Li esse artigo no Nomínimo e resolvi posta-lo aqui porque possui uma referencia óbvia ao Olavo.
A direita tacanha
Quando Carlos Lacerda começava a falar, todo mundo escutava. Ele às vezes era rábico, alguns sugeriam até que desequilibrado. Mas se Lacerda falava, escutava-se. Governador da Guanabara, sozinho, dentro do pátio, impôs ordem num presídio que se rebelava. O homem, durante anos, encarnou a direita tupinambá.
Teve uma boa gente, uma gente respeitável, esta direita. Roberto Campos, por exemplo. Sujeito astuto, inteligente, de idéias claras. Podia-se discordar de tudo o que dizia, mas lá estava Bob Fields com seu sorrisinho ligeiro de quem se julga superior. E, bem, eram poucos que conseguiam argumentar com ele. Na imprensa, havia Paulo Francis, culto até dizer chega, por vezes leviano, um homem sensível e, para os de coração fraco, insuportável.
A seu modo, não faz muito, a direita brasileira contava com homens brilhantes. É verdade que havia aqueles generais – mas, mesmo dentre eles, sempre se podia pinçar um Golbery, o ‘gênio da raça’ como genialmente sugeriu Glauber Rocha. (Pois é: seus filmes podem deixar a desejar, mas era um grande frasista; também a esquerda teve homens melhores.)
Sobrou o quê?
Uma das qualidades da boa direita brasileira era que, dentre outras coisas, era cética. Não é preciso muito para imaginar prazenteiramente a piada que Francis escreveria se alguém lhe perguntasse o signo. Ou se sugerisse compor seu mapa astral. Mas é uma das modas correntes na direita tupinambá. São, como pode, astrólogos.
E, como astrólogos, têm sérios problemas com a ciência. Se uma turma da esquerda gosta de fazer pseudo-discursos que parecem – e não se sustentam além da aparência – sofisticados que envolvam mecânica quântica, a nova direita olha Einstein com assombro. Acreditam na bomba atômica mas acham o Big Bang esquisito. Gostam de dizer que Darwin ‘é só teoria’. E alguns, às vezes parece, acreditam mesmo que a Evolução é dúvida. Se o assunto é aquecimento global, então, aí é fe
A direita tacanha
Quando Carlos Lacerda começava a falar, todo mundo escutava. Ele às vezes era rábico, alguns sugeriam até que desequilibrado. Mas se Lacerda falava, escutava-se. Governador da Guanabara, sozinho, dentro do pátio, impôs ordem num presídio que se rebelava. O homem, durante anos, encarnou a direita tupinambá.
Teve uma boa gente, uma gente respeitável, esta direita. Roberto Campos, por exemplo. Sujeito astuto, inteligente, de idéias claras. Podia-se discordar de tudo o que dizia, mas lá estava Bob Fields com seu sorrisinho ligeiro de quem se julga superior. E, bem, eram poucos que conseguiam argumentar com ele. Na imprensa, havia Paulo Francis, culto até dizer chega, por vezes leviano, um homem sensível e, para os de coração fraco, insuportável.
A seu modo, não faz muito, a direita brasileira contava com homens brilhantes. É verdade que havia aqueles generais – mas, mesmo dentre eles, sempre se podia pinçar um Golbery, o ‘gênio da raça’ como genialmente sugeriu Glauber Rocha. (Pois é: seus filmes podem deixar a desejar, mas era um grande frasista; também a esquerda teve homens melhores.)
Sobrou o quê?
Uma das qualidades da boa direita brasileira era que, dentre outras coisas, era cética. Não é preciso muito para imaginar prazenteiramente a piada que Francis escreveria se alguém lhe perguntasse o signo. Ou se sugerisse compor seu mapa astral. Mas é uma das modas correntes na direita tupinambá. São, como pode, astrólogos.
E, como astrólogos, têm sérios problemas com a ciência. Se uma turma da esquerda gosta de fazer pseudo-discursos que parecem – e não se sustentam além da aparência – sofisticados que envolvam mecânica quântica, a nova direita olha Einstein com assombro. Acreditam na bomba atômica mas acham o Big Bang esquisito. Gostam de dizer que Darwin ‘é só teoria’. E alguns, às vezes parece, acreditam mesmo que a Evolução é dúvida. Se o assunto é aquecimento global, então, aí é fe