Sou leitor assíduo de seus textos e o considero um dos grandes luminares do pensamento nacional. Mas confesso que alguns de seus posicionamentos me deixam confuso.
Por exemplo: no seu texto “O Segredo da Invasão Islâmica” de 12 de março de 2007 o senhor diz que a função de Guénon era “recolocar em ordem a cabeça dos intelectuais, [mas agora] já em termos islâmicos. E nisso se destacaram duas pessoas, René Guénon e Frithjof Schuon.”. O senhor faz do “projeto” de René Guénon a parte construtiva de um movimento único de diluição do Ocidente comandado pelas tarîqahs, que teriam enviado também Gurdjieff, Idries Shah e outros formando a parte destrutiva do mesmo movimento. Todo este movimento de idéias faria parte de um plano da guerra cultural do Islam contra o Ocidente.
Entretanto, lendo um tópico da comunidade “René Guénon e a Tradição”, encontrei diversos argumentos dos membros daquela comunidade contestando a sua opinião. Faço uma síntese dos principais argumentos:
1) René Guénon tinha profundas divergências com Gurdjieff e sua opinião sobre este era extremamente negativa. Ademais, René Guénon sempre escreveu contra os falsos mestres espirituais, entre os quais, o próprio Gurdjieff, de modo que interpretar sua atuação intelectual como uma frente de um movimento único de destruição do Ocidente que incluía estes mesmos picaretas mostra-se insustentável.
2) Do mesmo modo que se pode dizer que René Guénon era um agente do islam infiltrado no Ocidente, também se pode dizer com igual plausibilidade que ele era um agente ocidental infiltrado no Islam, pois antes de sua conversão foi um notório colaborador de uma famosa revista católica.
3) Gurdjieff estava mais próximo do cristianismo ortodoxo do que do Islam, segundo famoso especialista em Gurdjieff, James Moore
4) Seu artigo apresenta uma forte sistematização da estrutura das tarîqahs o que contrasta com outras afirmações suas.
Esta mensagem foi enderaçada ao próprio Olavo no orkut dele. Mas como sei que Olavo é um homem muito ocupado e ele ainda não me respondeu, então coloco-a aqui esperando que vocês que conhecem mais o pensamento do professor do que eu possam respondê-la.
Saliento que os argumentos colocados não são meus e devem-se inteiramente aos membros da comunidade René Guénon e a Tradição, uma comunidade que conta com algumas pessoas de notório brilhantismo, entre as quais as que escreveram esses argumentos.
Eu sou profunda admiradora de René Guénon, e estou acompanhando de perto o tópico. Seria um bom assunto para o Olavo comentar no True Outspeak, ou vocês acham que é inadequado, por extenso demais, e talvez escape ao propósito do programa?
Cesar, não me cabe aqui defender Guénon, mas quando ele utiliza os ensinamentos da tradição para demonstrar alguma coisa, ele não está de modo nenhum utilizando um conhecimento que só ele tem.
Ao contrário, ele usa justamente o ensinado por todas as grandes religiões em todos os tempos, e que foi reconhecido como válido e bom por todas as civilizações exceto a ocidental moderna.
Desculpem a pergunta, mas por que um "racha" tamanho? É verdade que o Ocidente se afastou - mas, hoje, também o Oriente se afasta, como que para "compensar" um imaginário tempo perdido.
Eu não imagino que Guénon visse de outra forma, se escrevesse hoje.
Vivemos, talvez, entre os cadáveres do que um dia foi - e a ponte entre as civilizações está caída no chão. Não há, sequer, propósito em reerguê-la, porque ela ligaria o "nada" ao "lugar nenhum": ou seja, ligaria duas civilizações agonizantes...
Acho que as chances de alguma religião verdadeira existir no futuro - sem ser apenas um fantasma, ou uma sombra torta daquilo que realmente É - é igual para todas as religiões. E muito pequena. Religiões vão existir no coração de alguns fiéis; o resto vai ser uma "outra coisa", só mantendo o nome.
Como uma imagem num espelho daqueles de parque de diversões, que deformam tudo...
Mas salvar o próprio rabo inclui chorar pelo mundo também, Rafael.
Diante da imagem deformada você sofre de saudade "da vida que poderia ter sido, e não foi", como disse o meu amado poeta Manuel Bandeira.
Não leve a mal minhas palavras, mas seu ponto de vista contém tantos erros de interpretação e tantos simplismos que, a rigor, ele sequer toca no assunto que estamos tratando.
Quanto às suas palavras contra René Guénon, elas revelam uma total ignorância da matéria, de tal sorte que não faz sentido argumentar contra você, pois qualquer discussão supõe evidentemente um certo domínio elementar do assunto sobre o qual versa. Peço desculpas pela franqueza, mas enquanto você não se dedicar a um estudo sério dos assuntos nos quais opina avidamente, não faz sentido discuti-los. E não há acordo entre o Conhecimento e a ignorância absoluta. Até mais.
Já que objetivo inicial deste tópico já foi para as picas, respondam-me uma coisa.
Eu sempre achei que auto-crítica era uma coisa interna ao homem (ao "cerumano"), algo assim como "crítica que você faz a você mesmo".
Como é que a comunidade científica - ou a sociedade ocidental moderna - pode fazer uma coisa assim?
Vai ver, me ensinaram a vida inteira errado, e autocrítica é crítica a automóveis. Ou crítica feita por veículos conscientes....
