Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

PALAVRÃO NA ALTA CULTURA

Iniciado por vincius em 14/09/2007 · 26 mensagens

vincius#1
Olavo de Carvalho assusta os velhinos com palavrões no True Outspeak. Mas é preciso lebrar que mesmo na alta cultura, na tradição de pemas satíricos da língua portuguesa o uso de palavrões é muito comum. È só lembrar de Gregório de Matos e Manuel Maria du Bocage. Até o refinadíssimo Bruno Tolentino se valeu deles numa célebre ode à Mariliena Chauí:

A Xeroxona
Bruno Tolentino

A bela Espinozona é mesmo um ás!
Filha da Maria Antônia, e sumidade
de que a USP garante a idoneidade,
se bem me lembra há pouco tempo atrás

era ainda uma vulva tão voraz
que deglutia os mestres à vontade,
chegou a fazer seu mais da metade
de um livro do Leffort - o que aliás

assustou o Merquior... Essa araruta,
que a fim de ter seu dia de mingau,
chupa o trabalho alheio pelo pau,

pode até ser o que ninguém disputa
- a Vênus que dá tudo pela luta -
mas xerox em xereca é genial!

Acho que Olavo é até mais polido que eles, pois diz palavrão no True Outspeak, mas numca li palavrões em seus escritos. O único de que me recordo (engraçadíssimo) é "Antônio Só-a-Cabecinha Gramisci" que você encontra n'A Nova Era e a Revolução Cultural
renan_6#2
AHAHAHAHAHAAAHHAHHA

MTO BOM
gbschmitt#3
Boa!
jliopaulo#4
o que seria alta cultura?
orkut_3#5
Fazendo coro:

Eu odeio o Politicamente Correto e sua ditadura.
wood#6
bela poesia.....
uriel#7
.

a música sertaneja melosa de hoje em dia é música de corno e não música de viado.
vincius#8
Lembrei um poema de Bruno Tolentino e alguém perguntou o que seria alta cultura. A pergunta é relevante pois chegamos a um ponto em que não se sabe mais distinguir alta cultura de cultura popular, poesia de letra de música. O Ensino no Brasil não diferecia mais isto. Quando eu fazia vestibular um professor chegou a elevar Caetano Veloso à filósofo. Que ele é poeta sem nunca ter sido já está pacificado. Assim como é poeta Chico Buarque, Cazuza, Mano Brown. O próprio Bruno Tolentino foi um dos primeiros que se insurgiu contra esta equiparapação absurda de alta cultura com cultura popular naquele famosa entrevista à Revista Veja em 1996.
vincius#9
Esse negócio de música popular é interessante. Dizem que MPB é Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Toquinho, Tom Jobin, Milton Nacimento, etc., mas eles nunca foram populares. O público deles é parte da classe média, universitários e normalmente esquerdista. O povo gosta mesmo é de música sertaneja, funk, etc. como disse o Massa Sofrida. Mas no fundo eles não querem mesmo ser populares, querem tomar o lugar da cultura erudita, querem ser reverenciados como se estivessem no patamar de Vila Lobos.
priscila#10
Eu passei a vida rejeitando o indevido uso de palavrões. francamente, eles eram desnecessários, ou necessários em conversas desnecessárias.
Hoje, o uso dos palavrões tornou-se necessário.

Eu não vou mandar um "vá tomar no cu" pra cima de alguém que pisou no meu pé ou mesmo foi indelicado comigo: mas não vejo outro jeito de responder a um imbecil - pra citar só um exemplo - da laia daquele "filósofo de São Paulo" que me mandou e-mails completamente idiotas nos quais o único "argumento" era que eu era o Olavo de Carvalho "disfarçado"!!!!! Um insulto ao Olavo e um insulto a mim também, por me chamar de mentirosa e farsante! Digo o quê, a um sujeito desses, um canalha que posta um video daqueles no YouTube e depois tira e diz que "foi invenção"?!?!

Não vejo maneira mais perfeitamente adequada, mais limpidamente adequada, mais até elegantemente adequada, do que tacar-lhe a ordem pelas fuças.
priscila#11
Pois é: "Caetano Veloso filósofo" é outra instãncia exemplar de quando a ordem de ir tomar no dito e referido cu se torna absolutamente imprescindível.

Senão também o sujeito nem entende, caraca!!!!! !
jliopaulo#12
Chico Buarque, Caetano seriam o que? E o bumba-meu-boi, samba, folia de reis, carnaval... ? Não seriam cultura! Será que não esta havendo uma briga entre conceitos: educação e cultura.
jliopaulo#13
?
priscila#14
Como, seriam o quê? Seriam compositores de músicas, muitas até boas, outras uma porcaria, ué!

