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A polícia da linguagem

Iniciado por rafael_2 em 20/08/2007 · 8 mensagens

rafael_2#1
Não sei quem acompanhou o caso, mas o professor Paulo Roberto da Costa Kramer, que dá aulas no curso de mestrado em ciências políticas na Universidade de Brasília, terminou sendo considerado culpado por por racismo, acusação feita por alguns estudantes. A princípio a punição prevista era de 30 dias de suspensão, mas houve conversão para multa equivalente a 50% do salário do professor.

Não sei o que aconteceu depois, se a punição foi revogada ou não, mas é um importante retrato do estado de coisas que vivemos. Tudo começou no ano passado, quando no primeiro dia de aula o professor comentou os programas de assistências às famílias negras nos EUA e referiu-se aos negros como "crioulada". Um grupo de alunos se sentiu incomodado e mandou um e-mail ao professor, que terminou por se desculpar.

Mas o caso não acabou por aí. Dias depois uma discussão surgiu em sala de aula devido ainda à expressão, ocasião em que alunos gravaram o que se passou. O professor afirmou que diria "crioulada" quantas vezes quisesse, nem que tivesse que impetrar mandado de segurança para tal.

Gostaria de tecer algumas considerações: A primeira é que a palavra "crioulada" é registrada no dicionário Aurélio, significando apenas grupo de crioulos. Ao que me consta, crioulo é uma palavra que designa indivíduos negros. Ora, se não é ilícito a ninguém referir-se a um negro como crioulo (palavra que não tem qualquer sentido pejorativo) não há de ser igualmente ilícito utilizar-se da expressão "crioulada", que designa um grupo de indivíduos negros. A palavra crioulo nunca teve conotação ofensiva. No folclore brasileiro, especificamente do Rio Grande do Sul, há o uso do termo "crioulo" e ninguém nunca viu aí nenhum racismo. Me refiro ao negrinho do pastoreio, que o próprio dicionário Aurélio assim define:

"Ente fantástico, anjo bom dos pampas, também conhecido por Negrinho do Pastorejo, Crioulinho do Pastorejo, Crioulo do Pastorejo ou Crioulo do Pastoreio.
rafael_2#2
Lembrei deste caso porque li no segundo caderno do Globo de Domingo a notícia de que o ator e produtor musical Jorge Coutinho, militante do movimento negro, é pré-candidato do PMDB à prefeitura. A notícia termina assim: "A negrada está em festa", diz Nayat Junior, integrante do Conselho Estadual dos Direitos do Negro.

Os alunos da Unb vão protestar, acusando o Sr. Nayat Junior de ser racista por ter se utilizado da expressão "negrada"? A propósito, se o próprio movimento se chama negro, é porque a palavra utilizada não tem conotação racista, pejorativa, negativa etc.

A esquerda conseguiu criou a polícia da linguagem. O supra-sumo da ditadura é controlar o que as pessoas dizem, transformando termos consagrados pelo idioma em "racismo" (desde que os termos tenham sido proferidos por brancos, de preferência da "elite", é claro; se for proferido por outros negros não tem nada errado).
jliopaulo#3
sou muito contra essa polícia da linguagem, mas isso não veio com o chamado "politicamente correto"?
jliopaulo#4
Se o negro é negro, não importa o fato, ele pode se sentir ofendido. Podemos pensar em uma mulher muito bonita, e se ela for bonita mesmo, ela pode se sentir ofendida se for chamada de "gostosa"!
inocncio#5
A esquerda vive de contradições. A moral que vale para nós, não vale para eles por serem os novos "ungidos" do mundo. Como o Olavo já disse reiteradas vezes, são sociopatas. Gente com moral dupla não poderia viver solta no mundo. Todos os crimes podem ser justificados de acordo com uma simples interpretação esquerdista da realidade.
Infelizmente ao mesmo tempo que ganham o coração dos homens, representam a mais pura expressão do ódio, a total aversão a Deus.
fillipe#6
Júlio, veja bem, no seu exemplo, é verdade. Uma mulher pode ser ofendida ao ser chamada de gostosa, mesmo o sendo. O que ocorre é que ela não pode alegar que do cidadão A ela pode receber tal alcunha sem se sentir ofendida e que o mesmo adjetivo vindo do cidadão B, no mesmo contexto, é ofensivo.

Isso é perseguição ao cidadão B e não tem nada que ver com ofensa, antes de tudo por uma questão lógica: ou bem, num determinado contexto e entonação, um adjetivo é considerado ofensivo a alguém, e isso vale para qualquer pessoa que o profira contra você, ou então admitimos que, nas mesmas condições, ele não é ofensivo, vindo de quem vier.
alexandre_9#7
É o que eu venho dizendo há anos e anos, nós estamos caminhando para o pior tipo de ditadura que existe que é a ditadura do pensamento, e da linguagem, esse professor é a primeira vítima, de muitas que virão posteriormente, desses canalhas psicopatas, que são aqueles que defendem com unhas e dentes essa excrecência que é a DITADURA DO POLITICAMENTE CORRETO, pois isso nada mais é que a forma mais sórdida e nojenta que a esquerda encontrou de "dentro da lei", calar os seus opositores. Realmente nós estamos iniciando o princípio de uma era de TREVAS na história do Brasil.
rafael_2#8
No final do meu segundo post escrevi "A esquerda conseguiu criou a polícia da linguagem". Antes estava escrito "criar", mas fui fazer uma edição no texto e não percebi que ficou uma palavra errada.

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