A Câmara dos Deputados do Paraguai, controlada pela oposição, aprovou nesta quinta-feira,21, o início de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo, após a morte de 17 policiais e camponeses durante um conflito agrário na semana passada.
Lugo, um ex-bispo da religião católica, eleito há quatro anos pelas promessas de defender as necessidades dos pobres, tem tido dificuldades para levar sua agenda de reformas por conta da influência da oposição no Congresso.
Em uma votação nesta manhã, a Câmara aprovou o julgamento de impeachment por 73 votos a favor e 1 contra. Agora, passará ao Senado, que também é controlado pelos adversários de Lugo. Caso seja aprovado, o julgamento de impeachment será realizado no Senado.
Os deputados consideraram que Lugo é responsável pela morte de seis policiais e 11 trabalhadores rurais sem-terra em um confronto armado durante uma operação de reintegração de posse que aconteceu no último dia 15 em uma fazenda da cidade de Curuguaty, no nordeste do país, perto da fronteira com o Brasil.
Lugo, negou que pretenda renunciar ao cargo, e disse em mensagem à nação que se submeterá ao "julgamento político" promovido pelo Congresso "com todas as suas consequências".
Ele disse ainda que vai "honrar a vontade das urnas" e evitar que "mais uma vez na história da República um fato político tire privilégio e soberania da suprema decisão do povo".
"Em relação a este desafio, este presidente anuncia que não vai renunciar ao cargo e se submete, com absoluta obediência à Constituição e às leis, a enfrentar o julgamento político com todas as suas consequências", acrescentou.
Lugo substituiu a cúpula da polícia, mas, devido a uma avalanche de críticas por sua gestão do caso, anunciou nesta quarta-feira que será formada por uma comissão especial, com apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), para investigar o ocorrido sem a "turbulência" dos interesses políticos, econômicos e setoriais que cercam o caso.
Para o presidente, "neste momento sensível para a vida democrática da República", com a tensão como "elemento dominante", "dá a impressão de que se abandona o comedimento e a reflexão para utilizar o tambor batente para escrever a História". Lugo também pediu ao Parlamento que lhe ofereça "toda a garantia de uma justa defesa" durante o processo.
Após a mensagem de Lugo, as Forças Armadas emitiram um breve comunicado no qual garantiram o respeito à "ordem constitucional e democrática vigente".
"As Forças Armadas se mantêm dentro de sua função específica que lhe são conferidas pela Constituição e as leis", diz a mensagem.
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