afinal as denúncias de Roberto Jefferson mostraram que a direita e a esquerda são quase iguais no Brasil. Só mudam os graus de corrupção e de hipocrisia.
O que fazer? Em quem votar? No menos corrupto?
A questão que se levanta é como determinar os graus de corrupção, hipocrisia e de incompetência dos políticos e dos partidos?
Deixo aos membros do grupo a discussão de como escolher o político menos ruim, hipócrita, imcompetente, etc, para um cargo público.
Deveriam ser usados os mesmos critérios para se poder votar?
A meu ver a solução seria possível somente a longo prazo com a melhoria nos níveis de educação e de informação da população.
Esquerda e Direita no Brasil são muito diferentes, sim.
A Direita existe somente como figura coadjuvante, restrita ao debate sobre procedimentos de gestão macroeconômica. Como fonte de idéias para outras questões, como a natureza do Estado e sua relação com os indivíduos (algo óbvio em outros países), a Direita brasileira é um desérto árido.
A Esquerda é ao mesmo tempo o que é no resto do mundo: um blefe retórico e uma prática concreta. O blefe consiste na proposta de redenção das desigualdades sociais, baseado em slogans, chantagem emocional e propaganda sentimentalóide. A prática é essa que ultrapassa a corrupção simples: a tentativa de deslegitimar a democracia, de encabestrar os indivíduos por meio de impostos e controles. É o aparelhamento desavergonhado da máquina, é a fusão entre Estado e partido, é a busca de intimidar o dissenso e a imprensa.
Esquerda e Direita são diferentes na essência. A primeira totatlitária e exclusivista, a segunda libertária e pluralista. Mas no Brasil, realmente essa distinção tem pouco a dizer. Mais confunde que explica.
Talvez uma definição boa seria: a esquerda poria os interesses sociais em primeiro plano enquanto a direita poria os interesses particulares, dos grupos econômicos dominantes, em primeiro plano.
Na prática isto não acontece 100 % para cada lado.
Fabíola, você tem certeza de que o que você supõe ser o 'estilo do "mestre"' é um julgamento objetivo do pensamento dele, e não uma projeção de suas próprias fantasias?
Para o restante do pessoal,
Olavo possui dois grandes textos sobre a definição de esquerda e direita. Encontrei apenas um, o mais recente, disponível na internet.
Para quem escreve textos com perólas do tipo:
- A ONU é terrorista
- Há uma conspiração comunista mundial e a união civil homossexual faz parte dela
- Estamos sob uma ditadura comunista
- Durante o Regime Militar, não existia censura
- A cardinalidade dos pares é menor que a dos números naturais
- O ser humano não precisa de cérebro pra viver
- O nazismo e o FMI são de esquerda.
- Bush é a única esperança de civilização no mundo
- etc, etc, etc
“Para quem escreve textos com perólas do tipo:
- A ONU é terrorista”
Em qual (quais) texto(s) precisamente ele disse isso? Eu lembro de vezes em que ele falou que a ONU e as suas organizações subsidiárias, por assim dizer, Unesco etc., fazem parte de uma tentativa de acabar com as soberanias nacionais para se estabelecer uma forma de governo mundial. Qual é o erro nessa conclusão? Segundo, quando ele fala isso, ele sempre o faz citando vários estudos, que, infelizmente, não são traduzidos para o português, de modo que, tirar a conclusão que ele tira, pode parecer ser uma coisa de louco que vive no mundo da Lua.
“- Há uma conspiração comunista mundial e a união civil homossexual faz parte dela”. Eu já li pelo menos uns dez artigos dele dizendo que a qualificação das idéias dele como teoria de conspiração é não entender nem o que significa conspiração, nem entender o que ele disse. A grande característica das conspirações é que elas são feitas secretamente. O Olavo tem insistido há muito tempo que as idéias dele são facilmente acessíveis a qualquer pessoa que deseje estudar o tema. Por outro lado, em alguns artigos, ele tem dito que o fundamento do movimento revolucionário comunista hoje é cultural, i.e., gramsciano, e que, por isso, não é tão facilmente perceptível. Na verdade, constitui-se de um conjunto imenso de táticas, bastante sutis até, que as pessoas não percebem. Há um artigo dele recente sobre isso.
Segundo, eu não lembro de Olavo ter dito que união civil homossexual faça naturalmente parte do movimento comunista. O que eu lembro é que os comunistas têm atraído para si esses tipos de “bandeiras” para conseguir o apoio de minorias que não percebem bem o que estão fazendo. O exemplo do feminismo é mais claro: os comunistas passaram a fazer o discurso de que as mulheres são oprimidas por causa do capitalismo. Portanto, para acabar com a opressão às mulheres, a luta deve ser contra o capitalismo e à favor do comunismo.
É claro que esses comunistas só esquecem de falar que foi só nos países capitalistas que as mulheres deixaram de ser cidadãos de segunda classe...
De todo modo, se você souber de um texto em que o Olavo diga inequivocamente que a união civil homossexual faz parte da conspiração comunista, favor apresentá-lo.
