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Síntese da mentalidade revolucionária em um artigo

Iniciado por renan_6 em 30/10/2007 · 9 mensagens

renan_6#1
Só hj fui ler o artigo A lógica da destruição, do Olavão.

http://www.olavodecarvalho.org/semana/070806dc.html

Procurei aqui na comunidade algum comentário e só encontrei um, perdido numa discussão num tópico por aí.

O artigo é incrível, é iluminador. Mesmo se fosse unicamente a resenha do mais novo livro do Olavo, já seria auto-suficiente para um entendimento de como funciona a mentalidade revolucionária. Interessantíssima a relação que vem desde Hegel. Engraçado que um idealista que já partia de uma lógica bem obtusa acabasse sendo colocado "de cabeça pra baixo" por Marx, como afirmava o próprio Engels.

Eu adoro o estilo de escrita do Olavo, acho que foi a primeira coisa que me atraiu para o seu pensamento, e neste artigo ele está inspiradíssimo.
erickson#2
Sim, é verdade. Esse é um dos artigos que mais gostei. Nele Olavo está muito bem, de fato.

Revela com muita propriedade a capacidade do professor de identificar as idéias, sintetizá-las, colocá-las em seqüência e encadeiá-las numa seqüência identificável e coesa.
renan_6#3
Exatamente, a capacidade de síntese e de clareza silogística dele é muito legal. Acompanha direitinho a estrutura dissertativa do artigo. Além disso, o Olavo dá uma rebuscada sutil, perita, que jamais soa pretensiosa como a maioria dos textos intelectuais modernos.

Fico imaginando como é o processo de escrita dele. Caso soubesse que ele sai escrevendo um monte de frases bagunçadas e depois só remove o "lixo", eu acharia ainda mais incrível.

Tenho impressão às vezes de que ele organiza metódica e sistematicamente a maneira que vai escrever antes mesmo da primeira linha.
adermir#4
O texto de fato é muito bom e profundo. Destaco:
...nenhuma canalhice em particular se compara com a mãe de todas as canalhices, que é o movimento revolucionário em si. O militante que o serve por meio de uma conduta moralmente impecável – segundo critérios “burgueses” de julgamento – pode parecer mais aceitável aos observadores ignorantes do que o trapaceiro compulsivo tipo José Dirceu ou Lula. Mas ele sabe perfeitamente que sua elevada moralidade é a camuflagem com que o movimento encobre as ações dos embusteiros e vigaristas, tão necessárias quanto as dele e unidas a elas por um nexo de solidariedade essencial. O “esquerdista honesto”, no fundo, é o mais vigarista de todos. Onde o verdadeiro e o falso são intercambiáveis, também têm de sê-lo o certo e o errado, o lícito e o ilícito.
priscila#5
O texto é mesmo uma pérola perfeita.
Olavo é um grande pensador, e sua maneira de expor as coisas é muito clara.

Ele tem completa razão: o "penso, logo existo" de Descartes é, por exemplo, uma amostra da mesma lógica invertida, que retira Deus do contexto universal. "Penso, logo consigo deduzir que existo" seria diferente. A diferença é sutil e fundamental.
Do modo cartesiano puro, a existência deixa de ser causa e passa a ser conseqüência - quando a existência é um Mistério divino, acima do homem e de qualquer contingência humana, e que caracteriza uma Vontade que antecede tudo. Todos e tudo somos manifestações da Essência Inescrutável, e portanto Nela todos e tudo existimos eternamente.
priscila#6
Olavo de Carvalho consegue perceber abrangentemente o quanto de mal esta inversão traz, e quão funesta foi e é a inversão na hierarquia das idéias.

"Aquilo Del Nisso", a banda de nome engraçado que ele menciona em um de seus textos, mais uma vez merece ser citada...
priscila#7
Quanto ao método de escrita - interessante o comentário, no qual eu nunca tinha pensado - suponho que o texto saia direto, porque antes de escrever ele já sabe o que quer dizer. Naturalmente depois que está escrito ele deve aperfeiçoar a forma onde for preciso, dando um retoque eventual. Deve ser como pintar um quadro, que acontece desse jeito.
Também em nós a existência das nossas obras é uma manifestação da nossa essência interior. Estamos seguindo um modelo Maior, pois nossa natureza é conforme este modelo. Se ninguém "truncar" e distorcer cretinamente, a coisa se passa de maneira muito satisfatória, e aí nos sentimos felizes e satisfeitos.
A Verdade é simples.
renan_6#8
Se ninguém "truncar" e distorcer cretinamente, a coisa se passa de maneira muito satisfatória, e aí nos sentimos felizes e satisfeitos.
A Verdade é simples.


De fato. Nestas horas me vem à mente a severa crítica schopenhauriana a Hegel e sua "escola" em A Arte de Escrever, livrinho fenomenal.

Na página 92 tem um resumo do que eu penso:

“Aqueles que elaboram discursos difíceis, obscuros, dubitativos e ambíguos com certeza não sabem direito o que querem dizer, mas têm uma consciência nebulosa do assunto e lutam para chegar a formular um pensamento. No entanto, com freqüência, essas pessoas querem esconder de si mesmas e dos outros o fato de que na verdade não tem nada a dizer. Querem dar a impressão, como Fichte, Schelling e Hegel, de saber o que não sabem, de pensar o que não pensam, de dizer o que não dizem. Pois alguém que tem algo certo a dizer iria fazer esforço para falar de modo obscuro ou claro? Como diz Quintiliano: ‘Ordinariamente ocorre que as coisas ditas por um homem instruído são mais fáceis de entender e muito mais claras... E alguém será tanto mais obscuro quanto menos valer’.”
priscila#9
Precisamente, Renan!

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