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Justiça Federal restringe publicidade de bebidas

Iniciado por juliana_4 em 09/12/2012 · 5 mensagens

juliana_4#1
Decisão da Justiça Federal restringe publicidade de bebidas alcóolicas

BRASÍLIA - Uma decisão da Justiça Federal de Santa Catarina restringiu a publicidade de bebidas alcóolicas em âmbito nacional, alcançando por exemplo cerveja e vinho.

A ação foi movida pelo Ministério Público Federal em Santa Catariana, pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, contra a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que podem entrar com recurso.

A sentença obriga a União e a Anvisa a adotarem medidas para restringir a publicidade de bebidas com teor de álcool superior a 0,5%. Entre elas estão a proibição de veicular comercial de bebidas alcóolicas nas emissoras de rádio e TV das 6h às 21h; de associar os produtos a esportes, à condução de veículos, ao “desempenho saudável de qualquer atividade” e à ideia de que a bebida aumenta o êxito ou a sexualidade das pessoas.

O Ministério Público argumentou que esse tipo de publicidade é nocivo porque induz ao consumo de bebidas alcóolicas principalmente por crianças e adolescentes, e que o álcool tem trazido prejuízo à saúde da população e elevado os custos do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Justiça Federal fixou multa diária de R$ 50 mil para o caso de descumprimento da sentença.

(Maíra Magro | Valor)

danielcoelho198#2
Mas a liberação da maconha passa até no programa matinal.
clodoveualves#3
É o Grande Irmão cuidando de nossas vidas. É sempre assim... Aqui em Fortaleza, saiu uma lei em que ficam proibidos shows com dinheiro público de bandas com letras que "denigram" a imagem de mulheres, gays, negros, índios etc.

Primeiro houve a total desmoralização. Agora, a re-moralização virá via estatal. E assim nasce uma ditadura...
clodoveualves#4
ps. Juliana, minha chapa vermelhinha, cadê você naquele outro tópico?
zelouzous#5


Ricardo Sayeg


TENDÊNCIAS/DEBATES


O ASSUNTO DE HOJE: RUMOS DA REPRESSÃO CONTRA A MACONHA

A maconha faz parte da armadilha


Não há humanismo em tolerar o uso pessoal. Deixá-lo à opção de cada um é
ser indiferente à saúde pública e às vítimas, que entregaram a sua
dignidade


A pretensa tendência de liberalização da maconha é um atentado contra
todos. As drogas, inclusive a maconha, não devem ser nem sequer
descriminalizadas. O seu uso pessoal extrapola as liberdades da
intimidade e da vida privada das pessoas, por ser questão de saúde
pública.


De fato, é certo que o usuário de drogas não é um bandido. Antes de
tudo, é vítima. A sociedade atual, voltada ao consumo material e às
mídias massificadoras, sujeita as pessoas à desintegração das relações
humanas e familiares, bem como ao vazio de sentido, propósitos e ideais.


Os antropólogos falam da era do vazio, da era da decepção, da sociedade
líquida, da antropologia da solidão. Para o desespero de Fernando
Pessoa, se depender da sociedade atual, a alma será pequena.


Na pequenez da alma, a terrível armadilha moderna, que está à espreita
das pessoas, em especial dos jovens e mesmo das crianças: o uso pessoal
de drogas, que joga o ser humano numa espiral para baixo, abrindo as
portas da dor e da ruína.


A droga acabou com as pessoas e com seus cérebros, arruinou sua
dignidade, capturou suas almas, as conduziu para a criminalidade. No fim
do poço, transformou-as naqueles zumbis da cracolândia, em condições
infra-humanas.


Dói só de pensar nas crianças recém-nascidas, filhas das mães do crack,
sofrendo crise de abstinência e já com sequelas gravíssimas.


Errado dizer que a a maconha não faz parte desta armadilha. Faz.


Está comprovado que ela não é inofensiva. Aliás, o Levantamento Nacional
sobre Drogas de 2010 é alarmante e demonstrou que tem relevância
estatística o uso de drogas por crianças a partir de dez anos. Mostrou
também que quem usa uma droga geralmente acaba usando qualquer outra.


Não há humanismo em tolerar o uso pessoal de drogas. Ser indiferente ao
uso próprio de drogas e deixá-lo ao critério da opção pessoal de cada
um, especialmente por criar fácil acesso a jovens e crianças, é ser
indiferente à saúde pública e na prática a todas essas vítimas que
entregaram a sua dignidade.


Inegável que a capacidade de discernimento do usuário fica prejudicada
-e não é ele, por si, que terá lucidez e força para pedir ajuda. Há quem
defenda que se deve deixar as pessoas chegarem ao fundo do poço. Mas
não dá para se omitir.


Para piorar, o usuário de drogas acaba sendo refém do traficante e, ao
fim e ao cabo, financia e contribui para a indústria do tráfico, na
condição de consumidor final. Crime, violência e morte, tudo isso
escrito pelo vermelho do sangue das vítimas, está intimamente
relacionado ao império das drogas.


Assim, o problema do uso próprio de drogas nunca é íntimo e privado,
ainda que o consumo seja pessoal, íntimo e privado. É um problema grave e
deve ser prioritariamente enfrentado pelas autoridades, com profundo
respeito e consideração pelas famílias e vítimas desse mal.


Isto é, mesmo o uso pessoal, íntimo e privado das drogas é um problema
coletivo de saúde pública que merece resposta penal. Logo, não é o caso
de descriminalizar. Não para vigiar e punir, como diria Foucault, mas
para cuidar e desintoxicar, ainda que compulsoriamente.


Significa que os usuários não deviam ser colocados na cadeia, muito pelo
contrário, como problema de saúde pública, a resposta penal para o uso
pessoal das drogas deve ser, como é, o encaminhamento para compulsório
tratamento médico e desintoxicação.

RICARDO SAYEG, 45, advogado, é professor livre-docente de direito
econômico da PUC-SP. É também coordenador de doutorado e mestrado e
líder do grupo de pesquisa do capitalismo humanista


Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal.
Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas
brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do
pensamento contemporâneo. debates,volta e meia em,uol.com.br

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