Pelo menos um texto interessante pôde ser tirado do blog do Luis Nassif, que, obviamente não é de sua autoria.
Há um estilo literário novo no Brasil.
Talvez alguns incautos o comparem aos de personagens antigos. Mas este estilo não é o mesmo revelado nas letras tônicas de Lacerda, a ponto de levar Getúlio ao suicídio, dizem as más línguas. Nem tem a graça e a ironia fina de um Nelson Rodrigues.
Não é humorístico (humor negro) como o de Paulo Francis; nem traz o idealismo rascante de um Glauber Rocha. Não é inteligente como o de Merquior, nem tão pouco instigante como o dos editoriais de antigos jornais de referência, como o do Correio da Manhã.
Até mesmo porque esse estilo é importado dos Estados Unidos. A esse novo estilo chamaremos literatura neocon (ou simplesmente pop neocon).
A fórmula é simples. Pega-se um tema qualquer que dê uma boa discussão. Na falta dele, alce um tema à categoria de grande polêmica da sociedade (sim, a literatura neocon consome muita energia e não pode sobreviver na calmaria cotidiana).
Depois faça comparações hiperbólicas (“culpados pela matança de cem milhões de pessoas”, etc), e traga à cena personagens da história, mas de preferência vilões incontornáveis (Stálin, Hitler etc). Isso é para que não haja dúvida sobre de que lado ficar.
Por fim, produza-se alguma alcunha espetacular sobre algum personagem público ou tornado público, exatamente com o intuito de difamá-lo. Às vezes essa alcunha pode ser direcionada ao grupo ideológico rival.
A literatura neocon é um tipo de folhetim, onde se encontram os elementos mais básicos desse gênero: periodicidade, uma eterna luta de mocinhas indefesas contra megeras, degenerados de caráter versus homens de respeito e, principalmente, um final triunfal.
A diferença é que não é o personagem que vence, mas o jornalista-justiceiro, o intelectual desvelador da grande sacanagem da História.
Não aderiram a ela somente cineastas e literatos ruins. Muitos jornalistas e mesmo intelectuais ávidos por uma boa cena de pancadaria também gozam com seus sadismos.
Com certeza, se me permitem a ironia, é uma forma de gozo perverso, pois que se volta a ela incessantemente, mesmo contra a lei do bom debate. E como o aspecto sádico do caráter traz o negativo do masoquismo – vicissitudes das pulsões, segundo Freud – gozam também ao ser odiados e espinafrados.
A organização textual da literatura neocon é basicamente dissertativo-narrativa, onde a narrativa é fundo e não figura.
A dissertação reafirma o desdém pela opinião adversária, uma sensação pouco fundamentada de superioridade e um argumento fragilizado pelo próprio automatismo da expressão raivosa.
Há muitos. Muitos adjetivos depreciadores.
Ocupa hoje vários suportes: colunas de jornais, telejornais noturnos, sites e blogs.
Os EUA são o primo rico do pop neocon: lá esse tipo de literatura vende centenas de milhares de livros.
Da mesma forma, ocupa a justiça com processos de calúnia e difamação (como se não se tivesse mais o que fazer nos fóruns).
Não há literato neocon que não tenha respondido a alguns processos por crimes contra a honra. Essa é a medida do seu sucesso.
A fórmula da agressão é imperativa. Talvez esse seja o maior problema da literatura neocon. E está no fato de fazer incessantemente da vilanização do diálogo.
Esse problema é pior do que o seu alinhamento com uma posição ideológica (afinal há inúmeros folhetins de esquerda tão chatos quanto); ou de ser um típico produto mass cult da Indústria Cultural (dotado de clichês, e público bem detectado).
Partindo de uma percepção equivocada da natureza humana, como encarnação simplória da oposição entre o bem e o mal (desde que o mal esteja do outro lado), este tipo de literatura dramatiza a reflexão e, principalmente, ajuda a disseminar ou consolidar a cultura da intolerância.
Ser paciente e civilizado, ser tolerante à opinião com a qual não se concorda, ser educado, mesmo que o outro não o seja, faz-nos desprender um esforço muitas vezes incomum, sacrifício esse próprio de superação do que um certo político de alcova em recente história brasileira chamou de “institutos mais primitivos”.
A possibilidade do diálogo público é o melhor lado da modernidade, que tantas coisas ruins também nos trouxe. Esse sonho civilizacional definitivamente não faz parte da literatura neocon.
Eu, particularmente, acho que o autor foi injusto, pois insinuou que os "neocons" apenas fazem tipo. Eu acho que muitos são assim mesmo de forma sincera, acreditam que devem desempenhar um papel messiânico, defendendo a sociedade das constantes e incansáveis ameças que nos cercam de todo lado. No mais, achei um texto bem interessante...
Pra quem não lê e não entende a verdade por trás desse mundo, coisa muito comum aqui no Brasil, qualquer princípio de movimento conservador já é taxado de loucura ou "lixo".
Esses dias um designer me falou que "Eu posso até discordar da Esquerda em muito dos seus radicalismos, mas tem que ver também que a Direita não lê". Eu me contorci por dentro e espumei pela boca ao ouvir aquilo.
gosto muitos dos Wunderblogs (ou pelo menos dos poucos cujos textos conheço - eles são tantos), principalmente do Alexandre Silva, porém é verdade que eles às vezes são meio pedantes e " viados". Esse negócio de ficar falado "old boy" e umas frescuras estilísticas.
