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Aborto pós-nascimento: Por que deve o bebê viver?

Iniciado por eduardo_24 em 15/02/2013 · 7 mensagens

eduardo_24#1

SE UM feto pode ser abortado, por que não um recém-nascido? Boa pergunta. Perigosa pergunta. Os filósofos Alberto Giubilini e  tentaram responder positivamente a ela no reputado “Journal of Medical Ethics”.

A Europa estremeceu de horror. Pior: choveram ameaças de morte sobre os pobres pesquisadores.

Sem razão. Li o ensaio (“After-Abortion: Why Should the Baby Live?”; aborto pós-nascimento: por que deve o bebê viver?) e aplaudo o rigor científico do mesmo. Que parte de premissas razoáveis: em muitas sociedades do Ocidente, o aborto é livre por mera vontade dos pais. Tradução: não é preciso invocar nenhuma razão médica para terminar a gravidez. Basta querer -e fazer.

Essa autonomia radical, que é a base da posição progressista sobre o assunto, deve ser extensível ao recém-nascido, diz o ensaio, sobretudo quando há doenças ou deformações que não foram detectadas durante a gestação. Exemplos? Vários.

A asfixia perinatal, que ocorre durante a gravidez, o parto ou até depois, é um deles e pode deixar danos físicos ou mentais irrecuperáveis na saúde da criança.

A síndrome Treacher-Collins é outro, responsável por malformações craniofaciais que, dizem os pesquisadores, raramente são rastreadas pelos progenitores. Sem falar da doença de Down: olhando para os registros de 18 países europeus, Giubilini e Minerva afirmam que, entre 2005 e 2009, só 64% dos casos de Down foram diagnosticados.

Por outras palavras: nasceram 1.700 crianças com o distúrbio; 1.700 crianças que, em sua maioria, não teriam sequer visto a luz do dia se os pais soubessem a tempo.

Horrorizado, leitor? Não esteja. Terminar com a vida de um recém-nascido indesejado não é uma originalidade: nem na história humana, nem na história do presente.

eduardo_24#2

Na Holanda, por exemplo, o Protocolo Groningen, a que os pesquisadores também fazem referência, já permite que crianças com doenças ou sofrimentos insuportáveis sejam “eutanizadas” por vontade dos pais e aconselhamento do médico.

A grande diferença entre o caso holandês e a proposta filosófica de Giubilini e Minerva é que o aborto pós-nascimento não é propriamente uma “eutanásia”. Porque não é a vontade da criança que deve ser respeitada; é a vontade dos pais. Como afirmam os pesquisadores, o aborto pós-nascimento considera que a vontade das pessoas atuais é superior aos hipotéticos interesses de hipotéticas pessoas potenciais.

Também por isso o aborto pós-nascimento não pode ser confundido com o “infanticídio”. Para haver um “infanticídio”, escrevem eles, é preciso haver uma “pessoa” no sentido moral do termo, ou seja, alguém que atribui à sua existência algum valor, considerando o fim dessa existência uma perda real.

Mas o feto não é uma “pessoa” no sentido moral; e um recém-nascido não é assim tão diferente de um feto: ambos podem ser humanos, sem dúvida, mas nenhum deles atribui à sua existência qualquer valor particular.

João Pereira Coutinho, escritor português, é doutor em Ciência Política.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracout…-abate.shtml

http://rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2012/03/be…a-abate.html

rafael_2#3
Mas
o feto não é uma “pessoa” no sentido moral; e um recém-nascido não é
assim tão diferente de um feto: ambos podem ser humanos, sem dúvida, mas
nenhum deles atribui à sua existência qualquer valor particular.

Por que então não podemos igualmente traçar nossos próprios critérios de humanidade e dizer que aqueles que defendem esta ideia não são igualmente humanos, podendo assim ser, digamos, abatidos a tiros no meio da rua? Ora, seria uma odiosa discriminação que estes seres iluminados julguem quem é portador do direito de viver, sem que nós possamos, por isonomia, decidir o mesmo. Assim, os critérios de humanidade e do direito de viver passam a ser decididos no tribunal mental de qualquer um e assim, ao cruzar com alguma criatura que não preencha os requisitos para ser considerado "pessoa no sentido moral" você simplesmente pode matar o infeliz.

Se agirmos assim, construiremos um mundo lindo e maravilhoso onde qualquer um pode submeter a existência alheia aos próprios critérios, eliminando ipso facto aqueles que não tiveram a sorte de satisfazer a nossa imagem mental do que é uma vida digna de ser vivida.

Em suma, proponho que todos aqueles que defendem o critério de "pessoa moral" permitam, em nome da universalidade dos direitos, que suas existências sejam igualmente escrutinadas pelo primeiro que passar. Não sendo considerados membros da espécie humana, ou melhor, não sendo considerados "pessoas no sentido moral", que possam então ser eliminados instantaneamente.

clodoveualves#4
Só pra avisar: o João Pereira Coutinho está apenas evidenciando a absurdidade do negócio.

Mais ou menos o seguinte: se o homicídio intra-uterino é legalizado, por que não o extra-uterino?

Reparem:

"A Europa estremeceu de horror. Pior: choveram ameaças de morte sobre os pobres pesquisadores.
Sem razão. Li o ensaio (“After-Abortion: Why Should the Baby Live?”; aborto pós-nascimento: por que deve o bebê viver?) e aplaudo o rigor científico do mesmo. Que parte de premissas razoáveis: em muitas sociedades do Ocidente, o aborto é livre por mera vontade dos pais. Tradução: não é preciso invocar nenhuma razão médica para terminar a gravidez. Basta querer -e fazer."

Excelente escritor!
rafael_2#5
Eu vi que ele estava chamando a atenção para a monstruosidade da coisa. Aliás, há um link para a página do Rodrigo Constantino, onde este também chama a atenção para que esta ideia é absurda. O problema é que Constantino é um abortista e não percebe ou prefere não admitir que o abortismo pode acabar levando ao infanticídio.
clodoveualves#6
[url]/Main#Profile?uid=3143495887949937724[/url]:
Eu vi que ele estava chamando a atenção para a monstruosidade da coisa. Aliás, há um link para a página do Rodrigo Constantino, onde este também chama a atenção para que esta ideia é absurda. O problema é que Constantino é um abortista e não percebe ou prefere não admitir que o abortismo pode acabar levando ao infanticídio.
Cara, não acompanho o Constantino, mas certa vez ele defendeu que o Estado não deveria legislar sobre quando se inicia a vida justamente para não poder condicioná-la. Não sei se ele realmente apoia o aborto ou se é pró-vida, e por isto quer afastar o Estado quanto à positivação de leis deste tipo. Se puder trazer mais informações sobre as posições dele, ficaria bastante agradecido.
rafael_2#7
Constantino é abortista, chega a dizer que quem defende a humanidade do feto "parte de uma falsa premissa" (só esquece de apontar onde está a falsidade). Ele, ao defender a liberação do aborto, na realidade defende que o Estado possa decidir quando a vida começa. Embora Constantino não perceba, ao pedir a legalização do aborto ele defende - novamente ressalto, defende sem perceber - que o Estado tenha o poder divininatório de dizer quem é humano e quem não é. Assim, o cara que defende que o Estado tenha poderes limitados é o mesmo que defende este poder estatal monumental. Este texto do Olavo vai no nervo:

http://www.midiasemmascara.org/artigos/aborto/13023-…um-feto.html

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