Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Martin Heidegger

Iniciado por ayrton em 25/06/2012 · 54 mensagens · página 1 de 2

ayrton#1
A obra de Martin Heidegger (1889-1976) é marcada  por
sua insistência em apelar para uma radicalização do pensamento
metafísico tornou-o um dos filósofos mais célebres do século XX.
.
À exceção de Ser e Tempo (1927), que ficou inacabado, todos os
outros textos de sua autoria foram publicados na íntegra, em língua
moderna (alemã) e durante sua vida. Se as teses e idéias de Heidegger
são obscuras, isso deve-se a sua maneira hermética de reinterpretar os
termos metafísicos, a partir de um retorno à origem helênica da
discussão sobre o ser e o pensar. Por vezes, esbarra-se na dificuldade
de traduzir o significado de suas palavras e conceitos, devido à
interpretação inovadora que ele impõe aos termos das línguas grega e
alemã.
.
Palavras como physis (em grego, "natureza"), dasein (em alemão, "ser-aí"), ousia ("substância"ou "essência" grega) e zeit ("tempo",
alemão), por exemplo, fazem parte de um vocabulário que já não é mais o
dos helenos e alemães, mas sim heideggeriano. Isso porque, a
linguagem, para esse autor, será o elemento mais característico da
essência humana. E só através de uma linguagem apropriada pode aflorar a
verdade de todas as coisas, pondo às claras o fundamento de tudo. A
metafísica de Heidegger procurava, então, retomar o questionamento do
ser e a busca de seu fundamento, por intermédio da linguagem
originária.




ayrton#2
Nesse sentido, a linguagem, comparada ao logos helênico, é a
base do real sobre a qual os fenômenos se expõem com clareza. O homem,
enquanto portador da língua, é um ser privilegiado para responder como o
"ser-aí" deve ser compreendido na sua condição temporal. Contra a
vertente aristotélica da metafísica, que faz com que o homem perca sua
humanidade, ao ser considerado um ente entre os demais, Heidegger
procura mostrar que as relações das coisas existentes é provisória e
atrelada ao tempo em que elas ocorrem.
.
O fenômeno, ao manifestar-se no tempo, portaria o sentido do ser. Ao
passo que o homem, com sua linguagem, concebido como contemporâneo do
ser, em sua existência ao lado do ser, proporcionaria a oportunidade de
entendimento desse "ser-aí" presente no tempo, não como um objeto de
estudo fixo, constituído por diversas categorias reificadoras - que
transformam o ser em uma coisa sujeita à experiência concreta. Ao se
manifestar de vários modos o ser revelaria a sua essência no tempo, ao
contrário da concepção aristotélica que visava sua classificação, de
acordo com as diversas maneiras de existir atemporais. Heidegger
entendia o homem como aquele ser portador da verdade e que sua essência
seria a preservação dessa verdade, por intermédio de um pensar
radical, calcado na origem do pensamento pré-socrático. A nova
metafísica proposta por ele supõem haver um único significado autêntico
do ser, a saber, aquele cuja essência se encontra na temporalidade
própria. Qualquer outra forma de reconhecimento do ser, baseada numa
técnica de pesquisa científica, provocaria o esquecimento e a ocultação
da verdade do ser.



ayrton#3

A Presença do Ser

O conceito de Dasein, traduzido por "ser-aí", assume um
papel fundamental na metafísica heideggeriana. É o "ser-aí"que permite o
entendimento do ser, a partir do próprio ser em três níveis de
conhecimento. No nível ôntico, o "ser-aí" seria determinado pela presença do ser, entre os entes. No estágio ontológico, o "ser-aí"é compreendido como existência num tempo determinado, "aí", fundamentando o ser. Por fim, na esfera ôntico-ontológica,
o "ser-aí"determinar-se-ia pelo ser em sua atuação no mundo, princípio
de realização de todas ontologias tradicionais. A despeito dessas três
etapas de conhecimento do ser, Heidegger vai propor uma nova ontologia
que se funde na verdade do ser irredutível a sua entificação e prática
cotidiana.

.

"Ser-aí" é aquilo que é característico do homem. Só o homem, na
concepção heideggeriana, existe como um "ser-aí"capaz de revelar-se,
sem se esgotar ou identificar com ele. O homem teria a possibilidade de
trazê-lo à luz e apresentar-se enquanto tal, ou seja, sendo um ser que
se mostra no tempo. Por ser dotado de linguagem, o homem tem a
condição necessária para a manifestação do próprio ser no tempo, não
como objeto tradicional das ciências e filosofia ocidental, mas na
forma de uma subjetividade entrelaçada, na qual sujeito e objeto se
mesclam em um pensamento originário.