“- Estamos sob uma ditadura comunista”. Se não em engano, ele já usou esta expressão, mas o que ele quis dizer é a ditadura cultural dos comunistas. E não me parece que ele esteja errado. Você é de esquerda. Tudo bem, faça o seguinte experimento (você não precisa ter convicção para isso...): planeje um discurso contra a esquerda, defenda abertamente à propriedade privada etc. numa universidade ou colégio. Veja quantos xingamentos você vai receber. Isso significa apenas que as opiniões que não são adequadas ao discurso esquerdista não são toleradas por ninguém e são vistas como ultrajes. Aí você vai perceber rapidamente como houve um deslocamento cultural rumo à esquerda. E para você notar que se trata de deslocamento mesmo, basta você lembrar dos debates políticos no próprio Brasil nas décadas de 50 e 60.
“- Durante o Regime Militar, não existia censura”. Mentira. O que ele repetidas vezes disse é que a censura no regime militar não era tão grande quanto geralmente se diz. E, por outro lado, argumenta que era muito mais fácil publicar um livro de esquerda durante o regime militar do que publicar um livro professadamente direitista. Eu acho que ele está certo, mas o argumento só serve para ilustrar a transformação cultural, nada mais. Pois, afinal, nenhuma editora tem o dever de publicar livros de direita. Então, é claro, não há censura (quer dizer, há em alguns casos, como no caso de um site anti-pt que foi censurado...) hoje.
“- A cardinalidade dos pares é menor que a dos números naturais”. Não foi isso que ele disse. Em O Jardim das Aflições, acho que lá pela página 140, ele diz que o argumento matemático de que a parte é menor do que o todo é uma falácia. Na verdade, a bijeção criada por Cantor seria nada mais do que contar a MESMA série de modos diferentes. O argumento dele, portanto, seria que não faz sentido falar em cardinalidade dos pares e comparar com a dos naturais, pois aquele conjunto só seria definível em termos deste e seria apenas um processo de contagem com outro nome. Eu discordo do argumento e já mandei um e-mail para ele sobre isso, mas ele nunca respondeu. De todo modo, ele não falou o que você afirmou como sendo a idéia dele. Mas isso é bastante perdoável, pois o argumento dele no Jardim é bastante confuso.
“- O ser humano não precisa de cérebro pra viver”. Novamente, não foi isso que ele disse. O que ele fez foi citar um estudo de um cientista, o Dr. Lorber, que havia realizado um estudo em pessoas que tinham, se não me engano, massa encefálica extremamente reduzida. De todo modo, o argumento do Olavo era precisamente que a ciência ainda está longe saber precisamente qual a necessidade de alguns órgãos e citou esse caso. O máximo que se poderia dizer sobre ele, neste caso, é que ele é um grande cético a respeito dos resultados da neurologia.
Ademais, existe uma apostila dele sobre o pensamento de Aristóteles em que ele afirma que o cérebro é necessário para a vida humana: “Temos órgãos que não podem ser eliminados, pelo menos no todo, sem um grave prejuízo para o corpo. Se nos cortam uma perna, continuamos vivendo, embora de maneira deficiente. E outros que não podem ser cortados, nem mesmo tocados - se você for acertado ali está morto. Sabemos que podemos viver sem uma parte do cérebro, mas não sem cérebro nenhum. Mas não podemos viver sem metade do coração, ou sem ossos”. (ver em http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/pensaris3_1.htm )
“- O nazismo e o FMI são de esquerda”. O nazismo ser de esquerda é uma tese de muitos pensadores, então não poderia ser qualificada de “pérola”. Não há dúvida nenhuma de que o nazismo era um regime socialista (usando a própria definição de Marx, de que o socialismo é um modo de produção em que não há propriedade privada dos meios de produção). Na verdade, a partir de 1936, o governo alemão impôs o controle de preços e salários e passou a determinar o quê seria produzido, em qual quantidade e quais seriam os rendimentos. Ou seja, embora houvesse propriedade privada no nome, o regime só tinha propriedade pública na prática. Essa é a distinção que Mises viu, entre propriedade privada “no nome” e propriedade pública de facto. (veja o artigo de George Reisman, http://www.mises.org/story/1937 )
Quanto ao FMI, não me recordo de ele ter dito que é uma instituição de esquerda. Mas, se tivesse dito, não sei qual seria a grande aberração. O Fundo foi criado por e com base nas idéias de John Maynard Keynes, o príncipe da economia dos esquerdistas (todos já sabiam que Marx estava morto...). De fato, a grande função do FMI era socorrer os governos quando estes enfrentam problemas no balanço de pagamentos, que se tornam graves quando se abandona o padrão-ouro. As transações internacionais são feitas através da intermediação do governo. Os indivíduos compram moeda estrangeiro do governo (quando vão importar ou viajar para o exterior, mandar dinheiro para parentes fora etc.), e o governo recebe moeda estrangeira do exterior e compra por moeda nacional, que é remetida para os residentes (caso de exportações, recebimentos de pagamentos do exterior etc.). Ou seja, existe uma grande necessidade do governo possuir dólares.
Se o país importa mais do que exporta (não só na balança comercial e de serviços, como também na conta de capitais), há um déficit no balanço de pagamentos e o governo, portanto, precisa de dólares, o que ocorre via aumento de taxa de juros (estímulo à entrada de capitais de curto prazo), desvalorização cambial (estímulo às exportações), consumo de reservas cambiais ou empréstimos junto a instituições internacionais, sobretudo o FMI. Ou seja, o problema ocorre (pelo menos em parte) devido ao abandono do padrão-ouro, tão odiado pelos keynesianos e outros esquerdistas – precisamente porque o padrão-ouro impunha muitos limites à interferência do Estado na economia, pois colocava uma clara restrição na capacidade de aumento da base monetária...
