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Converter-se ao catolicismo ?!

Iniciado por jeferson_3 em 05/07/2012 · 5 mensagens

jeferson_3#1


Decidi abrir esse tópico à todos para debater sobre minha atual condição, que bem sei pode ser par a de muitos dos que aqui se encontram. Eu me formei na área artística e na verdade, não fosse por uma curiosidade nata sobre assuntos de cunho filosófico, nunca teria me debruçado sobre o projeto da leitura da Bíblia na íntegra. Mas o fiz, e também estudei Platão, que hoje leio como um bom prefácio ao cristianismo, também Marx, e agora, o debate entre Habermas e Ratzinger tem sido uma leitura costumeira, ao lado de "Satan Last Battle", sobre o milagre de Lourdes. Também li Dawkins, Hictchens, e pretendo conhecer Sam Harris mais a frente, para entrar em contato com a literatura ateísta contemporânea. Há alguns anos conheci Nietzsche, Sartre, e confesso que nutri por certo tempo muita estima por esses filósofos que, não obstante ainda por eles conservar certo respeito, não mais me seduzem sob o ponto de vista de sua cosmovisão que, em última instância, nos coloca diante de um mundo imanente, seguindo a tendência da filosofia materialista moderna. Tudo isso em diálogo com apologias do padre Quevedo - li quase toda a sua obra - me faz perceber que a cosmovisão cristã é ainda não só coerente, como o cristianismo - e falo mais especificamente do catolicismo - constitui uma pedra basilar na formação da cultura ocidental e sustentação contra regimes despóticos e desumanos. 

Com Ratzinger, concordo que a teologia da libertação seja herética por seu vínculo com a filosofia materialista marxista, e me espanto ao saber que a mesma pessoa que condenou Boff, elegeu ao posto de secretário geral da congregação para a doutrina da fé, um simpatizante da TL. Tenho cá minhas suspeitas, no entanto, com respeito a cristologia professada pela ICAR. O problema está na questão da trindade, posto que algumas passagens bíblicas me fazem pensar que Cristo não tenha se apresentado como Deus, ainda que essa leitura também seja possível. Recorri recentemente a um padre católico a fim de conversar sobre isso, e em vez de me explicar com base na sã teologia, ou mesmo recomendar a leitura de uma obra a respeito, preferiu desconversar, afirmando que essa questão não é lá de muita importância, e me recomendou ler Nietzsche.

Curiosamente, poucos dias antes dessa conversa, havia foleado algumas páginas do "Anticristo", obra assinada pelo filósofo alemão que lança dura crítica à cristandade, e por outro lado, elogiando com respeito o budismo. Quem já leu Nietzsche compreenderá, mas por ora isso é secundário. Ocorre que me espanta o fato de um padre católico ter me recomendado a leitura de uma obra anticristã. E mais, perguntou-me ele se eu acreditava em reencarnação. Disse que não, embora tenha parentes muito próximos que são espíritas e com quem já travei calorosas discussões a respeito. Então ele também me recomendou a leitura de Amit Goswami, um físico conhecido por defender a física quântica como um caminho para a espiritualidade. 

Outro padre - minha cidade só tem dois padres - com quem conversei sobre o mesmo problema, disse-me ter se formado no final dos anos 80, quando a TL estava em seu auge. Ele defendeu Boff, afirmando que, não tivesse aberto tanto a boca, teria sido canonizado. "Boff é um santo", disse ele. No fim da conversa ele me disse se interessar muito por astronomia e que havia lido uma matéria numa revista especializada onde cientistas tratavam da possibilidade de Cristo ter sido visitado por extra-terrestres.

Eu sei que esse último caso parece uma piada, mas é um fato. Quer dizer, acho que se torna mais trágico, e ao mesmo tempo mais cômico, por ser mesmo um fato que vivi. Mas nessas condições - ao que pese o respeito que construí pela ICAR ante meus estudos - não me vejo apto a congregar com honestidade, motivo pelo qual não sigo a Igreja. Muitos padres lá estão apenas bebendo na teta do Vaticano, todo mundo sabe. Mas mesmo quando era agnóstico, eu sempre tive muito respeito pelas religiões. Pra mim religião é algo que ou você segue mesmo, ou é melhor não seguir, como quem vai a igreja pra "bater cartão", como se ser fiel fosse como ser funcionário público.
clodoveualves#2
Acho que este vídeo foi feito para você:

http://youtu.be/L15v7wSg8Fc

havia postado mais cedo no tópico catolicismo.
jeferson_3#3
Muito obrigado Clodoveu. Eu decidi escrever o tópico depois de ter assistido ao vídeo que você postou no outro tópico. É, de fato a pessoa sobre a qual o narrador fala se encontra numa situação semelhante a minha. Vou assistir novamente. Obrigado.

clodoveualves#4
Cara, agora te respondendo:

Imagine que sua mãe está sendo atacada, o que você faz? Um católico não vê a Igreja como uma igreja, ele a vê como sua Santa Mãe. Assim, se ela está apanhando por todos os lados, apanhando por fora e por dentro, isto é mais motivos para amá-la e defendê-la, e com mais determinação, garra e afinco.

Diferente dos protestantes, não podemos trocar de igreja, pois não podemos trocar de Mãe, ela é Única. Eu mesmo tenho crises horríveis, sou um péssimo católico, ainda tenho que terminar meus sacramentos... mas fico bastante desanimado quando vejo uma missa moderna, com padres modernos, com ritos modernos etc.

Se você está insatisfeito com a situação da Igreja, então que tal defendê-la? Estude o catecismo, reze, conheça a história da Santa Madre, entre em contato com sacerdotes que ensinam a Sã Doutrina (Pe. Paulo Ricardo -- que você encontrará facilmente nesta comunidade -- e Dom Lourenço Fleichman -- http://www.permanencia.org.br/ ) e, acima de tudo, tenha fé.

Dom Lourenço é um amor de pessoa, sempre responde com bastante atenção, recomendo que entre em contato com ele via e-mail.
andr_10#5
Eu também me converti ao catolicismo atraído mais por curiosidade intelectual que por outra coisa, por entender ser o catolicismo a explicação mais coerente, mais verdadeira, para os diversos problemas da realidade com os quais havia me deparado.

Entretanto, isto não é uma verdadeira conversão. Como bem disse o Olavo no último True Outspeak, nós católicos devemos escrever menos tratados de teologia no orkut para irmos confessar e comungar.

Neste aspecto não sou exemplo para ninguém. Minha primeira e, por enquanto única, confissão válida só foi acontecer na páscoa deste ano, e cá estou eu de novo, todo sujo de pecado, precisando confessar-me de novo. Esta é a vida católica: confissão, comunhão, confissão, comunhão e etc.

Porém, é de fato um problema que haja vários maus sacerdotes. Entretanto, por mais besteiras que eles falem, como dizer que o Frei Boff é um santo, eles não deixam de ser sacerdotes e, portanto, seus sacramentos são válidos.

Então, o que deve ser feito é o seguinte: Procure uma Igreja qualquer, de preferência uma que você não conheça o padre, veja os horários em que ele se dispõe a ouvir confissões, e vá lá, confesse seus pecados e saia correndo antes que ele possa falar alguma besteira escandalosa. Depois, comungue.

Menos tratados de teologia e mais sacramentos! Eis o que precisamos.

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