Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Não é religião, é petróleo!

Iniciado por pedro_11 em 17/02/2006 · 13 mensagens

pedro_11#1
Acabo de ler o texto "Algo de limpo no reino da Dinamarca", onde o filósofo Olavo de Carvalho dá uma explicação para a fúria do mundo islâmico contra a Dinamarca.

Coincidentemente, li nesses dias na coluna de Joelmir Betting uma informação que tem tudo a ver com o tema. Coloco a seguir trechos dos dois:

Trechos do artigo de Olavo de Carvalho:

"A Dinamarca é, na Europa, a campeã absoluta da pesquisa de fontes renováveis de energia -- fontes que, quando saírem da fase experimental para entrar no mercado, podem libertar o Ocidente da escravidão ao petróleo árabe (e venezuelano).

Em 1998, uma pequena ilha de 114 quilômetros quadrados, Samsoe, foi escolhida pelo governo dinamarquês como sede de um experimento inédito: criar uma comunidade integralmente servida por energia renovável, limpa e barata. Soren Hermansen, gerente do projeto, afirmou na ocasião que precisava de uma década para isso. Transcorridos oito anos, o sucesso passou na frente do cronograma: cem por cento dos 4.400 habitantes da ilha, mais os turistas, têm suas moradias e locais de trabalho servidos por energia renovável produzida no local. O complexo de recursos tecnológicos desenvolvido em Samsoe deve ser lançado no mercado mundial por volta de 2008. "
(...)
"Os donos do petróleo sabem o que o possível sucesso da Dinamarca significa: é a sua sentença de morte. É o fim da OPEC. É o fim dos potentados árabes. E, cá entre nós, é o fim de Hugo Chavez.

Daí a urgência de acossar e intimidar por todos os meios o governo dinamarquês. É a reação de um gigante moribundo contra o pigmeu assustadoramente saudável que ameaça acabar com a sua festa obscena."

A seguir o texto de Joelmir Betting:
pedro_11#2
Texto de Joelmir Betting:

ABAIXO O PETRÓLEO (15/02/2006)

A meta-desafio é para 2020: os Estados Unidos de Bush acabam de avisar a quem interessar possa que nesse ano de 2020, ou daqui a 15 anos, a matriz energética do país já terá deletado boa fração do petróleo e do carvão.

Em pelo menos um quinto do consumo total de energia, terá cobertura de fontes alternativas. Pela ordem: gás natural, reator nuclear, gerador eólico (de vento), gerador solar e energia de biomassa, liderada pelo etanol de milho made in USA.

O etanol vai entrar na mistura carburante e no motor bicombustível desenvolvido no Brasil cor de anil.

O bicombustível também entra na agenda da Europa e da Ásia. Na Europa, a Suécia avisou sexta-feira que vai ampliar a mistura carburante de 5% para 10% com álcool de beterraba e alguma coisa do Brasil.

A meta da Suécia é leonina: expulsar por completo o petróleo de sua matriz energética até 2020. Com destaque para a dilatação de duas fatias: a de biomassa renovável e a de energia nuclear. A nuclear já responde por um terço da matriz sueca. Com mais duas usinas em construção.

A Suécia tem apenas 8 milhões de habitantes. Um quinto menos que a população da cidade de São Paulo. Assim é fácil.
pedro_11#3
ÁLCOOL NA(S) CABEÇA(S) (Joelmir Betting)

Sinal dos tempos. Dois grupos americanos acabam de espetar suas sondas nos negócios do álcool e do biodiesel no Brasil. Eles querem participar direta ou indiretamente da produção de combustíveis renováveis, em território brasileiro. E da exportação, também.

Até aí, nada de novo na frente ocidental.

Os americanos sabem que na energia da biomassa o Brasil dispõe do maior elástico do mundo. Elástico ainda não puxado. Nosso álcool de cana e nosso biodiesel de soja, por exemplo, custam apenas um terço dos similares made in USA. Outra coisa: os EUA só têm espaço e tecnologia para misturar carburante de 3%, no máximo. Acima disso, terão de importar o etanol da mistura.

Também aí, sem novidade.

A surpresa aparece aqui e agora: o maior interessado em investir em álcool e biodiesel no Brasil é a Cascade Investments, banco de investimentos particular do homem de US$ 45 bilhões. Yes, Bill Gates, em carne e osso.

Ele controla, há dois anos, a Pacific Ethanol, da Califórnia - que se pretende a maior produtora de etanol dos EUA. Cujas ações, na Nasdaq, com a entrada de Bill Gates, subiram 151% nos últimos 12 meses.

Ah! O segundo grupo americano interessado no álcool brasileiro, também como co-produtores e futuros exportadores, é a Google, empresa fundada e comandada pela dupla Sergey Brin e Larry Page. Os dois viajaram, de seu jato particular, de Davos, na Suíça, ao interior paulista, para a Usina da Barra, do grupo Cosan, o maior do Brasil. Os fundadores da empresa que é a bola da vez da internet, estarão de volta em maio, para acompanhar o início da moagem da cana na safra 2006/2007.
(03/02/2006)
pedro_11#4
Dito isso, resta discutir o tema. Não tanto a exacerbação dos islâmicos em si, mas como sintoma do que Olavo de carvalho detectou no seu artigo.

