiu

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 2 de março de 2012

(...)"

http://www.olavodecarvalho.org/semana/120302dc.html
andr_10#33
João Melião realmente não entende nada do que está acontecendo no mundo.

O máximo que ele consegue fazer é falar "fulano diz isto em contraposição com cicrano que acredita naquilo", isto é, ele vira um dicionário positivista de citações políticas.

Mas, e a realidade? Como as coisas são de fato?
andr_10#34
Leiam o último artigo do Olavo, Recordações inúteis.

Ao invés de "aí, os liberais gostam de liberdade, os social-democratas pregam a igualdade, e o Lula é só um populista", uma autêntica análise da realidade:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/120307dc.html
gvn_orkut#35
Aconselho a todos que ainda não tiveram a oportunidade,procurem na internet ou mesmo comprem  (acho que no site da livraria cultura tem) o livro "A Verdade Sufocada-A História que a Esquerda não quer que o Brasil Conheça" (o livro tb tem um web-site: http://averdadesufocada.com/ )

Lá é mostrado em detalhes todo o terrorismo praticado por adeptos do Comunismo em nosso país,e como após serem derrotados pelos nossos bravos militares em 64,partiram para a área cultural do país,e colocaram na cabeça de muitos brasileiros que os guerrilheiros lutavam por "liberdade,democracia" que o regime militar era uma "sanguinária ditadura",1964 foi o ano do "Golpe" (quando na verdade o golpe era arquitetados por eles,não fosse os militares seriamos um país comunista,etc...)      Boa leitura!
robert#36
[url]/Main#Profile?uid=804085099025949696[/url]:
Leiam o último artigo do Olavo, Recordações inúteis.

Ao invés de "aí, os liberais gostam de liberdade, os social-democratas pregam a igualdade, e o Lula é só um populista", uma autêntica análise da realidade:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/120307dc.html
robert#37
milton#38

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