Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Me indiquem por onde começar

Iniciado por alysson em 11/07/2007 · 40 mensagens

alysson#1
Pessoal, por onde começo um estudo sério de literatura?! Sou um zero a esquerda em tudo que diz respeito a uma boa poesia, a classificar um bom livro. Queria alguma indicação em uma sequencia para eu ir estudando na ordem. Abraço
gabriel_12#2
Espero responder em breve. Se alguém mais competente do que eu e com mais tempo disponível fizer isso antes, ficarei agradecido.
priscila#3
Amigo, eu já li uma quantidade incomensurável de livros e não sei te responder.

Mas vai lendo, e começa pelos clássicos. Resenha um país, por exemplo. A Rússia, a França, a Inglaterra, Portugal, o Brasil... Só pra você ir tendo contato com os bons garantidos.
Vai por mim, não tenta nenhuma novidade no começo. Clássicos, mesmo.
Novidade deixa pra depois, pra quando você estiver mais seguro.
Pra tomar gosto, eu sugeriria os russos. Grande literatura, a russa! Pode ir fundo que eu garanto. O velho e bom Dostoievski é uma boa primeira pedida.
priscila#4
Quanto a classificar, também não sei. Acho que quem lê muito instintivamente sabe o que é bom e o que é uma porcaria, mas não faço a menor idéia de como é que se aprende isso.
Ah, e não esquece o Dom Quixote, meu amado Dom Quixote!
alysson#5
Rpz, ae é que tá. Eu já tentei começar pelos clássicos. Lembro que certa vez comecei a ler A Divina Comédia, mas não absorvi toda a grandeza tão divulgada dela, pelo contrário, achei a leitura enfadonha. Antes de leu Dostoievski, por exemplo, não se faz necessário ler algo que explique o contexto da obra, que faça uma análise e, em seguida, passar diretamente para a obra?! Por falar em Dostoievski, estou economizando o dinheiro para comprar as obras completas dele, da editora Nova Aguilar, mas me pergunto se esse seria um começo bom, ou se eu leria uma obra grandiosa e não absorveria o que é pra ser absorvido. Enfim, estou aberto a sugestões.

E quanto a poesia? Alguem tem alguma dica?
priscila#6
Eu vou fazer uma lista eclética pra você, pode deixar. Misturando estilos, e de forma a que você não ache nada enfadonho. Só não posso fazer hoje, porque vou sair daqui a pouquinho, e só volto à noite. Mas amanhã eu prometo!
selma#7
o pequeno príncipe.

o alienista.
lvaro_4#8
Pra início: A arte de ler de Mortimer Adler.

Uma boa tradução de How do read a book.

Entre em contato com as técnicas de Adler até poder reproduzi-las com segurança. São simples e, mas do que técnicas, são atos cognitivos de percepção dos sentidos de um texto.

Preste atenção nos livros que Adler indica e realize o programa de leitura dele.

Em 4 anos ou cinco você será um dos homens mais eruditos do Brasil.

E isso é só começo de conversa.
lvaro_4#9
Harold Bloom é meu mestre de literatura desde a adolescência... tenho todo os livros deles e indico todos.

Leia Harold Bloom... leia também Seymour Smith que é outro educador literário que me marcou em definitivo. Leia Carpeaux que é assombrosso.
zehrique#10
Priscila disse:
Pra tomar gosto, eu sugeriria os russos. Grande literatura, a russa! Pode ir fundo que eu garanto. O velho e bom Dostoievski é uma boa primeira pedida.

Priscila, tenho visto o pessoal aqui citar bastante o livro "Os Irmaos Karamázovi", de Dostoiévski. Estou interessado nele, pois na minha cidade tem um sebo oferecendo uma edição de 1970 ao preço de R$ 17,00. Não sei o estado de conservação ainda.

