Conversa de dois jovens filósofos:
Erick Fishuk: Bem, vamos lá, no pouco que eu posso chegar, recordando que necessariamente tive que ser longo... Primeiramente, uma palavra sobre "ateísmo". É difícil defini-lo estritamente como uma "irreligião" ou como uma simples "ausência de religião", como faz a maioria, porque estas duas posições constituem uma indiferença com relação à religião (ou, em última instância, ao teísmo), ou ainda porque conceitos como "religião" e "Deus" podem ser estranhos à linguagem delas. Exemplo: o budismo, dessa forma, não seria uma "religião ateia", mas simplesmente um sistema "não teísta".
O ateísmo, pois, não é uma indiferença, e sim uma contraposição, uma negação do teísmo e das religiões, uma atitude positiva nesse sentido. Assim, se o ateísmo, para ser mais exato, não é uma religião, mas também não é apenas uma "irreligião" ou uma simples "ausência de religião", ele seria, digamos, uma postura para com a religião e o teísmo, porque ele só é concebível tendo como referência a religião e o teísmo originais que ele nega.