“- Bush é a única esperança de civilização no mundo”. Eu já li alguns artigos dele dizendo que um dos problemas do Bush é que ele faz muitas concessões aos democratas, o que seria um dos motivos pelos quais os republicanos não o consideram muito bom. E também não lembro de ele ter exaltado essencialmente o Bush. O que eu percebo é a exaltação dos valores americanos, muitos deles, de fato, representados pelo Bush. E é verdade que ele tem simpatia pelo presidente americano. E qual é o problema disso? Qual é o motivo disso ser uma “pérola”? Se alguém faz um juízo de valor diferente do seu, então isso é um absurdo? É isso o que você quer dizer?
O Bernardo, com mais paciência do que eu jamais teria, mostrou bem que a fantasia é sua, mesmo. Não vou entrar no meríto de cada objeção que você (e a tchurma anti-olavete) levantam, porque a quase todas, cabe a mesma resposta: Vocês fazem leituras apressadas e superficiais de Olavo, exagerando e distorcendo suas afirmações.
E a coisa fica ainda mais complicada por causa da inevitável má-vontande. Vocês já partem do pressuposto de que Olavo está errado; a partir daí, buscam incessantemente argumentos que corroborem a ojeriza que sentem ppor Olavo.
Em resumo, para discutir com vocês é preciso, por um lado, corrigir as leitura equivocadas, por outro, tentar persuadí-los a deixar de tanta malícia e má-vontade. Tarefa verdadeiramente hercúlea.
Mas, por não consiguir conciliar o sono, vou perder alguns minutos nisto.
Você rejeita essa afirmação como absurda. Por que? Um preliminar indispensável para responder a isto é definir "nazismo" e "esquerda"; partindo da definição, estabelecer qual a relação entre dois termos. Olavo fez isto. Nunca vi ninguém argumentando contra ele.
Se uma definição para a esquerda é centralismo estatal, o nazismo não entra nessa definição?
Há muita confusão envolvendo esse assunto do Cantor; principalmente, porque o pessoal que critica Olavo nesse ponto não leu o Jardim das Aflições. Portanto, para tentar esclarecer um pouco esse ponto, vou falar um pouco sobre isso.
Primeiramente, é importante ressaltar que o argumento central do trecho que Olavo é bem mais amplo que Cantor. Cantor não entra nem como tese, nem como prova, nem mesmo como argumento: não passa de um exemplo ilustrativo.
A tese central é que o abandono da fundamentação explícita da metafísica nas ciências modernas, deixava-as sem um lastro importante que as levava para labirintos e confusões. (se eu estiver simplificando demais, por favor, peço que os alunos mais experientes de Olavo me corrijam).
(Antes de mais nada, vale ressaltar que a tese não é unicamente de Olavo, mas também de vários outros estudiosos.)
Como exemplo dessas confusões, ele cita alguns casos. Entre outros (de memória, me lembro que ele também falou algo de Piaget), ele cita o caso de Cantor. Ou seja, de início, se vê que o estudo sobre Cantor é periférico: não prova nem desmente a tese central.
Dito isto, resta saber: Mas, Cantor está certo ou não? Bom, eu não sei. Mas, sei que o caso é mais complicado do que parece. Li e reli o texto. Na dúvida, levei o trecho para um amigo meu, excelente estudioso das ciências exatas, para saber sua opinião. Meu amigo não tem muita simpatia por Olavo, mas não teve como comprovar que ele estivesse errado.
Enfim, percebi que o assunto era muito complicado e suspendi meu julgamento até ter dados mais firmes para me fundamentar. Um hábito extremamente saudável que os anti-olavetes ganhariam em aprender.
O trecho em que Olavo fala de Cantor:
"Mas no campo das matemáticas foi o deslumbramento com a idéia do infinito espacial e quantitativo que levou a mente humana às piores esquisitices, onde o requinte dos argumentos engenhosos coexiste com a total falta de sensatez.
Só para dar um exemplo: O célebre Georg Cantor acreditou poder refutar o 5º princípio de Euclides (...)".
Ou seja, é o periférico do periférico: o campo da matemática já é periférico em relação ao argumenta central; dentro desta, o infinito quantitativo já um caso particular; em relação a este, Cantor é apenas um dos vários exemplos. Como meu amigo falou: mesmo que Cantor esteja errado neste ponto, há ainda outras questões relacionadas a este ponto que não se resolvem assim.
Enfim, evidentemente, é importante discutir este caso. Mas, deixar de discutir uma obra tão vasta quanto o jardim das aflições por não ir com a cara de um exemplo, é não ter o mínimo de senso de proporções.
Ia comentar o resto, Fabíola, mas o sono chegou. Experimente ler com honestidade o texto de Olavo sobre a diferença entre direita e esquerda e comparar com sua impressão dele; servirá como um "reality check" para saber quem tem fantasias.
o brasil possui uma direita ultrapassada. clientelista, corenelista, etc, etc,etc. estamos precisando de uma direita decente.
