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"Os brasileiros vivem citando Fernando Pessoa"

Iniciado por carlos_14 em 28/09/2007 · 26 mensagens

carlos_14#1
"Os brasileiros vivem citando Fernando Pessoa, mas não tiram de um de seus versos a conclusão mais necessária e urgente: Nada vale a pena quando a alma é pequena"- Olavo de Carvalho. O problema é que conheço um bando de esquerdistas que adoram recitar Fernando Pessoa, mas se esquecem de declarar esse poema da autoria do mesmo:

Ontem o pregador de verdades dele (Alberto Caeiro)

Ontem o pregador de verdades dele
Falou outra vez comigo.
Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se.

Que feliz deve ser quem pode pensar na infelicidade dos outros!
Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é deles.
E não se cura de fora,
Porque sofrer não é ter falta de tinta
Ou o caixote não ter aros de ferro!

Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.

Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto - eu, que as vou comer a ambas?
de_orkut#2
MEstre Caieor tem outros poemas muito mais avessos à doutrina comunista.
selma#3
mas dizem que era de seitas esquisitas também.
de_orkut#4
a terceira pessoa do plural no português do brasil se tornou Pronome Infedinidor. "Eles", eles quem?
uriel#5
.

Ontem à tarde um homem das cidades
Falava à porta da estalagem.
Falava comigo também.
Falava da justiça e da luta para haver justiça
E dos operários que sofrem,
E do trabalho constante, e dos que têm fome,
E dos ricos, que só têm costas para isso.

E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos
E sorriu com agrado, julgando que eu sentia
O ódio que ele sentia, e a compaixão
Que ele dizia que sentia.

- O Guardador de Rebanhos, XXXII
(FERNANDO PESSOA)
fillipe#6
Mestre Pessoa.
jliopaulo#7
Gosto mais do Mensagem e das odes de Ricardo Reis...
selma#8
MAR PORTUGUEZ

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão resaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,

Mas nelle é que espelhou o céu.
inocncio#9
Muito bom. Não conhecia esses versos.
inocncio#10
Bravo !
marcio_2#11
Falas da civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te queria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam diferentes: eis tudo.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
carlos_14#12
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
uriel#13
.

me parece que esse é outro poema do F.P. Uma variação sobre o mesmo tema.

"Ontem o pregador de verdades dele/Falou outra vez comigo."

e já se nota nos primeiros versos a atitude meio debochada de Caeiro, com a alusão à inveja:

"Falou do sofrimento das classes que trabalham
(Não do das pessoas que sofrem, que é afinal quem sofre).
Falou da injustiça de uns terem dinheiro,
E de outros terem fome, que não sei se é fome de comer,
Ou se é só fome da sobremesa alheia
.
Falou de tudo quanto pudesse fazê-lo zangar-se."

mas realmente logo em seguida Caeiro afirma:

"Haver injustiça é como haver morte.
Eu nunca daria um passo para alterar
Aquilo a que chamam a injustiça do mundo
.
Mil passos que desse para isso
Eram só mil passos.
Aceito a injustiça como aceito uma pedra não ser redonda,
E um sobreiro não ter nascido pinheiro ou carvalho.

Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais.
Para qual fui injusto - eu, que as vou comer a ambas?"

no poema incompleto isso fica de fora.
diego_5#14
Entre os vários preconceitos que formam a única bagagem literária…

Entre os vários preconceitos que formam a única bagagem literária com que os nossos “críticos” vão de viagem para Santarém (um conhecido provérbio ali os espera), o mais singular e inexplicável é aquele que consiste em confundir cultura com erudição. É frequente apanhar os nossos pensadores de jornal em flagrante delito de afirmações como esta — que tal criatura é culta porque tem lido muito, porque sabe muito, porque compulsou, assimilando, uma grande paginaria de livros.

Ao contrário dos preconceitos da plebe legítima, que muitas vezes têm uma haste de observação, os dogmas da plebe intelectual são falsos em todo o seu comprimento. Este, que acabo de citar, é um dos mais falsos. Porque não só erudição e cultura não são a mesma coisa, como, até, são coisas opostas. Não vão julgar, decerto, que a minha explicação vai ser que é erudito quem leu sem combinar o que leu, e culto quem lê aproveitando. Eu nunca dou explicações que se possam prever; se assim fosse, valer-me-ia a pena dá-las?
diego_5#15
A diferença entre culto e erudito é que, quem é erudito torna-se erudito, e quem é culto nasce culto. Nascitur, non fit é verdade do homem culto como do poeta. Porque a cultura, mais do que uma mobilição do espírito, é uma atitude dele. E essa atitude, quando se não nasce com ela, é escusado tentar adquiri-la. No seu ensaio sobre Shakespeare, o crítico inglês Walter Bagehot encontra no poeta uma faculdade proeminente, a que, de acordo com a tendência inglesa para [...], define a faculdade de experienciar. Desculpe-se a tradução que faço; outro termo, já feito, não conviria. Shakespeare, opina Bagehot, tinha a faculdade primacial de tirar de tudo quanto via ou lia, de tudo a quanto assistia, elementos de originalização; a isso chama Bagehot a faculdade de experienciar. Em contraste, ele aduz Guizot e Macaulay, os quais, leitores assíduos, políticos assíduos, não colheram, porém, da sua experiência das duas vidas outro ensinamento do que ensinamento nenhum.