Vou dar uma passadinha lá, hoje mesmo!
priscila#11
Bom, eu vou fazer uma coisa diferente com o Alysson. Amanhã, porque acabei de chegar e estou morta, hoje.
Alysson, conforme prometi, a lista que eu vou mandar pra você não vai ser a lista dos livros mais importantes. Os livros mais importantes estão espalhados aqui pela comunidade, em diversos tópicos: os amigos daqui têm uma profunda noção disso, e dão muito bons conselhos.
Você contou que desanimou com a Divina Comédia - e eu entendo, uma vez que você não tem talvez o hábito de ler, e seria como tentar atravessar o Canal da Mancha a nado, só tendo antes treinado na piscina do clube. É preciso um certo fôlego pra isso, que se adquire aos poucos.
Eu acho que, pra gostar mesmo, e virar um apreciador, você deve começar por livros que exijam uma apreciaçào mais simples, mais fácil, digamos. O que não significa que você deva ler sub-literatura, é claro.
Braçadas firmes, estilo elegante, e a cabeça colocada certo - foi assim que eu ensinei filhos e netos a nadar! Sub-literatura é como nadar "cachorrinho": depois de algum tempo vicia, e dificulta a passagem para um nível maior de aperfeiçoamento! Até impede, totalmente!
Então aguarde: vou fazer uma lista pra que você goste de ler, aprecie, e compreenda o estilo e o jeito de diversos escritores. Não se preocupe, é claro, se não gostar de algum: todos temos nossos favoritos, e também aqueles de quem definitivamente não gostamos!
Então me aguarde, vou caprichar!
Beijo!
fagner#12
Posta a lista aqui para que eu possa "seguila" também estou precisando.
diego_10#13
a lista da Priscila.
Cada dia fico mais embasbacado com o conhecimento dessa mulher...
Parabéns e obrigado!
marcos_8#14
Caio e Fagner.
Esse link para o livro do Adler é legal, mas como tem erros de digitação! Cuidado ao ler, algumas frases não fazem sentido, até que você volte e perceba que alguma palavra está escrita errado, ou há um ponto onde deveria haver vírgula.
Mas obrigado de qualquer forma, Caio. Já li os três primeiros...
david_6#15
Não tão presunçoso, mas sempre me traz luz. Pedro Sette Camara é um baita conheçodor do assunto. Recomendo:

http://www.oindividuo.com/

Todo domingo ele posta uma poesia, declama e analisa.
Outro crítico interessante é o Steiner.

Saudações...
marcos_8#16
Alysson, o problema com a literatura é que um livro - ou um poema - sempre "conversa" com a tradição que a precede.
Sem entrar em discussões teológicas - por favor - uma dica importante é a Bíblia. Mesmo que você seja ateu, a Bíblia é importante pelo motivo exposto acima.
Leia os gregos, também, no mínimo Homero (Ilíada e Odisséia), alguma coisa do teatro e - se você não estiver familiarizado - algum livro sobre mitologia greco-romano. Mesmo que você não goste, a princípio.
Sem essas duas fontes - só para dar um exemplo - Os Lusíadas é completamente ininteligível.
Para entender melhor Dostoiévski, por exemplo, alguma intimidade com Shakeaspeare (e não só ele) é muito importante.
Quanto mais você lê, mais você lê .
marcos_8#17
E começar pela Divina Comédia é muita coragem!
david_6#18
Gosto do conselho de Schopenhauer:

"Por isso é tão importante, em relação ao nosso hábito de leitura, a arte de não ler. Ela consiste na atitude de não escolher para ler o que, a cada momento determinado, constitui a ocupação do grande público;[...] Livros ruins são veneno intelectual, capaz de fazer definha o espírito".