é triste mas as poucas figuras que ainda boto alguam credibilidade são mias a esquerda que me pensamento. ex.: cristovam buaque, jefferson peres, mangabeira unger.
espero que com a chegada do Partido Federalsita a nova direita me surpreenda e não caia na mesma politcagem.
Fabíola. Diga os autores que você admira, só por acaso mesmo. Vamos analisar as afirmações deles e ver se podemos transformá-las em pérolas, como vocês insistentemente (e porcamente) fazem com as do Olavo. Abraços.
podemos dizer também que o capitalismo é de esquerda.
Vejam: ele procura aumentar o lucro através da conquista de mercado, isto é, quanto maior o número de pessoas comprando maior o lucro, quanto maiores os salários maior o mercado.
Como se pode ver manipulando os fatos pode-se afirmar qualquer asneira, como feito acima.
hahahahaahaha
Fabiola deve ter ficado até envergonhada!
Ela veio aqui dizer as asneiras dela baseadas numa lógica infantil, e levou um baile
se fosse o contrario, os odiadores iriam ficar só fazendo piadinhas.
Aqui ela tomou uma aula. E nem precisou ser desrespeitada
Eu acho que você não entendeu qual é a questão quando se fala que o nazismo é de esquerda. Quando se faz essa afirmação, o que se quer dizer é que o nazismo era socialista (não por causa do nome, é claro, e nem devido à colaboração com os comunistas da URSS). A economia alemã foi, na prática, socializada (através de controles de preços, salários etc., além da determinação política do que deveria ser produzido). Existe um filme sobre uma reunião dos nazistas (sem o Führer), em que surgiu a proposta para a criação de Auschwitz. O filme foi escrito com base nas notas taquigráficas da reunião, se não me engano. Você notará lá como o governo controlava toda a economia, o quanto deveria ser produzido, qual os métodos etc.
Mas eu não sei se essa caracterização de nazismo como sendo de esquerda é suficiente. Hans Hermann-Hoppe, por exemplo, fala de socialismo de direita e de esquerda.
A definição do Olavo de direita e esquerda colocaria o nazismo como sendo de esquerda.
A questão, portanto, é: o que se entende por direita e esquerda e quais os critérios utilizados para situar um grupo político em um desses dois conjuntos.
Bernardo,
suas análises são interpretações de texto sensatas, tocando o dedo na ferida de umas das grandes deficiências da formação cultural brasileira.
Mas imagino que sua paciência seja uma habilidade ainda maior, e só aconselho que não a utilize com uma pessoa chamada Marco, que é semelhante ao Bob Dylan, pois dizem que é personagem de ficção, e não a única por aqui.
Em relação à pergunta original do Rhodan (que já esteve passeando por aqui), só posso concordar admiravelmente.
Se considerarmos que a esquerda é o PT, e que a direita é o PSDB com o PFL, não há dúvida que descobrimos uma perfeita similaridade entre eles enquanto no governo, apesar da insistência crônica do primeiro em não repetir a experiência do segundo.
Não há dúvida que essa constatação (que são iguais) vem sendo repetida a muito tempo por Olavo de Carvalho e Nivaldo Cordeiro.
No entanto, não é esse o conceito clássico de direita e esquerda que se pode deduzir a partir de uma observação mais ampla da história política do Brasil e do mundo.
Se, por um lado, não há dúvida que o PT seja de esquerda (ainda que sua agenda econômica esteja momentaneamente seguindo uma direção ortodoxa, de contenção de gastos e pagamento de débitos externos), a associação do PSDB como sendo a "direita" é bem questionável, até mesmo pelos próprios tucanos.
O PSDB foi formado em 1988 por uma ala do PMDB com antigas ligações com a esquerda brasileira, tanto legal (Mário Covas, Franco Montoro) quanto clandestina (Alberto Goldmann, José Serra, Walter Feldman, Sérgio Motta). Alguns de seus integrantes passaram por movimentos marxistas (como a AP, PCB e o PCdoB).
Uma análise semelhante pode ser feita em relação ao PPS.
Claro que muitos aderiram ao PSDB vindos do centro ou da política tradicional, mas a cúpula do PSDB sempre domínio da antiga esquerda.
Essa cúpula determinou para o partido uma agenda que conciliava algumas bandeiras típicas da esquerda não-revolucionária (como o desarmamentismo, a liberação gradual do aborto, o apoio à ideologia do homossexualismo, concessão de terras, etc) com um programa econômico alinhado com alguns pressupostos considerados liberais (como a privatização e a liberação das importações).
O PSDB nunca chegou a aplicar uma política econômica neoliberal (como seguiram o Chile e, durante algum tempo, a Argentina e a Bolívia), mas seguiu o que Bresser Pereira definiu como uma política de recuperação fiscal, voltada para o reequilíbrio das contas do Estado.
É interessante observar que o PT, uma vez no governo, não se afastou muito dessa agenda.
A quem interessa (além do próprio governo) a política de recuperação fiscal? Em primeiro lugar aos bancos, que financiam o Estado.
Isso explica o favorecimento do setor financeiro (e algumas grandes indústrias intimamente ligados aos contratos públicos) ao PSDB, através de doações eleitorais que tornaram o partido um dos maiores do país.
Não é mistério para ninguém que o PT seguiu o mesmo caminho.