.
Talvez essa seja a grande contribuição crítica de Heidegger à
filosofia. Ele foi um dos primeiros a tentar superar a relação
Sujeito-Objeto, na qual a filosofia - notadamente a Teoria do
Conhecimento - havia se detido. Foi pioneiro ao propor uma alternativa
para o impasse para o qual a modernidade caminhava, apontando as
dificuldades que tal dicotomia proporcionava à compreensão metafísica do
ser. Ao chamar atenção para a linguagem como veículo de manifestação
do ser, Heidegger queria dizer que tanto nos significados das palavras,
como nos sons que elas transportavam, haveria um ser que fala por
intermédio da língua.

(...)"
.
Na íntegra:
.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/martin-heidegger-o-humanismo.htm


ayrton#4
ayrton#5
Andei lendo sobre ele recentemente (quase nada sabia) e encontrei material interessante.
ayrton#6
"O homem age como se fosse o senhor e mestre da linguagem, enquanto que na verdade a linguagem permanece mestra do homem"
.
[M. Heidegger]
dstvtiago#7
[url]/Main#Profile?uid=2550191970516022724[/url]:
"O homem age como se fosse o senhor e mestre da linguagem, enquanto que na verdade a linguagem permanece mestra do homem"
.
[M. Heidegger]

Interessante.
ayrton#8
É muito interessante, mas o cara (nazista convicto, namorou uma judia e foi discípulo de um judeu) sua filosofia e os desdobramentos da mesma (desconstrucionismo, por ex)  são bem mais complexos do que podem parecer. Cuidado.
ayrton#9
"Quem nos livrará da civilização ocidental?", perguntava angustiado
Lukacs. Quem logo se apresentou como primeirão da fila foi o nazista
Martin Heidegger. Destruição – Destruktion – é a palavra-chave de tudo o que ele fez na vida: desde escrever e depois desescrever Ser e Tempo até aplaudir a ascensão do
Führer e recusar-se a esclarecer o assunto depois da II Guerra,
deixando seus fãs numa dúvida perturbadora que dava à sua filosofia
ainda mais sex appeal. A essência da filosofia de Martin
Heidegger consiste em abolir o Logos, o verbo divino que faz a ponte
entre o pensamento humano e a realidade externa, e colocar em seu lugar a
"vontade de poder" do Führer. Heidegger foi o primeiro herói da guerra contra o "logocentrismo".
.
[Olavo de Carvalho]
.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/061127dc.html
ayrton#10
"Atribuindo psicoticamente à fala humana o poder criador do Logos divino, Martin Heidegger, militante nazista aposentado e um dos ídolos do establishment
acadêmico, declara: "A linguagem é a morada do ser" – como se o ato de
falar existisse fora e acima da realidade, e não dentro dela"
.
[Olavo de Carvalho]
.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/101021dc.html
ayrton#11
Criei este tópico apenas porque não existia outro no qual pudesse acrescentar material. Depois, alguém podia criar um sobre o tutor de Heidegger, Edmund Husserl.
.
Seria legal se quem já conhecesse o pensamento dos filósofos fizesse um resumo com os destaques as possíveis críticas.
miguel_5#12
Heidegger não era nazista. Náo há nada nele que se possa chamar de anti-semita, e em sua filosofia não há absolutamente nada que se possa filiar a qualquer doutrina totalitária. São acusações equivocadas e infundadas.
ayrton#13
É o seu avatar, Miguel, eu sei. Contudo, ele foi um colaborador do nazismo ou não?
.
Eu vi os dois vídeos que estão postados aqui neste tópico. Você que conhece, poderia analisá-los e, depois, quando puder, e se quiser (evidentemente) , tecer um comentário a respeito?
.
Grato, desde já.
ayrton#14
Ok. Disse isso, apenas baseando-me no que li a respeito dele e nesses dois vídeos que estão postados neste tópico. A minha opinião sobre ele é NENHUMA,já que nunca li nenhum livro desse autor.
ayrton#15
Seria interessante se os que conhecem a obra dele vissem os vídeos, ou pelo menos o de 20 min, e o(s) usasse(m) como ponto de partido para uma critica (nem precisa ter nível acadêmico não, e se se enganarem podem corrigir depois,  afinal isso aqui é Orkut)
.
Também seria legal se indicassem livros: afinal "Ser e Tempo" é sua mais completa obra? É a melhor para iniciantes?
.
Grato,. desde já.
ayrton#16

Heidegger Sobre Karl Marx e a mudança do mundo (1969)

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=HIXWnhwlrpk

ayrton#17


Análise de Nietzsche por Bertrand Russell e Martin Heidegger

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=wT5zb1KrbW8

davi_2#18
Um filósofo que demonstrou grande simpatia pelo pensamento de D. T. Suzuki, um dos principais difusores (pioneiros) do Zen-Budismo no Ocidente. Uma rápida pesquisa na internet esclarece a relação entre ambos. Talvez ilumine algo sobre sua abordagem filosófica.
miguel_5#19

Para quem interessar. Algumas obras de Heidegger em português:

"Seminários de Zollikon"

'História da Filosofia de Tomás de Aquino a Kant" (vozes)

"A Essência do Fundamento"

"Ensaios e conferências" (vozes)