mais adiante e não menos contundente... rs

"É inacreditável a tolice a perversidade do público que deixa de ler os espíritos mais nobres e mais raros de cada gênero, de todos os tempos e lugares, para ler as besteiras escritas por cabeças banais que aparecem diariamente, que se espalham a cada ano em grande quantidade, como moscas. E isso apenas porque foram publicadas hoje e sua tinta ainda está fresca. Na verdade esses produtos deveriam seer abandonados e desprezados já no dia do seu nascimento, como serão após poucos anos, e então para sempre, reduzindo-se a um mero assunto para que se ria dos tempos passados e de suas balelas". (A arte de escrever, 134)
fbio_6#19
É só um palpite meu, já que não sou muito conhecedor de crítica literária mas, pq vc não tempera alguns clássicos universais com a literatura luso-brasileira? Quando eu era mais ligado à literatura lia muito Machado de Assis, Olavo Bilac, Fernando Pessoa, Aluísio Azevedo, Eça de Queirós, Camões, etc. Pq não tenta? Junto com eles, aqui e acolá um Dante, um Dostoiévski, um Goethe...
priscila#20
Bom, fazer uma lista de livros para os amigos, ontem à noite, me pareceu a princípio uma dificuldade! Não sabia por onde começar, e, a cada tentativa, percebia logo que estava resvalando para livros que necessitavam do tal fôlego, que era o que eu queria evitar!

Foi quando me surgiu uma idéia: como vocês sabem, moro numa casa atulhada de livros. Às vezes (o que significa "sempre", em pricilês), eu levo três dias para achar um livro que tenho certeza de que está ali, em algum lugar, na pilha de trás... Às vezes não acho nunca, porque algum filho ou irmão levou "emprestado"(eu não empresto livros, porque ninguém jamais me devolveu os empréstimos, embora eu sempre devolva TODOS os que faço. Então baixei a regra, o que não adiantou nada - continuam a levar emprestado do mesmo jeito, só que agora não me avisam mais).

Por este motivo, levo sempre para o meu quarto os queridos do meu coração: porque é perfeitamente possível que eu acorde às três da matina com uma súbita e irrefreável vontade de ler algum deles, e vou poupar meu marido de ter uma mulher maluca despencando estantes de madrugada, e fazendo uma bagunça generalizada. Meu quarto, é claro, também tem estantes, mas pelo menos são organizadas e não ficam livros um atrás do outro - quer dizer, ficam, sim, mas dá mais ou menos pra achar, com boa vontade. Em, digamos, uma hora. - uma hora e meia, no máximo...

Por que não fazer a lista, então, usando como referência estes? Achei uma boa idéia! Excluí os "livros de aeroporto", que é como eu chamo aqueles que compro num impulso (em geral num aeroporto, mesmo), aqueles dos quais alguém me falou, aqueles que me deram de presente - não que não sejam bons, e eu estou invariavelmente lendo um deles, de mistura com os outros - mas não cabem numa lista como esta. Excluí biografias, e livros sobre assuntos do meu particular interesse, mas sem valor literário especial, como livros de Física, História, Matemática. Excluí resenhas, de qualquer tipo. Biografias, mesmo as melhores.
priscila#21
Excluí, como disse, os que necessitam de fôlego - Shakespeare, Dante, os amados gregos. Não botei na lista os livros de poesia (posso fazer uma outra lista). E, de cada autor, escolhi apenas os mais representativos para mim - nada de "As Obras Completas" de ninguém - embora o Eça e o Machado estejam presentes com todo o seu séquito no dito quarto, e muitos outros autores também estejam representados por mais livros do que os que constam desta lista.

Aí vai a minha lista, eclética, é claro - e sem a menor pretensão de ser mais do que uma ajuda para os amigos que pedem sugestões, por gostar de ler.
Espero que gostem, e que não virem viciados como eu. Sigam os conselhos do Olavo, e se organizem para formar uma cultura mais sólida e homogênea - a minha vai continuar sendo esse edifício meio torto e desconjuntado em cima do qual vou empilhando um tijolo a cada dia, assim Deus me ajude.
Mas, afinal, ninguém é perfeito. .

