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Freakonomics: Religião pode ajudar crianças pobres

Iniciado por uriel em 24/10/2007 · 18 mensagens

uriel#1
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mas a liberação do aborto diminuiu mesmo a criminalidade.
o problema moral, mais uma vez, não está na premissa (factual), mas na conclusão..
uriel#2
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Fernando, no Brasil há também estudos sobre a relação entre a conversão religiosa na favela e a renda, emprego e criminalidade (mudança positiva), não?
priscila#3
Sim, gerar uma criancinha na ruindade e para que viva na ruindade deve aumentar muito as chances que ela seja contaminada pela ruindade, é óbvio. Só não posso admitir que para se sanar isso resolva-se acabar com as crianças e não com a ruindade. Tal raciocínio é da máxima monstruosidade, e por extensão diz que para acabar com uma epidemia o melhor jeito seria matar todo o mundo que porventura tivesse a possibilidade de se contagiar, antecipadamente!

Coisa estúpida, malévola, horrenda!!!!!
jeov#4
mas a liberação do aborto diminuiu mesmo a criminalidade.
o problema moral, mais uma vez, não está na premissa (factual), mas na conclusão..


Exatamente.
lahouse#5
Não concordo com seu último post.

Os motivos que levaram ao declínio da criminalidade REALMENTE foi a liberação do aborto.

Os potenciais criminosos deixaram de nascer, e as famílias, com menor numero de filhos, melhorou a relação com os demais.

A questão de aborto ser bom ou ruim não é esta. Neste aspecto, não há o que se discutir. O aborto é eficaz no controle da criminalidade. Assim como seria, por exemplo, a execução em massa de todos os criminosos.

Os problemas morais que residem no aborto são: a questão de quando um feto passaria a ser gente; se uma pessoa tem o direito de negar a vida de outra; e se aborto é ou não crime.
jeov#6
Como é possível comparar o genocídio de crianças indefesas com a execução em massa de todos os criminosos???

Ele não igualou as duas coisas. Ele só disse que, embora, na opinião dele, as duas medidas sejam eficazes no combate à violência, ele é contra as duas.
jeov#7
Vale lembrar que o autor de Freakonomics, recentemente, disse que a relação legalização do aborto-redução da criminalidade é menor do que ele acreditava quando escreveu o Freakonomics livro.
michel#8
Se esse pensamento estiver correto não seria melhor promover o controle de natalidade em massa ???? Melhor que promover abortamentos por atacado...
jeov#9
Interessantes suas colocações. De qualquer forma, acho que o mais importante é salientar que, mesmo que a liberação do aborto promovesse uma diminuição da violência, o aborto não deve ser legalizado.

Esse vale-tudo contra a violência muito me preocupa. Não vale tudo pra acabar com a violência.

Mas o que mais me preocupa é o vale-tudo seletivo.

Aí aparecem uns que argumentar, como o fechamento de bares diminui a violência (o que é verdade), deve-se fechar os bares. Depois aparecem outros dizendo que, como a restrição do porte de armas diminui a violência (o que é mentira), deve-se restringir o porte de armas.

Mas ai daquele que disser que, como o desrespeito aos direitos humanos dos bandidos diminui drasticamente a violência (e isso é mais do que comprovado), a polícia não deve respeitar os direitos humanos.*

* Já ouvi falar de várias estórias de lugares violentos que ficaram pacíficos depois da chegada de PMs que torturam e matam bandidos sem piedade.
lahouse#10
Como o Jeová disse, as comparações só servem para dizer que existem meios hediondos de reduzir a criminalidade, eficazes, mas moralmente contestáveis.

Eu não sou contra a pena de morte, mas, no post, coloquei, deliberadamente, execução em massa.

Imagine um mundo em que até roubar um chiclete desse pena de morte. Neste mundo, em pouco tempo, a criminalidade tenderia a zero.

