Orthodox Christians can help rebuild East-West ties.
By Nicolai N. Petro
from the October 11, 2007 edition
Kazan, Russia - For decades, many social scientists had pretty much two things to say about Eastern Orthodox Christianity: 1) that like all religions, it was disappearing with the advance of modern civilization; 2) that it derived most of its support from the reactionary tides of authoritarianism and nationalism.
Those pronouncements are being proved wrong. Today, as in the parable of the prodigal son, throughout Eastern Europe people are returning to the Orthodox Church in droves, and the effect in the public sphere, contrary to most expectations, is quite benign.
Though historically viewed with suspicion by Catholic and Protestant Europe, Orthodox Christianity can actually help bridge the Russia-West gap.
At the heart of much of the miscommunication between Russia and Europe today lies the unacknowledged and untapped longing of Orthodox Christians to be recognized as part of a common European cultural family again. The latest effort to bridge this divide was Russian Orthodox Patriarch Alexei II's remarks in France, where he spoke poignantly of how the Christian identity Europeans historically share should promote dialogue on issues like human rights and peace, even with atheists and members of other faiths.
The patriarch was pointing out that, while they may differ on specific political issues today, a profound religious bond actually underpins Western and Eastern European cultural and political values. Sadly, this common bond is rarely mentioned, in either Russia or the West. Today's Slavophile Russian nationalists seem uncomfortable recalling that, despite his uncompromising critique of Western secularism, their avatar Fyodor Dostoyevsky always regarded Europe as Russia's "mother" civilization.
In the West, this oversight has more to do with the fact that Catholic and Protestant Christianity have so often denied an equal voice to those who disagreed with them. In both instances, Orthodox Christianity is seen as part of the problem in East-West relations, instead of part of the solution, as it should be.
Western suspicion of Eastern Orthodoxy can be traced back to before the Great Schism that divided the Christian Church in 1054. One hundred and fifty years later, it fueled the Crusaders' zeal for the sacking of Constantinople. In the 18th century, it became a main theme of Edward Gibbon's influential interpretation of the Roman Empire, which was later echoed in the writings of Oswald Spengler and Arnold Toynbee. And in modern times, Samuel Huntington, among others, has warned direly of the potential for clashes between "Slavic-Orthodox" civilization and the Catholic-Protestant West.
With the exception of Greece, this sad legacy has made Western Europeans notoriously slow to accept countries with large Orthodox populations into pan-European institutions. In the current expansion eastward, however, it is inevitable that the values and mores of European institutions and alliances will be shaped more and more by the traditionalist views of Orthodox Christian believers and less and less by the modern, secularized Protestant assumptions of Western European democracies. Orthodox believers already far outnumber Protestants across Europe, and by some estimates they may eventually even surpass Roman Catholics. If 21st-century Europe ever develops a religious complexion, it will be predominantly Eastern Orthodox.
In the long run, therefore, while the greatest challenge to Europe's cultural and political identity may come from the growth of Islam, its more immediate challenge is how to deal with some 40 million to 140 million Orthodox Christians who, when given a voice in European policymaking, will argue that churches should have a more prominent voice than heretofore in the shaping of social policy.
There are two ways of dealing with this challenge. One way is to stick to a narrow definition of "the West." Make modern-day secularism the gold standard of democracy and decry all challenges to secularism as examples of a "values gap" between East and West. This tried and true formula has the advantage of already being familiar, thanks to the cold war. Unfortunately, it is also a recipe for a conflict within European institutions. And, given the rapidly growing numbers, influence, and wealth of the Orthodox Churches of Eastern Europe, it is a conflict Western Europeans are likely to lose.
Another way is to expand the definition of what is "Western" through dialogue with Orthodox Christians. The goal of such a dialogue would be to stress the common roots that bind various religious traditions, to encourage models of tolerance that do not presume secularism, and the different ways to balance the disparate roles of church and state, while avoiding total estrangement of one from the other.