"Nietzsche: Metafísica e Niilismo"

"Ser e Tempo" (vozes)

"Parmênides" (vozes)

"Introdução à Metafísica"

"A caminho da Linguagem"(Vozes)

"Ser e Verdade"(vozes)

"Nietzsche"

"Escritos políticos"

"Heráclito"

"AOrigem da Obra de Arte"

"Os Problemas Fundamentais da Fenomenologia" (vozes)

"Introdução à Filosofia"

"Correspondência: Heidegger e Hannah Arendt"

"Sobre o Humanismo"

miguel_5#20
Heidegger viu no Nazismo, a princípio, um movimento que poderia tirar a Alemanha do profundo caos em que se encontrava. Mas logo decepcionou-se com o movimento. Aceitou o convite de ser Reitor da principal Universidade Alemã como um meio de evitar que o partido coloca-se lá alguém mais afim com a ideologia nazista. Não demitiu professores judeus e proibiu qualquer ato de queima de livros judaicos dentro da universidade ou mesmo a retirada destes livros da bliblioteca. Em suas aulas era vigiado de perto pelos nazistas.
ayrton#21
ayrton#22
Publiquei esse uspiano aí, pois parece ser inofensivo.
.

Marco Aurélio Werle


Nasceu
em 10 de março de 1969, em São João, ex-distrito do município de
Itapiranga-SC e atualmente o município de São João do Oeste-SC. Concluiu
em 2000 o doutorado em Filosofia pela USP, onde é professor associado
livre-docente no Departamento de Filosofia. Suas publicações (artigos,
livros e capítulos de livros) tratam principalmente de Hegel, Heidegger e
da estética da época de Goethe. É tradutor, do alemão ao português, de
Hegel, Goethe e Heidegger. Seus atuais orientandos, em nível de
iniciação científica, mestrado e doutorado, concentram-se na área da
filosofia alemã clássica. Atua na área de Filosofia, com ênfase em
História da Filosofia, em Filosofia da arte e em Estética. Em seu
Currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da
produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: estética,
Filosofia alemã, Hegel, filosofia da arte, Heidegger, Filosofia
contemporânea, Goethe, idealismo alemão, Teatro e Época de Goethe.
ayrton#23
Obrigado pela colaboração, Miguel.
ayrton#24
"Somente o Fuhrer representa o presente e o futuro da realidade alemã e sua lei. Ponha uma coisa na cabeça: de agora em diante, absolutamente tudo exige decisão, e toda a ação, responsabilidade"
.
[M. Heidegger]
miguel_5#25
Muito fácil desvincular uma frase de seu contexto quando se quer difamar o sujeito.
ayrton#26
Foi uma provocação mesmo, Miguel, mas você o defendeu bem ao enfatizar todo aquele contexto da época.
ayrton#27
"Nenhuma época soube tantas e tão diversas coisas do homem como a nossa. Mas em verdade, nunca se soube menos o que é o homem"

.

[M. Heidegger]
luiz_8#28

Hitler não caiu de paraquedas na história alemã e muito menos européia.

O antisemitismo estava enraigado na cultura européia e principalmente alemã.

A maioria dos filósofos e pensadores alemães eram anti semitas declarados.

Martinho LUtero, Goethe, Richard Wagner o músico,

Hitler era a voz do pensamento alemão.

E anti semitismo assim como racismo era algo comum na sociedade européia.

luiz_8#29

este é um dos maiores erros das pessoas de hoje.

O antisemitismo era algo latente na sociedade alemã.

O semita( judeu) era visto como uma figura estranha a sociedade alemã.

Além disto havia o pensamento cristão de que os judeus eram os responsáveis pela morte de Jesus Cristo, e portanto eram Deicidas.

Além de ser uma figura estranha na sociedade alemã que destoava com sua fisionomia, sua cultura e seus hábitos, o judeu ainda por cima era influente.

Sim o judeu diferente dos demais povos que imigraram para a Alemanha era um figura que se destacava no seio desta sociedade e ocupava posições políticas estratégicas.

Influenciava a vida política e social da Alemanha.

 

luiz_8#30

portanto nos bastidores pelos círculos anti semitas alemãos, inclusive formado por muitos pensadores e filósofos importantes como Carl Gustav JUng era o judeu a encarnação do demonio, do corrompedor da cultura e sociedade alemã.

Estas idéias florescentes com absoluta certeza influenciaram Adolf Hitler,

Aliás o anti semitismo de Adolf Hitler contribuiu com mais popularidade e votos!!

Hitler era o megafone, ele refletia o pensamento da sociedade alemã contemporânea.

 

 

 

miguel_5#31

Heidegger faz-nos compreender, de um modo original, concepções antigas, melhor, quer mostrar-nos como a solução de um problema reside no modo de o por. A filosofia não é para ele uma questão de vocação, mas de atitude: não tem outro fim que o de nos ajudar a pensar e a interrogarmo-nos.

