Bem, creio que assim como eu, todos os demais cresceram sendo doutrinados sobre a morte do Herzorg, com a famosa tese: ninguém se encorca sem estar suspenso.
Por mais que tenha defendido o Regime Militar, este ponto específico sempre me incomodou bastante, pois nunca consegui crer que o Herzorg tivesse cometido suicídio... até a madrugada de hoje.
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Não sei, mas... já se cogitou que, dada a pressão com que o laço (nos dois casos) se fechou, eles poderiam ter pulado?
Soli, o sujeito pode "controlar" e evitar pular até perder a consciência, após isto, o sujeito desmaia... e o ato segue o curso.
Tal como ocorre com um mata-leão, quando o lutador não bate. Depois que ele apaga, ele simplesmente para de reagir. E o ato de bater, no caso do lutador, ou de pular, no caso do suicida por enforcamento, pode ser evitado.
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Entendo, mas acho que não me expressei adequadamente.
Acho que eles podem ter pulado e, talvez, até deslocado o pescoço.
Ou estou "viajando"? lol
Cara, é possível, mas muito pouco provável. Um "especialista" na "nobre arte" de quebrar pescoços, o Pedrinho Matador, um "doce" de pessoa (e que estava em liberdade, morando aqui em Fortaleza -- a ABIN só não sabia onde, perderam o rastro dele em 2009), disse em entrevista que quebrar pescoços só quando se pega o sujeito de surpresa. Porque se ele estiver esperando, não dá para quebrar, não.
Clarice Herzog: “Eu não anistio os torturadores do Vlado”
“O outubro de 1975 foi complicadíssimo. Ficaram na memória as coisas relacionadas ao que aconteceu com o Vlado. No começo do mês vários jornalistas foram presos. Estava havendo inclusive um encontro nacional de jornalismo e mesmo assim as prisões continuavam. Foram presos muitos jornalistas ligados ao Vlado e da TV Cultura, o Markum, o Anthony, Rodolfo Konder, o Sérgio Gomes. Foi um momento extremamente tenso. Esperávamos que o Vlado fosse preso devido a essas prisões, e discutimos muito sobre qual seria o teor de seu depoimento – o que nunca passou pelas nossas cabeça é que ele acabaria sendo morto. Vlado, naquele momento estava no Partido [Comunista Brasileiro]. Ele nunca foi muito ligado à política, ele não era comunista – aliás era bastante crítico ao partido. Na verdade, o Vlado era um intelectual, ligado a teatro, cinema, que desejava um mundo melhor, um mundo onde as idéias pudessem ser discutidas e respeitadas. Naquela época existiam duas forças contra a ditadura militar: uma era a igreja e a outra o PCB. Como o Vlado era judeu, optou pelo Partido –a sua área de atuação como militante era a discussão da situação cultural no país – a produção artística, nos vários níveis, estava sendo totalmente massacrada pela censura. O motivo da forte repressão contra o PCB, é que ele estava se tornando uma nova e forte frente de enfrentando da ditadura. Mas aconteceu o que não esperávamos que acontecesse: afinal, apesar do Vlado estar envolvido com o partido comunista, tínhamos empregos, passaporte, residência fixa e não éramos envolvidos com a luta armada.”
Comentado por Denise Macedo em 12/04/2008 - 00:09h
"Existe uma história que eu não esqueço jamais. Eu fazia psicodrama como Dr. Pedro Paulo Uzeda Moreira e o Vlado também. Ele era de um grupo anterior ao meu e todos nós sabíamos que tinha sido abandonado pela Clarice, que já estava morando com outro, que estava muito deprimido, que tinha sido protagonista há quatro semanas e que estava tomando anti-depressivos e não apresentava nenhuma melhora. Logo depois foi preso e morto no Doi-Codi. A Clarice imediatamente entrou no papel de viúva inconsolável e queria que o Dr. Uzeda desse um atestado para os jornais dizendo que o Vlado estava muito bem antes de ser preso. O Dr. Uzeda dizia que a medicina era um sacerdócio e ele não costumava dizer o que se passava nas sessões que ele dirigia. Seria uma mentira dizer que o Vlado estava muito bem, mas não foi isso que impediu que o Uzeda não desse o atestado, é que ele realmente acreditava que não devia falar de nada que acontecia nas sessões e era exatamente por essa razão que confiávamos tanto nele, que o respeitávamos tanto e o amávamos, por que não dizer. Clarice foi aos jornais, disse que ele não quis dar o atestado, ele sofreu uma tremenda patrulha dos intelectuais de esquerda da época e morreu precocemente de um ataque cardíaco, alguns anos depois. Nós bem percebemos o quanto foi difícil para ele, a pessoa que trouxe o psicodrama da Argentina para o Brasil, um profissional de ilibada reputação ver seu nome praticamente denegrido na época. Até hoje, quando leio notícias do Vlado, me surge uma revolta muito grande por ver que a história comete injustiças de todos os lados, não só do lado da ditadura, mas também do lado daqueles que se julgavam os defensores da liberdade. Até hoje considero a atitude do Dr. Uzeda de muita coragem e dignidade e até hoje sofro a sua morte, prematura e precoce demais para o meu gosto."