"Filósofos" é que não são.

Ou vai ver que não entendi a pergunta.
priscila#15
Eu não tenho nada contra música popular, não, deixa eu deixar bem claro.

E até aprecio de vez em quando uma boa música de corno dessas aí que o Uriel menciona (en passant, concordo: é mesmo "de corno", ou, mais delicadamente falando, de "dor-de-cotovelo", como as do velho Lupicínio também são, e as da Dolores Duran).

Vocês estão discutindo exatamente o quê, alguém me explica?
jliopaulo#16
O tópico é "palavrão na alta cultura"... Gostaria de refletir o que é alta cultura! E meu ponto de vista é: Cultura é cultura! O que se pode confundir com " educação" ... Daí não acredito em alta e nem em baixa cultura. Não se pode comparar letras de músicas estritamentes comerciais com letras nascidas de uma arte verdadeira... etc...
priscila#17
Então o debate é sobre o conceito de "cultura".
Bem, tá bom.

Cultura é uma seleção de valores, não é "tudo" ou "qualquer coisa".

Se você defender que é "qualquer coisa", você automaticamente estará dizendo que "não é nada" - pelo velhíssimo princípio lógico de que a definição de "qualquer coisa" se aplicaria a tudo e a nada em especial, e portanto não pode ser considerada uma "definição".

Pode-se começar por aí o debate.
priscila#18
O Olavo tem um artigo muito bom, em que comenta que diversos representantes do - digamos- "momento cultural" brasileiro são exatamente isso: representantes de um momento determinado, mas não representantes de uma cultura em si, e valem tanto quanto qualquer outra amostra do mesmo momento, um showzeco qualquer, uma revista qualquer, sei lá.

Vou ver se acho.
priscila#19
priscila#20
Vivo recebendo advertências de comunidades das quais sou membro pela minha atual mania (não se trata do Olavo; se trata da minha própria exaustão, mesmo. O Olavo só me fez dar um suspiro de alívio e parar de pensar que eu era uma maluca enfurecida e forneceu uma norma para que eu parasse de ficar usando indiscriminadamente várias frases. Ou seja: organizou a coisa) de repetir "as quatro palavrinhas".

Me pedem menos "agressividade", e um gaiato me sugeriu que as ditas quatro palavrinhas fossem então trocadas pela seguinte frase, abre aspas, sugiro veementemente a Vossa Excelência que trate de receber as devidas contribuições na cavidade retal, fecha aspas.

Talvez eu siga a sugestão. !
marcos_8#21
De Gregório de Matos:

A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".

Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteis a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.

Pri, você REALMENTE mandou o Pauna Bundadelli, o Orangotango Louco de São Paulo tomar no cu? HAHAHAHAHAHAHAHA
marcos_8#22
é o último (pelo menos hoje )

De dous ff se compõe
esta cidade a meu ver,
um furtar, outro foder.
Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou
com dous ff o explicou
por estar feito e bem feito:
por bem digesto e colheito,
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer que esta terra
De dous ff se compõe.
Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta,
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
Esta cidade a meu ver.
Provo a conjetura já
prontamente com um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são BAHIA,
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder.
priscila#23
Eu todos os dias mando um, meu querido.
Ontem mandei um infeliz lá na comunidade Brasil. Aliás, esse eu já mandei até duas vezes. !
Não faço outra coisa, assim Deus me ajude a sair desse vício, a não ser mandar imbecil tomar no cu. !

Eu estou rindo, mas é uma tragédia! Comecei e não consigo mais parar! ,,...
priscila#24
Muito boa essa, Marquinhos!
jliopaulo#25
Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Mas ver cagar, contudo a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!

Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura:
Uma carta de amores de alimpadura
Serviu àquela parte mal cheirosa:

Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito de amor que, lisonjeiro,
Afetos move, corações incita:

Para o ir servir de reposteiro
À porta onde o fedor e a trampa habita,
Do sombrio palácio do alcatreiro!

Bocage
jliopaulo#26
" Não se pode dizer, repito, que esses nomes não representam a cultura nacional. Representam-na, porém não no sentido eminente em que a representaram Machado de Assis e Villa-Lobos, Gilberto Freyre e Portinari, ou no sentido em que representam, hoje, - e atendendo às três condições – Ariano Suassuna, Bruno Tolentino, Ferreira Gullar, Wilson Martins, Roberto Mangabeira Unger, Miguel Reale, Meira Penna, Amaral Viera, Edino Krieger e alguns outros" O. C.

O texto é antigo, pena... Mas O Olavo só fala desses autores como exemplo, ele discute tb a validade e a obra datada de outros, mas o resto é um pensamento sobre o salão de Paris....

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