 

Não elucidamos ainda a crise em que vivemos. Ela é, em parte, provocada pelo desenvolvimento das ciências humanas que põe em causa os nossos antigos modelos e pela invasão da técnica que desencadeia uma aceleração na produção econômica e provoca novas necessidades de consumo, tornadas mais agudas pelos artifícios da propaganda. Esta situação torna precário todo empreendimento político que, ocupado em responder às urgências imediatas, está previamente incapacitado para realizar o recuo necessário à prospectiva.

 

O mal do homem contemporâneo é mais profundo: situa-se no plano do ser e não no do agir. Como vencer a crise que hoje nos abala e que ameaça atingir-nos no nosso ser? A filosofia de Heidegger não dá qualquer resposta, mas põe uma questão mais essencial que nos permite superar as interrogações particulares em que projetamos a nossa insegurança e os nossos medos. Para compreender essa questão e lhe responder, devemos começar por relativizar aquilo em que estamos mais agarrados. Porque as idéias e as crenças que voluntariamente nos refugiamos tendem a impor-se com uma força tal que as confundimos com a própria realidade das coisas. A nossa própria representação ou a linguagem escapam-se, de fato, por entre o nosso pensamento e o mundo real e arvoram-se em norma absoluta de verdade. Desconfiemos de todos os positivismos e de todos os dogmatismos, que são frequentemente a estruturação operada pela representação da projeção das nossas necessidades.

 

miguel_5#32

É urgente reencontrarmos, para além das idéias ou das palavras, o que densifica as coisas e o que é igualmente o centro de gravidade do homem. Se não vivemos à superfície da realidade com medo de enfrentarmos a profundidade que ela oculta; afastamos a complexidade do que existe com medo de a por em questão; entorpecemo-nos no que Heidegger chama o universo da banalidade cotidiana; perdemo-nos na tagarelice que nivela os seres e as coisas e paralisa toda interrogação e todo espanto.

 

miguel_5#33

O esquecimento dos vestígios do sagrado, a perda do sentido poético, o desenraizamento do homem, o comportamento prático que ele adota frente às coisas, dominando-as pela técnica, encobre e faz esquecer o comportamento poético que define o modo original da sua presença no mundo.

 

O perigo da técnica é precisamente o de que esta lhe deixa acreditar que, dominando a terra, vai ao fundo de todos os problemas e de todas as dificuldades, que a melhoria dos meios de ação caminha a par com a perfeição ontológica do ser humano. Heidegger denuncia este equívoco e conduz-nos simultaneamente à terra.

miguel_5#34

EK-SISTÊNCIA

 

Não se pode definir o homem em relação a ele mesmo: ele não é um sujeito isolado que, tomando-se como objeto de reflexão, operaria uma redução do mundo. O homem não é uma essência geral, um animal racional cuja existência individual precisaria dos contornos empíricos. Antes de pensar e mesmo de falar, vive em relação com as coisas, com os outros e com o mundo. Esta presença fundamental, cujo conhecimento é uma das expressões privilegiadas, não é exclusivamente um fato verificável, mas um acontecimento vivido, a experiência espantosa do surto do Ser. É esta verdade primeira que a palavra ek-sistência quer traduzir. O homem ek-siste; isto significa que a cada instante ele se manifesta no ser.

miguel_5#35

OS DOIS MODOS DA EK-SISTÊNCIA

 

Heidegger distingue dois modos da existência: a existência autêntica e a existência inautêntica. Na vida cotidiana, o ser humano vive geralmente  de modo inautêntico: retrai-se atrás das palavras, alimenta-se da curiosidade e sustenta o equívoco. Concebe-se, assim, à margem das coisas que tem sob os olhos. O mundo torna-se um lugar oferecido ao olhar, uma imagem deformada do real. Em vez de aderir ao mundo, a compreensão lança-se para além da situação: com medo de desvelar o mundo que está já-aí, e para se tranqüilizar, inventa um novo para si. Quanto à situação, reduz-se a uma simples impressão passageira que pode ser corrigida constantemente.

 

A inautenticidade atinge também o domínio do encontro: o Outro não  é o outro que faz estruturalmente parte do meu Cuidado, mas um outro eu-mesmo, um alter-ego, cuja presença original é destruída em proveito da representação niveladora e anônima. A própria morte torna-se uma idéia, propriedade de todos e de ninguém: morre-se como se fala. Esta vida inautêntica que priva o ser humano de suas possibilidades traduz uma possibilidade radical do homem: o descaimento. A existência, em vez de se comprometer, deixa-se viver no tempo que passa. A historia é uma sucessão de agoras de onde decorre uma falsa imagem da exterioridade. Esta situação não proporciona ao sujeito nenhum repouso, age sobre ele como um aguilhão que o conduz a uma aventura sem fim.

