Sentença abre crise com militares
Vasconcelo Quadros
BRASÍLIA.A sentença da juíza da 1ª Vara Federal Solange Salgado, que mandou investigar em 120 dias o paradeiro dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, aflorou uma crise latente entre o governo e a área militar. A decisão do governo, anunciada na última semana, de cumprir, sem hesitação, a decisão da Justiça, que determinou ainda a tomada de depoimento, pelas autoridades, dos militares que participaram dos confrontos mais sangrentos, caiu como uma bomba na caserna. Oficiais que participaram da caçada aos guerrilheiros do PC do B no Araguaia se recusam a colaborar com o governo Lula na localização dos restos mortais dos 58 ativistas que desapareceram entre 1972 e 1975. A reação é feroz.
- Se baterem na minha porta com um martelo, passo fogo. Respondo à bala - diz o coronel Lício Ribeiro Maciel, um dos oficiais da linha de frente da repressão, responsável pela prisão e morte de vários ativistas do PC do B na região do Araguaia.
Temendo mexer ainda mais no vespeiro, as principais autoridades, que na semana passada tomaram a decisão de não recorrer da sentença, refugiaram-se no silêncio e adotaram uma espécie de jogo de empurra. O ministro Nelson Jobim, da Defesa, afirmou que o problema seria do Advogado-Geral da União, José Dias Toffoli, que, por sua vez, não falou sobre o assunto. O caldo, no entanto, já está entornado. Lício anunciou que entrará com um mandado de segurança na Justiça e que será o precursor de uma onda de recursos contra a sentença da juíza. Entre os militares da ativa, e mesmo aqueles que estão no governo, a decisão pelo cumprimento da ordem judicial também não foi bem digerida. Por isso, a ordem no Planalto era a de tratar o assunto com o devido cuidado.
Vasconcelo Quadros
BRASÍLIA.A sentença da juíza da 1ª Vara Federal Solange Salgado, que mandou investigar em 120 dias o paradeiro dos guerrilheiros desaparecidos no Araguaia, aflorou uma crise latente entre o governo e a área militar. A decisão do governo, anunciada na última semana, de cumprir, sem hesitação, a decisão da Justiça, que determinou ainda a tomada de depoimento, pelas autoridades, dos militares que participaram dos confrontos mais sangrentos, caiu como uma bomba na caserna. Oficiais que participaram da caçada aos guerrilheiros do PC do B no Araguaia se recusam a colaborar com o governo Lula na localização dos restos mortais dos 58 ativistas que desapareceram entre 1972 e 1975. A reação é feroz.
- Se baterem na minha porta com um martelo, passo fogo. Respondo à bala - diz o coronel Lício Ribeiro Maciel, um dos oficiais da linha de frente da repressão, responsável pela prisão e morte de vários ativistas do PC do B na região do Araguaia.
Temendo mexer ainda mais no vespeiro, as principais autoridades, que na semana passada tomaram a decisão de não recorrer da sentença, refugiaram-se no silêncio e adotaram uma espécie de jogo de empurra. O ministro Nelson Jobim, da Defesa, afirmou que o problema seria do Advogado-Geral da União, José Dias Toffoli, que, por sua vez, não falou sobre o assunto. O caldo, no entanto, já está entornado. Lício anunciou que entrará com um mandado de segurança na Justiça e que será o precursor de uma onda de recursos contra a sentença da juíza. Entre os militares da ativa, e mesmo aqueles que estão no governo, a decisão pelo cumprimento da ordem judicial também não foi bem digerida. Por isso, a ordem no Planalto era a de tratar o assunto com o devido cuidado.