"Se você ler o Apocalipse e algumas interpretações do livro, você verá que não há o que se fazer. É tentar salvar o próprio rabo, e o mundo que se lixe, pois é isso mesmo que tem que ocorrer com ele."
desse ponto vista, então, o que gnósticos e revolucionários tentam fazer é simplesmente antecipar (se possível pra agora) o inevitável (mas não inadiável)?..
Cesar, sinceramente.
Olavo de Carvalho pode fazer a CRÍTICA do "nosso tempo".
Ele só pode fazer auto-crítica de seus próprios atos, sentimentos e ídéias.
Não pensei que tivesse que explicar isso.
O espiritismo é sobretudo uma filosofia que nos ajuda a entender nossas crenças. Quem o assume como uma nova religiao é pq nao entendeu a proposta da codificaçao de A. Kardec.
Meu caro, se você é espírita, e mesmo assim se considera católico, freqüenta Igrejas, sinto lhe informar mas está excomungado, laetae sententiae, automaticamente. Quando acredita na reencarnação, se opõe a pilares essenciais do cristianismo; a Ressurreição, o sacrifício de Cristo no calvário, o próprio Amor de Deus que se encarna, etc.
Essa de espiritismo ser filosofia é lenga-lenga, o problema é que essa religião é parasitária, se sustenta nas outras para existir, mesmo tendo preceitos e crenças específicas.
Cesar,
"como Jesus conversou com Elias e Moisés? Eles nao estavam mortos havia séculos?"
Olha, eu disse mais ou menos isso em outro tópico:
Há que se tomar uma decisão, ou se é católico ou não se é. Um católico acredita que Jesus Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Como verdadeiro Deus, ele pode fazer o que ele quiser. Conversar com Elias e Moisés, ressussitar mortos, andar sobre as águas, perdoar pecados, entre outras coisas. Sua pergunta não faz sentido em um contexto católico. Fora do catolicismo, cada um com a sua teoria.
E ninguém disse aqui que Deus não pode fazer ninguém reencarnar. Se ele quiser, voltamos.
Mas o dogma católico ensina que, quando morremos, vamos ou para o Céu, ou para o Purgatório, ou para o Inferno. Ninguém nunca se preocupou em deixar uma quarta opção aberta para Deus, porque - você há de concordar comigo - não há a necessidade.
Além disso, como tem muito mais gente viva do que morta, hoje, a reencarnação como REGRA é impossível.
Daqui a pouco ele vai dizer que a reencarnação foi execrada no Concílio de Nicéia porque a mulher do imperador não queria nascer como uma escrava, isso é tão ignorância quanto o pentecostal que falou que os cristãos mortos pelos romanos eram os "evangélicos".
"Acho inetresessante, pois quase a totalidade dos fenômenos católicos podem ser explicados se vc conhece o espiritismo.
Que as teses espíritas expliquem milagres e todo tipo de evento não tenho a menor dúvida, César.
A minha dúvida é: existe algum evento possível que as teses espíritas não seriam capazes de explicar?
Em outras palavras, qual evento que, se ocorresse, provaria que as teses espíritas sobre o universo são falsas?
Eu já tinha falado sobre o argumento matemático, acima. Antes de qualquer discussão sobre a encarnação, este problema tem que ser colocado.
Pode-se discutir a POSSIBILIDADE de encarnação, mas é impossível que ela ocorra como REGRA.
Um católico nunca se envolveria com um pensamento que defende heresias condenadas pela Igreja. Se um Padre sabe que alguém é espírita, ele tem a obrigação de não dar comunhão, celebrar casamento, se for padrinho, não pode batizar.
o que ele quer dizer (acho) é que a população do planeta vem aumentando. Sendo assim, Deus então cria mais almas com o tempo ou elas já pré-existiam "guardadas no estoque", por assim dizer?
acho que os "espiritualistas" interpretam literalmente a simbologia astrológica gnóstica e neo-platônica dos sete "planetas"/planos espirituais e emanações das quais as almas viriam.
mas esse assunto não é exatamente minha especialidade.
sei que o neo-espiritismo se funde sim com o ufologismo e crenças em Atlântida, Lemúria, Mur etc. há a famosa obra "Exilados de Capela".
de acordo com essa visão, alguns dos ETs seriam anjos (caídos?) ou espíritos de outros planos (planetas) que vêm supostamente auxiliar os humanos a evoluir etc.
Uriel, é bem verdade!
Sem querer parecer antipática com os amigos espíritas, essa questão é quase inevitável, pra qualquer um que se disponha a pensar no assunto por dois minutos...
Eu acho o espiritismo muito, mas muito, complicado!
Suponho que tenha sido gerado por um pensamento simplificador, em tese: mas que acabou se revelando uma confusão monumental, à medida que mais idéias precisaram aparecer para explicar outras idéias, e no fundo acabou tudo virando uma confusão imensa, uma colagem de justificativas desnecessárias e excessivas.
Mas o espiritismo não é uma revelação, e sim um esforço do pensamento humano, não?
Eu acho que talvez seja por isso que pra mim, pelo menos, é precário, e não faz sentido.
Por favor, amigos espíritas: estou simplesmente falando em meu nome!
Não tenho intenção de combater a crença de vocês.
É, mas eu estou em sérias restrições orçamentárias, não dá para comprar os livros do Guénon agora, e já estou meio de saco cheio de ler em espanhol. Acabo querendo traduzir, e fico com um monte de meios-textos espalhados pelo computador...