PS: Os títulos não seguem uma ordem especial, ou hierárquica - é só o jeito como eu fui anotando, olhando a estante.
priscila#22
Leon Tolstoi – Anna Karenina, Guerra e Paz, A Morte de Ivan Ilytch;
Nicolai Gogol – Almas Mortas;
Fiodor Dostoievsky – Os Irmãos Karamazov, Crime e Castigo;
Ivan Turgenev – Pais e Filhos;
Henry James – The Turn of the Screw;
Nathaniel Hawthorne – A Letra Escarlate;
Arthur Conan Doyle – Um Estudo em Vermelho, O Cão dos Baskervilles;
Mark Twain – As Aventuras de Tom Sawyer, As Aventuras de Huckleberry Finn;
Virginia Woolf – Mrs. Dalloway, Orlando;
Charles Dickens – David Copperfield; The Pickwick Papers; Conto de Natal;
G. K. Chesterton – The Man who was Thursday;
Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray, O Fantasma de Canterville, A House of Pomegranates;
Graham Greene – O Poder e a Glória;
Lewis Carroll- As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, Através do Espelho;
D. H. Lawrence- O Amante de Lady Chaterley;
Thomas Mann – Morte em Veneza, A Montanha Mágica;
Goethe – Fausto (I e II);
Isaac Bashevis Singer – O Golem, Shadows on the Hudson;
Jorge Luis Borges – O Livro de Areia, O Livro dos Seres Imaginários;
Gabriel Garcia Marques – Cem Anos de Solidão;
Miguel Torga – Contos da Montanha, Novos Contos da Montanha;
Vladimir Nabokov – Lolita, A Verdadeira Vida de Sebastian Knight;
Miguel de Cervantes – Dom Quixote de La Mancha;
Marcel Proust – À la Recherche du Temps Perdu;
Gustave Flaubert – Madame Bovary, A Educação Sentimental;
Honoré de Balzac – A Comédia Humana;
Rabelais – Gargantua e Pantagruel;
Albert Camus – O Estrangeiro, A Peste, A Queda;
Marguerite Yourcenar – Mémoires d’Hadrien;
Alphonse Daudet- Lettres de mon Moulin;
Diversos – O Livro das Mil e Uma Noites;
Camilo Castelo Branco - Amor de Perdição, O Romance de um Homem Rico;
Eça de Queirós – Os Maias, A Relíquia;
Machado de Assis- Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro;
Adélia Prado – Manuscritos de Felipa, Cacos para um Vitral;
Dalton Trevisan- O Vampiro de Curitiba, Vozes do Retrato;
Hilda Hirst - O Verdugo;
Daniel Defoe- Robinson Crusoe;
Blasco Ibañez – Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse;
priscila#23
Agustina Bessa-Luís – A Sibila;
Julio Cortazar- Bestiário;
Edgar Allan Poe- The Murders in the Rue Morgue;
Umberto Eco – O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault, Baudolino;
Margaret Atwood – Cat’s Eye;
Raduan Nassar – Lavoura Arcaica

Procurei botar os títulos em português (quando os conhecia), embora ache sempre preferível ler na língua original , quando é possível. Botei em inglês quando não sabia o título em português, é claro, o que não quer dizer que não existam traduções.
E, ah, embora tenha excluído antologias, abro uma exceção para qualquer antologia do conto russo que contenha "O Capote", de Gogol.

Devo ter esquecido um monte de livros imperdíveis, mas o critério foi anotar entre os que estão no meu quarto... depois eu completo, porque senão nunca acabaria!
priscila#24
Não estão lá, senhorita implicante!
E, ah, também não botei livros de Filosofia, porque vocês já sugeriram todos os bons, e a lista já está no site do Olavo!
fagner#25
Muito obrigado \o/
priscila#26
A Poesia, lista prisciliana:

