Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Serviço de Utilidade Pública - Ad Hominen

Iniciado por marcos_8 em 23/05/2007 · 9 mensagens

marcos_8#1
Após visitar nossa querida comunidade "Olavo de Carvalho? Nóis Odeia!", achei necessária esta explicação. Talvez seja útil para algumas pessoas aqui (com certeza o Constantino deveria ler este tópico).

É bastante comum as pessoas utilizarem a expressão "ad hominen" (e às vezes "ad homini"...hihihi) como sinônimo de xingamentos, golpes baixos, referências pessoais, etc., em uma discussão.

No entanto, o argumento "ad hominem" (referente a quem fala, ao homem, em contraste com o argumento "ad rem", à coisa, referente à tese em si proposta) é aquele no qual mostramos que a tese proposta entra em contradição com a existência concreta do postulante, com sua convicções religiosas, filosóficas, políticas, etc. Embora não desqualifique a tese em si, não é um procedimento inválido.

Na verdade, deveria ser um exame prévio. Se a tese em questão entra em contradição com a pessoa mesma que a enuncia, é um indício forte de que ela possua contradições intrínsecas.

Um exemplo bobo. O Flávio, nosso colega de comunidade, enuncia uma tese, dentro da qual está a proposição "nenhum ateu consegue escrever". Em vez de me debruçar sobre a tese em si e sobre suas relações com o mundo real, eu posso apenas dizer: "Mas Flavio, e como é que você está escrevendo isso?", porque ele já demonstrou que é ateu.
Outro exemplo: O Murilo desenvolve um argumento sobre o fato de que verdadeiros católicos deveriam abster-se de ter conta no Orkut, porque esse veículo é anti-católico. Em vez de focar a proposição em si, eu aponto a contradição flagrante entre sua tese e o fato de ele, um católico, a estar expondo no orkut. Ad hominen, e não ad rem.
Quando o sujeito simplesmente ignora o argumento do outro e parte para xingamentos, ou usa particularidades da vida da pessoa que NÃO ENTRAM EM CONFLITO COM A TESE EXPOSTA (mesmo que entrem EM APARÊNCIA) o argumento não é ad hominem. O filósofo da casa do chope dizia que um argumento assim deveria ser chamado ad personam.
marcos_8#2
duas correções:
1) Eu SEI que o Constantino não pertence mais a essa comunidade e não vai mais voltaire. É que ele usa ad hominem como vírgula.
2) As suaSSSS convicções, e não as sua...
gerson#3
Argumentum ad hominem

Um Argumentum ad hominem (Latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia, ou erro de raciocínio, identificada quando alguém responde a algum argumento com uma crítica a quem fez o argumento. Ou seja, não se questiona o argumento, mas sim quem o fez.

A forma básica de um Argumentum ad hominem é a seguinte:

A considera B verdadeiro;
A possui ou é algo criticável;
então B é falso.
Claramente, B não deixa de ser verdadeiro ou falso dependendo das pessoas que o consideram verdadeiro.

O argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade. Há três tipos de ataques ad hominem que são normalmente relacionados a falácias:

Argumento ad hominem abusivo: é o ataque direto a pessoa, colocando seu caráter em dúvida e portanto, a validade de sua argumentação.
marcos_8#4
Gerson,
Valeu pelo toque. Realmente, escrevi errado diversas vezes, e ainda tive a audácia de sacanear quem escreveu ad homini. Obrigado.

No entanto, quanto á definição de ad hominem, eu sustento a distinção anterior, porque ela não é minha, é de Schopenhauer.

Você descreveu o argumento ad personam - ainda segundo o "Chopp-in-house".
fbio_6#5
O ataque à pessoa trata-se de um ataque direto a pessoa contra quem se argumenta, colocando em dúvida suas circunstâncias pessoais, seu caráter ou sua confiabilidade. Há três tipos de ataques ad hominem que são normalmente relacionados a falácias:

Argumento ad hominem abusivo: é o ataque direto a pessoa, colocando seu caráter em dúvida e portanto, a validade de sua argumentação.


Aí é Argumento ad personam.
marcos_8#6
Pedro,
em primeiro lugar, parabéns, eu vi os tópicos na comunidade O. de C. nos O. Você merece todos os elogios que recebeu do Luis.

Depois:
"Qualquer argumento que é dirigido a contestar o debatedor, não o argumento, é uma forma de ad hominem. Ad personam é a ad hominem abusivo, o insulto ao debatedor. O caso que você fala, de ataque ao indivíduo que não mantém coerência com suas afirmações anteriores é ad hominem tu quoque."

Posso não ter me expressado direito, mas esse parágrafo concorda inteiramente com o que eu disse. O único senão é que o ad hominem como eu descrevi não contesta o debatedor por si só, mas a relação entre o debatedor e a tese que ele sustenta; ou seja, é uma, digamos assim, refutação indireta.

"Pode não ser uma falácia quando a integridade intelectual do debatedor tem alguma importância para o debate, em algum problema em que a autoridade é válida de alguma forma."

Não entendi muito bem.

""No entanto, quanto á definição de ad hominem, eu sustento a distinção anterior, porque ela não é minha, é de Schopenhauer."
Isso é uma falácia. "

Eu não estou com a fonte em mãos, mas poderia jurar que essa distinção eu aprendi lendo este moço. Vou fazer o seguinte, quando chegar em casa eu revejo e amanhã escrevo o resultado, beleza?
marcos_8#7
Depois que resolvermos essa questão de nomenclatura - que foi, claro, a razão do meu tópico - podemos conversar sobre isso.

Deixando a questão dos nomes suspensa por um minuto, é claro para mim que se deve avaliar o grau de coerência entre a tese proposta e a pessoa que a propõe, antes que a tese seja discutida em si. Se um argumento qualquer mostra uma contradição de fato no momento mesmo em que ele é enunciado, por ter sido enunciado da forma que foi pela pessoa que o fez, é difícil acreditar que ele possua alguma validade.
Uma contradição dessas pode indicar graves problemas internos, que não seriam notados a princípio se a tese fosse proposta por outra pessoa.

Estou péssimo para exemplo, mas aqui vai um:
1) Eu enuncio a tese "as mulheres são completamente inábeis para escrever utilizando teclados, devido a uma deficiência psicomotora congênita restrita ao sexo feminino".
Aí se examina a tese em si, até se chegar a - difícil - conclusão que a tese deve ser rejeitada.
2) A Priscila enuncia, por escrito no orkut, a tese acima. Tese rejeitada de antemão, porque ela é mulher.

Opiniões...
paulo_4#8
Roberto Jefferson denuncia o esquema do mensalão. José Dirceu questiona: quem é este indivíduo para falar assim do PT? O final da história...
marcos_8#9
Se você tivesse criado o tópico para receber elogios, você não os mereceria

Eu ando meio lento, valeu pela explicação.
Um exemplo de ad hominem não falacioso (não é meu, é do homenageado da comunidade): quando alguém faz a apologia do suicídio, devemos perguntar porque ele não para de falar e se mata.

Estou com preguiça para transcrever, mas é isso aí. Para Schopenhauer, ad hominem é só este tipo, enquanto para o outro ele usa o termo ad personam.

Essa é a definição dele, não a única.

De qualquer forma, ainda vale o que eu disse no começo do tópico. "Neguim" usa o termo sem saber o que ele significa, ou usando wiki-definições.

PS.: Na verdade, a gente infere a definição dele de ad hominem válido pela que ele apresenta, que é a do falso ad hominem (encontrar uma contradição, MESMO QUE APARENTE, entre a tese e a pessoa que a enuncia).

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