Such a dialogue would allow Europe to build a new foundation for East-West relations that is based on the common Greco-Roman and Christian heritages. Most important, it would promote a greater understanding in the West of the Orthodox churches' de facto role as the largest nongovernmental organization in Eastern Europe. In this capacity, they inspire the philanthropy, social welfare, and civic activism that help establish a healthy civil society.
It's time to rethink old assumptions about Orthodox believers and to tap the enormous contributions that they can make to the creation of a peaceful and prosperous continent.
Nicolai N. Petro is a professor of political science at the University of Rhode Island. This comment is based on the remarks he made to the fourth annual Valdai Discussion Club meeting in Kazan, Russia, on Sept. 11, 2007.
Não existe um "patriarca da igreja ortodoxa". Existem diversos patriarcas e haviam pelo menos dois papas. Depois que Roma separou-se, ficou apenas o Papa de Alexandria.
Quanto à Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, suas aventuras ecumênicas lhe tem custado muito de credibilidade no mundo ortodoxo. Diversos mosteiros já não celebram seu nome no Monte Athos e há quem diga que existem forças trabalhando para sua substituição o quanto antes.
O Patriarca mais influente atualmente, entretanto, é Sua Santidade Alexei II, Patriarca de Moscou que recentemente foi a mais forte voz do posicionamento cristão perante a comunidade européia, destacando com todas as letras que há momentos em que os "direitos" humanos são imorais. [url]/CommMsgs.aspx?cmm=140112&tid=2559106317147086905[/url]
como cada um de vocês enxerga a posição do outro? Um que aceita a hierarquia estabelecida e outro que a nega duramente, aceitando uma outra hierarquia em exílio.
(apaguei e re-postei para corrigir um erro de digitação)
O que eu acho, como convertido há 3 anos, é que em ambos os lados há piedade. Parece-me realmente perigosa a posição de condenar jurisdições inteiras pelos erros de hierarcas. Tenho certeza que mesmo em grupos menores existem autoridades referentes a esses grupos que têm ou tiveram ações condenáveis.
Essa certeza não vem de nenhum boato ou informação mas simples conhecimento da natureza humana. Se fossemos criar um grupo novo para cada pecado que víssemos nas lideranças de um grupo, acabaríamos sozinhos satanicamente iludidos de nossa própria perfeição.
Um alerta é que de dentre tais grupos de "verdadeira igreja ortodoxa" e variantes já ocorreram casos semelhantes e pelo menos um de um sujeito se declarar o "último bispo verdadeiramente cristão" na face da Terra o que é de uma megalomania incrível. Embora certamente a maioria das pessoas fiéis destes grupos não seja assim, é um vetor, uma direção, que deve fazer acender o sinal de alerta.
Alguns os consideram cismáticos. Não sei. Não sei porque dizer isso tão categoricamente me parece tão radical quanto a própria afirmação deles de que todas as jurisdições são hereges menos eles.
O ponto, ao meu ver é: as jurisdições tradicionais, por serem instituições flertam perigosamente com o secularismo e com o mundanismo. Correm o risco de transformar a Revelação do Deus Vivo em apenas um grupo ideológico, mero grupo de pressão por valores morais e culturais.
Embora isto seja importante, é muito aquém do que trata verdadeiramente a Vinda do Cristo e Seu papel salvífico em nossa vida. A civilização cristã inteira não vale a alma de uma só pessoa, menos ainda o sacríficio do Corpo Teantrópio de Cristo que é a Igreja. Civilizações são obras humanas ainda que inspiradas por Deus, e como tais, estão fadadas a morrerem e serem suplantadas cedo ou tarde.
A Igreja existiu antes da civilização cristã (na verdade a criou) e não necessita dela para existir. Se, como tememos, a presente civilização cair, outra se formará posteriormente caso o Juízo Final não venha antes.
Alguns hierarcas, não todos e até onde sei, não a maioria, nas jurisdições tradicionais, de fato a traíram e a traem. Outros caminham por uma trilha ambígua como os que o Rafael apontou. Se nada mais, estariam faltando com o mandamento de "seja seu falar sim, sim; não, não".