Walt Whitman - Leaves of Grass;
Fernando Pessoa - Poesias de Álvaro de Campos;
Ezra Pound - Cantos;
Salomão - O Cântico dos Cânticos (na Bíblia);
W. H. Auden - The Age of Anxiety;
William Shakespeare - Sonnets (existem trocentas edições);
Manuel Bandeira - Estrela da Vida Inteira;
Carlos Drummond de Andrade - Claro Enigma;
Anonimo - El Cantar de Mio Cid;
Luís de Camões - Os Lusíadas;
Homero - A Ilíada, A Odisséia;
Dante - A Divina Comédia;
Virgilio - A Eneida;
Adélia Prado - O Pelicano, Oráculos de Maio;
Bruno Tolentino - A Imitação do Amanhecer;
Dylan Thomas - Collected Poems;
John Donne - Love Poems

Vale o critério que usei para a lista da prosa: nada hierárquico, na ordem da estante, com certeza faltam muitos, escolhi o mais representativo que pude.
marcio_2#27
Priscila, você conhece isso aqui? É o Richard Burton declamando os Love Poems do John Donne. Já ouvi umas 57367 vezes.

http://town.hall.org/radio/HarperAudio/013194_harp_ITH.html
lvaro_4#28
Penso que o objetivo do tópico é "começar", as listas estão exageradas.

Sempre que começo minha atividade intelectual diária dou rápidas lidas nas fábulas de Esopo.

E poemas de Alberto Caeiro.

Dou uma olhada no dicionário de símbolos e fico imaginando cada símbolo para exercitar à imaginação.

Leio alguma alegoria mítica grega.

Relembro o status quastionis de um conceito´desde o seu surgimento até hoje: para estimular a memória.

É necessário trabalhar a memória e a imaginação. Sempre, sempre.

Pratico um pouco de alquimia para despertar a intuição.

Conheço bem Shakespeare, Dante, Cervantes... e os amo profundamente.

Mas, sabe??? pra "começar" leia as narrativas míticas e as fábulas.

Só isso.

Se quiser eu monto um guia de leitura das peças de Shakespeare... conheço praticamente todas elas.

Mas começe do começo...
lvaro_4#29
Eu também leio diariamente umas três ou quatro confissões de Santo Agostinho em voz alta.

A confissão deve fazer parte de qualquer método, inclusive do método de leitura.

Agostinho chama muito a atenção para o papel da memória como faculdade da alma.

Tente memorizar alguns sonetos de Camões.

Uma dica: leia pouco e releia muito.
priscila#30
David, eu me lembro da capa dura vermelha!

Mas não, os meus livros não têm a dita cuja, acredite. Eu até tenho "O Vermelho e o Negro", do Stendhal, com a dita cuja - mas mais nenhum outro, e nem botei este na lista.

Enfim, pelo valor que tenha, gostei de saber que o compilador da "capa dura vermelha" tinha um gosto pessoal parecido com o meu. Bom, né?

Mas, plis, não pense (e nem diga) que a lista que eu tão sinceramente compus veio de outra qualquer coisa que não da velha estante do quarto - seria uma monumental injustiça, um erro crasso, porque não é assim: de fato e de direito, os livros escolhidos são representantes da minha escolha pessoal, e verdadeira, e têm edições e circunstâncias completamente peculiares, e individuais.

- sinceramente!
priscila#31
Sorry, David: estou " over reacting".

Desculpe, mesmo.
Entendi, mas precisei ler duas vezes - o que é péssimo, para os meus padrões.

Beijo, não me deixem virar uma fúria desconcertada, plis. Se eu falhar, me chamem de volta à razão!!!!!
priscila#32
É bom, é bom! Eu também vou! Boa idéia.
marcos_8#33
Já que a Priscila está nervosa, vamos enloquecê-la!!
Da lista de prosa: Você esqueceu do Quixote!
Da lista de poesia: você esqueceu da Lírica de Camões1
Da lista de prosa II: Lolita:? AAARGH! EEECA! SOCOORRRO! (mas o filme do Kubrick é, para variar, genial)....