 

Este divertimento tem uma significação ontológica: a tentação da exterioridade é uma tentativa para escapar ao empreendimento do Ser. Eu fujo porque tenho medo de mim, da minha culpabilidade. Ser culpado não significa ser portador do peso de um pecado original, mas descobrir a sua própria finitude tornando-se atento à voz muda da consciência. A consciência, com efeito, obriga-me a abandonar o universo tranqüilizador que eu criei para mim, para corresponder à verdade nua da realidade. Que este apelo interior que me inquiete e me confunda, isso significa precisamente quanto me tornei estranho a mim mesmo. A inautenticidade é uma espécie de culpabilidade primeira, aquele que me lembra o nada da minha realidade.

 

O medo refere-se sempre a objetos particulares: eu tenho medo de alguma coisa. A angústia, pelo contrário, não tem contornos precisos uma vez que a nada se refere. Ela é o sentimento do já-aí, o presentimento de que a presença se situa para além dos objetos presentes. O medo é, pois, um medo do medo que evita a angústia.

 

Não entendemos as categorias de autenticidade e inautenticidade segundo critérios de ordem moral. A existência inautêntica tem a sua linguagem e a sua lei próprias: ele não é uma simples aparência do ser mas uma dimensão real da ek-sistência. Nunca é, pois, superada pela conversão à existência autêntica. O homem vive constantemente na encruzilhada da autenticidade e da inautenticidade; os cuidados cotidianos ocultam-lhe sempre o seu Cuidado fundamental; o espetáculo do mundo tende a fazer-lhe esquecer o seu ser-no-mundo; o medo frente a um sendo particular ou o sendo na totalidade mascara-lhe a angústia do seu ser perante a presença do Ser. Poder-se-ía ver nesta ambigüidade do comportamento humano a expressão trágica da finitude humana.

 

miguel_5#36

A VERDADE-DESVELAMENTO

 

O olhar sobre a coisa transforma a sua aparição em simples aparência. A noção metafísica de verdade limita-se a estabelecer relações de identidade ou de conformidade entre os fenômenos observados. Ao fazer isso negligencia o fenômeno original da aparição. Como é possível representar os objetos se não há um lugar de onde possam ser iluminados? Ora, a verdade realiza-se bem mais no plano desta visão primordial do que no das visões particulares. Ver um objeto não é, primeiramente, descobri-lo, abri-lo a algo diferente dele? É no interior desta abertura ontológica, desta deiscência histórica que toda a visão é possível. A abertura é o meio de onde surge a coisa.

 

Não é o nosso olhar que mede a coisa, mas o horizonte da coisa que mede o nosso olhar. A realidade aparece, com efeito, carregada de significações de que o espírito não percebe senão o esqueleto. O pano de fundo no qual este se desvela é, primeiramente,  o ser-no-mundo, mas também o mundo do Ser. Ela não reside na medida que regulamenta a conformidade do olhar, mas na abertura que condiciona toda a tomada de medida. Ela é o desvelamento que faz sair do ser do esquecimento.

 

Encontramo-nos na clareira da Verdade. Pelo fato de ek-sistirmos, fazemos aparecer o mundo na luz do Ser. A verdade é o ato dinâmico que faz surgir as  coisa à luz, o despertar do nosso pensamento para a pré-compreensão que nos põe no Ser.

 

Ninguém possui a Verdade. Nós estamos na verdade e caminhamos na sua claridade. O que a metafísica compreendeu sobre esta palavra não é senão uma forma determinada de nos representar esta marcha, de tomar a medida do caminho. Não existe uma verdade imutável, suspensa no firmamento dos ideais, há somente uma Verdade temporal que nos constitui e que descobrimos na história. Ela irrompe em nós sob a forma de um ato interior, de um apelo, de uma questão.

 

miguel_5#37

O “DASEIN” E O POETA

 

Ser homem não é ser um ser pensante, um animal racional, mas um “ser-que-mostra”, um ser capaz de interpretar os símbolos divinos do Sagrado.

 

Os mitos não são, como pensa Cassirer, as expressões da função simbólica do espírito, porque a imaginação não é a faculdade de simbolizar livremente, mas a capacidade fundamental do Cuidado. Heidegger estabeleceu, pois, as bases de uma hermenêutica existencial dos símbolos. Estes constituem a linguagem primordial graças à qual o homem poeta se interpreta como ser-no-mundo, aberto ao mundo do Ser. Porque o ser do homem é ser pré-compreensão do Sagrado. Porque a verdade não está fora de nós, está em nós; ela não é a visão ôntica que o homem tem do mundo, mas a visão ontológica que o Dasein tem do homem e do mundo

 

miguel_5#38

O JOGO DO SER E A ARTE

 

Heidegger opõe-se a toda a forma de esteticismo, quer se trate do naturalismo de J. Dewey que, identificando o belo com o agradável, o considera como a expressão acabada da experiência humana, ou do psicologismo da tradição libertina que, assimilando o belo à anti-natureza ou à anti-sociedade, em resumo, à recusa do real exigido pela imaginação, projeta na obra as aspirações sufocadas ou recalcadas duma plenitude interior. Esta dupla visão que ressalta a iniciativa individual enraíza-se na visão antropocêntrica da metafísica moderna, a qual nunca criticou o duplo pressuposto em que ela repousa: a concepção instrumentalista da relação da linguagem com o ser e a interpretação da verdade como retidão reconhecida ou contestada.