"Achei muito estranho o depoimento da Clarice. quando o Vlado morreu, eu fazia psicodrama em grupo com o Dr. Uzeda Moreira. O Vlado também fazia psicodrama com ele, embora fosse de outro grupo. Todos nós,porém, sabíamos que a Clarice tinha se separado dele, já estava com novo amor, ele estava muito deprimidido, inclusive tomando medicamentos e fazia 3 sessões que ele era o protagonista no tablado, antes de sua prisão.Aqui, ela não faz nenhuma menção dessa separação e eu penso que o tempo apaga certas coisas da memória das pessoas, mas de outras, não. Eu vi, estava lá, fui testemunha dos fatos."
[url]/Main#Profile?uid=8137400938306428338[/url]: Tentei contato por e-mail com a Sylvia Manzano para buscar saber mais sobre o doutor Pedro Paulo Uzeda Moreira mas não tive sucesso.
Pois é... coisinhas estranhas.... a mulher dele estava com outro, de repente reaparece morta de amores....
É lógico que o Herzog FOI assassinado. Isso não se discute.
Os milicos da ditadura também mataram - não há dúvida disso. Em comparação com uma revolução comunista, a quantidade de pessoas assassinadas foi mínima, e os comunistas também, evidentemente, assassinaram outros tantos - o que é visto como "muito justo".
Mas é uma tolice pensar que os milicos eram santos bondosos que não matavam nem torturavam - é claro que fizeram isso. Negar uma coisa dessas não vai levar a lugar nenhum.
Priscila, veja bem, o principal argumento a favor do assassinato do Herzorg era aquela estorieta de que o sujeito para se enforcar tem de estar suspenso. Ora, a foto que trouxe do índio é evidência inequívoca que não há tal necessidade.
Fora isto, como o Riscardo apontou acima, e era algo que eu até então não sabia, ele havia perdido a mulher a pouco tempo, estava fazendo acompanhamento terapêutico, foi preso e submetido à tortura.
Veja bem: eu SEMPRE acreditei que ele havia sido assassinado, CONTUDO, depois da foto deste índio, fiquei com duvidas seríssimas a respeito.
[url]/Main#Profile?uid=149525850098286966[/url]:
Os militares assassinaram, mas foi por um bem maior. É como Hiroshima e Nagasaki: foram assassinadas em torno de 150 pessoas inocentes, mas foi preciso para poupar a vida de mais de 1 milhão que seriam mortas caso a bomba não tivesse sido lançada. Só que no caso dos militares, não morreram inocentes.
Cara, vc chegou a ver a fotografia do índio? Veja lá.
Cara, eu não digo nem "concluir" que não foi assassinato, mas que coloca uma GRANDE dúvida, coloca sim.
Daí, como o Riscardo falou, ele tinha levado chifre a pouco tempo, fazia tratamento terapêutico, foi submetido a tortura, sabe-se lá o que fizeram com ele... Veja, é bem plausível que ele tenha se matado.
Por outro lado, quem era Herzog? Por qual motivo os milicos o matariam? Eles não mataram nem o Gabeira, nem o Dirceu.... por que eles matariam o Herzog? Não consigo compreender.
Mas é uma tolice pensar que os milicos eram santos bondosos que não matavam nem torturavam - é claro que fizeram isso. Negar uma coisa dessas não vai levar a lugar nenhum.
É bom que se diga que também estupravam e chegaram a cometer atos terroristas.
[url]/Main#Profile?uid=149525850098286966[/url]:
Os militares assassinaram, mas foi por um bem maior. É como Hiroshima e Nagasaki: foram assassinadas em torno de 150 pessoas inocentes, mas foi preciso para poupar a vida de mais de 1 milhão que seriam mortas caso a bomba não tivesse sido lançada. Só que no caso dos militares, não morreram inocentes.
