Quem faz análise tática, às vezes fala algo que muitos não gostariam de ouvir. Por exemplo, suponha que seu time perdeu por 4×0, e um analista diga que seu time jogou muito mal, que caiu em contra-ataques bobos e que não tem condições de ir adiante no campeonato. Com certeza, é algo muito menos confortante do que ouvir que seu time perdeu “por azar, mas jogou melhor que o outro”.
É com esse espírito que faço a análise tática no uso da página http://www.facebook.com/peneadicto16, criada por neo-ateus de lingua espanhola.
A página já tem 33.000 “likes” e vai crescendo a cada dia.
Os cristãos católicos, por outro lado, reagiram com indignação, e estão pedindo para que a página seja retirada do ar. Só que os criadores da página já estão usando essa requisição dos católicos para capitalizarem politicamente. Se antes já capitalizaram ridicularizando o Papa, agora capitalizam acusando os católicos de tentarem “cercear a liberdade de expressão”.
Esse é um tipo de erro estratégico que os cristãos tem cometido na guerra política continuamente, pois se esqueceram da máxima das guerras políticas: nesse tipo de conflito, o agressor geralmente prevalece.
Tivessem eles feito páginas para ridicularizar Richard Dawkins e Jean Wyllys da mesma maneira, poderiam pontuar em retorno. Mas, ao contrário, assumiram a estratégia de defesa e agora os responsáveis pela página de ridicularização ao Papa possuem não apenas um, mas dois pontos onde podem atacar facilmente os católicos. Os dois pontos são: (1) a ridicularização em si, (2) a acusação de cerceamento de liberdade de expressão praticada pelos católicos.
Ademais, se a própria Igreja Católica não age contra seus ofensores, por que fiéis católicos deveriam fazê-lo? Não percebem que estão defendendo pessoas que não querem ser defendidas, pois, se quisessem, já teriam feito algo para atacar seus ofensores. Por exemplo, se o PT se sente atacado, contra-ataca. Se o partido republicano se sente atacado, também contra-ataca. Mas a Igreja Católica não revida ataque nenhum. Por que seus fiéis a defendem, então?
Por isso eu sugiro que deixem de defender a Igreja Católica e abandonem até o Papa, e, ao invés de defenderem aqueles que não querem ser defendidos, ataquem os oponentes com os mesmos recursos, isto é, a criação de páginas de ridicularização do oponente. E, caso eles tentem censurar, basta usar isso em uma campanha contra eles, demonstrando que eles não aceitam brincadeiras de volta e querem “cercear a liberdade de expressão”.
Infelizmente, no jogo político, especialmente naquilo que tem envolvido a Igreja Católica, a distância política (em termos de estratégia e tática) entre a maioria dos cristãos e seus oponentes nos mostra que temos de um lado a inocência de uma criança (a da maioria dos católicos) e a estratégia gramsciana/alinskyana demonstrando maturidade política do outro.
É por isso que estou navegando pela página dos neo-ateus apenas por uma curiosidade mórbida, assistindo como está sendo fácil o verdadeiro massacre político praticado pelos neo-ateus donos da página Peneadicto XVI contra os cristãos.
A atuação da maioria dos cristãos no caso está sendo digna de pena, e nada mais do que isso.