 

Segundo Heidegger, a criação artística não é nem uma produção subjetiva, nem um produto formal, mas o desvelamento da relação misteriosa que une a terra ao mundo. O mundo não designa aqui a imagem objetiva da percepção, mas a abertura prévia que torna possível toda a percepção das coisas. Também não é uma realidade de contornos determinados, mas uma realização permanente, o próprio processo de “mundanização”. Entretanto ele não se manifesta no indeterminado, mas prende-se à terra que caracteriza o segundo elemento da obra. A terra é a base do mundo, a realidade factica que resiste ao afluxo luminoso do mundo, mas deixando-se transformar por ele. É nela que o mundo se oculta e se enraíza.

 

A obra de arte é a tradução do diálogo nunca acabado que se trava entre o mundo e a terra. Este diálogo é, de fato, um conflito: o mundo desvela a terra e a terra oculta o mundo. Mas esta luta gigantesca que desencadeia a criação artística não é senão a projeção existencial do combate mais essencial que se trava, no coração do Ser, entre a Verdade e a Não-Verdade. A obra de arte é a bela aparência da Verdade, um dos modos essenciais da encarnação do Ser.

 

Transcendência e acontecimento, tais são as duas dimensões do belo, segundo Heidegger. Por um lado, produzindo em nós o choque da revelação do Ser, a arte rompe o curso da vida banal, sufoca a falsa nostalgia do absoluto e descobre-nos o sentido religioso do finito.

 

Para Heidegger, o belo é o jogo da Verdade no jogo do mundo. A realização estética é uma criação, porque dá um sentido à terra, fazendo comungar o homem do acontecimento que é a irrupção da verdade. O artista também não domina o acto da criação artística; ele é sempre ultrapassado pela obra. Ao por a arte sob o signo da Verdade, Heidegger recusa a concepção da arte pela arte ou a idéia duma obra que seria a expressão objetiva do gênio individual.

miguel_5#39

Porque a obra de arte é uma pro-dução da Verdade, por conseguinte, um desvelamento, ele é essencialmente poesia, no sentido amplo do termo. Toda obra de arte é um caso de linguagem poética.

 

No plano objetivo, a obra de arte é diálogo entre o mundo e a terra e a aparição do jogo da Verdade. Por conseguinte não há regras estéticas que possam controlar ou dominar a livre expressão da beleza. Ou melhor, todas as técnicas artísticas só se justificam se são empregadas a traduzir o Jogo da Verdade. No plano subjetivo do artista, em seguida, a arte é mais a experiência de uma superação de si do que o lugar da projeção das possibilidades existenciais. Aquele que aprecia uma obra bela não contempla, portanto, um espetáculo, ele está associado ao ato criador do artista e ao desvelamento histórico da verdade.

 

Para Heidegger, a imagem ou a representação não é o elemento essencial da obra, visto que ele é constantemente superada no Jogo do mundo. Entretanto, o sentido da Verdade não se dissolve na geometria do desenho ou nas relações puramente formais entre as palavras. O dadaísmo parece fazer a interpretação metafísica da arte, visto que mantém uma expressão deformada do universo da percepção. O formalismo excessivo paralisa, de algum modo, o acontecimento do mundo e impede toda a renovação da terra na clareira da Verdade do Ser.

 

miguel_5#40

O DESVIO PELO SER E A CULTURA

 

A cultura não é um saber sobre as coisas nem uma ideologia, isto é, um sistema de pensamento. Ela é uma forma de arte, visto que é, também, uma época da Verdade. Tem, pois, uma história que transcende o plano dos seus diferentes conteúdos. A cultura é o modo histórico da cuja terra o homem se apropria para alevar à inteligibilidade do mundo. Não é, pois a narrativa de um saber, mas um modo de ser original que orienta o objetivo concreto do conhecimento.

 

Heidegger recusa-se a opor a cultura à natureza. Sem dúvida, no plano dos conteúdos, é sempre possível distinguir o que é o produto da atividade e do saber humanos e o que é o conteúdo real das coisas. A cultura aparece, então, como algo que se vem juntar à natureza. Mas uma tal visão desconhece o próprio sentido da história, ao distinguir, sem razão, o que é dado no princípio e o que é fruto das aquisições posteriores. Não há natureza humana concebida segundo o modelo metafísico duma substância permanente sobre a qual se enxertariam os acidentes da cultura; não há, tão pouco, uma espécie de princípio inicial análogo à monada leibnitziana de que o desenvolvimento cultural não faria mais do que traduzir as virtualidades.

