Ao ouvir o True Outspeak de hoje, lembrei-me de um projeto de lei de autoria do PT que visa a controlar que palavras serão usadas em documentos oficiais no país. Observem atentamente os termos "desconstrução" e "processo de reconstrução da linguagem". Em breve, não duvido nada, haverá um projeto de lei obrigando as pessoas a usarem palavras aprovadas previamente pelo PT. O projeto abaixo reproduzido tem o número 4610/2001 e pode ser acessado em
Em tempo: Este projeto é da mesma deputada que criou a lei "contra a homofobia" que está prestes a ser aprovado nesta terra.
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Projeto de Lei nº de 2001 (Da Sra. Iara Bernardi) Dispõe sobre a linguagem inclusiva na legislação e documentos oficiais. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º. As leis e atos normativos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios passarão a usar a linguagem inclusiva na edição de seus textos. Parágrafo único: Para os efeitos desta lei, entende-se por linguagem inclusiva: I - a utilização de vocábulos que designem o gênero masculino apenas para referir-se ao homem, sem que seu alcance seja estendido à mulher; II - Nos textos escritos ou falados, toda referência à mulher deverá ser feita expressamente utilizando-se, para tanto, o gênero feminino. Art. 2º. O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 90 (noventa) dias. Art. 3º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. JUSTIFICAÇÃO A Constituição brasileira repudia expressamente em seu artigo 5º toda e qualquer forma de discriminação. (continua)
Assegura a nossa Carta Magna: “Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à prosperidade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;” Neste sentido e para fazer valer o que diz a nossa Constituição, os movimentos de mulheres, no Brasil, têm lutado pela desconstrução das práticas ideológicas que visam a exclusão dos direitos em relação às mulheres, enraizados em preconceitos disfarçados e "inocentes" condutas do nosso cotidiano. Esta é uma luta difícil, porque a construção de uma nova sociedade, onde haja real igualdade entre mulheres e homens, deve envolver uma mudança de mentalidade e o descondicionamento de profundos hábitos culturais. Concordamos que a igualdade entre mulheres e homens não se realiza pela simples criação de leis ou convenções anti-discriminatórias. Ela será uma conquista e um avanço da luta pela eqüidade entre os gêneros na nossa sociedade. No entanto, a iniciativa legislativa é parte fundamental das ações que objetivam modificar as experiências concretas das mulheres, na construção da cultura da sociedade e da história. Afinal a língua é um dos elementos essenciais formadores da consciência humana e seu papel é primordial na construção da realidade. O processo de reconstrução da linguagem é inevitável para gerar uma nova consciência e práticas sociais baseadas na real aplicação igualitária dos direitos entre homens e mulheres. (continua)
Desta forma, entendemos que a nossa língua portuguesa deve incluir expressamente o universo feminino, pautando-se por termos cujo significado reservem os substantivos masculinos apenas para designar o gênero masculino, citando como exemplo a "Declaração dos Direitos Humanos", ao invés da "Declaração dos Direitos do Homem". Por fim, resta considerar que, quando não usamos a linguagem inclusiva, contribuímos com a perpetuação das atuais atitudes de exclusão e discriminação, responsáveis por uma sociedade equivocada e injusta. Neste sentido e para garantir a eqüidade que todos almejamos, esperamos contar com o apoio de todos os colegas deputados e deputadas para a aprovação da presente proposição. Sala das Sessões, em de de 2001. Deputada IARA BERNARDI Vice-Líder do PT.
Entenderam bem? A utilização de palavras no gênero masculino para englobar mulheres é UMA PRÁTICA IDEOLÓGICA PARA EXCLUIR OS DIREITOS DAS MULHERES! SOMOS TODOS UNS PORCOS MACHISTAS!
Vocês são porcos machistos, amigo.
De hoje em diante, referências a mulheres só poderão ser feitas através de vocábulas femininas, porque homens terão seus referêncios feitos em palavros masculinos bem separadinhos, e se algum indivíduo quiser fazer um reclamação, que se dirija ao autoridade competente: da mesma forma que é esperada das mulheres a mesma comportamenta. Se o população masculino pensa que estamos num bagunço, está enganado: a muierada exige uma tratamenta decenta, iguala, sem nenhum espécie de injustiço que favoreça homens em detrimenta de mulheres, que estão cansadas de tanta preconceita!
Vou começar a treinar. Aliás, a priscila já começou. Vejamos como os alunos de uma escola pública deverão fazer uma redação:
Tema: Como foram suas férias.
Querida professora.
