Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Astrocaracterologia

Iniciado por marcos_8 em 17/07/2007 · 23 mensagens

marcos_8#1
Já que o Moderator sugeriu...

Vamos discutir uma contribuição importante do Olavo.

Álvaro, a pergunta é primeiramente - mas não exclusivamente - para você.

Em primeiro lugar, estou me baseando na exposição da Astrocaracterologia feita pelo Edil Carvalho no site Porto do Céu (ele foi aluno do Olavo); eu não tenho acesso ao material original. Portanto, pode ser que as minhas perguntas possam já ter sido respondidas.

As associações entre os planetas e as faculdades cognitivas propostas por Olavo de Carvalho são:

Sol - intuição (percepção imediata que o sujeito tem de determinado dado tão logo este se apresente)

Lua - sentimento (alteração emocional – ora agradável, ora desagradável - que o dado provoca no sujeito)

Mercúrio - pensamento (associação que o sujeito faz do dado com outros dados já conhecidos)

Vênus - fantasia (imaginação das infinitas possibilidades que o dado permite e oferece, vislumbradas pelo sujeito)

Marte - estimativa (reação instintiva que o sujeito tem perante o poder de ação do dado)

Júpiter - vontade (expressão da liberdade que o sujeito se dá perante o dado, moldando-o de acordo com sua vontade)

Saturno - razão (formulação de regras e leis que o sujeito constrói a partir dos dados obtidos pelas demais faculdades, e com as quais compõe o seu entendimento de mundo).

Eu vi a aplicação dessa associação com os princípios fundamentais (traduzidos pelas 12 casas) no mapa de Napoleão Bonaparte, e achei muito bom o resultado.

No entanto, a relação entre as faculdades cognitivas apresentadas e as qualidades sensíveis e os atributos de cada planeta não é clara para mim.

Uma associação - a meu ver mais condizente - entre as características dos planetas e as "faculdades operativas da alma", segundo Sto. Tomás, me foi ensinada em um curso de Introdução ao Simbolismo Astrológico, ministrado por Pedro Sette Câmara e Luiz Gonzaga de Carvalho Neto.
marcos_8#2
Eu porei as definições ao lado por que há uma confusão de termos entre as duas listas.

Sol - Apetite intelectivo ("vontade"; na verdade, o termo em inglês, "will", é menos enganoso, porque vontade em português pode significar desejo; é a inclinação da alma em direção à idéia do bem)

Lua - Sentido Comum (é a faculdade que unifica os cinco sentidos; é comparável à fantasia aristotélica, porque é a partir das impressões no sentido comum [os "fantasmas"] que as outras faculdades atuam).

Mercúrio - Estimativa (é a com essa faculdade que percebemos a utilidade- as "intenções possíveis" - dos objetos);

Vênus - Apetite Concupiscível (é a faculdade que nos inclina para o que gostamos e nos afasta do que não gostamos)

Marte - Apetite Irascível (é a faculdade que nos força à ação, ao movimento);

Júpiter - Intelecto Passivo ou Intelecto Possível (é a faculdade correspondente ao sentido comum para os aspectos inteligíveis - em contraste com os sensíveis - das coisas; é ele que recebe a "inteligibilidade" dos objetos)

Saturno - Intelecto Ativo (é a faculdade da alma que investiga as coisas, compara, analisa, em busca da inteligibilidade).

Eu tenho consciência de que ambas as classificações não tratam, rigorosamente, da mesma coisa.

No entanto, a última me parece mais conforme com o simbolismo dos planetas, enquanto a primeira me parece um pouco mais gratuita.

Aí vem a pergunta: será que não valeria a pena utilizar a segunda classificação para aperfeiçoar a primeira?
lvaro_4#3
“No entanto, a relação entre as faculdades cognitivas apresentadas e as qualidades sensíveis e os atributos de cada planeta não é clara para mim”.