 

A cultura é, ela própria, uma necessidade da natureza. Devemos, por conseqüência, corrigir o nosso modelo da natureza à luz da diferença ontológica. Já que não há realidade verdadeira anterior à Revelação do Ser, já que a própria essência da Verdade é histórica, o que chamamos cultura não é senão a própria história da natureza. Pode dizer-se que o comportamento cultural faz estruturalmente parte da atitude natural que ele contribui para revelar. A natureza não é uma realidade, mas uma realização: ela é esta continuidade de sentido que o pensamento percebe entre as diferentes fases de uma mesma cultura ou entre as diversas estruturas procedentes de meios culturais diferentes.

 

O homem não tem uma natureza; ele aproxima-se da sua natureza através da história da cultura. O mesmo se passa com a idéia de tradição. O que é tradicional não é o conteúdo de atitudes caducas ou o depósito de idéias anteriores. A fidelidade ao passado não se situa ao nível da reprodução positiva dos gestos ou da interpretação normativa das idéias. Sob as diferentes tradições constituídas há a experiência de um mesmo sentido próprio. Ora, este não consiste num tema dado, que seria o resultado de todo um processo de reflexão, nem mesmo num esquema abstrato que seria comandado à maneira de ver de outrora. O sentido e, por conseguinte, a Tradição são as mediações que regulamentam a continuidade entre os diferentes esquemas que presidiram à elaboração dos temas. Ela consiste num movimento de superação das visões anteriores da consciência, revistos e corrigidos em função das possibilidades do futuro. Não existe, pois, tradição concebida segundo o modelo de um continuum mental ao qual o pensamento se referia, isto é que ele adaptaria a situações novas. Tal como a cultura só existe pela natureza, assim a tradição não existe senão por este movimento incessante de releitura que é o sentido ou a Verdade do Ser.

 

miguel_5#41

"O Pensamento de Martin Heidegger"

Jean-Paul Resweber

srgio_4#42
Filósofo de comunistas e totalitários
ayrton#43
Obrigado pelas contribuições, Miguel "Heidegger' e "Ruivo"!  Deram um valor para este tópico. Ainda estou lendo.
ayrton#44
Entrevista
com Martin Heidegger.
O filósofo alemão fala ao "Der Spiegel",
em 1966, sobre sua convivência com o nazismo e suas idéias
políticas
.
Pergunta - Enfim, o senhor aceitou o cargo [de reitor da Universidade de Friburgo]. Como imaginava que seriam suas relações com os nacional-socialistas?

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Martin Heidegger - Dois dias depois vieram ao reitorado o chefe dos estudantes com dois companheiros e renovaram seu pedido para colar os cartazes contra os judeus. Recusei. Os três estudantes se retiraram fazendo a observação de que esta proibição seria comunicada à chefatura dos estudantes do Reich. Alguns dias depois me chamou por telefone, do escritório da Escola Superior das SA, o chefe de grupo Dr. Baumann. Exigiu-me a autorização para colar os cartazes, como já se fizera em outras universidades. No caso de eu me recusar dava-se como certa minha destituição e o fechamento da universidade. Busquei o apoio do ministro de Cultos e Instrução Pública de Baden para manter minha proibição. Ele me respondeu que não podia fazer nada contra as SA. No entanto não voltei atrás e mantive minha negativa.

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Pergunta - Até agora não se conhecia isto.

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Heidegger - O motivo por que me decidi a aceitar o reitorado está formulado em minha conferência "O Que É a Metafísica", que dei em Friburgo em 1929: "As ciências estão separadas cada uma em seu campo. A forma de tratar suas matérias é completamente diferente. Esta desgarrada diversidade de disciplinas adquire hoje uma significação junto à organização técnica das universidades e faculdades através dos objetivos práticos dos especialistas. Ao contrário, o enraizamento das diversas ciências em sua base fundamental terminou"; durante o meu reitorado o que tentei sobre a situação da universidade, hoje degenerada ao extremo, está exposto no meu discurso do reitorado.

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Pergunta - Bem, compreendemos. Cremos perceber um novo tom em seu discurso de reitorado quando o senhor, quatro meses depois da nomeação de Hitler como chanceler, fala da grandeza e magnificência da reabilitação nacional.

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Heidegger - Sim, estava convencido disto.

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Pergunta - Pode explicar-nos um pouco?

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Heidegger - Sim, com muito gosto. Não via outra alternativa. Entre a confusão geral de opiniões e tendências de 22 partidos, me parecia válida uma atitude nacional, e sobretudo social, no sentido do ensaio de Friedrich Naumann.

ayrton#45
Pergunta - Agora, a democracia é um conceito que engloba diferentes concepções. O problema que se coloca é se ainda é possível uma transformação desta forma política. Depois de 1945 o senhor se referiu às tentativas do mundo ocidental em matéria política, e também falou sobre a democracia, as concepções cristãs do mundo e também do Estado de direito, que o senhor denominou imperfeições.

