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Rastreando a paralaxe: a fenomenologia de Olavo

Iniciado por lvaro_4 em 14/06/2007 · 6 mensagens

lvaro_4#1
Rastreando a paralaxe: a fenomenologia de Olavo de Carvalho.

I

Acredito, que é importante realizar uma leitura da obra de Olavo de Carvalho tendo em vista a influência da fenomenologia em seu pensamento filosófico.

Reparem que, praticamente, todo problema filosófico abordado pelo Olavo parte da descrição de um fenômeno como este se manifesta e da suspensão do juízo e da tentativa de iluminar o objeto ante suas possibilidades de manifestação, até o preenchimento da significação no conteúdo da consciência e vise-versa. Como se a origem do conhecimento em Olavo fosse sempre uma ida e um retorno do singular ao universal que envolvesse sujeito e objeto num movimento único, nunca deslocado ou isolado.

II

Ao definir o discurso poético como o primeiro discurso sobre a realidade, o filósofo Olavo de Carvalho se aproxima da redução fenomenológica ao intuir das essências os seus conteúdos de significação e suas possibilidades de manifestações concretas na realidade.

III

Olavo de Carvalho vê como um dos pressupostos para a prática filosófica, o conhecimento da estrutura cognitiva de um ato de percepção. Desde o seu nível simbólico até a estrutura lógica deste conteúdo de percepção.
lvaro_4#2
IV

A própria definição de filosofia de Olavo de Carvalho (a unidade do conhecimento na unidade da auto-consciência e vise-versa) implica em um tipo de cogito que, distante do modelo cartesiano e muito menos kantiano, está mais próximo à uma concepção agostiniana do cogito como uma faculdade da alma. Mas do ponto de vista do percurso do conhecimento, Olavo de Carvalho não pressupõe um idealismo subjetivo que envolva memória ou reminiscência, mas imaginação-memória ou fantasia de gêneros e espécies de imagens(fantasmas), que por meio da experiência fenomenologicamente descrita atinge o conteúdo concreto da realidade.

V

O fenômeno da paralaxe cognitiva, o inverso da construção mental e teorética afirmado na definição de filosofia, só pode ser descoberto ontologicamente pelo sua forma manifesta. O que equivale a rastrear seu sentido primeiro, causa eficiente da quebra da unidade do conhecimento e da quebra da unidade do ser.

IV

Ao contrário da tradição fenomenológica, Olavo de Carvalho concebe as essências como realidades metafísicas apodícticas que pressupõem a condição objetiva para se chegar ao conhecimento. O conhecimento se encontra no objeto existente, na mente do sujeito e não apenas na relação estabelecida entre sujeito e objeto
lvaro_4#3
VI Conclusão.

Uma fenomenologia do ato cognitivo deslocado pelo fenômeno da paralaxe levando em conta a definição de filosofia de Olavo de Carvalho ou do cogito agostiniano é a investigação necessária para se recompor a unidade entre o ser e o conhecer.

Gostaria de saber dos amigos estudiosos deste grande filósofo que é o Olavo de Carvalho se o meu raciocínio está correto ou se estou sendo inexato em alguma coisa.
lvaro_4#4
Não sei se no rastreamento do fenômeno da paralaxe cognitiva é necessário falar na intuição metafísica da forma.

A não ser que se fale em forma a prori que permite o conhecimento como reconhecimento e que preenche de conteúdo de significado os aspectos da realidade sensível.

Você poderia desenvolver melhor este ponto???
lvaro_4#5
Aí é que está Cesar.

Nunca tive a felicidade de conhecer o Olavo de Carvalho pessoalmente para poder fazer determinadas perguntas que eu gostaria.

Não conheço nenhuma exposição completa do Olavo quanto ao tema, embora o Olavo já tenha claramente sua interpretação e já a divulgue há algum tempo, temos diversos ensaios e textos dele falando sobre o assunto, é um problema epistemológico vital para a própria existência da filosofia. Seria interessante reunir aqui links que tratem sobre este assunto.

Uma das questões que eu faria ao Olavo se encontrasse com ele seria sobre a possibilidade de se recompor um ato cognitivo original.
inocncio#6
A paralaxe, na minha visão, é uma deformação da consciência. O indivíduo vê a realidade através de uma lente disforme. A consciência é incapaz de dar ao indivíduo a imagem exata da totalidade e este perde o equilíbrio necessário entre o que é imanente e o que é transcendente. É como um olhar vesgo da realidade. Como o indivíduo tem a sua consciência obliturada, não é capaz de fazer senso de juizo adequado sobre os fatos. Passa então a perceber tudo por um enfoque horizontal, humano, seguindo apenas os seus instintos e desejos imediatos, exatamente como o animal que é incapaz de perceber a sua própria imagem no espelho. Como não tem conexão com os transcendente o indivíduo procura se conectar aos demais da sua espécie, como os animais fazem nas savanas para se proteger. O indivíduo perde a noção de si mesmo e passa a achar que ele é uma porção da massa, da raça, do coletivo e não ele sozinho como um elemento ligado ao todo.
Mas isso é só uma impressão minha. Posso estar enganado. Preciso ler Swedemborg para ter uma idéia mais clara a respeito. Confesso que não li o suficiente dele para poder dar uma opinião mais clara.

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