Olavo de Carvalho assusta os velhinos com palavrões no True Outspeak. Mas é preciso lebrar que mesmo na alta cultura, na tradição de pemas satíricos da língua portuguesa o uso de palavrões é muito comum. È só lembrar de Gregório de Matos e Manuel Maria du Bocage. Até o refinadíssimo Bruno Tolentino se valeu deles numa célebre ode à Mariliena Chauí:
A Xeroxona
Bruno Tolentino
A bela Espinozona é mesmo um ás!
Filha da Maria Antônia, e sumidade
de que a USP garante a idoneidade,
se bem me lembra há pouco tempo atrás
era ainda uma vulva tão voraz
que deglutia os mestres à vontade,
chegou a fazer seu mais da metade
de um livro do Leffort - o que aliás
assustou o Merquior... Essa araruta,
que a fim de ter seu dia de mingau,
chupa o trabalho alheio pelo pau,
pode até ser o que ninguém disputa
- a Vênus que dá tudo pela luta -
mas xerox em xereca é genial!
Acho que Olavo é até mais polido que eles, pois diz palavrão no True Outspeak, mas numca li palavrões em seus escritos. O único de que me recordo (engraçadíssimo) é "Antônio Só-a-Cabecinha Gramisci" que você encontra n'A Nova Era e a Revolução Cultural
Lembrei um poema de Bruno Tolentino e alguém perguntou o que seria alta cultura. A pergunta é relevante pois chegamos a um ponto em que não se sabe mais distinguir alta cultura de cultura popular, poesia de letra de música. O Ensino no Brasil não diferecia mais isto. Quando eu fazia vestibular um professor chegou a elevar Caetano Veloso à filósofo. Que ele é poeta sem nunca ter sido já está pacificado. Assim como é poeta Chico Buarque, Cazuza, Mano Brown. O próprio Bruno Tolentino foi um dos primeiros que se insurgiu contra esta equiparapação absurda de alta cultura com cultura popular naquele famosa entrevista à Revista Veja em 1996.
Esse negócio de música popular é interessante. Dizem que MPB é Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Toquinho, Tom Jobin, Milton Nacimento, etc., mas eles nunca foram populares. O público deles é parte da classe média, universitários e normalmente esquerdista. O povo gosta mesmo é de música sertaneja, funk, etc. como disse o Massa Sofrida. Mas no fundo eles não querem mesmo ser populares, querem tomar o lugar da cultura erudita, querem ser reverenciados como se estivessem no patamar de Vila Lobos.
Eu passei a vida rejeitando o indevido uso de palavrões. francamente, eles eram desnecessários, ou necessários em conversas desnecessárias.
Hoje, o uso dos palavrões tornou-se necessário.
Eu não vou mandar um "vá tomar no cu" pra cima de alguém que pisou no meu pé ou mesmo foi indelicado comigo: mas não vejo outro jeito de responder a um imbecil - pra citar só um exemplo - da laia daquele "filósofo de São Paulo" que me mandou e-mails completamente idiotas nos quais o único "argumento" era que eu era o Olavo de Carvalho "disfarçado"!!!!! Um insulto ao Olavo e um insulto a mim também, por me chamar de mentirosa e farsante! Digo o quê, a um sujeito desses, um canalha que posta um video daqueles no YouTube e depois tira e diz que "foi invenção"?!?!
Não vejo maneira mais perfeitamente adequada, mais limpidamente adequada, mais até elegantemente adequada, do que tacar-lhe a ordem pelas fuças.
Pois é: "Caetano Veloso filósofo" é outra instãncia exemplar de quando a ordem de ir tomar no dito e referido cu se torna absolutamente imprescindível.
Chico Buarque, Caetano seriam o que? E o bumba-meu-boi, samba, folia de reis, carnaval... ? Não seriam cultura! Será que não esta havendo uma briga entre conceitos: educação e cultura.
Eu não tenho nada contra música popular, não, deixa eu deixar bem claro.
E até aprecio de vez em quando uma boa música de corno dessas aí que o Uriel menciona (en passant, concordo: é mesmo "de corno", ou, mais delicadamente falando, de "dor-de-cotovelo", como as do velho Lupicínio também são, e as da Dolores Duran).
Vocês estão discutindo exatamente o quê, alguém me explica?
O tópico é "palavrão na alta cultura"... Gostaria de refletir o que é alta cultura! E meu ponto de vista é: Cultura é cultura! O que se pode confundir com " educação" ... Daí não acredito em alta e nem em baixa cultura. Não se pode comparar letras de músicas estritamentes comerciais com letras nascidas de uma arte verdadeira... etc...
Então o debate é sobre o conceito de "cultura".
Bem, tá bom.
Cultura é uma seleção de valores, não é "tudo" ou "qualquer coisa".
Se você defender que é "qualquer coisa", você automaticamente estará dizendo que "não é nada" - pelo velhíssimo princípio lógico de que a definição de "qualquer coisa" se aplicaria a tudo e a nada em especial, e portanto não pode ser considerada uma "definição".
O Olavo tem um artigo muito bom, em que comenta que diversos representantes do - digamos- "momento cultural" brasileiro são exatamente isso: representantes de um momento determinado, mas não representantes de uma cultura em si, e valem tanto quanto qualquer outra amostra do mesmo momento, um showzeco qualquer, uma revista qualquer, sei lá.
Vivo recebendo advertências de comunidades das quais sou membro pela minha atual mania (não se trata do Olavo; se trata da minha própria exaustão, mesmo. O Olavo só me fez dar um suspiro de alívio e parar de pensar que eu era uma maluca enfurecida e forneceu uma norma para que eu parasse de ficar usando indiscriminadamente várias frases. Ou seja: organizou a coisa) de repetir "as quatro palavrinhas".
Me pedem menos "agressividade", e um gaiato me sugeriu que as ditas quatro palavrinhas fossem então trocadas pela seguinte frase, abre aspas, sugiro veementemente a Vossa Excelência que trate de receber as devidas contribuições na cavidade retal, fecha aspas.
A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".
Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteis a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.
Pri, você REALMENTE mandou o Pauna Bundadelli, o Orangotango Louco de São Paulo tomar no cu? HAHAHAHAHAHAHAHA
De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver,
um furtar, outro foder.
Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou
com dous ff o explicou
por estar feito e bem feito:
por bem digesto e colheito,
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer que esta terra
De dous ff se compõe.
Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta,
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
Esta cidade a meu ver.
Provo a conjetura já
prontamente com um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são BAHIA,
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder.
Eu todos os dias mando um, meu querido.
Ontem mandei um infeliz lá na comunidade Brasil. Aliás, esse eu já mandei até duas vezes. !
Não faço outra coisa, assim Deus me ajude a sair desse vício, a não ser mandar imbecil tomar no cu. !
Eu estou rindo, mas é uma tragédia! Comecei e não consigo mais parar! ,,...
" Não se pode dizer, repito, que esses nomes não representam a cultura nacional. Representam-na, porém não no sentido eminente em que a representaram Machado de Assis e Villa-Lobos, Gilberto Freyre e Portinari, ou no sentido em que representam, hoje, - e atendendo às três condições – Ariano Suassuna, Bruno Tolentino, Ferreira Gullar, Wilson Martins, Roberto Mangabeira Unger, Miguel Reale, Meira Penna, Amaral Viera, Edino Krieger e alguns outros" O. C.
O texto é antigo, pena... Mas O Olavo só fala desses autores como exemplo, ele discute tb a validade e a obra datada de outros, mas o resto é um pensamento sobre o salão de Paris....