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Heidegger - Em primeiro lugar, quero pedir-lhe que me diga se o senhor é capaz de mencionar onde falei sobre a democracia. Como insuficiências, quero indicar que não vejo conflito real com o mundo técnico, já que existe a convicção de que a essência da técnica é uma coisa que está nas mãos do homem. Na minha opinião isto não é possível. A técnica em sua essência é algo que o homem não pode dominar.

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Pergunta - É evidente que o homem, com os meios técnicos de que dispõe na atualidade, não estará disposto a se fazer de aprendiz de feiticeiro. Não é algo pessimista afirmar que ainda com este grandes meios, a técnica moderna não está concluída?

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Heidegger - Pessimismo, não. No terreno dos conhecimentos atuais, pessimismo ou otimismo são posições que duram pouco. Mas, sobretudo a técnica moderna não é um utensílio e nada tem a ver com os utensílios.

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Pergunta - Porque devemos estar tão poderosamente dominados pela técnica?

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Heidegger - Não disse dominados. Disse que não temos ainda um método que responda à essência da técnica.

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Pergunta - Pode-se objetar ingenuamente: que há que dominar? Tudo funciona. Constroem-se mais e mais obras elétricas. Produzir-se-á cada vez mais inteligentemente. Os homens estão bem abastecidos, na parte altamente tecnificada da Terra. Vivemos um bem estar geral. O que falta aqui?

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Heidegger - Tudo funciona, isto é o inquietante, que funcione e que o funcionamento nos impede sempre a um maior funcionamento e que a técnica dos homens separa-os da terra e os desarraiga sempre mais. Não sei se os senhores estão assustados, em todo caso eu me assusto ao ver as fotos da Terra vista da lua. Não precisamos de bombas atômicas, o desenraizamento dos homens é um fato. Temos apenas puras relações técnicas. Não há um só canto da Terra em que o homem, hoje, possa viver. Tive uma longa conversa na Provença com René Char, como o senhor sabe, poeta e combatente da resistência. Na Provença construíram-se bases para foguetes e o campo será devastado de forma inimaginável. O poeta me disse que o desenraizamento que isso acarreta é o fim, a não ser que o pensar e o poetar logrem uma potência sem violência.

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Pergunta - O homem pode influir ainda na rede deste processo forçado, pode a filosofia influir ou ambos de uma vez, dado que a filosofia de um ou de vários conduz a uma ação determinada?

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Heidegger - A filosofia não pode realizar imediatamente uma mudança no atual estado do mundo. Isto vale não somente para a filosofia, mas para todos os sentimentos e aspirações humanas. Só um deus pode salvar-nos ainda. Resta-nos a única possibilidade de prepararmo-nos, pelo pensar e poetar, para a aparição de um deus ou sua ausência no ocaso. Frente a ausência de um deus, nos afundamos.

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Pergunta - Podemos ajudar-nos?

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Heidegger - A preparação para essa espera é a primeira ajuda. O mundo, o que é e como é, não pode ser só para os homens, mas tampouco sem eles. Ao que me parece tudo isso está relacionado com a palavra tradicional, equívoca e agora muita gasta, que eu nomeei Ser; os homens precisam dela para sua manifestação, estruturação e conservação. A essência da técnica eu vejo no que chamei de armação, uma expressão frequentemente risível e talvez inapropriada. O mecanismo atuante da armação enuncia: o homem está sitiado, intimado e desafiado por uma potência, claramente a essência da técnica, e que ele mesmo não pode dominar. Ao pensamento só se pode pedir que ajude a compreender. É o fim da filosofia.

ayrton#46
NOTA: Heidegger pediu que essa entrevista só fosse publicada após sua morte, e assim foi feito.

Link: http://almanaque.folha.uol.com.br/entrevista_filosofia_heidegger.htm
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Heidegger Fala - Legendado

Vídeo do YouTube
http://youtu.be/lvyspxZFSSs

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Trechos de "A Essência do Fundamento" (ou: "para pirar na batatinha", hehe)
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- “Pelo contrário, os conceitos ontológicos originários devem obter-se antes de toda a definição científica dos conceitos fundamentais de maneira que, a partir deles, se possa primeiro avaliar de que modo restritivo e circunscrito em cada caso, e desde uma focagem determinada, os conceitos fundamentais das ciências atingem o ser, captável em termos puramente ontológicos”
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- “A questão da essência do fundamento torna-se o problema da transcendência”
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- “  (...) Então também o problema do fundamento só pode residir onde à essência da verdade obtém a sua possibilidade interna, na essência da transcendência. A questão da essência do fundamento torna-se o problema da transcendência”
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http://www.aforismostextospoesias.com/2010/11/o-prob…idegger.html
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Diálogo entre Xavier Zubiri e Martin Heidegger: A história sobre o segundo volume de "Ser e Tempo"

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Trecho da palestra de lançamento da "Trilogia Inteligência Senciente"
com o prof. José Tejada no Espaço Cultural É Realizações no dia 16 de
junho de 2011.

Vídeo do YouTube
http://youtu.be/mCLezlX5Gi8

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