Viajei na carra da meu pai (ops! ouvi no True Outspeak que os termos "pai" e "mãe" já são malditos nos EUA. Agora é "parceiro um e parceiro dois". Aliás, essa história de número um e número dois é algo que me lembra uma forma mais sutil e educada de contar o que a gente foi fazer no banheiro.
Voltando à vaca fria (ou, utilizando o politicamente correto petista, retornemos ao bovino do sexo feminino com baixa temperatura corporal). Viajei na carra da minha pai (ou será parceiro um) e chegamos numa hotéua (feminino de hotel) perta da praia. Vesti minha calçã e minha pé da pata e fui correndo prá água. Vi muitas peixas. Minha mãe passou filtra solara em minha corpa pra eu não ficar torrada. De noite fomas jantar numa restauranta e comemas churrasca. De sobramesa comi bola de chocolata com crema de chantiléia (inventei agora esse feminino, mas acho que a professora vai gostar). Bom, aí fui pra quarta pra dormir e sonhei que se a gente não obedeçar a PT a gente vai pra cadeia.
Na volta da viaja nos deparamas com uma arrastã feita pela PCC. Minha avó que tava na carra reagiu e levou uma tira da revólvara da bandida. Levamas minha avó pra hospitáia mas a médica falou que a prefeitura da PT já tinha roubada toda a verba e ela só podia passar mercúria croma na buraca da bala que a bandida fez na cabeça da minha vozinha. Meu pai colocou uma rolha na buraca que a bala fez na cabeça da véia e seguimos viagem de volta. Chegamas na cidada e e passamas na supermercada. Compramos uma monte de produtas. Bom, agora vou pra minha quarta que estou ficanda com sona e vou dormira.
a solução é muito simples: é só todo mundo falar alemão, que tem gênero neutro. Ou adotarmos no português o gênero neutro além do masculino e feminino. Aí fica pedreiro (masculino), pedreira (feminino) e pedreire (neutro). Estudanto, estudanta e estudante. Professor, professora e professore.
e adotamos também o pronome "it" do inglês, além de ele e ela (ou id).
Vou escrever uma gramática não-sexista assim pra reformar a língua portuguesa.
(agora falando sério, a ausência de gênero neutro em português é irritante. por exemplo, quando você diz que "I am going to visit my friend", você não revela se o amigo em questão é homem ou mulher - e às vezes você não quer revelar.. por exemplo, se você tem uma namorada ciumenta ou sei lá. Então é conveniente não ser tão específico. Mas em português não tem como fazer isso: ou você visita o seu amigo ou a sua amiga - não existe - ainda - "amigue".
Mas estamos trabalhando para mudar isso..
Sugiro que se tome como base inspiradora uma música da Xuxa, que diz que "o sapo não lava o pé" e vai modificando as vogais - e poderíamos escolher o "e" como representande da neutralidade, já que "a" e "o" são associadas a gêneros, e portanto não servem. Com o "i" a língua ficaria meio gemida, e com o "u" meio lúgubre! Vou fazer campanha pelo "e", então:
Querides amigues, espero que todes concordem, e ajudem neste campanhe pele fim de injustices sexistes ne Brasil! Haverá problemes com terminações em "ão" e "ã", já percebi, mas dá-se em jeite depois. E vivam bestes quadrades e idiotes em geral, de todes es gêneres! (parece português com sotaque francês, o que dará certamente um charme a mais à coisa...)
Hmmm... Talvez fosse bom abolir artigos, esses complicadores (com a vantagem extra de se abolir conseqüentemente a crase, essa canalha).
Querides amigues, assim sendo breve chegaremos limite máxime de estupidez, e Brasil será inveje de munde - e não só Europe, mas também Estades Unides, Áfrique, Ásie e Oceanie se curvarão perante nós!
(Cada vez mais francês! Que problema! Talvez mais tarde experimente o "u". Pelo menos não haveria modificação naquela linda peça musical, a melódica "Vai tomar no cu", que tanto sucesso faz atualmente - que passaria apenas a ser grafada "Vai tomar nu cu", o que não faz a menor diferença, pelo menos para cariocas).
Esse tópico é engraçadíssimo, um "momento nonsense" total: e desconfio que existirão outros! Este país realmente virou a terra do absurdo do começo ao fim, sem limites visíveis para o término da coisa.
Bom, pelo menos a gente ainda conserva o senso de humor... !