Acho que a discussão poderia ir por esse caminho, ou seja, as perspectivas do novo uso de energias e o impacto disso no mundo. É um tema que me é caro e que tenho muita vontade de conhecer mais, pois vai modificar muita coisa na vida de todos.

Mandem ver!
leandro_13#5
Nosso presidente Lula também está buscando libertar o Brasil da opressão árabe (e venezuelana) investindo em pesquisas com energia eólica e o bio-diesel.

É 1, é 3. É Lula outra vez!
fbio_6#6
À princípio, achei meio economicista, mas depois, pensando bem, faz bastante sentido.
pedro_11#7
A mudança de fontes energéticas, priorizando as não poluentes, é um fator de mudança gigantesco na relação de poder e da face geo-política do planeta.

Só para ficar no caso do Oriente Médio. Já pensou se o mundo não dependesse tanto do petroleo deles? Imagine os EUA sem depender tanto do óleo oriental... que revolução aocnteceria naquelas bandas, com sua maior fonte de riquezas minguando? Esse é só um exemplo.

Alguém conhece bons livros sobre o tema? Estou querendo me aprofundar no assunto (comecei agora...)
fbio_6#8
Talvez o Olavo saiba.
pedro_11#9
Ele tá longe...
Além disso o homem é difícil de encontrar e deve estar ocupado escrevendo lá os livros dele. Não vou perturbá-lo com isso.

Mas esse tema é atualíssimo e fundamental. Sem exagero. É a gasolina de cada dia...
pedro_11#10
Brasil já domina tecnologia de álcool pesquisada pelos EUA

08h10 — N'O Estado, por Agnaldo Brito: "Em poucos momentos da história, o Brasil pôde dizer, ao olhar para a maior potência econômica do mundo: 'Estou à frente'. Bem à frente. O discurso feito recentemente pelo presidente George W. Bush sobre o plano dos Estados Unidos de minimizar o 'vício de petróleo' trouxe à luz uma tecnologia de produção de etanol já dominada no Brasil: a fabricação de álcool a partir de material celulósico.(...) A pouco mais de 200 quilômetros de São Paulo, no município de Pirassununga, está a unidade de dimensão semi-industrial, com capacidade para produção de 5 mil litros por dia, onde, há duas safras, o bagaço, subproduto da moagem da cana (rico em material celulósico), é transformado em álcool. (...) Ao contrário do que se imagina, a competitividade do álcool brasileiro no mundo se dá com o aproveitamento de apenas 1/3 de seu potencial. (...) O processo, patenteado com o nome de Dedini Hidrólise Rápida (DHR), pode dar ao setor sucroalcooleiro a capacidade de processar os outros 2/3 de energia contidas na cana-de açúcar: o bagaço (hoje mal aproveitado para a geração de energia elétrica) e a palha. Os cálculos preliminares feitos pelos participantes do projeto DHR (integrado por Dedini, Centro de Tecnologia Canavieira - CTC e Fapesp) indicam que o aproveitamento integral da cana, inclusive com a otimizações do processo de queima de bagaço para geração de energia, é capaz de produzir 12.050 litros de álcool por hectare de cana cortada. A média da cadeia sucroalcooleira atualmente é da ordem de 6,5 mil litros por hectare de cana cortada. A conversão do material celulósico do bagaço e da palha em açúcares, e estes fermentados e destilados para a produção de álcool, é algo que pode mudar o cenário brasileiro de fabricação de etanol."
pedro_11#11
Chávez quer desenvolver fontes alternativas de combustível

02h28 — N'O Globo desta segunda: "O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem que seu país, com a ajuda de outras nações, vai desenvolver fontes alternativas de combustível, diante da aproximação da era pós-petrolífera.

(...)— Estamos diante de uma pré-crise energética mundial, que fez disparar os temores em todos os grandes consumidores como os Estados Unidos, o maior deles. — disse Chávez. (...)
ithamar#12
O consumidor não quer petroleo e prefere fontes não poluentes.
Esta disposto a pagar mais caro por isso o que incentiva as pesquisas e aviabilidade.
Essa é a essencia do capitalismo adaptação.
Por isso que o monopolio não funciona, se apresentam uma alternativa ele acaba e é possivel que os consumidores troquem só por raiva da antiga falta de opção.

Eles não se prepararam pra isso e agora usam seus fanaticos manipulados pra partir pra violencia e nos assustar.

Por isso que eu não acredito em lideres fanaticos. Fanaticos não podem ser lideres eles tem que seguir cegamente alguém.

E quem manipula fanatico não tem nada de fanatico. Pelo contrario provavelmente nem acredita no que diz, como os lideres socialistas do Brasil.
pedro_11#13
Itamar, em que mundo os consumidores estao dispostos a pagar mais cara por uma fonte de energia menos poluidora? Tão nada! Nem podem!
E vamos podar metade desse teu texto aí, essa coisa de capitalismo, líderes socialistas, fanáticos, etc. Não somos comunistas aqui, isso é chover no molhado. Quero saber e discutir é o impacto dessa mudança, de forma consistente. Desce do palanque. Sorry, mas é que as vezes perco a paciencia com as discussões do Orkut, sem foco.

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