O PSDB, mais uma vez, não seguiu um só ponto fundamental da agenda liberal ou de direita (exceto a privatização, na verdade iniciada uma década antes), como a redução dos impostos ou a liberalização das amarras burocráticas.
Sob qualquer ponto de vista, o PSDB situa-se na arena política como centro-esquerda, e jamais como direita.
O PFL tem uma formação complexa. Ele não tem a cúpula intelectual que domina o PSDB. Seus membros são herdeiros de famílias políticas tradicionais, cujo prestígio remonta ao início do século XX (estender até 1500 seria uma violência histórica).
Foram apoiadores do movimento de 1964, mas também seus derrubadores em 1985. Não tiveram, em sua maioria, um compromisso sério com pressupostos conservadores (exceto por conveniência, na década de 60) ou uma política econômica liberal, que também não colocaram em prática em todos os governos que fizeram parte há mais de 40 anos (ou seja, todo o governo militar e mais Sarney, Collor, Itamar e FHC).
Não estou dizendo que o PFL seja centrista. Ele é um partido composto em sua maior parte por políticos tradicionais (como ACM ou Bornhausen), sem vínculo ideológico definido, outros oportunistas com perfil semelhante ao PSDB (como César Maia) e alguns conservadores, que compõem uma direita legítima (na qual se enquadra, quase isolado, Onix Lorenzoni).
Contudo, é fato que o PFL sujeitou-se à direção política do PSDB durante quase todo o governo FHC, afastando-se somente no último ano.
Não dá para se dizer que o PFL seja a direita, mas uma parcela expressiva da minguda direita brasileira está nele, sem vínculos de maior proximidade com outros elementos notoriamente direitistas (Bolsonaro, Enéas), estes últimos também nacionalistas, que estão em outras legendas.
O próprio PP (que tem uma formação mais tradicionalista que o PFL) e o PTB também têm alguns integrantes que podem ser caracterizados como direita.
Sem dúvida, essa direita (pequena e espalhada) vê com satisfação o desenrolar da crise ética e (como sabe que não tem participação efetiva no governo federal desde 1985) sente-se de "mãos lavadas' em relação ao que acontece e se desvenda com o PT e, em grau mais remoto, o mau-aliado PSDB.
Vejamos... o PP e o PL têm uma formação original mais à direita que o PFL em alguns estados, mesmo hoje.
No entanto, são aliados de um governo de esquerda.
Seria ingenuidade confundir o PFL (ou o PSDB) como a oposição de direita, sabendo que existem partidos de formação mais conservadora junto com o governo, servindo-se dele.
O que seriam o PP e o PL? Centro? Jamais... são (como boa parte do PMDB, PFL e PTB) a política tradicional, que não tem ideologia nenhuma.
Não pode ser esquerda e nem direita.
Claro que o PL foi, na década de 80 e início da década de 90, uma autêntica tentativa de se criar um partido de ideário liberal no país, uma direita legítima.
Seu auge foi na campanha de Afif Domingos, em 1989, igualmente bombardeado pelo PT, PSDB e Collor, cujas candidaturas cotejavam o pensamento de esquerda, já forte no eleitorado juvenil naqueles anos.
No entanto, após a morte de Alvaro Valle, o PL perdeu completamente as suas características, passando para o controle de oportunistas (Costa Netto, José Alencar) ou para expressão eleitoral da Igreja Universal, que nunca teve qualquer vínculo com a direita.
Pelo contrário, representava um novo clientelismo, que aliava a representação puramente religiosa com um programa político nulo.
Apoiaram o PT, e estão corretos os que acham que só dinheiro possa ter influenciado isso.
Só que uma direita verdadeira jamais apoiaria a esquerda por dinheiro (assim como a esquerda não faria o mesmo).
Esses aliados de hoje (PMDB, PL, PP) cumprem pateticamente o papel de "inocentes úteis" da doutrina de conspiração comunista.
O Bernardo também foi muito feliz em conceituar o caráter socialista do nazismo.
Não há dúvidas: o nazismo jamais negou suas concepções socialistas, tanto na prática quanto na teoria, e decidam vocês se essa identificação é suficiente para identificá-lo como esquerda.
Evidentemente, o nazismo jamais foi marxista. Muito pelo contrário, identificava (como era muito comum na época) o comunismo com o judaísmo, e pregava pela liquidação violenta da raça de onde aquele surgira.
Em sua época, o nazismo apresentou-se como a primeira alternativa de "terceira via" para o mundo contemporâneo (uma concepção de centro, portanto).
Considerando como uma via o capitalismo liberal (individualista e anglo-saxônico), e a outra o comunismo judaico, o nazismo propunha-se a derrubar ambas, apresentando um projeto econômico de intervencionismo parcial.
Contudo, após décadas de uma idéia fixa que localiza o nazismo apenas como um extremismo, seria impossível entender seu projeto como um protótipo da "terceira via" (que seria restaurada, no pós-guerra, pelos social-democratas).
Sim, o nazismo era extremista enquanto terrorista e partidário da autoridade ilimitada, mas seu projeto estava situada bem no "meio-termo" entre a economia liberal e a estatização comunista.
O mesmo poderia ser dito de outros regimes que acabaram se alinhando politicamente com o nazismo, como as versões política do catolicismo militante (Portugal, Áustria, Hungria, Espanha), mesmo que seu modelo de organização estatal se aproximasse mais do fascismo italiano (que foi, talvez, o mais autêntico socialismo de direita).