Priscila, adorei seu texto! Você tem toda a razão, vamos todos ficar com sotaque francês, o que realmente dará um charme extra ao povo brasileiro. A propósito, o projeto de lei em questão JÁ FOI APROVADO PELA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA (texto abaixo). Em breve será lei... De agora em diante, todos os brasileiros (e brasileiras, não quero ser preso) se comunicarão atraves de gestos. Se o gestos indicarem gênero, utilizaremos grunhidos. Assim, retornaremos todos ao estágio do homem de Neanderthal (digo, mulher de Neanderthal... ou será melhor "neutro" de Neanderthal?)Estou ficando (a) confuso(a).
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PROJETO DE LEI Nº 4.610, DE 2001 Dispõe sobre a linguagem inclusiva na legislação e documentos oficiais. Autora: Deputada IARA BERNARDI Relator: Deputado MARCOS ROLIM I - RELATÓRIO O projeto de lei em epígrafe, de autoria da ilustre Deputada IARA BERNARDI, estabelece que as leis e atos normativos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios passarão a usar a linguagem inclusiva na edição de seus textos. Para os efeitos da pretendida lei, linguagem inclusiva é definida como sendo: “a utilização de vocábulos que designem o gênero masculino apenas para referir-se ao homem, sem que seu alcance seja estendido à mulher;” “nos textos escritos ou falados, toda referência à mulher deverá ser feita expressamente utilizando-se, para tanto, o gênero feminino.” O art. 2º do Projeto fixa, ainda, o prazo de noventa dias para a regulamentação da lei pelo Poder Executivo. Na Justificação, a Autora defende a iniciativa argumentando que “quando não usamos a linguagem inclusiva, contribuímos com a perpetuação das atuais atitudes de exclusão e discriminação, responsáveis por uma sociedade equivocada e injusta”.
O projeto foi distribuído apenas a esta Comissão para que se pronuncie sobre a constitucionalidade, juridicidade, técnica legislativa e, ainda, opine sobre o mérito. É o relatório. II - VOTO DO RELATOR No que tange à constitucionalidade, nada há a obstar ao prosseguimento do projeto, eis que se encontram atendidas todas as exigências da Lei Maior. No que respeita à juridicidade e técnica legislativa, também, não existem reparos as serem feitos. Quanto ao mérito, entendo que o projeto é oportuno e necessário para o aperfeiçoamento de nossos textos normativos. Com efeito, o uso da linguagem inclusiva, efetivamente, emprestará um tratamento mais isonômico em relação às mulheres, contribuindo na repressão contra atitudes de exclusão e discriminação. Pelas precedentes razões, manifesto meu voto pela constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Projeto de Lei nº 4.610, de 2001, e no mérito, pela sua APROVAÇÃO. Sala da Comissão, em de de 2001. Deputado MARCOS ROLIM Relator.
Quando (não digo "se") este projeto maluco for aprovado, o PT terá conseguido um feito nada desprezível: moldar a linguagem humana de acordo com o interesse de um grupo. A inteligência humana, numa obra maravilhosa, desenvolveu os idiomas. Até onde sei, neste país falamos língua portuguesa, idioma que se originou do latim vulgar. Um idioma leva muitos séculos até que se torne um sistema lógico, com regras próprias capazes de serem compreendidas por um grupo. O que o PT pretende é que este sistema seja utilizado como ferramenta de modificação do comportamento humano e para isso martela a teoria que o idioma é um "instrumento de dominação". Como já disse o Olavo no artigo "Mulheres Públicas" (vejam o link em tópico anterior), existe uma diferença entre o que se dá no mundo da fala e no mundo da língua. O PT não sabe a diferença, nunca soube e não se interessa em saber. O que deseja é moldar a sociedade de acordo com seu projetinhos revolucionários e dane-se quem quiser mostrar que a idéia é maluca. O desmantelamento de páis através da atividade revolucionária se dá no plano das leis, da moral e também do idioma, que passará a ser utilizado como instrumento policialesco. Usou o gênero masculino para se referir aos dois sexos? Porrada nesse machista dominador! A aprovação deste projeto, repito, já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, mostra que a discussão séria já está definitivamente extinta no país. Só sobrou o espaço da internet (por enquanto) para as pessoas debaterem os temas mais graves. A sociedade brasileira entregou seu destino a revolucionários que encaram a humanidade como campo de ação para seus projetinhos psicóticos. Em breve, seremos aquele cachorrinho poodle cor-de-rosa que o Olavo comentou ontem no programa.
Toth, não tenha a menor dúvida. Esses caras são revolucionários, respiram projetos de mudança da sociedade vinte e quatro horas por dia. O MST não tem uma faculdade onde ensina revolução?