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Olavo errou?

Iniciado por christian em 22/11/2005 · 11 mensagens

christian#1
http://smartshadeofblue.brblog.com/archives/002210.html autor e platéia (v. caixa de comentários) dizem que Olavo errou no artigo http://www.olavodecarvalho.org/semana/051107dc.htm, ao basear suas afirmações nas estatísticas contidas no livro Disinformation: 22 Media Myths That Undermine the War on Terror.

A questão é: errou mesmo?
pastor#2
Somente o tópico é de um mal gosto atroz. Bem dotado de uma pujança intelectual sem precedentes considero impensável a idéia do Dr. Olavo vir a cometer um erro quanto mais a alvitante possibilidade de pensar a respeito. Sem nem precisar ler o artigo tenho a convicção de que se algúem errou nessa história foi o seu detrator!
christian#3
"Sem nem precisar ler o artigo"?!?

Bem, eu não lancei o tópico acreditando nesta ou naquela opção. Postei o tópico simplesmente porque me faltam elementos para saber qual opção é a correta. E acreditei que alguém pudesse ter esses elementos. Alguém, por exemplo, leu o livro sugerido pelo professor? Alguém, por exemplo, leu o link sugerido (que contém links em que supostamente o crítico baseou seu post)?

O fato de uma pessoa acertar sempre não significa que ela continuará acertando sempre -- com todo respeito que tenho a alguém a quem considero um mestre genial -- e se entendi alguma coisa do que o professor ensina, é bom que eu encare escritos, idéias e teorias não como verdades absolutas, mas como objetos a serem investigados e esmiuçados, a exemplo do que ensina, aliás, o http://www.gropius.hpg.ig.com.br/mfs.htm, de Mário Ferreira dos Santos (segundo o próprio Olavo, o maior filósofo brasileiro).

Daí surge uma questão, um pouco mais séria: na impossibilidade de trilhar os mesmos caminhos, realizar os mesmos estudos e leituras das pessoas cujos escritos nós lemos, isto é, na impossibilidade de seguir à risca o http://www.gropius.hpg.ig.com.br/mfs.htm, qual a atitude mais correta? Acreditar nesses escritos, tomando a autoridade do autor e as estatísticas de acertos como critério de juízo? Aceitar o que leio, justamente porque me faltam elementos para duvidar daquilo que me é mostrado?

É possível para um simples mortal acumular o conhecimento e ter acesso às informações precisas para compreender tudo à sua volta? Ou há ferramentas que tornam esse acúmulo de informações dispensável e tornam seguras a observação e a compreensão das idéias e teorias mais diversas?
christian#4
Em tempo:

eu discordo da maioria das conclusões a que o crítico chegou sobre o suposto erro das fontes que o professor usou no artigo que mencionei. Em outras palavras: o erro sobre o qual perguntei (perguntei simplesmente porque não sei se de fato ocorreu, não porque queria polemizar) refere-se ao uso de fontes num artigo específico, nada além disso.

Ainda que o professor tivesse errado ao mencionar o tal livro -- o que eu pessoalmente acho muito difícil --, o artigo não deixa de ser imprescindível, como todos os outros de sua autoria.
lucas_6#5
Já tinha lido o post e os comentários. Algumas conclusões dos comentadores estão erradas, independente desta fonte estar correta ou não, pois não é o argumento central do texto.

Quanto a fonte de Olavo: também não sei quem tem razão. Pelo visto, o autor do post não leu o livro também; simplismente se apoia em outras fontes. O que coloca a questão: qual fonte é mais fiel? Também não sei. Talvez seja mesmo a do autor ou talvez a de Olavo. Neste tipo de caso, não sei o porquê da forte animosidade anti-olavete versus olavete. Por que não discutir racionalmente? O problema é que tem gente que vive em uma busca alucinada pelo menor erro de ortografia que Olavo faça; esperando, com isso, impugnar toda sua obra. Obviamente, esta postura inviabiliza o debate.

Quanto ao "método de suspicácia", talvez você gostasse de compará-lo à "crença metódica" que Olavo defende em oposição à dúvida cartesiana. É brevemente comentado na segunda apostila sobre Descartes e no texto "Idéias vegetais" do Imbecil Coletivo.
walter_2#6
Na folha de São paulo, dia 17 passado, o analista conservador, influente nos círculos do salão oval, refuta (me refute...me refute) os dados apresentados.

Folha - Há uma mudança de tática em Washington, já que o governo passou a admitir que cometeu um erro, porém afirma que houve um equívoco coletivo, que incluiu até membros do governo Clinton?
Podhoretz - Não vejo uma mudança de tática. O único erro que o governo admite se refere às armas. Talvez um dia possamos até descobrir que elas foram escondidas. O governo diz que o equívoco pode ter ocorrido, mas foi cometido de boa-fé. Ele também afirma, contudo, que houve outras razões para declarar guerra ao Iraque, incluindo o fato de Saddam desrespeitar resoluções do Conselho de Segurança da ONU e constantes ataques a aeronaves americanas nas zonas de exclusão que existiam no Iraque antes da guerra.

Ou na Folha de hoje, dia 22.
Tendo sido um dos idealizadores da invasão, ele [Dick Cheney] disse que não era responsabilidade de Washington provar que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, justificativa usada pelos EUA para a guerra, mas sim do ex-ditador provar que não as tinha. O vice-presidente admitiu falhas de inteligência, mas afirmou que "qualquer sugestão de que as informações anteriores à guerra eram distorcidas, exageradas ou inventadas pelo líder do país é profundamente falsa".

e inverteu-se o ônus da prova!
christian#7
Lucas,

eu já havia me deparado com a "crença metódica" algumas vezes nos artigos do professor, inclusive no "Idéias Vegetais". Só havia me escapado -- e lhe agradeço por me fazer lembrar -- o fato de que isso pode ser uma alternativa ao método da suspicácia.

Na verdade, ao iniciar este tópico, eu buscava justamente isso. Com freqüência sinto-me perdido no meio de informações numerosas e dissonantes e cada vez mais incapaz de encontrar a verdade dos fatos vasculhando todas as versões, estatísticas e ramificações. É uma tarefa sobre-humana.

Obrigado.
lucas_6#8
Christian,
Com certeza, esta sua dificuldade é também minha e de qualquer um que queira realmente entender o que está acontecendo, ao invés de tentar apenas confirmar suas opiniões pré-estabelecidas. Sinto, porém, que Olavo tenha escrito pouco sobre o método da "crença metódica" (que eu saiba, ao menos), que me parece que é um instrumento que pode nos ser muito útil nessa busca.
Um abraço.
lucas_6#9
Além dos trechos que você enfatizou, estes também são bem significativos:

"Ele também afirma, contudo, que houve outras razões para declarar guerra ao Iraque"

"qualquer sugestão de que as informações anteriores à guerra eram distorcidas, exageradas ou inventadas pelo líder do país é profundamente falsa"
lucas_6#10
O ponto básico é que as armas de destruição em massa não eram o único motivo para invadir o Iraque.

Outro ponto importante, é que essa foi a informação (da existência das armas) que foi passada para Bush, logo, ele não mentiu (o que pressupõe o conhecimento da verdade e uma distorção intencional dos fatos); embora talvez tenha errado (o que é bem diferente de mentir).

Aliás, eu não sou um entusiasta da invasão do Iraque. Só não partilho da crença comum brasileira de que Bush é o próprio demônio encarnado e todas as suas ações são atos de tremenda malignidade premeditada.
rmulo#11
Quem é Bobogus?

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