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Palavras de F.W.Schelling

Iniciado por ricardo_15 em 30/09/2007 · 1 mensagem

ricardo_15#1
"A mitologia nada mais é que o universo em traje superior, em sua figura absoluta, o verdadeiro universo em si, imagem da vida e do maravilhoso caos na imaginação divina, ela mesma já poesia e, no entanto, por si novamente matéria e elemento da poesia. Ela (a mitologia) é o mundo e, por assim dizer, o solo unicamente no qual podem medrar e subsistir as florações da arte."

"A matéria da mitologia grega era a natureza, a intuição total do universo como natureza; a matéria da mitologia cristã, a intuição total do universo como história, como um mundo da Providência. [...] O mundo moderno começa quando o homem se desprende da natureza, mas se sente abandonado, já que ainda não conhece outra terra natal. Onde um tal sentimento se difunde por toda uma geração, esta se volta, espontaneamente, ou compelida por um impulso interno, para o mundo do ideal, a fim de ali se estabelecer como em sua terra natal. Esse sentimento estava difundido pelo mundo, quando o cristianismo surgiu. A beleza da Grécia havia passado. Roma, que acumulara em si todo esplendor do mundo, jazia debaixo de sua própria grandeza; que se alcançasse a mais completa satisfação em tudo o que é objetivo acarretou, por si mesma, o fastio e a inclinação para o ideal"

Estas passagens foram extraídas do célebre curso de Filosofia da Arte, ministrado por F.W.Schelling no inverno dos anos de 1802-1803 em Jena e, posteriormente, em Wüzburg.

Quando as leio, me dá uma tristeza infinita saber que a universidade talvez jamais retorne a um patamar tão elevado de cultura e beleza. Que palavras como estas, em sua solenidade e nobre imponência, já não mais ressoam no recinto frio das salas de aula, vazias do espírito - do espírito que é a vida e a luz de toda cultura superior.

Mas, algo me consola: se o homem pôde subir tão alto e alcançar tamanha nobreza, então ele pode retornar a ela pelo esforço consciente da vontade. Eis a única esperança do mundo, a fugidia luz que deve animar-nos, oferecendo-nos a felicidade serena de uma vida inclinada ao "ideal"

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