Por outro lado, grupos como o que o Rafael pertence, embora diagnosticando corretamente o perigo mencionado acima, parecem-me supervalorizá-lo. Qualquer grupo maior que poucas pessoas sofrerá de hipocrisia crônica quanto aos valores fundadores. Isso é motivo para valorizar a comunidade paroquial pequena, mas não para acusações. O risco, no caso deles, é o pecado da vaidade espiritual. Seus pronunciamentos, homilias e artigos são em maioria libelos e acusações contra as jurisdições estabelecidas. Onde a divulgação da Boa Nova, dos passos da ascese, da vida espiritual? Até existem, mas estão longe de ser o foco. São grupos que se definem pela oposição a algo e não pela afirmação.
Quanto a minha posição *pessoal* reconheço a sinceridade e piedade dos velho-calendaristas que rompem a comunhão por causa dos mundanismos de certos hierarcas. Reconheço também que jamais poderiam fazer as críticas que fazem desde dentro das jurisdições porque a hierarquia impediria. Entretanto, considerando minha presente condição existencial, recém-convertido, não me julgo apto a tecer ou subscrever condenações genéricas e amplas como eles fazem. *Eu* tenho muito o que aprender ainda antes de condenar meus professores. Sou um pirralho na vida espiritual e, vindo de mim, seria irresponsável fazer isso. No momento, parece-me apenas que aplicam uma dose exagerada do remédio e correm sério risco de orgulho espiritual com tal posição de perene acusação. Como eu mesmo sou vítima de arrogância e orgulho sistemáticos, tudo que eu não preciso é cultivar tais sentimentos.
Ademais, parece-me que se os mencionados hierarcas cruzarem a linha e tentarem vender a Ortodoxia para o mundanismo europeu e da nova ordem mundial como parecem tentados a fazer, teremos simplesmente uma nova Florença, na qual falsos líderes revelam sua verdadeira face e acabam abandonados pela Igreja. Os fiéis *também* são sacerdotes e "reinantes" da Igreja. Nosso respeito e obediência à hierarquia não são absolutos e nunca a Igreja - que não são os patriarcas e bispos exclusivamente - se venderá ainda que altas posições o façam porque "as portas do Inferno não prevalecerão sobre ela". Por isso fico em uma jurisdição tradicional com fé e esperança na promessa do Cristo.
Creio, por fim, necessário fazer um adendo. Ressalte-se que no mundo ortodoxo, diferente do ocidente, quando um grupo se separa do corpo principal, quase nunca é por tendências "progressistas" criticando o "atraso" da Igreja. Ao contrário, são grupos que consideram o corpo principal excessivamente progressista e eles mesmo mais tradicionalistas. São pouquíssimos os grupos que se separam para "se adaptar ao mundo moderno" e muitos mais os que se separam para "resistir mais perfeitamente" ao mundo moderno.
Isto é uma das características que deveriam chamar nossa atenção para a mentalidade ortodoxa de forma geral e porque ela é uma esperança de reavivamento do Cristianismo para nós ocidentais. Se existe algo "cultural" de relevo na sociedade ortodoxa é precisamente o "desconfiômentro" com "modernismos" e "progressismos". São povos que não falam de comunismo como uma teoria. Eles o viveram e sabem bem do que se trata toda essa conversa de "outro mundo possível" e etc. Embora tenham caracteres culturais reprováveis como o anti-semitismo, isso não quer dizer que em nosso processo de aprendizado deveríamos adotá-los indiscriminadamente.
Por isso mesmo creio que o reavivamento da Ortodoxia no ocidente tem um grande potencial salvífico para todos nós, como prova a sensível expansão da Santa Igreja nos EUA. Creio realmente que ela é *A* Igreja de Jesus Cristo, indivisa, invencível e viva até hoje de acordo com a promessa. Uma das provas disso é precisamente ter sobrevivido ao mais anti-cristão dos regimes que já surgiu, gerando santos e mártires até hoje.
