Há umas três semanas, Pedro Sette Câmara publicou um post muito interessante no indivíduo:
Leio com interesse o que Olavo de Carvalho escreve sobre a mentalidade revolucionária. Ele mesmo dá uma ótima explicação do que se trata:
“Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem.
Mas, ao ler isto, não consigo deixar de me lembrar de René Guénon, que afirmava que estávamos ao fim de um ciclo terrível, o Kali-Yuga, e que a próxima Idade de Ouro seria preparada por uma pequena e discreta elite. Não seria possível trocar alguns termos deste trecho e colocar os termos de Guénon? Em vez de “ação política”, teríamos “ação cultural” ou “ação espiritual”; em vez de “tribunal da História”, teríamos o líder de uma sociedade secreta ou a própria idéia de sociedade tradicional. Aliás, não existe esoterismo sem a idéia de elitismo, sem uma hierarquização entre “nós que somos superiores” e “eles que são inferiores”, os meros objetos inermes da ação daquela elite. Isto me recorda outro bom trecho de Olavo de Carvalho em que fala do con
Isto me recorda outro bom trecho de Olavo de Carvalho em que fala do continuador mais conhecido da obra de René Guénon, o sheikh da Tariqat de Maria, Frithjof Schuon:
Schuon sempre soube que as grandes transformações históricas vêm de cima, que os movimentos de massa não são senão o efeito remoto da influência espiritual exercida sobre os corações e mentes dos homens mais cultos e capacitados. A abertura da Europa ao Islam não começou com a importação de trabalhadores. Começou com discretos rituais místicos em Oxford e Cambridge, aos quais o prestígio de intelectuais de primeiro plano acabou atraindo membros do Parlamento e até o príncipe herdeiro.
Seria então Schuon um “revolucionário” num sentido adaptado do sentido de Olavo? A “mentalidade revolucionária” se aplica a estes homens brilhantes que, a mando de organizações esotéricas de vago fundo islâmico, dedicam-se conscientemente a atrair os melhores de uma cultura para sua própria sociedade secreta, passando por cima de laços e compromissos firmados na biografia de cada um deles?
Dou um exemplo bem próximo. Sei que um dos membros brasileiros da antiga Tariqat de Maria está freqüentando o ambiente da missa melquita de São Paulo. Existem dois tipos de católicos que freqüentam a missa melquita: aqueles que têm raízes orientais, que nasceram naquela cultura (no Brasil, freqüentemente de origem libanesa), e aqueles que sempre acompanharam o rito romano mas ficaram cansados dos abusos litúrgicos - abraços, violões, palmas etc. Este membro, que publicamente não admitirá receber ordens de alguém nos EUA ou na Inglaterra, e muito menos que pratica ritos que não são católicos nem cristãos, dedica-se a espalhar animosidade contra o Papa Bento XVI entre os católicos de tendência mais conservadora - portanto, os ideologicamente mais preciosos. Ele diz defender a Verdade e altos valores espirituais, mas não tem problemas em omitir sua filiação a uma organização de fundo islâmico; não sente nada ao maquiavelicamente justificar os meios com os fins. O efeito prátic
O efeito prático, socialmente falando, é mercurial: divide-se a comunidade. Espiritualmente falando, o efeito é puro enxofre: enche de orgulho a alma de indivíduos que subitamente se sentem habilitados a julgar o Papa (já fui culpado disto: falo por experiência) e a condená-lo por não ser suficientemente “tradicional”. Ek toú karpoú déndron gignosco, “pelos frutos conheço a árvore”, já diziam os gregos, antes mesmo de Jesus. Entrar em uma casa apenas para semear a discórdia e a divisão certamente é um pecado grave; mas, diante do plano maior de preparação da suposta sociedade tradicional futura, é apenas um ovo que tem que ser quebrado para fazer a omelete…
Por mais duras que sejam as divisões entre os cristãos, os debates sempre foram claros, e muitos não-católicos elogiaram a tomada de posição recente do Vaticano, reafirmando a Igreja Católica como a única verdadeira, simplesmente porque preferem discutir abertamente a ter a sensação de que estão tentando lhes passar a perna. Por mais duras que sejam as disputas entre as religiões, qualquer religioso preferirá a animosidade explícita a ser manipulado por uma sociedade secreta que se coloca acima de todas as religiões e se arroga o direito de dirigi-las.
Pois então pergunto: não se pode tomar a idéia da mentalidade revolucionária, que se volta para a esfera da ação política, e transportá-la para a esfera cultural e espiritual, certamente menos sangrenta, mas muito mais perigosa, já que o que está em jogo não é a morte do corpo, mas da alma? Que nome dar a estes homens (ainda não vi nenhuma mulher) que se dedicam a destruir comunidades, retirar delas seus membros mais valiosos, e torná-los parte de uma conspiração para destruí-las?