Pri, agora é sério, entendi perfeitamente a lista e a razão dela, não se dê ao trabalho de responder. É que hoje eu estou excepcionalmente feliz porque, após uma semana dormindo mal, eu consegui dormir a sexta feira INTEIRA, dia e noite.
PS.: Mas nabokov é fraco, mesmo. E o filme é genial, mesmo . Estou relendo o Quixote, por sua causa.
PPS.: Conselho do ano (do Álvaro, eu acho, estou com preguiça de ler de novo).: LEIA POUCO, RELEIA MUITO.
priscila#34
Senhor Marquinhos, tá lá o Quixote, tá?

Quanto a "Lolita" - eu li o livro com uns doze anos de idade, quando o romance foi lançado, e imediatamente repudiado como abjeto.

Ouvi dezenas de adultos criticando o livro, principalmente em conversas entre mães de amigas. Na minha graças a Deus absurda casa, havia o livro, trazido ou comprado não me lembro por quem. Não seria uma Priscilinha curiosa que iria perder a chance de ler aquilo, certo? Era em inglês, língua na qual me parece que foi originalmente escrito.

Pois bem - me lembro de ter pensado, a horas tantas, o seguinte: "Este é um livro terrível - mas por um motivo completamente diferente daquele que as pessoas pensam".

Lolita é um relato de terror e remorso, uma história de tormento excruciante e amargura, na minha opinião. O trágico Professor Humbert não perde, nem por um segundo, a noção de que está destruindo uma infância! Eu achei o livro terrível, e de uma tristeza mortal... No final, há um resgate, tardio e desnecessário, mas há, e muito pouca gente o percebe! Quando o monstruoso e pervertido e pobre infeliz diz, ao encontrar uma Lolita adulta, e grávida: ..."o quanto amei Lolita, esta Lolita..."

Não, o velho Nabokov mereceu minha atenção aos doze anos, descrevendo uma história das mais terríveis - e o tempo todo da narrativa ele persegue, implacávelmente, esse terror moral, sem pausa pra respirar, e sem trégua.

Por isso está lá na lista, e acho que merecidamente.

PS: Nunca vi o filme, em nenhuma de suas duas versões...
marcos_8#35
Pri,
Veja SÓ o com o Kubrick.
Não tente me fazer gostar do livro, porque aí você desfaz a minha teoria (brilhante ) de que o Kubrick pega livros ridículos e transforma em filmes maravilhosos (como fez em Laranja Mecânica, de Olhos bem Fechados, O Iluminado, Nascido para Matar)...

Humbert é um lixo humano, não me deu a menor pena dele no livro.
No filme, no entanto, ele é um apaixonado. A obsessão de Kubrick com a duplicidade transforma Humbert, Lolita, sua mãe e até mesmo Clare Quilty em personagens que, a rigor, não existiam no livro.
marcos_8#36
E Peter Selles é Clare Quilty, e James Mason é Humbert Humbert, e Shelly Winters como a mão de Lolita, Charlotte Haze.
marcos_8#37
E você não sabe quem é Dr. Zemph....
priscila#38
- Eu não sou maluca de discutir cinema com você, né, Marquinhos?
Tá doido! Viva o Kubrick! !!!!!

E você está certo, Humbert é mesmo um lixo humano - mas com a diferença que sabe que é - e a maestria do Nabokov foi mostrar isso! O personagem está além da pena, que é desnecessária, e seria descabida! O leitor assiste ao castigo do qual o personagem não escapa nem por um segundo, e que é inflingido por ele mesmo.

Bom, é como eu entendo o livro...
priscila#39
E quem é esse Dr. Zemph, que eu não sei mesmo????? ?
marcos_8#40
Dr. Zemph é um personagem introduzido no filme; na verdade, é o Clare Quilty (disfarçado de um psicólogo do colégio de Lolita; Peter Sellers com um sotaque alemão impagável).
No filme, é ele que convence Humbert a deixar a Lolita participar das atividades de teatro da escola.

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