Não é a toa que alguns desses regimes procuraram se libertar da tutela alemã quando o nazismo implantou um terrorismo de guerra.
Não me parece que o nazismo pregasse um tipo de interferência parcial que se situasse entre o capitalismo liberal e o socialismo soviético. Ludwig von Mises diz o seguinte no Ação Humana (p. 690-91): "A propriedade privada dos meios de produção é a instituição fundamental da economia de mercado. É a instituição cuja existência caracteriza a economia de mercado. Onde não há propriedade privada dos meios de produção não há economia de mercado.
Propriedade significa o poder de desfrutar de todos os serviços que um bem possa proporcionar. Essa noção CATALÁCTICA de direito de propriedade não deve ser confundida com a sua definição LEGAL, conforme consta das leis dos vários países. (...) Entretanto, hoje em dia, existe uma tendência a abolir a instituição da propriedade privada através de uma mudança nas leis que definem o âmbito das ações que um proprietário tem o direito de empreender coom as cooisas que são de sua propriedade. Embora mantendo a EXPRESSÃO propriedade privada, essas reformas visam a substituir a propriedade privada pela propriedade pública. Essa tendência é o traço característico dos planos das várias escolas de socialismo cristão e de socialismo nacionalista. Poucos adeptos dessas escolas foram tão lúcidos quanto o filósofo NAZISTA Othmar Spann ao enunciar explicitamente que a implementação de seus planos resultaria numa situação em que a instituição da propriedade privada seria preservada apenas num 'sentido formal, enquanto de fato haveria apenas propriedade pública' [nota citando a fonte]".
Não há meio-termo algum aqui. É coletivização pura e simples. Só não é ao estilo soviético. Mas e daí? Dizer que é meio-termo seria mais ou menos dizer que o terrorismo islâmico é um meio termo entre o pacifismo e o terrorismo comunista.
Mises ainda diz mais: "The philosophy of the Nazis, the German National Socialist Labour Party, is the purest and most consistent manifestation of the anticapitalistic and socialistic spirit of our age. Its essential ideas are not German or "Aryan" in origin, nor are they ..
nor are they peculiar to the present day Germans. In the genealogical tree of the Nazi doctrine such Latins as Sismondi and Georges Sorel, and such Anglo-Saxons as Carlyle, Ruskin and Houston Stewart Chamberlain, were more conspicuous than any German. Even the best known ideological attire of Nazism, the fable of superiority of the Aryan master race, was not of German provenance; its author was a Frenchman, Gobineau. Germans of Jewish descent, like Lassalle, Lasson, Stahl and Walter Rathenaus, contributed more to the essential tenets of Nazism than such men as Sombart, Spann and Ferdinand Fried. The slogan into which the Nazis condensed their ECONOMIC philosophy, viz., Gemeinnutz geht vor Eigennuz (i.e., the COMMONWEAL ranks ABOVE PRIVATE profit), is likewise the idea underlying the American New Deal and the Soviet management of economic affairs. It implies that profit-seeking business harms the vital interests of the immense majority, and that it is the sacred duty of popular government to prevent the emergence of profits by public control of production and distribution.
The only specifically German ingredient in Nazism was its atriving after the conquest of Lebensraum. And this, too, was an outcome of their agreement with the ideas guiding the policies of the most influentia political parties of all other countries. These parties proclaim inome equality as the mais thing. The Nazis do the same. What characterizes the Nazis is the fact that thaey are not prepared to acquiesce in a state of affairs in which the Germans are doomed forever to be "imprisioned", as they say, in a comparatively small and overpopulated area in which the productivity of labour must be smaller than in the comparatively underpopulated countries, which are better endowed with natural resources and capital goods. They aim at a fairer distribution of earth´s natura resources. As a "have-not" nation they look at the wealth of the richer nations with the same feelings with which many people in the Western countries look at the higher ...
higher incomes of some of their country-men. The "progressives" in the Anglo-Saxon countries assert that "liberty is not worth having" for those who are wronged by the comparative smallness of their incomes. The Nazid say the same with regard to international relations. In their opinion the only freedom that matters is Nahrungsfreiheit (viz., freedom from importing food). They aim at the acquisition of a territory so large and rich in natural resources that they could live in economic self-sufficiency at a standard not lower than that of any other nation. They consider themselves as revolutionaries fighting for their inalienable natural right against the vested interests of a host of reactionary nations.
It is easy for economists to explode the fallacies involved in the Nazi dosctrines. But those who disparage economics as "orthodox and reactionary", and fanatically suppport the spurious creed of socialism and economic nationalism, were at a loss to refute them. For Nazism was nothing but the logical application of their own tenets to the particular conditions of comparatively overpopulated Germany.
For more than seventy years the German professors of political science, history, law, geography and philosopht eagerly imbued their disciples with a hysterical hatred of capitalism, and preached the war of "liberation" against the capitalistic West. The German "socialists of the chair", much admired in all foreign countries, were the pacemakers of the two World Wars. At the turn of the century the immense majority of the Germans were already radical supporters of socialism and agressive nationalism. They were then already firmly committed to the principles of Nazism. What was lacking and was added later was only a new term to signify their doctrine.