Esse texto de Pedro Sette nos faz surgir outra pergunta: a revolução islâmica tal consebida por Schuon estaria para o marxismo gramsciano assim como a revolução islâmica está para o marxismo leninista?
Enquanto ninguém arrisca uma resposta (e eu sou incapaz de responder por desconhecimento meu), noto apenas que o Islam "tá com tudo".
na Europa toda a esquerda, isto é, os marxistas e os social-democratas da União Européia trabalham pela islamização do continente europeu (a "Eurábia"). Diz-se que o herdeiro do trono britânico se converteu ao Islam.
os Partidos Comunistas apoiam o Islam e agora estão até dando preferência a islamistas como o Hamas e não mais a organizações terroristas seculares de nacionalismo árabe como o Fatah. Vários intelectuais comunistas se converteram ao Islam.
os grupos fascistas da Third Position e neo-nazistas apoiam o Islam e vários líderes neo-nazis estão se convertendo ao Islam.
e os ultra-conservadores Tradicionalistas também apoiam a islamização do Ocidente.
Este texto já foi discutido em outro tópico.
Eu achei legal, o Ricardo, se não me engano, achou uma bosta, outras pessoas também não gostaram, iniciamos uma discussão, eu disse que ia continuar e para variar abandonei. Não sei mais o que foi dito, no tópico, mas eu lembro que os argumentos contra o texto eram bons, apesar de eu discordar da maioria.
Achei o texto do Pedro Sette Câmara muito pertinente. Acho que não deturpou os conceitos do Olavo de Carvalho. A face terrorista do islã todo mundo conhece, mas essa face, digamos assim, gramisciana, é muito pouco discutida. Acho que se Olavo tivesse lido o texto de Câmara teria concordado, ao menos em parte.
E aqui uma sujestão: não sei se alguém já leu, mas saiu um livro muito bom sobre o Islã este ano do jornalista Ali Kamel. No livro ele faz uma interessante defesa da intervenção americana no Iraque. Só não gostei muito das partes iniciais: ele tenta equiparar o Islã, o Judaísmo e o Cristianismo como religiões pacíficas e dizer que a violência islâmica não tem fundamento no texto sagrado deles. Concordo que o terrorismo islâmico busca justificar-se no Alcorão deturpando a sua mensagem, mas não dá para esconder a superioridade do cristianismo no que tange à separação radical que este faz entre o poder secular e o poder espiritual e que aquele confunde (basta lembrar que Maomé foi fundador de um Estado, líder militar, e iniciador do Califado ou Império Islâmico). Pelo livro ficamos sabendo que onde o Islã se instalava, permitia a tolerância religiosa, a liberdade de culto para "os povos do livro" (judeus e cristãos), pois o Corão proibia a conversão forçada, mas os muçulmanos cobravam altos impostos dos que não se convertiam.
Outro ponto em que acho que não dá para comparar as duas religiões é no que se refere a imposição de valores e crenças por meio da força. Exemplo:adultério. A lei judaica previa o apedrejamento de mulheres adúlteras, Maomé incorporou esta norma ao islã e ele mesmo condenou alguns adúlteros à morte. Só no Cristianismo este tipo de punição foi radicalmente proscrita, com a célebre passagem em que Cristo evita o apedrejamento da adúltera e recusa-se a condená-la embora reconhecesse que a mesma tinha pecado. E aí vamos falar em relativismo cultural... O apedrejamento é justo no contexto islâmico e judaico, mas não no cristão. Mas o fato de Cristo ter evitado a punição da adúltera não de
Mas o fato de Cristo ter evitado a punição da adúltera não deve ser encarado como uma evolução da consciência ética? E se foi de fato uma evolução - o que parece ter sido mesmo, pois o Judaísmo aboliu a prática e o próprio Islã a vem abolindo - o fato desta prática ter sido admitida 600 anos depois por Maomé, não significa que, ao menos neste ponto, o Islamismo é um involução?
os ultra-ortodoxos em Israel defendem esse tipo de pena (decapitação de idólatras, apedrejamento de adúlteras etc). Se Israel se tornar um Estado teocrata, não será muito diferente do Irã. mas a probabilidade disso acontecer é quase nula pois a população lá é muito secularizada.
Agora é engraçado né já que os comunistas são materialistas, porque estão apoiando tão fortemente o Islamismo? Será que eles são realmente pró-Islã; ou são apenas anti-cristãos fervorosos que apóiam qualquer coisa que venha a fulminar o Cristianismo? De qualquer modo só existe nisso tudo uma certeza: a esquerda tem Ódio do Cristianismo e fará tudo, mas tudo mesmo para enfraquecê-lo, ou fulminá-lo; Nem que para isso tenha de apoiar até mesmo grupos religiosos extremistas anti-cristãos.