Uma associação - a meu ver mais condizente - entre as características dos planetas e as "faculdades operativas da alma", segundo Sto. Tomás,

É sempre importante lembrar que as concepções de Olavo de Carvalho sobre o simbolismo representado por cada Planeta possuem um desenvolvimento um pouco diferente através de alguns textos de astrocacterologia. De Astros e Símbolos e da Dialética Simbólica, de apostilas e textos e mais texto do Olavo sobre a astrologia verifica-se sempre uma evolução em determinados conceitos, e até uma revisão em outros.

Veja quanto a relação entre as faculdades cognitivas e as qualidades sensíveis o estudo do trivium recomendado pelo Olavo de Carvalho no ensaio sobre a dialética simbólica associando cada uma das artes liberais à influência ou regência de um determinado planeta (como a retórica ao qual Olavo faz uma consideração mais associada a regência do planeta Vênus) de onde se deduz a ligação entre a cognição e a influência sensível (causal ou não já que, ao que me parece, Olavo é bastante crítico quanto à extensão de conceitos junguiano) do astro no céu.

Mas, a questão que me chama a atenção nesta ligação que você apontou entre a cognição e a influência sensível do fenômeno astral é a análise que Olavo de Carvalho faz sobre a caracterologia de Lipot Szondi como chave para uma filosofia do caráter, pois a adequação entre a infixidez de um símbolo mutável e o caráter (fenômeno fixo da personalidade de um indivíduo) é o que torna, por definição, a astrocacterologia possível.

Sendo, portanto, esta a base para o estudo da cognição que merece considerações mais detalhadas.

Não vai dar tempo agora de comentar a questão tomista, mas penso e já adianto que a chave aí é a distinção que São Tomás faz entre a essência e o ato de ser.
marcos_8#4
Álvaro, você tocou em um ponto importante: Vênus. É um dos planetas aos quais a associação me pareceu menos ajustada.

Vejamos as características do planeta: Vênus aparece sempre ou no oeste ou no leste, nunca a vemos "caminhar" por todo o céu. A sua posição simboliza a distinção clara entre o que está perto e o que está longe. A aparência sensível deste planeta (é o astro mais brilhante depois da Lua e do Sol, tem um brilho agradável, bonito, claro) foi sempre associada às coisas boas, gostosas, prazerosas.

Estas características sugerem fortemente uma classificação das coisas em gostosas, prazerosas, agradáveis de um lado e as outras coisas do outro.

A associação entre Vênus e a retórica só confirma isso.
A fantasia, no entanto, me parece uma faculdade extremamente bem representada pela Lua.
lvaro_4#5
A relação correta que pode ser estabelecida entre a imaginação e a memória é que estas não são duas faculdades cognitivas distintas, mas fazem parte de um único aspecto e um único bloco cognitivo denominado, em linguagem aristotélica, como: "fantasia'.

O ato cognitivo possui sempre alguma base concreta no mundo sensível, ao ser estimulado ou influenciado pelo universo sensível a inteligência humana produz imagens (fantasmas) que são, logo em seguida, devido ao acúmulo das quantidades de fantasmas na mente, agrupados em species; isto é: em gêneros que a inteligência humana organiza.

Esta organização é o primeiro momento na abstração do ato cognitivo. E compôem o ato imaginativo.

Por meio da memória o indivíduo não só desenvolve a sua caracterologia e se reconhece sua "imagem" no espelho da memória, mas a memória é também a faculdade que permite o conhecimento por reminiscência (para conhecermos uma árvore não precisamos lembrar de todas as árvores que já vimos) e permite a passagem dos entes singulares para os entes universais num mesmo ato de percepção: procedimento que Santo Agostinho e São Tomás entendiam como sendo algo miraculoso, o primeiro recorrendo a teoria da iluminação e o segundo ao "intelecto agente" que seria o próprio Deus.