Sou eu, porém, e não Bagehot — não vá a malevolência do leitor sorrir que eu adapto e traduzo o que vou teorizando — que faço a distinção entre culto e erudito. Homem culto é aquele que, de tudo a que assiste aumenta, não os seus conhecimentos, mas o seu estado de alma. O erudito lê e fica sabendo; quanto mais lê, mais fica sabendo. O homem culto, em geral, quanto mais lê de menos fica certo. A segurança e a confiança são atributos finais da erudição — como o cepticismo e a hesitação apanágio extremo da cultura. Uma erudição de lombada, como dizem os parvos, serve de mais a um culto, que uma leitura de miolo a um erudito. Um título pode fazer colher mais de toda a obra — dado que a alma nasça ceifeira — do que a leitura de toda ela. Nós não temos homens cultos; temos eruditos apenas. Ou, antes, os homens cultos que temos são homens de génio, o que é de mais para um povo tão pequeno.
diego_5#16
Julgarão talvez que confundo culto com inteligente. Seria um erro julgar tal coisa. Eu nunca confundo nada. O homem inteligente é o que com facilidade tira conclusões do que lê ouve; o homem culto é o que, naturalmente, sente e não tira conclusões, ou as tira, conforme calha ao seu feitio do momento.

Vem tudo a propósito de chegar a dizer qual é a tragédia de Portugal. É a de que, tendo vários eruditos, e muita gente inteligente, pouquíssima gente temos que seja culta. Vejam quanta criatura, quando lhe apresentam qualquer coisa de novo, procura compreender. Um homem culto procura sentir. Perceber envolve um esforço. Sentir envolve uma passividade deliciosa. O feitio enérgico, violento, pouco indolente do português leva-o para a acção precipitadamente. A ciência da inacção, a mais civilizada das ciências, pouco está desenvolvida entre nós. A nossa tendência para agir ficou-nos, como uma maldição, da aventura das descobertas. Expiamos a glória dos nossos maiores na doentia preocupação do útil.
marcos_11#17
Gosto dessas quadras, também em MENSAGEM - D. SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

"Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?"

Nelas, assim como em outras, Pessoa revela sua admiração pela figura de D. Sebastião. Com efeito, sua obra está repassada de sebastianismo.

Quando a gente fala para um desses comunas que o Pessoa apoiava o Salazar, eles desconversam e dizem que é especulação. Mas muitos deles também gostam do Nelson Rodrigues e esse eles não têm como negar que era de direita. As vezes até os comunas têm que se curvar diante da genialidade, mesmo não sendo de gente da tribo deles.
priscila#18
...até porque NUNCA é de gente da tribo deles! 😄!
cleomar#19
Gostaria que o pessoal da comu desse opinião sobre isso:[/olive
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Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas e, sobretudo, à Igreja Católica. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação direta de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da Ordem dos Templários de Portugal.

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação


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E agora?? O sujeito era ANTI-CATÓLICO !1??

Devo confiar na fonte da afirmação ,ou tem um pouco de verdade aí?

Outra coisa esquisita,a fonte afirma que ele tinha contato com aleister crowley ,uma espécie de ocultista que muitos afirmam ser na verdade um satanista declarado.
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http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa
cleomar#20
Um neo ateu militante citou uma frase de fernando pessoa em uma comu de debates que participo,o objetivo era ownar o pensamento Teísta .

Então eu resolvi averiguar a biografia do cara e encontrei essas coisas MUITO INTERESSANTES.
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(Não precisa ser muito esperto pra notar que o cara cometeu um FAIL por desconhecer as coisas que cita por aí,como todo neo ateu burro isso é normal.)
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Fernando Pessoa era anti esquerda total,porém um ocultista gnóstico.
pedro_9#21
Carta a Sá-Carneiro:

"A possibilidade de que ali, na Teosofia, esteja a verdade real me «hante». Não me julgue V. a caminho da loucura creio que não estou. Isto é uma crise grave de um espírito felizmente capaz de ter crises desta. Ora, se V. meditar que a Teosofia é um sistema ultracristão—no sentido de conter os princípios cristãos elevados a um ponto onde se fundem não sei em que além-Deus — e pensar no que há de fundamentalmente incompatível com o meu paganismo essencial, V. terá o primeiro elemento grave que se acrescentou à minha crise.

