Por Daniella Cadavez e Tiana Ellwanger
A melhor forma de acabar com o poder dos traficantes é tirar deles o que os faz ter poder: o dinheiro. É o que pensava Wagner Fonseca Lima, 52, quando, em 2000, então gerente de auditoria do Banco do Brasil no Rio, descobriu movimentações financeiras do traficante Fernandinho Beira-Mar.
Em três meses, ele e outros três auditores reuniram documentos e filmagens que comprovam a movimentação de R$ 2 milhões, em 39 agências no Rio e cinco no Matogrosso do Sul. "Só contabilizamos os depósitos acima de R$ 10 mil e num período curto. Se expandíssemos as investigações, como sugeri, descobriríamos mais", diz Wagner.
À época, entregou a documentação à chefia de auditoria interna, que, segundo ele, o proibiu de levar o caso à Justiça, ao Ministério Público ou à polícia. Pelo contrário, lacrou e guardou os documentos.
Detalhes adicionais
Depois disso, Wagner diz ter se tornado alvo de perseguição. "Extinguiram minha gerência de auditoria e me transferiram para Goiânia". Lá, ele detectou outro esquema de lavagem de dinheiro. Em 2004, levou o caso ao Conselho de Administração do banco. "Foi aí que piorou tudo. Eles me tiraram do cargo com comissão e me colocaram num posto efetivo. Meu salário caiu de R$ 9 mil para R$ 3 mil. Um dia, na saída do banco, um homem tentou me matar".
Em 2005, Wagner entrou na Justiça, assessorado pelo advogado Sérgio Batalha. Ano passado saiu a sentença favorável a ele, determinando a restituição do cargo e de salário. Só em danos morais, foram mais de R$ 600 mil de indenização.
Mas só no último dia 20 o banco repôs seu salário. "Falta voltar ao cargo. Chego às 7h e saio 7h05 porque não há nada a fazer", diz Wagner. "É desperdício de dinheiro público pagar R$ 9 mil a alguém qualificado e deixá-lo sem trabalhar", completa Batalha.
Publicado no jornal O Dia, Caderno 2, pág. 2 - 29/05/2007
A melhor forma de acabar com o poder dos traficantes é tirar deles o que os faz ter poder: o dinheiro. É o que pensava Wagner Fonseca Lima, 52, quando, em 2000, então gerente de auditoria do Banco do Brasil no Rio, descobriu movimentações financeiras do traficante Fernandinho Beira-Mar.
Em três meses, ele e outros três auditores reuniram documentos e filmagens que comprovam a movimentação de R$ 2 milhões, em 39 agências no Rio e cinco no Matogrosso do Sul. "Só contabilizamos os depósitos acima de R$ 10 mil e num período curto. Se expandíssemos as investigações, como sugeri, descobriríamos mais", diz Wagner.
À época, entregou a documentação à chefia de auditoria interna, que, segundo ele, o proibiu de levar o caso à Justiça, ao Ministério Público ou à polícia. Pelo contrário, lacrou e guardou os documentos.
Detalhes adicionais
Depois disso, Wagner diz ter se tornado alvo de perseguição. "Extinguiram minha gerência de auditoria e me transferiram para Goiânia". Lá, ele detectou outro esquema de lavagem de dinheiro. Em 2004, levou o caso ao Conselho de Administração do banco. "Foi aí que piorou tudo. Eles me tiraram do cargo com comissão e me colocaram num posto efetivo. Meu salário caiu de R$ 9 mil para R$ 3 mil. Um dia, na saída do banco, um homem tentou me matar".
Em 2005, Wagner entrou na Justiça, assessorado pelo advogado Sérgio Batalha. Ano passado saiu a sentença favorável a ele, determinando a restituição do cargo e de salário. Só em danos morais, foram mais de R$ 600 mil de indenização.
Mas só no último dia 20 o banco repôs seu salário. "Falta voltar ao cargo. Chego às 7h e saio 7h05 porque não há nada a fazer", diz Wagner. "É desperdício de dinheiro público pagar R$ 9 mil a alguém qualificado e deixá-lo sem trabalhar", completa Batalha.
Publicado no jornal O Dia, Caderno 2, pág. 2 - 29/05/2007