O que possui maior interesse para mim na aplicação pedagógica da astrocaracterologia é um programa de estudos que compreenda estas relações: não só entre a construção de um simbolismo correto e adequado para um planeta que traduza a questão entre cognição e influência astral sensível (que é, sem dúvida, o primeiro e importantíssimo fato,) mas que estimule esta percepção da realidade e o desenvolvimento da inteligência por meio do rastreamento do ato cognitivo e que possa reproduzí-lo com segurança.
lvaro_4#6
Sempre pensei que, por meio da astrocaracterologia, pode-se tomar a recomposição de um ato cognitivo original. Por meio da leitura e interpretação do mapa de um filósofo poderia se chegar à compreensão do seu caráter. O que estabeleceria uma causalidade explicativa entre o caráter e a cognição.

Exemplo: O que levou Kant à sua célebre distinção entre conceito puro e conceito empírico??? Distinção essa que é um dos fundamentos da epistemologia e do método científico moderno???

Esta resposta pode ser buscada retomando o caráter de Kant quanto à sua percepção da realidade. Por meio de uma astrocaracterologia de seu mapa.

A Astrocaracterologia trabalha diretamente com tipos psicológicos e com suas classificações.

A diferença específica entre a imagem e o conceito, já que o conceito pode ser considerado uma imagem da vida e a imagem um conceito primitivo, simbólico, metafórico, é a intenção e o gesto voluntário que existe por parte do conceito e não existe por meio das imagens-fantasmas.

Daí a relação entre cognição e sensibilidade ser uma questão que interessa tanto á poesia quanto ao método científico, isto é: às imagens e aos conceitos.

Estabelecer uma relação significativa entre os planetas e estes aspectos e faculdades da alma humana e,sem dúvida, um dos principais triunfos da astrocaracterologia.
marcos_8#7
Luis.
Eu já tinha visto a comunidade, mas ela anda meio parada, né? Mas valeu pela dica, vou pedir visto de entrada ao dono (que, aliás, é você mesmo...)

Álvaro E Luís.
Estou pisando em terreno movediço aqui. Pelo que entendi, o conceito de fantasia aristotélico e o de sentido comum tomista se equivalem, ao menos para o que estamos discutindo.

Como o Álvaro disse, o primeiro passo é a associação correta entre os planetas e as faculdades cognitivas.

Luis, meu outro grande problema com a associação do Olavo é justamente Sol=Intuição.

O Sol é o astro maior, mais importante, sem sombra de dúvida. Ele é a luz dos outros planetas, é ele que define o dia - e portanto, quando os outros planetas brilham ou não. O própio formato da Lua é definido por sua posição relativa ao Sol.

Ele é o simbolo de Deus, do Rei, do Leão, do mel, do ouro, de tudo o que é primeiro, único, principial, majestoso.

Qual é, das faculdades da alma, aquela que tem essa superioridade? A vontade ("will"), o apetite intelectivo.

Assim, Vênus e Mercúrio, que nunca estão muito longe dele, são seus "auxiliares" (John Frawley compara o caminhar aparente do Sol, Mercúrio e Vênus como o passeio de um dono e seus cachorros). Um - Mercúrio - classifica as coisas entre úteis e inúteis; o outro - Vênus - entre afins e estranhas.

O sentido comum é a "porta de entrada" da cognição. É o que transforma os dados dos sentidos em fantasmas. É ele que primeiro recebe a "luz" do mundo (que nada mais é que um reflexo da Luz primeira) e a organiza de modo a que as faculdades restantes.

Qual é o astro que simboliza essas características? A Lua, que é o único que muda de forma conforme o tempo, que muda de tamanho conforme receba mais ou menos a luz do Sol, que roda o céu todo em menos de um mês, e que, por último, é o "planeta" astrológico mais próximo da Terra (do mundo).
lvaro_4#8
Marcos,

Quando Olavo de Carvalho expõem os fundamentos do raciocínio analógico cita o simbolismo da lua como imagem do próprio homem.

Penso que este é um caminho muito provável de interpretação.

É claro que o tomismo absorveu Aristóteles, mas existe uma diferença específica entre a cognição em Aristóteles e a cognição em São Tomás, tanto na passagem do ente sensível e particular aos universais, quanto na mediação do "intelecto agente" introduzido na teoria da abstração por São Tomás de Aquino e inexistente na teoria aristotélica.
marcos_8#9
Álvaro, eu não acho que as diferenças entre Santo Tomás e Aristóteles neste ponto sejam relevantes para a discussão, no pé em que estamos.

