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"PARADOXOS" CRISTAOS, SEGUNDO O ESTADAO.

Iniciado por alexandre_10 em 06/05/2007 · 11 mensagens

alexandre_10#1
Paradoxos que levaram aos dogmas cristãos
Le Goff revela como surgiram alguns valores que julgamos fixos ou eternos

Mauro Baladi

Todas as ameaças que pairam sobre o nosso mundo podem ser reduzidas a duas causas: a ignorância e o fanatismo. São essas duas pragas - eternas companheiras da humanidade - que nos impedem de ver a realidade, cegando-nos ou ofuscando-nos em demasia. Um dos melhores remédios para esses males é o estudo da História, que expande os nossos horizontes no espaço e no tempo mas, também, nas idéias. É ela, a História, que rompe com a tendência 'natural' que temos em crer que tudo o que existe à nossa volta começou conosco ou sempre existiu (pois a ignorância comporta esses dois extremos). É claro que não estamos nos referindo a uma história caduca, voltada para a produção de heróis ou para a legitimação de abusos e preconceitos. O século 20 trouxe para este ramo do saber toda uma nova maneira de ver e de conceber a sua atividade, a qual se incorporaram elementos da sociologia, da economia, da geografia, da psicologia e da própria filosofia.

Um dos representantes máximos dessa Nova História é, sem dúvida, Jacques Le Goff, legítimo 'sucessor' de gigantes como Marc Bloch, Lucien Febvre, Fernand Braudel e Georges Duby. Ao longo dos últimos 50 anos, Le Goff tem realizado um trabalho de pesquisa incessante - materializado em uma série de obras brilhantes - em torno das idéias e das práticas do homem medieval (que, por sua vez, formaram nossas próprias idéias e práticas). Sempre pensando a História na longa duração (uma visão dinâmica, que não isola e congela sociedades e fragmentos do tempo), Le Goff utiliza todos os tipos de documentos para nos mostrar como surgiram ou se transformaram alguns valores que julgamos fixos e eternos. Nada escapa da mudança, nem mesmo o próprio Deus, como fica evidente pela leitura de O Deus da Idade Média.
alexandre_10#2
Neste livro (apresentado na forma de um diálogo com o também historiador Jean-Luc Pouthier), Jacques Le Goff faz literalmente uma história de Deus na Idade Média, entre os séculos 3º e 13. Esse Deus é, evidentemente, o dos cristãos, que 'entrou' na História pelas características que o distinguem de seus concorrentes diretos: o Javé dos judeus e o Alá dos muçulmanos. Enquanto Javé e Alá não podem ser representados, estão totalmente fora da esfera humana, o Deus cristão é antropomórfico e tem - ou pode ter - um rosto (como vemos no próprio livro, num pequeno encarte com gravuras). Além disso, a identificação, na Trindade, entre Deus e Cristo torna essa divindade quase familiar. Assim, como as próprias artes que o representam, Deus adquire a bizarra condição de um eterno em permanente mudança.

Já de início, o livro de Le Goff nos mostra a falsidade (ou, nas respeitosas palavras do autor, a flexibilidade) fundamental do monoteísmo ocidental. Se o velho panteão greco-romano foi substituído pelo Deus único, esse Deus logo teve que 'delegar' poderes a toda uma série de entidades, começando pela Trindade (essa que é, ainda hoje, a mais estapafúrdia concepção do cristianismo) e indo até os santos e anjos (em especial, os anjos da guarda, divindades individuais). Outra característica dessa fragmentação de poder é a transformação de Maria em uma espécie de 'quarto elemento' da Trindade, como intercessora maior e preferencial entre o humano e o divino.
alexandre_10#3
A questão dessa intercessão é, aliás, um dos maiores problemas políticos da Igreja nos seus primórdios: se Deus é onipresente - condição que não pode ser negada -, se está em tudo e em todos, qual a necessidade das igrejas e dos próprios padres? É para esse tipo de paradoxos que servem os dogmas... e foi assim que o Deus que está em tudo passou a estar 'mais' nos templos e o Deus que está em todos passou a dialogar preferencialmente com alguns escolhidos. De acordo com Le Goff, essa dominação da Igreja, sua imposição como intermediário obrigatório entre os homens e Deus, alcançou seu ponto alto no século 12 e teve como principais instrumentos a consolidação da teologia e a prática dos sacramentos. Porém, outro instrumento serviu muito bem a esse propósito: o uso do latim como única língua para falar com Deus (o que lança uma nova luz sobre algumas atitudes recentes do papa Bento XVI).

