No final de maio dedicamos parte do Informe Digital para falar da grave situação de atentados diários no Paquistão. Ataques contra lojas de discos, contra barbearias, emboscadas em estradas para destruir rádios, gravadores, cd players de motoristas etc.
Acompanhando as últimas semanas pelos noticiários fica óbvio que a ideologia taliban, criada dentro do próprio Paquistão e exportada para o Afeganistão resolveu se voltar de vez contra sua pátria mãe. “Taliban” numa das línguas faladas no Paquistão é “alunos”, alunos das escolas religiosas, das madrassas. O singular em Pashto é talib. Numa conta semi-oficial utilizada abertamente, seriam pelo menos 25.000 madrassas no Paquistão, um país com quase 158 milhões de habitantes, confinados em um território pobre em recursos naturais e com um clima terrível.
Quando começaram os distúrbios na Mesquita Vermelha, no centro da capital do país, a mídia inteira falava em uma “revolta dos alunos”. Ora, o complexo da Mesquita Vermelha possui duas madrassas, e os “alunos”, nada mais são do que talibans paquistaneses. A revolta terminada com um ataque de vários dias por tropas do exército paquistanês com morte de muitos soldados e dezenas de talibans, inclusive líderes religiosos importantes era uma revolta dirigida para a morte. Suas reivindicações eram impossíveis de serem cumpridas ou negociadas: transformem o Paquistão numa república dirigida pela Lei Islâmica (Sharia) ou morreremos. Morreram.
Mas não foram mortes suficientes. Ao longo dos últimos anos temos visto que a ideologia taliban e a ideologia da Al Qaeda – ambos sunitas, mas diferentes – glorificam a morte, desejam a morte. Portanto, matar talibans é cumprir parte da agenda deles. Deixar que atuem é um suicídio do Estado. Portanto, há um cenário terrível já armado e que vai levar a um banho de sangue atrás do outro.
O que precisa assustar é a constatação de que a cada dia parece haver mais simpatizantes dessa agenda teocrática taliban. São mais e mais pessoas que acham correto abolir “as leis do homem” e implantar “as leis de Deus”. São massas de pessoas que pretendem abolir códigos penais, códigos civis e até mesmo códigos de trânsito, deixando as leis a critério de líderes religiosos que se aproveitam do alto grau de analfabetismo dessas populações para estampar “como está escrito no Corão”. Lembre-se de que no Afeganistão e no Paquistão, ou na Indonésia e na Malásia, não se fala árabe. O Corão em árabe é inacessível para essas populações. Portanto, versões e perversões são adotadas livremente. O ensino oral é amplamente utilizado e aí, fala-se o que quiser.
Sempre me impressiona e parece que não afeta a mais ninguém o número crescente de mulheres talibans que lutam a favor de sua própria submissão ao homem, que militam pela segregação delas próprias e que sobem ao terraço de uma mesquita vermelha para gritar “queremos a sharia, queremos a burka, queremos ser seres humanos de segunda categoria, morreremos por isso!” ONGs de direitos humanos ficam quietinhas no canto delas e não se metem. Feministas? Ainda existem?
No Afeganistão estamos vendo o desenrolar de outra crise de fundamentalismo religioso. Um grupo de 23 missionários evangélicos coreanos decidiu que era a vontade de Deus ir evangelizar, trazer para a “luz de Jesus” as populações afegãs. Ninguém tem o direito de definir que os membros de outra religião estão no “escuro” ou não são “boas pessoas” devido a sua fé. Estamos vendo no que deu. A ingenuidade destes coreanos de achar que estão sendo protegidos por Deus em seu trabalho precisa levar a um abalo da fé de todos os proselitistas. Dois já foram decapitados e talvez todas aquelas moças e rapazes bonitos e sorridentes acabem numa vala de esgoto em Kandahar. Deus não está com os proselitistas, com os que tentam impor sua fé aos outros. A fé pode tentar ser imposta pela espada, pelo sorriso ou por um panfleto entregue numa esquina. Mas esse não é o trabalho de Deus: é o trabalho de iludidos.
O mundo está se preocupando demais com o Irã tentando chegar à arma atômica e se preocupando de menos com a real possibilidade do taliban derrubar o governo do Paquistão e conquistar seu arsenal nuclear e de mísseis de médio e longo alcance. O regime de Mushrarav é instável e já houve pelo menos três tentativas de assassinato do presidente. Se uma der certo, as coisas viram de ponta-cabeça.
Neste momento, enquanto escrevo este texto, fui dar uma olhada nos incidentes mais recentes para ver se havia algo relevante. Hoje mesmo, um grupo armado de 70 talibans ocupou o complexo de um santuário e mesquita no nordeste do Paquistão, dedicado a Sahib Turangzai, um herói nacional das lutas de libertação contra os ingleses e a renomearam de “Mesquita Vermelha”...
Também há um ultimato terrível distribuído em Karachi no dia 27 de julho em panfletos espalhados pela cidade escritos em Urdu. A assinatura é “Fatah”, que se significa pouco para os paquistaneses é muito clara para nós. O panfleto distribuído no maior shopping center da cidade diz que se todos os negócios de fitas de vídeo e dvd não estiverem fechados em dois meses o shopping será destruído. Ao lado da assinatura, o declaração: “Mesmo que eu não sobreviva, a voz da Sharia Islâmica nunca morrerá.”