É claro que eu não quero dizer que não sejam importantes.

Volto a perguntar. Álvaro e Luis, será que a associação feita por Olavo não pode ser refinada, utilizando as associações que mencionei?

O próprio Olavo, pelo que acabei de ler - thanks, Sílvio! - já modificou o esquema, uma vez que originalmente Mercúrio não constava e ele considerava apenas seis faculdades cognitivas.
lvaro_4#10
Você escreveu:

“Álvaro E Luís.
Estou pisando em terreno movediço aqui. Pelo que entendi, o conceito de fantasia aristotélico e o de sentido comum tomista se equivalem, ao menos para o que estamos discutindo”.

E depois escreveu...

“Álvaro, eu não acho que as diferenças entre Santo Tomás e Aristóteles neste ponto sejam relevantes para a discussão, no pé em que estamos”.

Ora, se numa investigação dialética a semelhança entre dois sistemas filosóficos é útil para uma discussão porque não será util acentuar uma diferença específica entre eles???

Ao que me parece, você negou o que havia dito anteriormente.

“Volto a perguntar. Álvaro e Luis, será que a associação feita por Olavo não pode ser refinada, utilizando as associações que mencionei”?

Eu nunca montei nem adequei o simbolismo entre os planetas e o caráter como forma pura de personalidade, nunca construí nenhum tipo de matriz astrológica para isso, pois considero que este trabalho já foi feito pelo Olavo de Carvalho, se você quer aperfeiçoar o modelo pode ir em frente...

Mas eu já associei a cada um dos princípios da Decadialética de Mário Ferreira dos Santos um sefirot cabalístico da árvore da vida e também as leis da década sagrada dos pitagóricos. A esse princípios tentei montar uma matriz astrológica, porque senti necessidade disso.

No caso da astrocaracterologia o que me interessa e a síntese de escolas psicológicas que o Olavo de Carvalho formulou, o estudo da caracterologia em si e sua relação com o ato cognitivo e filosofia da percepção - o que resulta numa utilização da astrologia na minha paidéia própria.

O meu ponto de vista em relação à astrocaracterologia é esse.
lvaro_4#11
É claro que quando me refiro à paidéia me refiro a um esforço pessoal de educação e de utilizar a astrologia como parte do quadrivium numa experiência pedagógica pessoal.

Retirar da astrocaracterologia uma fonte de luminosidade para meus estudos é o que que me move a compreendê-la.