Gostei de ver o artigo do Prof. Nicolai Petro publicado aqui no fórum. É um bom contraponto aos artigos referidos no tópico "O Caos Russo". Seria perfeitamente possível criar um tópico paralelo, "A Ressurreição Russa", e atualizá-lo periodicamente com artigos e links tão numerosos quanto os do tópico "caótico". Na verdade, ambos os tópicos poderiam ser expandidos indefinidamente, simplesmente porque a Rússia talvez seja a mais contraditória sociedade do mundo de hoje.
O mesmo país que foi moralmente devastado com um rigor metódico ao qual provavelmente nenhuma outra nação foi submetida, que conheceu e praticou as mais degradantes e corruptas formas de existência humana (muitas das quais continuam hoje tão presentes quanto na época soviética), e que fomentou e promoveu como nenhum outro a exportação dessas práticas para o mundo inteiro, é também um dos poucos países europeus onde igrejas novas são abertas em vez de se fecharem as igrejas velhas, onde centenas de milhares de famílias irreligiosas há duas ou três gerações têm visto seus membros mais jovens passarem para o lado cristão em vez do contrário acontecer, e onde a influência cultural e social da Igreja tem crescido em vez de diminuir.
Quase todas as notícias de natureza política que nos chegam de lá são péssimas. Mas as notícias e relatos sobre religião são, na sua maioria, bem diferentes. A Rússia é um mistério. Meus contatos com russos me fizeram ouvir relatos tão contraditórios quanto os que leio em fontes diversas na Internet e em periódicos que assino. Nem os russos entendem a Rússia; sou cético quanto a estrangeiros que alegam entendê-la, através de algum esquema teórico qualquer.
A imagem que tenho da Rússia hoje é a seguinte: ela ainda é, tal como o era nos tempos soviéticos, um deserto; a vegetação espiritual do país, a Igreja, foi devastada pela Revolução; mas algumas sementes caíram no solo, e ali permaneceram ocultas. Há uns vinte anos, essas sementes desabrocharam. As novas plantas ainda são pequenas, mas já são visíveis.
é o que vejo. A imensa maioria dos textos de todos os velhocalenderistas são textos acusando as jurisdições tradicionais. Quanto a questão do pecado ou heresia, é questão de palavras, porque heresia é pecado.
O ponto é que *todos* somos hereges se formos entender isso no sentido amplo. Quem pode alegar ter compreensão perfeita do mistério da salvação e que, além disso, o divulga e ensina com perfeição? Mesmo se considerarmos as epístolas apostólicas vemos que nem todas entraram no Novo Testamento e mesmo os Apóstolos precisavam ficar se repreendendo mutuamente. Ademais, existe muito de condenação por heresia não consumada,mas apenas potencial. Teme-se que Bartolomeu I vá fazer isso, que Alexei II vá fazer aquilo. Embora, realmente pareça que vão fazer - Bartolomeu I mais que os outros - só poderíamos considerar como hereges os que os seguissem então.
Eu já li o texto e sei que a GIO discorda dessa posição. Para vcs o certo é protestar desde o início de fora.
O fato de você apontar a questão do orgulho espiritual mesmo na GIO demonstra meu ponto. É evidente que em *todo* grupo humano haverá gente fazendo caca. Principalmente se for algo relacionado a posições de status dentro daquele grupo social, ou poder ou algo equivalente. Tal é a natureza humana. Os que se escandalizam com os pecados de lideranças demonstram que punham fé demais no líder humano e de menos em nosso único Grande Líder.
O pessoal da GIO, e outras, acha que os desvios desses hierarcas são suficientes para descaracterizar praticamente todas as comunidades e sociedades ortodoxas do mundo como parte da Igreja. Eu particularmente não me sinto apto a fazer nem tampouco subscrever uma condenação tão geral e taxativa.
Existe um grupo mais moderado, sei, que se separou, mas sem tecer uma tão temerária condenação. Eu, no entanto, não posso senão me posicionar senão a partir de mim mesmo. Seria falso, pretensioso, vaidoso e orgulhoso de *minha* parte pregar essa condenação.