Até me dei ao trabalho de ler e responder ao dito "colunista" na coluna dele. Vamos ver se o tal "Nassif" vai ter "cacife" de publicar.
O núcleo da crítica do colunista me parece improcedente. Tentar resguardar o
discurso de esquerda como algo saudável e único para que o diálogo se
estabeleça “em paz” ou “em harmonia” não é senão uma tentativa tirânica de
impor uma linha de pensamento uníssona a todos os debatedores de forma que
todos tenham apenas variações pontuais em cima dos mesmos postulados ou
ainda, em última análise, a mesma visão sobre a realidade com discrepâncias
meramente qualitativas.
O colunista deveria se preocupar em contrapor os argumentos dos
conservadores e não em adjetiva-los. Adjetivar é justamente o último recurso
que sobra àquele que já não tem mais o que argumentar. O rótulo pode servir
para inferir ao adversário uma marca (“não ouça ou não leia esse cara”), mas
jamais desqualifica sua linha de argumentação.
O colunista não deveria se colocar na posição de “mensageiro da paz”. Para
isso temos outros fóruns mais adequados. Eu, por exemplo, prefiro a paz de
espírito. Há quem prefira outros tipos de paz. Em tempos de paz a URSS e a
China dizimaram milhões de civis inocentes por não se enquadrarem no
discurso do Partido.
Soa mais como uma ameaça velada: ou todos discutimos nos termos de um dos
lados ou poderemos passar por experiências “desagradáveis”. Isso tem nome.
Se chama “enquadramento do discurso”. É também uma fantaciosa tentativa de
assumir a legitimidade da verdade apenas para um dos lados.
Primeiro, vamos lembrar, negava-se que essa divisão sequer existia ! Tivemos
que ouvir durante anos que esquerda e direita nem existiam mais. Isso, é bom
lembrar, era um resquício das “viúvas da guerra-fria”, aquela gente
decrépita com idéias “antigas e ultrapassadas”.
Porém, quando escritores ditos “de direita” começam a escrever e a se identificar corretamente eles são automaticamente identificados como o outro lado que supostamente não existia mais (eles não se fazem passar por neutros, ao contrário de outros por ai).
Tudo é normal contanto que seja de acordo com a nossa visão particular da
realidade. O outro lado é que é radical, inviável, “desumano”. Oras, isso não é o papel do intelectual legítimo. O intelectual legítimo deve procurar a verdade e não fazer militância de suas idéias. Eu, por exemplo, sinto muita falta disso: a procura da verdade e não do “desejo de poder”.
Devemos lembrar também que a acusação de intolerância não procede, inclusive por contrastar a realidade do país majoritariamente cristão e conservador. Aproximadamente 64% são católicos, mais de 78% cristãos e 95% dizem acreditar em Deus. Mais de 60% tem posições consideradas conservadoras, como ser a favor da família, da propriedade e contra o casamento gay. Onde estão os intelectuais que defendem as posições dessa parcela da população? Para quem escreve a maioria dos intelectuais do país atualmente? Para uma maioria ou para uma minoria dita “culta”? A “ignorância” pertence ao outro lado? E devemos lembrar também que o Estado brasileiro é secular, a despeito da alta religiosidade do povo. Além disso a missigenação fez a beleza do nosso povo, em contraste com certas idéias ditas “avançadas” que procuram dividir o país em cores e contrastes.
Engraçada é a tentativa de assossiar o assim chamado “estilo Neocon” ao “poder do capital” (como se esse estivesse montado em arcanas e riquíssimas fontes de recursos) quando a maioria dos jornalistas e intelectuais que defendem a outra posição (dita “neutra”) tem a sua disposição a grande imprensa e a grande mídia há mais de década. Muitos dos veículos, inclusive, contando com abastadas fontes de recursos governamentais. É aquela história: uma vez coitadinho, sempre coitadinho.
Lula, um milionário, ainda é o “operário” oprimido mesmo tendo apenas dois anos de carteira assinada. Mesmo que tenha toda a parafernália do governo a sua disposição ainda é coitadinho. E o outro lado que não tem onde cair morto é que é cheio de
recursos e poder. É a negação da realidade, de novo.
Infantil e pretenciosa a idéia de que a esquerda tenha uma “visão saudável da realidade”. Oras, esse é justamente o núcleo da questão. A esquerda prima justamente pela negação da realidade: a crítica, a desconstrução da natureza e do homem, a idolatria ao anti-natural, aos anti-valores. Isso não é nenhuma novidade.
Os únicos escritores conservadores que sobraram escrevem (por enquanto) nas “catacumbas” da internet ou em uma coluna ou outra de alguma revista que não conta com a simpatia e a generosidade governamental. Numa posição de tanto “destaque” assim já incomodam, imagina se tivessem os meios de comunicação em massa e a generosidade governamental a sua disposição.
Teríamos com certeza a guerra: é a tolerância da esquerda ...
De mais a mais, muito antes de existir progressistas existiam conservadores.
A tentativa de rotular cunhando um termo estranho (Neo) como sendo um fenômeno novo ou recente já aparece fora de contexto. Néo é justamente o progressismo. Esse é bem novinho, mas se sente muito maduro e experiente.