Mas, como eu disse: se você quiser acrescentar algo ou mesmo reconstruir o modelo de Olavo de Carvalho quanto a qual planeta corresponde um simbolismo preciso é uma tarefa perfeitamente justa.
marcos_8#12
Álvaro, eu realmente me expressei mal.
o que eu quis dizer é que a diferença entre as duas concepções não ajudava a resolver a adequação da associação planeta-faculdade.
marcos_8#13
de novo: ...a INVESTIGAÇÂO da diferença...
lvaro_4#14
"Teses principais que formam as bases da Astrocaracterologia:
1ª . A astrologia é uma ciência comparativa.
2ª. O fenômeno astrológico existe e seu estudo é importante.
3ª. Uma vez feita a concepção da astrologia como ciência ( v. meus livros Astros e Símbolos e Astrologia e Religião, bem como as apostilas dos cursos — proferidos no Rio e em Salvador — A Astrologia segundo Sto. Tomás de Aquino, Astrologia: Ciência e Ilusão e Astrologia e Caracterologia ), sua construção efetiva começa por uma de suas partes, que é a Astrocaracterologia.
4ª. A definição provisória do caráter, enquanto objeto de estudo da Astrocaracterologia, inspira-se na definição que Sigwart ( Lógica, livro I ) dá de essência: "É a unidade de um ente, enfocada de tal modo que reivindica para esse ente a necessidade de certas propriedades".
5ª. O instrumento pelo qual conhecemos o caráter é o próprio caráter. Daí que a Astrocaracterologia seja uma forma de conhecimento de si, a qual se baseia na consciência de si ( saber o que fez, saber o que pensou, saber o que desejou; admitir os dados da memória ) e na coragem moral. O conhecimento de si é a sistematização crítica dos dados da consciência de si. A consciência de si pode ser muda, mas o autoconhecimento é um conhecimento expressivo, que busca exteriorizar-se em formas ( artísticas ou conceptuais ).
6ª. O caráter é, na personalidade, o elemento fixo e ao mesmo tempo individual e irredutível. Não se confunde, portanto, nem com os elementos naturais, hereditários, nem com os elementos culturais recebidos. A hereditariedade de um indivíduo é comum aos seus irmãos; a formação cultural é comum a todos aqueles que viveram num mesmo meio. O caráter não é nem um fenômeno natural, nem cultural.
lvaro_4#15
7ª. "Para cada objeto de estudo, a astrologia deve ter um método diferente; o método deve adaptar-se ao objeto e não este àquele.
Método é a sequência de procedimentos intelectuais da qual se espera obter um conhecimento ou uma resposta no fim. A estratégia da investigação. Para a elaboração dessa estratégia, é necessário considerar a natureza do objeto tal qual já o conhecemos ( pois toda investigação pressupõe que do objeto já seja conhecido ), distingui-lo de outros objetos semelhantes e vizinhos, e levantar preliminarmente as dificuldades que se poderão encontrar no caminho".

Fonte: Trecho de uma aula de Olavo de Carvalho sobre Astrocaracterologia.
lvaro_4#16
Penso que minha exposição até aqui tem partido diretamente das consequências dessas definições acima.
lvaro_4#17
Eu vou enviar para o seu email alguns trechos que interessam diretamente ao debate que você inteligentemente propõem.

Acho que vai ajudar a esclarecer esta relação entre o simbolismo de um planeta e a faculdade cognitiva, partindo de certas definições você poderá modificar ou estabelecer um outro tipo de relação entre as faculdades cognitivas e a regência de cada planeta.

Pode contar comigo quanto a uma"assessoria filosófica".

Mas vamos continuar a expor as questões neste tópico.
lvaro_4#18
O que eu posso indicar quanto à relação entre planeta e faculdade cognitiva é, justamente, os pressupostos filosóficos que fundamentam esta relação e explicá-los minuciosamente.

E gostaria de ver um debate quanto ao uso da astrocaracterologia como instrumento para uma educação liberal, para um sistema que abranja o trivium e o quadriuvium.
marcos_8#19
Álvaro, faça as duas coisas. Poste aqui e mande-me o e-mail.

"E gostaria de ver um debate quanto ao uso da astrocaracterologia como instrumento para uma educação liberal, para um sistema que abranja o trivium e o quadriuvium."

Eu também. Mas para chegar a isso, antes o debate tem que passar pela astrologia em geral - não só a astrocaracterologia- e pelas outras seis disciplinas.
PS- Falando nisso, qual é o seu conhecimento das relações entre a música e a astrologia? Eu topei com um parágrafo legal do Ptolomeu, mas meu conhecimento de música é muito restrito. Responda no meu scrap-book, para não desvirtuarmos o tópico (ou abra outro tópico!)
Um abraço.
marcos_8#20
Os planetas tradicionais e as Artes Liberais.

Cada um dos sete planetas utilizados na astrologia tradicional corresponde a uma das disciplinas do Trivium e do Quadrivium, da seguinte forma:
Trivium

Lua – Gramática
Mercúrio – Lógica
Vênus – Retórica

Quadrivium

Sol – Aritmética
Marte - Música
Júpiter – Geometria
Saturno – Astrologia.

Em primeiro lugar, é importante notar que a correspondência respeita a ordem das “esferas planetárias” (a qual, com a retirada do Sol do meio, corresponde à ordem real das distâncias dos corpos celestes à Terra, diga-se de passagem).
As disciplinas do trivium são representadas pelos planetas “menores”, os planetas interiores, enquanto as disciplinas do quadrivium são representadas pelos planetas maiores.

