Outro exemplo:
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“[Aluna: A doutrina é, então, um esforço de interpretação desses documentos: evangelhos, cartas...].
[Olavo] Posterior. Uma doutrina tem que se expressar em linguagem estabilizada, conceitual e dotada de universalidade.” (Apostila que acompanha a vídeo aula “Advento do Cristianismo” – p. 33 – É Realizações – 2003)
“[Aluno: Eu pensei assim: quando você já tem um conhecimento da doutrina religiosa, não precisa de um fato desses].
[Olavo] Mas a doutrina religiosa aparece milênios depois. É isto que é importante entender. A doutrina cristã foi sendo elaborada ao longo dos tempos pelos concílios, pelos papas, pelos doutores, etc. Note bem que não houve propagação de doutrina. Você sabe o que é o ‘evangelho’? Evangelho quer dizer ‘uma narrativa’, é uma notícia, uma notificação de algo que aconteceu. O que Cristo mandou eles fazerem? Ele disse: ‘Olha, você vai e conta para os outros o que aconteceu. ’ Não se trata de pregação doutrinal. A pregação doutrinal começa aos poucos, com os apologistas, já quase um século depois. Todo o esforço retórico foi feito em seguida; a gente conhece toda a história dele, e pode recompor passo a passo. A apologética cristã, o que é? É a defesa retórica de uma doutrina já mais ou menos assentada, e conhecemos a história disso passo a passo. E tudo isso não tem nada com o Evangelho, é muito posterior.” (Apostila que acompanha a vídeo aula “Advento do Cristianismo” – p. 30-31 – É Realizações – 2003)
“[Aluno: O Sermão da Montanha não seria o embrião de uma doutrina cristã?]
[Olavo]: Não, a doutrina só pode ser elaborada posteriormente, isso tanto no cristianismo quanto em qualquer religião.” (Apostila que acompanha a vídeo aula “Advento do Cristianismo” – p. 31 – É Realizações – 2003)[22].
Isso tudo é tão falso, mas tão falso, que só posso desconfiar de duas hipóteses: ou Olavo nunca leu as Escrituras, ou as leu de maneira brutalmente viciada e enviesada. Pois não é possível. Somente um escotoma intelectual, uma lesão na inteligência provocada por uma recusa de perceber a realidade (decorrente do autoengano que é o fruto torto de uma dissonância cognitiva) é que poderia explicar uma coisa dessas.
Vejam logo abaixo, o trecho do Evangelho de São Mateus logo após e referente ao Sermão da Montanha ou das Bem-Aventuranças:
“E aconteceu que, tendo Jesus acabado este discurso, estavam as multidões admiradas da sua doutrina, porque os ensinava, como quem tinha autoridade, e não como os seus escribas e os fariseus”. (Mat, 7, 28-29)
E também:
“E foram a Cafarnaum; e tendo entrado no sábado na sinagoga, ensinava. E ficavam admirados com a sua doutrina, porque os ensinava, como quem tinha autoridade, e não como os escribas”. (Marcos 1, 21-22)[23]
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