When the Soviet policies of mass extermination of all dissenters and of ruthless violence removed the innhibitions against wholesale murder, which still troubled some of the Germans, nothing could any longer stop the advance of Nazism.
The Nazis were quick to adopt the Soviet methods. They imported from Russia: the one-party system and the pre-eminence of the party in polical life; the paramount position assigned to the secret police; the concentration camps; the administrative execution or impprisonment of methods of propaganda, the organization os affiliated parties abroad and their employment for fighting their domestic governments and espionage and sabotage; the use of the diplomatic and consular service for fomenting revolution; and many other things besides. There were NOWHERE more docile DISCIPLES of Lenin, Trotsky and Stalin than the Nazis were.
Hitler was nor the fouder of Nazism; he was its product. (...) He was a maniac obsessed by megalomania. But learned professors nourished his sel-conceit. Werner Sombart [aquele que Engels disse ser o único que compreendeu o pensamento dele e de Marx na Alemanha], who once had boasted that his life was devoted to the task of fighting for the ideas of Marx [citação da fonte], Sombart, whom the American Economic Association had elected to Honorary membership and many non-German universities to honorary degrees, candidly declared that Führertum means a permanent revelation and that the Führer received his orders directly from God, the supreme Führer of the Universe [citação de fonte].
The Nazi plan was MORE comprehensive adn therefore more pernicious than that of the Marxians. It aimed at abolishing laissez-faire not only in the production of material goods, but no less in the production of men. The Führer was not onlu the general manager of all industries; he was also the general manager of the breedinf-farm intent upon rearing superior men and eliminating inferior stock. A grandiose scheme of eugenics was to be put into effect accoring to "scientific" principles". (Mises, Socialism, pp. 528-31)
Vemos, então, que nazismo era uma expressão ainda mais radical do socialismo do que o comunismo soviético, embora tivesse adotado os mesmos métodos daquele, bebesse das mesmas fontes (vide os professores alemães, sobretudo Sombart) e dava um passo adiante, pois não só a economia era TOTALMENTE planejada, como também o resto da vida, inclusive a produção específica de homens mais fortes. Curiosamente, Trotsky, na última página do Literature and Revolution (ou é o contrário, Revolution and Literature?), dizia que no socialismo os homens seriam mais fortes, com vozes mellhores, mais artísticos, mais harmoniosos etc., e terminava dizendo que o homem comum no socialismo teria o intelecto comparável ao de Aristóteles, Goethe e Marx...
Quanto à perseguição dos judeus, isso era sobretudo pela identificação deles com o capitalismo. Os judeus eram os donos dos bancos (lembre-se da inflação...), eram os donos das maiores empresas privadas, eram os indivíduos que exaltavam a poupança e investimento etc. Até hoje a identificação maior do judeus é com o capitalismo.
Tanto é assim que Mises chega a dizer em um livro que, quando ainda estava na Áustria, as pessoas passavam a identificar os judeus como sendo os burgueses. E nem é preciso dizer quem eram os grandes inimigos dos comunistas, né?
A anti-olavete sumiu? Não participam de discussões em que não hajam xingamentos? Se tiver desistido de discutir, só espero que tenha sido para refletir, e não para buscar o "falatório desenraizados" que se encontram em certas frenquentações orkutianas.
Acontece que o socialismo precede ao marxismo. Também é mais amplo.
Se fizeremos uma análise cuidadosa do pensamento de autores como Louis Blanc, Proudhon ou Sorel, veremos que seu ideário, em alguns pontos, está mais próximo do fascismo que do socialismo marxista ou do anarquismo.
Também veremos que expressaram uma utopia das classes trabalhadoras em torno de uma intervenção emergencial cuja utopia poderia ser encontrada tanto na ação do Estado quanto em uma associação livre de trabalhadores, jamais na organização de um partido disciplinado e ramificado.
Eu não seria tolo de fazer uma ligação intelectual desses pensadores mais remotos com os ideólogos do nazi-fascismo, mas isso explica em parte que muitos ex-socialistas e ex-comunistas sentiram-se atraídos pelo fascismo.
O socialismo e o socialismo marxista tinham, é claro, elementos em comum, em particular, o combate ao cristianismo (que precede à utopia de igualdade social), mas foi o marxismo que catalizou essa revolta (mais cultural que econômica) em um movimento organizado em escala mundial e que, por algum motivo, atraiu e atrai a nata da intelectualidade artística em todas as partes do planeta.
(não acredito, como Olavo, que isso seja o fruto de indução artificial, mas é um dos raros pontos de divergência com o filósofo).
Na realidade, o socialismo marxista (após liquidar, primeiro, com os anarquistas e blanquistas) disputou com os herdeiros ilegítimos do socialismo não-marxista (ou seja, os fascistas) para ver qual seria o opositor principal do capitalismo liberal (odiado em todo o mundo por ter dado certo somente em países anglo-saxônicos).
Você tem razão. O nome do partido pode por vezes designar corretamente o que ele representa e por vezes não. Isso parece estar ligado ao desenvolvimento das organizações políticas. Veja o caso do Partido Liberal, no Brasil, que, quando surgiu, prometia ser uma alternativa de fato liberal, mas que passou a ser o partido de um conjunto de oportunistas (Costa Neto, José Alencar) e do pessoal da Igreja Universal.