Os bombardeamentos atômicos de Hiroshima e Nagasaki foram atos de pura barbárie. São indefensáveis. O estado norte-americano deveria pedir perdão ao Japão e criar um dia em memória das vítimas de tal atrocidade. Teria um importante efeito pedagógico. Não se trata de qualquer antiamericanismo, mas sim de estar do lado da civilização.
E segundo o que diz lá é plenamente possível uma pessoa se enforcar sem suspensão dos pés sim. E eu até entendo pois sou fã de MMA. Comprimiu jugular e carótidas, parou a circulação sanguínea, o sujeito desmaia. Desmaiado relaxa e aí o espernear involuntário que impede o sufocamento para.
Eu assisti a entrevista que eles mencionam lá e o Gal. Newton Cruz diz claramente que eles se surpreenderam com o ocorrido e que foi descuido e que adotaram uma segurança mais intensa.
E segundo o que diz lá é plenamente possível uma pessoa se enforcar sem suspensão dos pés sim. E eu até entendo pois sou fã de MMA. Comprimiu jugular e carótidas, parou a circulação sanguínea, o sujeito desmaia. Desmaiado relaxa e aí o espernear involuntário que impede o sufocamento para.
Eu assisti a entrevista que eles mencionam lá e o Gal. Newton Cruz diz claramente que eles se surpreenderam com o ocorrido e que foi descuido e que adotaram uma segurança mais intensa.
Sim, foi o mesmo que já disse aqui, na primeira página, para o Soli Deo Glória.
Ae, ao carinha que fez o post lá no feissebunda: quando vc pegar as coisas da comu para fazer posts, bota o link no tópico pro pessoal poder ter acesso. Por exemplo, depois que você postou a foto, o Riscardo trouxe informações importantes a respeito do caso: Herzorg tinha levado chifre e estava em tratamento, o que, caso estivesse em depressão, tornaria bastante plausível a tese do suicídio.
Em 1975 o governo já havia aniquilado os grupos guerrilheiros e terroristas de extrema-esquerda; não havia mais guerrilheiros e terroristas vermelhos para combater e havia órgãos repressivos com bolsões radicais descontrolados. Não é difícil que a morte do Vladimir Herzog tenha sido um "acidente de trabalho" ou mesmo uma afronta ao governo Geisel, comprometido com a abertura.
A opinião de Geisel e Figueiredo era a de que o Herzog foi assassinado. O que me deixa com a pulga atrás da orelha é o general Leônidas discordar categoricamente dessa tese. Ele não precisava se comprometer dessa forma.
Vida tava uma merda, esposa deixou ele, depressivo, se brincar levou umas porradas mesmo, algum guardinha não se ligou de tirar o cinto dele e ele se matou. Esse povo esquerdista mente mais do que o diabo e se todos estão dizendo que foi assassinato é porque aí tem. Pra que matar um jornaleiro?!
Não sei se a comunidade permite postar esse tipo de vídeo, mas talvez sirva como mais um exemplo de que para se cometer suicídio por enforcamento/asfixia por uma corda ou algo semelhante, o corpo não precisa ficar suspenso.
O link a seguir contem um vídeo de um suicídio, em que um jovem comete o ato estando em uma posição parecida com a de Herzog.
Cara, muito foda. Mas é isto mesmo...e depois que o cara apaga, Ciao... só se alguém o tirar, e ainda assim, rapidamente...
Aqui em Fortaleza, em 2002, dois carinhas de 17 anos foram brigar por causa de namorada... Eram alunos de um colégio bem tradicional. Pois bem, nenhum dos dois sabia artes marciais, e no decorrer da luta, um pegou o outro no mata-leão. Resultado: por não saber, demorou demais para soltar e acabou matando o outro... =/
Bom, eu devo ter conhecido umas 4 pessoas que se suicidaram por enforcamento.
Um deles foi o filho de uma amiga, sei lá como, se enforcou naqueles fios da persiana. Estive no AP mas não fui ver o corpo e como ele estava. Mas foi história parecida com o que está ali nesse vídeo.
Ou seja, está COMPROVADO que a tese de que não é possível se enforcar sem suspensão total NÃO É verdadeira.
No mais, seria tão mais fácil forjar uma situação para matar ele, dentro ou fora da prisão. Bastaria pagar um bandido para fazer o serviço e depois dar fim no bandido. Ou emboscar ele em liberdade e dizer que foi justiçamento..