Me desculpe por ter me expressado mal.
lahouse#11
Eu li Freakonomics. Não me parece ideológico de esquerda. Você, aparentemente, só acha isto porque abordou a questão do aborto.

Por exemplo, num dos estudos de Levitt, ele afirma categoricamente que é mais arriscado ter uma piscina em casa do que um revolver.

Ele também afirma que traficantes moram com as mães porque o tráfico, exceto para alguns poucos chefes, não dá lucro. E os pequenos traficantes são aliciados pela ILUSÃO de poder e riqueza.

No capítulo de criação de crianças, ele coloca que, para as crianças com bom desempenho escolar pouco importa o que os pais FAÇAM ou DIGAM, mas sim o que os pais SÃO.
lahouse#12
No seu post inicial, a religiosidade é parte do que pais SÃO.

O capítulo não se resume a religiosidade apenas.
lahouse#13
Aidna quanto a relação aborto/criminalidade, não importam os índices de criminalidade DAS FAIXAS ETÁRIAS, mas os índices de criminalidade totais.

Se por uma lado os jovens dessas faixas etárias citadas cometem mais crimes do que os nascidos antes, por outro, existem menos jovens nestas faixas etárias, pois, segundo os autores, os outros teriam sido abortados.

Independente desta causa de aborto, concordo com o que postou o Michel. Em vez de aborto, o governo poderia incentivar a esterilização, sobretudo nas camadas menos favorecidas.

Um bolsa família às avessas, que premiam mais os casais estéreis, sem filhos ou os que adotarem, em vez de premiar a reprodução, como este governo petista vem fazendo.

Mas aí acabaria o "gado" deles.
paulo_15#14
lahouse#15
Mas os índices continuam menores do que nos anos 80 e 90.

O que acontece é que o hedonismo e o liberalismo fajuto tem criado alguns monstros na sociedade. Esses monstros podem tudo. Daí o alto número de crimes per capita que voce citou.

Não dá para falar em aumento de criminalidade nos EUA sendo que os índices por lá caíram drasticamente. Isto é um argumento inconsistente, que serve apenas para refutar o estudo.

Existem dados que mostram que pessoas mais jovens sempre se expõe mais a riscos e tem maior tendência à criminalidade do que os mais velhos.
joel_2#16
Se eu não me engano, uma The Economist de um tempo atrás (acho que um ano) mostrava que essa relação aborto-criminalidade tinha alguma falha técnica, que invalidava a conclusão.
Vale a pena checar.

Sim, não é só porque uma pessoa defende essa conclusão que ela é favorável ao aborto. Mas defendê-la, ainda mais publicamente, na nossa época em que o aborto é uma objeto de debate real, é um sinal nesse sentido.

E, para quem nunca estudou estatística e econometria, é bom saber que é muito fácil manipular esses estudos, e que quase a totalidade deles tem algum furinho em algum lugar, alguma inconsistência. Dificilmente, diria até que quase nunca, uma regressão econométrica consegue atender a todos os critérios técnicos de uma boa regressão. E, mesmo que os atenda, só é possível aceitar a conclusão como provável, e não como certa. E, além disso, não é possível extrapolar dela para fazer previsões sobre o futuro. Não é possível, nesse exemplo, prever que a liberação do aborto em outros lugares terá o mesmo efeito, ou que mais abortos no futuro levarão a criminalidade ainda menor.

Claro, nada disso refuta a tese do Levitt; só ressalta que não há motivos para aceitá-lo tão prontamente como verdade.
joel_2#17
As explicações, como por exemplo: "tendo abortado, e tendo portanto menos filhos, os pais tratam-nos melhor do que trataria se tivessem mais filhos."

Será?? E o efeito que abortar tem sobre o caráter das pessoas, e sobre a forma com a qual elas passam a ver os outros, etc?

É, no mínimo, uma explicação frágil para a suposta correlação observada.
daniel_24#18

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