O maior mérito que podemos observar neste livro de Jacques Le Goff - e que não é explicitado pelo autor - é sua reveladora comparação entre essa 'trindade' de deuses únicos. Enquanto as palavras de Javé e Alá - deuses que estão 'fora e acima' da História - são simplesmente ouvidas e repetidas, as palavras do Deus cristão são passíveis de múltiplas interpretações, de diferentes leituras (afinal, a teologia é uma ciência e não deixou de ser influenciada pela filosofia). Eis aí aquilo que, do nosso ponto de vista, preserva o cristianismo de alguns extremos de fanatismo. Enfim, por estar 'na História' - mesmo a contragosto -, o Deus cristão também sofreu modificações ao longo dos séculos. Afinal, a história é devir.

Mauro Baladi é filósofo e tradutor
alexandre_10#4
inocncio#5
Todas as ameaças que pairam sobre o nosso mundo podem ser reduzidas a duas causas: a ignorância e o fanatismo

Eita panfletão. Que valor filosófico ou científico tem uma porcaria dessas? Será que essa gente se dá ao trabalho de visitar a história e ver o que aconteceu no séc XX? Ou os 120 milhões de mortos são consequência do fanatismo e da ignorância?
Bastaria uma lidinha no 1984 para ter uma clara imagem da opressão REAL ( não aquela que eles panfleteiam) do perigo que a humanidade corre. Imagem essa, aliás, que nem o Papa parece conhecer. Vai ver ele não leu 1984.

"Você quer uma imagem do futuro? Imagine uma bota prensando um rosto humano para sempre".

Essa é a imagem da opressão que o Sr Bento XVI parece ignorar também, preferindo sair por ai panfleteando as asneiras materialistas que ele deve ter lido muito bem nos clássicos da invencionice socialista.
selma#6
já vi jovens citando o livro 1984,,, contra o capitalismo....... mentem nas escolas... OS JOVENS NÃO SABEM QUE O LIVRO 1 9 8 4 ,, É CONTRA O COMUNISMO..
inocncio#7
Haja esforço para transformar 1984 num livro contra o capitalismo. Seria um esforço comparável a transformar "Mein Kampf" num livro de tolerância e amor ao próximo.
Aliás Orwell é tão genial que deixa a resposta dentro do livro: 2 + 2 = 5.
marco_11#8
¨A questão dessa intercessão é, aliás, um dos maiores problemas políticos da Igreja nos seus primórdios: se Deus é onipresente - condição que não pode ser negada -, se está em tudo e em todos, qual a necessidade das igrejas e dos próprios padres?¨
Esse tal nunca leu filosofia prá dizer uma besteira dessas.
inocncio#9
Nos anos 60 eu devo supor que as pessoas fossem mais bem instruidas então? Ou aqueles 3 milhões que saíram às ruas na marcha da família com Deus pela liberdade em diversas capitais pedindo pela intervenção dos militares contra os comunistas eram todos mestres e doutores honoris causa.
alexandre_10#10
muito das academias das forcas armadas, soh querem cabecas que saibam matematica, portugues e um pouco de geografia...tai porque temos muitos oficiais LIMITADOS INTELECTUALMENTE. nao me adimiro que na mesa lah nao sabiam de muita coisa.
inocncio#11
Precisamos exaltar as qualidades positivas do nosso povo ao invés de ficar dizendo toda hora que não prestamos. Isso é o que querem que pensemos. E tudo o que nós pensamos torna-se realidade. É um perigo esse tipo de pensamento.

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