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Rosseau a besta vence Locke o civilizado.

Iniciado por claudio_3 em 13/03/2012 · 2 mensagens

claudio_3#1
Ótimo texto do Reinaldo de Azevedo:

Rosseau a besta vendo Locke o civilizado, e no governo de Cameron, o conservador banana.

A garantia
dos direitos individuais como um valor político inegociável é herança do
Iluminismo inglês, não do francês. Esta noção que temos hoje de que o
Estado não pode invadir a nossa vida e de que tem de ter seus apetites
contidos deriva de John Locke (1632-1704). É o pai do estado liberal. Em
contrate, Rousseau (1712-1778), o suíço —francês na formação, na
cultura e no pensamento —, era uma besta ao quadrado do coletivismo.
Está na raiz, sob qualquer ângulo que se queira, dos totalitarismos do
século 20. Não foi o único a revestir de “luzes” um pensamento
autoritário, mas foi a mais perfeita tradução dessa perversão.

Não pensem
que é um mero acaso o fato de que seja citado ainda hoje em nossas
escolas por causa da famosa síntese: “O homem nasce puro; a sociedade é
que o corrompe”. O acento da frase, e de sua obra, não estava na pureza
original do homem, mas na sociedade como elemento de corrupção, donde se
conclui que todos se manterão bons se a sociedade for boa. Para
alcançar este objetivo, vale tudo. Até Voltaire (1694-1778), que não
pode ser considerado um inspirador do liberalismo, ao ler o “Discurso
sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade Entre Homens”, que Rousseau
lhe passara, escreveu em carta: “Ao ler o seu texto, a gente se sente
tentado a voltar a andar de quatro”.

O Iluminismo
inglês, que inventou o indivíduo moderno, é quase ignorado nos livros
didáticos. Já o francês é glorificado como fonte de tudo o que se tem de
bom hoje em dia. Na periodização da história, a Revolução Francesa
marca o início da “Idade Contemporânea”… Pois é! Os ingleses sempre
foram muito ciosos na defesa dos fundamentos do “seu” iluminismo. A
França, por motivos que não vou detalhar aqui e que vocês estudaram na
escola (se é que o professor não estava ocupado em dar aula de
“cidadania”, ensinado que foi Lula quem descobriu o Brasil), nunca foi
uma boa referência para os ingleses. Ao menos até a chegada ao poder de
David Cameron, esse conservador de meia-pataca.


claudio_3#2

Quase 250
anos depois daqueles embates, este zé-mané põe o iluminismo inglês de
joelhos diante da poça de sangue do iluminismo francês. Rousseau, o
bestalhão autoritário, vence Locke, o libertário. Ah, sim, petralhas:
não tentem buscar elogios meus a Cameron para evidenciar minhas
contradições. É perda de tempo! Há certo tipo de gente que não me
engana, ainda que pareça estar do lado em que estou. Adiante.

Por que esta
longa introdução? Nadia Eweida, agente de check-in da Britsh Airways,
foi suspensa do trabalho em 2006 porque se recusou a tirar um crucifixo
que usava durante o expediente. A enfermeira Chaplin Shirley foi
demitida pelo mesmo motivo. Ambas recorreram. Perderam nos tribunais
ingleses e levaram a questão à Corte Européia de Direitos Humanos — a
mesma que decidiu, por 15 a 2, que as escolas italianas têm o direito de
exibir crucifixos. E Cameron com isso, o conservador do shortinho
limpinho, com seu arzinho asseado de quem jamais fumaria os charutos de
Churchill ou tomaria seus uísques? Vai atuar contra as duas!

Elas alegam
que estão tendo seus direitos cerceados, uma vez que a lei garante a
liberdade religiosa. O argumento para a proibição é de um cinismo
escandaloso: a exibição do crucifixo, sustentam a Justiça e o governo
britânicos, não é uma obrigação religiosa no cristianismo; logo, se não
é, então pode ser proibida. Entenderam o ponto? A Inglaterra de Locke
não apenas cede à França de Rousseau e do tarado Robespierre como a
supera em estupidez. Os franceses, como sabem, proíbem a exibição de
quaisquer símbolos religiosos nas escolas: vale para o véu islâmico ou
para o crucifixo. Na Inglaterra, entende-se, então, que é permitido
proibir o crucifixo porque a sua exibição no corpo não é uma obrigação
religiosa; já o véu islâmico jamais poderia ser proibido — e, na
Inglaterra, não é mesmo! — porque, afinal, se trata de uma obrigação…

Tem-se,
pois, como desdobramento lógico o seguinte ilogismo: a religião mais
liberal na imposição de padrões de comportamento é punida; já a mais
restritiva é protegida. Um funcionário islâmico que fosse proibido de
manifestar a sua filiação religiosa geraria imediatamente a acusação de
“islamofobia”; já a “cristofobia” parece coisa muito normal, necessária e
consequência óbvia de um estado laico — ainda que o (a) chefe de estado
na Grã-Bretanha seja também chefe da Igreja Anglicana.

A isso chegamos. Assim está sendo tratada
a herança cultural cristã, e esse é o entendimento que se tem da
liberdade religiosa e do direito de escolha quando o tema é o
cristianismo. Alguma surpresa que vagabundos dessa espécie queiram
proibir a Divina Comédia? Aquela pilantra que quer banir a obra das
escolas italianas é igualmente sensível às culturas e povos que o Islã
esmagou na sua expansão? Acho que não! Esses covardes têm medo da fatwa.
Por isso silenciam diante da óbvia perseguição aos cristãos promovida
hoje em dia em boa parte do planeta. Ao contrário! Em vez de
denunciá-la, eles também assumem a condição de perseguido


Fonte

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/roussea…ador-banana/

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