Em segundo lugar, penso que haja uma correspondência entre as faculdades operativas da alma de Sto. Tomás e cada uma das sete disciplinas. Em alguns casos ela me parece mais evidente do que em outros, mas não acho que a correspondência se “rompa” em nenhum caso.

Sentido Comum – é ele que coordena os dados recebidos dos sentidos e os disponibiliza para as demais faculdades.
Gramática - é a disciplina que expõe e estuda a base material do discurso; ora, o que é o discurso, se não a base do debate, da mesma forma que o fantasma é o início das operações da alma? Da mesma forma que, para algo ser “processado” pela alma, ele primeiro tem que ser “traduzido” pelo sentido comum, para algo ser discutido ele primeiro precisa ser traduzido em um discurso minimamente inteligível.

Estimativa – faculdade que capta as intenções possíveis dos objetos. As intenções podem estar “escondidas”, mas estão lá, decorrem – logicamente – das suas propriedades.
Lógica – a disciplina que, a partir de princípios tidos como universalmente válidos, tira deles conseqüências necessárias.
marcos_8#21
Apetite Concupiscível – é a faculdade pela qual somos atraídos ou rejeitamos as coisas. Retórica – a disciplina que (dentre as possibilidades imagináveis), decide o que é bom, belo e útil. E, consequentemente, o que é mau, feio e inútil.

Apetite intelectivo (“vontade”) – a faculdade pela qual nos dirigimos ao Bem, não a um objeto bom, ou belo, mas a um bem, ou ao Bem supremo. A diferença entre o apetite concupiscível e o apetite intelectivo é que o primeiro deseja objetos, e este deseja o bem que há antes deles.
Aritmética – disciplina que estuda, antes da multiplicidade, a Unidade. Ensina a ver os número por seu aspecto qualitativo, e não meramente quantitativo. Há uma “subida de nível”, tanto nas faculdades, quanto nas disciplinas.

Apetite irascível – é essa atividade que, a partir do apetite concupiscível ou (idealmente) pelo intelectivo, nos move.
Música – a disciplina que nos apresenta o tempo, o ritmo, e o movimento.

Intelecto Passivo, ou Possível – A faculdade que apreende os aspectos inteligíveis das coisas, quando estes se apresentam.
Geometria – a disciplina que nos ensina as formas regulares; é através da geometria que as noções de proporção e perspectiva eram ensinadas. Nela se percebe a regularidade do espaço.

Intelecto Ativo – a faculdade que investiga, que colige notas, tentando apreender a inteligibilidade das coisas.
Astrologia – a disciplina que sintetiza o quadrivium, utilizando as noções de número, espaço e tempo para tentar apreender as relações entre o cosmos (modelo mesmo da ordem, e portanto da inteligibilidade) e no nosso mundo sublunar.
marcos_8#22
PS. Luis, eu não postei na outra comunidade porque a discussão iria ficar truncada.
pedro_9#23
De acordo com a caracterologia exposta por Mário Ferreira dos Santos, e em parte, com o tio Aristóteles, a correspondência entre os planetas e as faculdades da alma é a seguinte:

Lua: Sentido comum e imaginação (segundo vários filósofos, é a mesma potência que recebe impressões do ambiente e que as combina).

Vênus: Apetite consupiscível (sua principal paixão é o amor sensual).

Mercúrio: Estimativa (faculdade responsável pelos discursos irracionais, instintivos, sem profundidade - como os dos políticos).

Marte: Apetite irascível. Auto-explicativo.

Saturno: Razão (é a faculdade de raciocínio e conhecimento rigoroso e demonstrado)

Sol: Intelecto Agente (não é uma faculdade exatamente, mas é dele que vem o conhecimento intuitivo, aliás o próprio Estagirita o compara ao sol)

Júpiter: Vontade.

‹ Voltar para a lista de tópicos