Mas o fato é que os nazistas eram, efetivamente, socialistas. Não só pelo nome, mas pela prática, pelos discursos, pelas fontes ideológicas e pelos métodos importados da URSS.
em que surgiu o nazismo: a necessidade de recuperação da economia alemã após a 1a Guerra Mundial, além das pesadas indenizaçõres pagas às custas da miséria do povo.
Foi necessária a intervenção do estado para isso, assim como ocorreu na América após a crise de 1929.
Diversas empresas privadas alemãs suportaram a Segunda Guerra Mundial.
Não se sabe o que ocorreria após uma vitória alemã, se haveria ou não uma tendência para uma maior estatização.
Concordo inteiramente com você em sua resposta à Fabiola.
E, Fabíola, eu gostaria muito de discutir alguns dos ítens que não foram contestados em sua lista - mas como já fiz isso em outros lugares e outras ocasiões, vou apenas mandar os links, pra não ter que escrever tudo de novo:
[url]/CommMsgs.aspx?cmm=775794&tid=10923585&na=2&nst=81[/url] (para o tema "nazismo é uma forma de esquerdismo");
- o tópico (aqui mesmo) "Refute Olavo de Carvalho" discutiu evolucionismo e neurologia - dá uma olhada lá, pois essa foi uma discussão que inclusive contou com a (sempre brilhante) participação do Caio Rossi. Foi uma discussão muito boa.
E qual era a crença daquela época? O capitalismo não funciona; portanto, é preciso que ocorra planejamento de toda economia, i.e., é necessário o socialismo. Atentar para o contexto é mostrar precisamente que o nazismo era uma forma de socialismo, não de capitalismo, pois ninguém tava ligando muito para este, enquanto que a URSS fazia propaganda do seu suposto progresso econômico.
Mas você errou feio ao dizer que era necessária a intervenção estatal naquele contexto. Uma coisa é dizer que a percepção da maioria das pessoas ia nessa direção; outra coisa, bem diferente, é dizer que essa percepção estava certa.
Primeiro, a crise de 1929 foi criada a partir de um conjunto de medidas intervencionistas, sobretudo a expansão da base monetária (inflação) durante a década de 1920. Além disso, diversas regulamentações surgiram no mercado de trabalho, o que prejudicava a flexibilidade de preços e o ajuste do emprego de bens de capital - aumentava a proporção de capital inconversível.
As medidas (keynesianas) do Estado foram tão eficientes, que a taxa de desemprego ainda estava na casa dos 20% em 1936. Até o começo da década de 1940, o produto americano ainda estava abaixo dos níveis de 1929...
boa parte do capital alemão estava na mão dos judeus. Hitler então confiscou os bens deles para reconstruir a Alemanha e dar vazão ao seu antisemitismo paranóico.
Não adianta discutir a realidade somente em termos políticos. É preciso considerar a economia, a história, a cultura, a sociedade, a educação, as relações com outros países, a religião, etc. Estes campo podem estar entrelaçados, mas somente bla, bla político não diz tudo.
E o que eu fiz ao citar o desenvolvimento do pensamento acadêmico alemão do final do século XIX, se não falar no ambiente cultural? E o que significa dizer que a partir de 1936 os preços na economia alemã eram determinados pelo Estado, se não apontar o aspecto econômico mais relevante, que é o controle de fato da propriedade dos meios de produção?
Aliás, dizer que "boa parte do capital" estava nas mãos dos judeus é precisamente reforçar o meu argumento (seguindo Mises) de que, pelo menos em parte, os judeus eram identificados como sendo os burgueses, que são vistos pelos socialistas como os exploradores que devem ser eliminados. Ou seja, além de se coadunar com a teoria marxista de luta de classes (mas seria agora uma luta de raças), associação também seria com relação às classes mesmas: os arianos, os puros alemães explorados pelo capitalismo, representado pela burguesia judia.
Confesso que raramente entro nessa comuna aqui (por motivos óbvios..)
Resolvi dar uma passadinha hj e acabei me divertindo a beça com os "argumentos" que as olavetes aqui usam pra tentar explicar as baboseiras do "mestre"
Realmente hilário!
Continuem aí tentando explicar o inexplicável que qq dia eu volto pra me divertir mais um pouquinho tá?
Explicar o inexplicável?? Em que parte?
Na demonstração de que o nazismo era socialista? Na demonstração de que Olavo não afirmou que o homem não precisa de cérebro? No argumento que eu mostrei que você não compreendeu a crítica do Olavo a Cantor? De que o FMI é criação de Lord Keynes, que é o guru dos economistas de esquerda modernos?
Você colocou aquelas questões e eu respondi ponto por ponto. Agora você tem que concordar com a minha análise ou mostrar que ela está errada. Você não faz uma coisa nem outra.
Mais do que isso: eu pedi que você apontasse em quais textos você pegou as idéias sobre a "conspiração" internacional comunista e que o ativismo gay é parte dela. Qual é o artigo ou o livro? Quando Olavo disse que as análises dele partem da idéia de conspiração? Quando o Olavo afirmou (isso é diferente de demonstrar ceticismo e citar um autor da área) que o homem pode viver sem ter cérebro? Em qual texto?
Vai responder e debater seriamente ou vai correr?