Além desta ameaça o panfleto ainda diz que todos os cinemas de Karachi deverão fechar até 27 de julho (quatro dias atrás) ou poderão ser explodidos a qualquer momento. Os operadores de TV a cabo somente podem transmitir canais islâmicos e se qualquer programa vulgar for transmitido os escritórios dos operadores serão explodidos. A carta diz que o canto e a dança são vulgares e obscenos e apela as pessoas que participam destas atividades a desistirem de seu trabalho. Isso tudo foi implantado no Afeganistão Taliban pela força e o mundo esqueceu. Agora é no Paquistão através de ameaças que serão concretizadas em matanças, com toda a certeza.
Segundo testemunhas, os panfletos foram distribuídos por dois meninos de 7 e 9 anos que alegaram ter recebido Rs 100 de um homem barbudo para levar os papéis e joga-los nas lojas.
José Roitberg – jornalista e diretor de Comunidade na TV
Fazer proselitismo é sim Gustavo função de todo devoto verdadeiro de DEUS, o que não é possível fazer ou se admitir é querer impor a sua fé religiosa aos demais seres-humanos na base da espada, do tiro, da bomba, ou da ameaça, isso sim é absolutamente condenável e jamais deve ser feito, pois vc só deve pregar a sua fé religiosa aqueles que estejam dispostos a ouvi-la, respeitanto aqueles que não estejam interessados em conhecê-la. No mais eu concordo plenamente com vc, pois o que está ocorrendo no Paquistão é de fato deveras preocupante, ainda mais pelo fato deles serem uma potência atômica.
esses coreanos que foram pregar a palavra de deus no afeganistão ou eram muito ingenuos ou eram muito mal informados.Não se empurra nada goela abaixo de ninguem só com boas intenções. Querer pregar o cristianismo num lugar daqueles é antes de tudo arriscado.Quem defende a morte por uma causa são os islamicos, os cristãos defendem a vida e é preciso estar vivo para levar a mensagem cristã o mais longe possivel.
Agora é evidente que os cristãos sofrerão toda e qualquer perseguição por parte dos islamicos principalmente dentro do territorio deles.
Alguem sabe me informar se organizações de direitos humanos estão fazendo algo por esses coreanos?
Em primeiro lugar, Corão, em senso estrito, é o escrito em árabe. Traduções do Corão não são consideradas como sagradas. Não é como a Bíblia.
Devemos lembrar que, no cristianismo, a Revelação é Jesus Cristo, não os Evangelhos. As Escrituras contam a história da Revelação. No Islam, a Revelação é o Livro, são as palavras, em árabe, que Maomé ouviu do Anjo Gabriel.
Em segundo lugar, o que os coreanos fizeram é lindo e louvável. É preciso tomar uma decisão. Se o Cristianismo está certo, deve-se prezar a vida eterna em detrimento da terrena, e eles foram fazer o que incontáveis mártires fizeram ao longo da história, atender a um chamado divino e morrer em nome de Deus e da sua fé, para que outras pessoas tivessem a chance de ouvir a Palavra de Deus. Se o Cristianismo não está certo, então o que eles fizeram é uma estupidez, mas também é uma estupidez seguir qualquer preceito cristão.
Em suma, ou eles estão perto da santidade, ou eles e todos os outros cristãos são idiotas.
Comparar um mártir que dá a vida por amor a estranhos em nome de Deus com um homem-bomba é cretinice. Ou malícia. Ou as duas coisas.
Este tipo de sacrifício não é para todo mundo, claro.
Aliás, como o sacrifício do celibato também não é para todo mundo, certo?
Eu, pessoalmente, não vou, não tenho esta coragem, a não ser que eu tivesse recebido um chamado.
Aí, colega, as primeiras coisas primeiro. Obedeça a Deus antes de zelar pela sua vida, se as duas ações forem conflitantes.
Eu os admiro, de qualquer forma; não há nada recriminável nem moralmente reprovável na conduta deles.
Se você estudar a história dos Santos da Igreja Católica, verá uma grande quantidade de mártires, que fizeram exatamente isso.
É verdade Gustavo eu não prestei atenção na hora que li, que o texto não era seu, texto que é por sinal muito bom, e um alerta importante para o mundo do perigo que o Paquistão representará caso caia nas mãos de fundamentalistas islâmicos, coisa aliás que está cada vez mais perto de ocorrer. Com relação aos missionários sul-coreanos assassinados barbaramente pelos talibãs, isso só reafirma a necessidade que esse movimento ASSASSINO, TERRORISTA, E CANALHA, seja extirpado de uma vez por todas da face da terra, mesmo que para isso haja a necessidade de uma nova intervenção militar americana, pois o que não se pode admitir de forma alguma é que esses NARCO-TERRORISTAS ISLÃMICOS possam voltar novamente a governar o Afeganistão, isso seria realmente um retrocesso inimaginável naquela parte do mundo, pois com esse movimento não pode haver nenhuma complacência, afinal de contas eles já mostraram do que são capazes. Já imaginaram o Paquistão que é uma potência atõmica e que foi quem treinou os militantes talibãs através de suas Madrassas cair nas mão de fundamentalistas islãmicos, e ter logo ali ao lado como principal aliado a volta do regime talibã afegão ao poder, juntamente com os seus protegidos da Al Quaeda. Isso seria o Armagedom com certeza.