Se, depois, reparar em que a Teosofia, porque admite todas as religiões, tem um carácter inteiramente parecido com o do paganismo, que admite no seu Panteão todos os deuses, V. terá o segundo elemento da minha grave crise de alma. A Teosofia apavora-me pelo seu mistério e pela sua grandeza ocultista, repugna-me pelo seu humanitarismo e apostolismo (V. compreende?) essenciais, atrai-me por se parecer tanto com um «paganismo transcendental» (é este o nome que eu dou ao modo de pensar a que havia chegado), repugna-me por se parecer tanto com o cristianismo, que não admito. E o horror e a atracção do abismo realizados no além-alma. Um pavor metafísico, meu querido Sá-Carneiro!"

http://multipessoa.net/labirinto/ocultismo/11
pedro_9#22
Afinal... O QUE ACONTECEU COM A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS??
pedro_24#23
Ele era teósofo, ver artigo
FERNANDO PESSOA - O Teósofo
http://www.helenablavatsky.com.br/site/index.php?opt…id=9&lang=pt
cleomar#24
Mas está muito interessante esse link acima! Um importante detalhe na vida de uma importante pessoa da teosofia (talvez a mais).Deixo aqui fragmentos interessantes REVELADORES do texto.

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Helena Blavatsky — a tradutora de A Voz da Silêncio — era filha do Cel. Peter Hahn e neta do Gen. Alexis Hahn de Rottenstein, nobre família russa.
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A Teosofia é um conjunto de conhecimentos provindos da mais remota antigüidade. A palavra Teosofia vem da fusão de duas palavras gregas: Theos — que significa Deus, e Sophia — Sabedoria. Portanto, etimologicamente falando, Teosofia é Sabedoria Divina.
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A Teosofia constitui assim a base comum, o ponto de encontro de todas as Ciências, Filosofias e Religiões. Segundo afirma Jung
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Tem mais...
cleomar#25
Nesse trecho temos REVELADO um FRANCO ATAQUE à posição Cristã sobre a existência.Alguém me corrige se eu estiver errado(grafia também por favor),mas o ARISTOTELISMO é algo presente no pensar Católico,não é? .

Pois é justamente o que esse negócio de teosofia ataca de frente.:


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É significativo que, em 1888, justamente no ano do nascimento de Fernando Pessoa, Helena Petrovna Blavatsky apresentasse ao mundo a monumental Obra — A Doutrina Secreta (3) — onde era formulada a Teosofia. O impacto produzido por esse livro pode ser medido pela montanha de calúnias que sua autora teve de suportar. Charlatã, vigarista, mistificadora, foram alguns dos dardos que recebeu. A reação violenta partia do colonialismo que caracterizava o século XIX, procurando imobilizar todos aqueles que ousavam exaltar a importância da cultura tradicional da Índia.
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"Há um poderoso e organizado sistema, com enorme riqueza por trás, baseado em moldes pré-aristotélicos e aristotélicos de avaliação, mantendo a humanidade presa a ilusórios estados semânticos. Seus membros fazem tudo para manter escrava a insana humanidade distante da realidade, em vez de a auxiliarem na revisão dos modelos aristotélicos de avaliação, reorganizando as horríveis realidades de nossa própria fabricação em realidades menos dolorosas". A Teosofia, por seu característico não-aristotélico, apelando para a intuição e faculdades não-racionais do homem, teria de provocar um tremendo choque nos padrões preestabelecidos dos que tentavam manter posições político-econômicas.
pedro_9#26
Adoradores do Diabo, pulhas! TODOS os grandes metafísicos respeitavam Aristóteles. Plotino usava seus conceitos, e Proclo o considerava semi-divino. O problema é que Aristóteles se mantém no âmbito racional, em que a "realidade" se encontra sobretudo nos indivíduos. Na legítima Gnose, que esses teósofos vêm prostituindo há duzentos anos, a realidade individual é integrada a "modelos" ideais que estão ACIMA dos poderes da razão discursiva e só podem ser vislumbrados por meio da intuição INTELECTUAL. Essa intuição não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com instinto ou imaginação, e na verdade ela supõe a razão e a reforça. Quando os ilustres teosofistas vão entender isso? Talvez, quando pararem de confundir as lâmpadas de neon do demônio com a Luz da Graça.

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