Meu Deus... primeiro olhei isso pelo lado mais imediato possível: a Copa será uma bagunça, com estádios caindo aos pedaços às vesperas do torneio, trânsito caótico nos dias de jogo, falta de acesso, surto de criminalidade, etc, etc.
Agora já olho por um ângulo menos agudo a coisa... talvez essa Copa ajude a expor com ainda mais intensidade e quantidade as mazelas deste castigado país... pra democrata do Primeiro Mundo ver.
Tô só viajando aqui, até porque no fundo no fundo duvido que isso sirva de alguma coisa.
Vai ser uma roubalheira histórica mesmo. Se o Pan, que não tinha tanta relevância, foi daquele jeito, imagine então uma Copa do Mundo? O que vai ter de gente enriquecendo às custas da corrupção, daqui até 2014, não vai ser brincadeira.
Adoro futebol. Acompanho sem fanatismo sempre que posso o meu Vasco e, na medida das possibilidades, vou de quando em vez ao estádio: é relaxante, vibrante, dá para extravazar, gosto muito.
Como o Renan, o futebol não me faz perder a massa cinzenta. Irracionalidades, só no estádio ou na hora do jogo, e mesmo assim controldas, se é que isso é possível.
A roubalheira do PAN será fichinha perto do que vão fazer com essa Copa.
O Brasil é "o país do futebol" tanto quanto a Europa toda. Ocorre que nosso jogadores, em média, são mais técnicos e jogam mais, mas nada que não ocorra em nenhuma outra parte do mundo.
Por isso mesmo que merece ter concedido o direito de organizar uma Copa.
Temos um futebol muito mal gerenciado, há anos, pela CBF e seu imperador, Ricardo Teixeira (o cara tá lá desde 89 e vai ficar até 14, são 25 anos de poder!!). Clubes pobres e mal divulgados no exterior, estádios que deixam a desejar, leis mal formuladas, regras não cumpridas, viradas de mesa, politicagem suja, jogadores saido cada vez mais cedo do país, etc.
Por isso mesmo que NÃO merece ter concedido o direito de organizar uma Copa.
Meu lado puramente de torcedor está vibrando, e muito.
Não tenho nada contra organizar a Copa no Brasil, como torcedor acho até legal. O acontecimento vai ser mais marcante em cidades menores do que São Paulo. Aqui vai ter uma movimentação de turistas que quase vai sumir no meio da cidade, acredito que vai ser notado como uma final de campeonato (e pode crer, longe do estádio, da Tv e do local de comemoração, nem se nota nada). A roubalheira é previsível, mas pode haver alguma melhoria em infraestrutura de transportes, por exemplo.
Agora, a resposta do Ricardo Teixeira à jornalista canadense que perguntou sobre a violência foi de chorar...
Presidente da Fifa se irrita com pergunta sobre violência
Agência Brasil
Durante entrevista coletiva após a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, irritou-se com uma jornalista canadense da agência de notícias Associated Press (AP), dos Estados Unidos.
Segundo a Agência estado, a jornalista questionou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, sobre as ações a serem realizadas para conter a violência no Brasil durante o mundial.
Blatter, que estava na platéia, subiu ao palco para reclamar da atitude da jornalista. Ele lembrou que, quando a Fifa anunciou que a Copa do Mundo de 2010 será realizada na África do Sul, a primeira pergunta que surgiu foi sobre a criminalidade naquele país.
A coletiva foi realizada na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça, no mesmo local da cerimônia em que houve o anúncio da sede da Copa de 2014.
“Agora, nós temos a Copa do Mundo no Brasil e começamos com a mesma pergunta. Senhoras e senhores, por favor. Prestem atenção, um pouco de respeito ao futebol, às instituições, à casa da Fifa e aos nossos convidados”, disse o presidente da entidade.
Luiz, há muito tempo, a FIFA tem um rodízio de continentes para a realização do mundial.
Desde a década de 60 há um revezamento entre a América Latina e a Europa (os dois lugares com maior tradição em futebol no mundo).
Uma copa aqui e outra lá. Assim foi, precisa e rigorosamente, até 1994, quando os Estados Unidos entraram no esquema, ampliando o revezamento para um rodízio, que deveria contemplar, intercaladamente, países fora da Europa e da América Latina.
Isso, em boa medida, deu-se devido à pouca capacidade que a América Latina vinha apresentando para sediar o evento, bem como ao baixo interesse apresentado pelos países e federações latino-americanas e aos altos custos que as organizações vinham atingindo, copa a copa. Junte-se a isso o imenso interesse e infra-estrutura de países ricos interessados em receber a competição e tem-se aquele novo modelo de rodízio. Depois dos Estados Unidos a copa foi na França, depois foi para a Ásia, voltou para a Europa em 2006, contemplou a Africa do Sul, para 2008. Como a América Latina "furou" o rodízio em 2008, obrigatoriamente deveria sediar o evento em 14.
Mais uma vez não houve candidatos no continente, e o Brasil apresentou-se como candidato único. As razões para isso envolvem décadas de politicagem entre FIFA, Confederação Sul Americana -- cujo presidente tem um cargo vitalício (!!!!) -- e a CBF.
Não é por acaso que, a partir de 2014, a FIFA extingüiu o sistema de rodízios e revezamentos para sedes. A escolha agora é mais ou menos como nas olimpíadas.
Em 2018 a Inglaterra tem muito interesse. A disputar com a China, que quer por que quer fazer a copa lá em 18 ou 22.
Valeu pela explicações!
Descartada a minha hipótese, meio-exdrúxula, de que nenhum outro país queria sediar a Copa de 2014 devido a instabilidade econômica e geo-política mundial; uma breve hipótese descortina-se de que, além de receber um evento maravilhoso, sediar uma Copa do Mundo venha muito a calhar ao "Socialismo do Séc. XXI".
Procede?