Gostaria de saber dos amigos, se o ato de mentir é SEMPRE imoral ou se há situações em que mentir não é imoral ?
Por exemplo: mentir para salvar uma vida, mentir sobre a senha do cofre ao ladrão que pretende roubá-lo ou coisas do gênero.
É que eu estava lendo alguns escritos de Kant onde o mesmo diz que é preferível a morte do que mentir, pois a morte não atenta contra a dignidade humana.
+ Paz
Amigo, eu COM CERTEZA mentiria nesses casos aí que você menciona. Imagina se eu não vou mentir pra salvar a vida de alguém! CLARO que VOU! Não creio que fazer isso se enquadre em "mentir", honestamente.
Em outras palavras:
a MENTIRA nefasta, o PECADO, refere-se à HIPOCRISIA, à COVARDIA, 'a CALÚNIA. Refere-se à mentira que denota uma falha moral grave, que induz ao falseamento deliberado das coisas para levar vantagem, fazer mal a alguém ou escapar de uma punição merecida.
NÃO se refere à tentativa de IMPEDIR que algum mal seja cometido por outrem.
Com ESTA premissa aí que você menciona, Adolf Hitler induziu, no hediondo nazismo, os filhos a denunciar seus pais.
O pecado é INTENCIONALMENTE MAU, amigo. Os casos que você menciona são INTENCIONALMENTE BONS.
...e MORAL é isso, o IMPULSO humano para o Bem. Ser BOM em um mundo MAU.
Não é um manual de regras ocas, sem sentido, a serem obedecidas sem que a pessoa entenda o motivo, "porque sim".
Pricila, olha só o que diz Kant sobre a mentira:
A mentira sob a ótica filosófica
Immanuel Kant é categórico em repreender a mentira em todas as suas nuanças, não lhe facultando qualquer espaço, mínimo que seja. Ele não tolera a mentira em quaisquer de suas espécies e formas, seja em benefício próprio, seja em favor de terceiras pessoas. Entre a morte e a mentira, não titubeia em escolher a morte, pois esta não afronta a dignidade humana. O que nos leva a parafrasear o Marechal Rondon e dizer: “Morrer se for preciso, mentir nunca”. Assim sendo, não admite flexibilização quanto ao dever de dizer a verdade, esta é soberana. Desde já se verifica perfeita consonância entre a ética kantiana e a moral teológica, ambas elevam a virtude da verdade em categoria universal e absoluta.
Em um texto intitulado “Um pretenso direito de mentir por amor à humanidade” , Kant noticia que se deparou com crítica a esse princípio moral de dizer a verdade, de forma absoluta, por parte de seu contemporâneo Benjamin Constant, o qual, da França, afirmou que a ideia de Kant é inviável de ser praticada. Chegou até a enunciar que a sociedade se tornaria impossível – nesse particular, cremos que usou apenas força de expressão, visto que em momento algum externou fundamentação a esse respeito. A seguir, exemplificou que a obediência a esse princípio implicaria no absurdo de pretender classificar como crime uma mentira dita a assassinos em potencial, que, por ventura, perguntassem-lhe se um seu amigo, possível vítima, teria se refugiado em sua casa. Assim, o filósofo francês refutou a tal princípio aduzindo que o dever de dizer a verdade só prevalece em relação àqueles que têm direito à verdade.