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Sobre mentir

Iniciado por willian em 16/06/2012 · 7 mensagens

willian#1
Gostaria de saber dos amigos, se o ato de mentir é SEMPRE imoral ou se há situações em que mentir não é imoral ?

Por exemplo: mentir para salvar uma vida, mentir sobre a senha do cofre ao ladrão que pretende roubá-lo ou coisas do gênero.

É que eu estava lendo alguns escritos de Kant onde o mesmo diz que é preferível a morte do que mentir, pois a morte não atenta contra a dignidade humana.

+ Paz
priscila#2
Amigo, eu COM CERTEZA mentiria nesses casos aí que você menciona. Imagina se eu não vou mentir pra salvar a vida de alguém! CLARO que VOU! Não creio que fazer isso se enquadre em "mentir", honestamente.
priscila#3
Em outras palavras:   a MENTIRA nefasta, o PECADO, refere-se à HIPOCRISIA, à COVARDIA, 'a CALÚNIA. Refere-se à mentira que denota uma falha moral grave, que induz ao falseamento deliberado das coisas para levar vantagem, fazer mal a alguém ou escapar de uma punição merecida.

NÃO se refere à tentativa de IMPEDIR que algum mal seja cometido por outrem.
priscila#4
Com ESTA premissa aí que você menciona, Adolf Hitler induziu, no hediondo nazismo, os filhos a denunciar seus pais.

O pecado é INTENCIONALMENTE MAU, amigo. Os casos que você menciona são INTENCIONALMENTE BONS.
priscila#5
...e MORAL é isso, o IMPULSO humano para o Bem. Ser BOM em um mundo MAU.

Não é um manual de regras ocas, sem sentido, a serem obedecidas sem que a pessoa entenda o motivo, "porque sim".
willian#6
Pricila, olha só o que diz Kant sobre a mentira:

A mentira sob a ótica filosófica
Immanuel Kant é categórico em repreender a mentira em todas as suas nuanças, não lhe facultando qualquer espaço, mínimo que seja. Ele não tolera a mentira em quaisquer de suas espécies e formas, seja em benefício próprio, seja em favor de terceiras pessoas. Entre a morte e a mentira, não titubeia em escolher a morte, pois esta não afronta a dignidade humana. O que nos leva a parafrasear o Marechal Rondon e dizer: “Morrer se for preciso, mentir nunca”. Assim sendo, não admite flexibilização quanto ao dever de dizer a verdade, esta é soberana. Desde já se verifica perfeita consonância entre a ética kantiana e a moral teológica, ambas elevam a virtude da verdade em categoria universal e absoluta.

Em um texto intitulado “Um pretenso direito de mentir por amor à humanidade” , Kant noticia que se deparou com crítica a esse princípio moral de dizer a verdade, de forma absoluta, por parte de seu contemporâneo Benjamin Constant, o qual, da França, afirmou que a ideia de Kant é inviável de ser praticada. Chegou até a enunciar que a sociedade se tornaria impossível – nesse particular, cremos que usou apenas força de expressão, visto que em momento algum externou fundamentação a esse respeito. A seguir, exemplificou que a obediência a esse princípio implicaria no absurdo de pretender classificar como crime uma mentira dita a assassinos em potencial, que, por ventura, perguntassem-lhe se um seu amigo, possível vítima, teria se refugiado em sua casa. Assim, o filósofo francês refutou a tal princípio aduzindo que o dever de dizer a verdade só prevalece em relação àqueles que têm direito à verdade.
willian#7
Em sua resposta, Kant reafirmou o seu ponto de vista, não alterou seu pensar, permaneceu impávido. Primeiro, criticou a expressão “ter direito à verdade”, asseverando ser desprovida de sentido, pois, segundo ele, todo homem tem direito à sua própria verdade. Em seguida, suscitou duas questões: 1. Em saber se o homem, quando não pode se recusar a responder sim ou não, tem a faculdade (direito) de ser inverídico; 2. Em saber se não está absolutamente obrigado, em certa declaração a que o obriga uma injusta coação, a ser inverídico a fim de evitar um crime que o ameaça ou ameaça outra pessoa. Em resumo, reforça que: “É, portanto, um sagrado mandamento da razão, que ordena incondicionalmente e não admite limitação, por qualquer espécie de conveniência, o seguinte: ser verídico (honesto) em todas as declarações”. E consolida sua resposta da seguinte forma: “Cada homem, porém, tem não somente o direito, mas, até mesmo, o estrito dever de enunciar a verdade nas proposições que não pode evitar, mesmo que prejudique a ele ou a outros”. Entretanto, a mentira teima em ser companheira do ser humano, tema ao qual já nos referimos em outro contexto.

Fonte: http://www.escolamundoazul.org.br/juri_noticia_list.…imina%E7%E3o

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