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O amigo e o inimigo comum

Iniciado por leandro_13 em 17/04/2005 · 3 mensagens

leandro_13#1
Tomei a liberdade de postar aqui um artigo interessante de um velho amigo, publicada no jornal Jihad, cujas impressões sobre João Paulo II são semelhantes às minhas.

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ARTIGO
O amigo e o inimigo comum
Hilal iskandar

A imprensa destacou bastante o papel do Papa como um estimulador do diálogo entre as religiões e seus esforços para produzir o entendimento e a paz, sua firme determinação contra a guerra e pela Paz. Mas talvez tenha escapado tanto a mídia como aos próprios fiéis destas diversas religiões o sentido mais profundo por detrás desta importante bandeira do Papa.

Mais do que reforçar a unidade entre as religiões João Paulo II compreendeu a grande luta que de fato se trava no mundo. Sabia que muçulmanos,protestantes, judeus, não eram seus adversários nesta guerra, mas seus aliados porque o inimigo não eram os adeptos desta ou daquela fé, mas o materialismo, fosse ele expresso no totalitarismo comunista ou no consumismo individualista.

E o Papa não apenas definiu com clareza o inimigo comum de todos que tem Deus no coração, mas estabeleceu com muita clareza uma “agenda positiva” para esta batalha contra as forças do materialismo. De um lado a busca da unidade de ação com as diversas forças religiosas, buscando estabelecer um entendimento e uma cooperação de que a “Guerra Santa” - numa acepção verdadeira da palavra – não é entre uma comunidade cristã e outra, tampouco entre uma religião e sua adversária histórica, mas sim entre os que compreendem a natureza espiritual do mundo e os valores derivados desta compreensão e aqueles que buscam aniquilar tudo que liga o homem a um princípio superior e a Deus, como a ética, os valores morais, a solidariedade, a devoção.
(continua)
leandro_13#2
De outro lado a postura corajosa de enfrentar sem armas, só com a fé, a palavra e o exemplo aqueles que se consideram ou consideravam poderosos na terra defendendo valores universais e princípios, sendo ao mesmo tempo sereno e enérgico na condenação do que é nocivo e na promoção do que considerava bom. Ao mesmo tempo o esforço para despertar a natureza espiritual da crença era um humilde reconhecimento que esta tarefa não podia ser desenvolvida sem o amparo e a inspiração emanados de princípios superiores, por maiores que fossem suas forças, elas não seriam nada sem esta conexão superior..

Sem entender este esforço pessoal do Papa no sentido de resgatar o sentido da religião e torná-la de novo uma arma contra a dissolução da humanidade em seus baixos instintos e valores degenerados jamais vai se compreender o sentido real da mensagem de unidade religiosa do Papa. Sem uma visão integral do processo o esforço do Papa neste sentido parecerá apenas um esforço de “marketing”, coisa que jamais foi.

Estivesse o Papa preocupado em algum esforço de Marketing e ele vacilaria antes de desagradar segmentos da opinião pública que pouca antes tinha agradado. Muitos setores de esquerda o aplaudiram em uma semana, quando ele condenou a Guerra do Iraque, para o vaiarem duas semanas depois quando fez pronunciamentos considerados conservadores em aspectos morais. Não era o sufrágio dos espectadores que João Paulo II buscava ao falar isto ou aquilo, mas um objetivo maior que não se curva às veleidades, suscetibilidades e oscilações da opinião pública, mas a recuperação de um arcabouço espiritual que ele encontrou em frangalhos e lutou para reedificar.
leandro_13#3
Neste sentido há certamente não só uma mensagem importante para todos, mas um importante exemplo a ser seguido pelas pessoas de todas as fés. Enquanto as pessoas de diversas fés se digladiam, as forças que não tem nenhuma fé se fortalecem e ganham batalhas contra elementos isolados ou, até, jogam forças religiosas umas contra as outras no melhor espírito do "Dividir para conquistar".

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