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Sua mensagem de Natal

Iniciado por luizfernando em 28/11/2007 · 15 mensagens

luizfernando#1
Faltando menos de um mês para a comemoração do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, abro este tópico para que reflitamos sobre esta data tão importante.
A partir de um texto do professor Olavo que, entre outros, versa sobre o Natal, sempre da maneira genial e cristalina que lhe é atributo, proponho repartirmos nossas esperanças e alegrias quanto ao belo presente que ganharemos mais uma vez neste fim de ano; presente que nos convida à mais imensa rejubilação.

"Quem não se desfaz à vista do Verbo feito, não faz o que deve"
(Pe. Antônio Vieira)
luizfernando#2
Por que celebrar o Natal
Olavo de Carvalho
25 de dezembro de 2003

Só existe um motivo para celebrar o Natal, mas esse motivo é tão amplamente ignorado que as festas natalinas devem ser consideradas uma superstição em sentido estrito, a repetição ritualizada de uma conduta habitual que já não tem significado nenhum e na qual, portanto, cada um está livre para projetar as fantasias bobas que bem entenda.

Jesus Cristo, encarnação do Verbo Divino, ou inteligência de Deus, veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela Lei do Sacrifício (v. Ananda Coomaraswamy, A Lei do Sacrifício, e René Girard, O Bode Expiatório).

A Lei do Sacrifício é inerente à estrutura da existência cósmica. Só Deus tem a plenitude do ser, e o que quer que exista sem ser Deus tem uma existência precária, fundada num débito ontológico insanável, que na escala da alma humana se manifesta como culpa.

A Lei do Sacrifício não pode ser suspensa e jamais o foi.

O que Nosso Senhor Jesus Cristo fez foi cumpri-la toda de uma vez, instituindo em lugar do Sacrifício a Eucaristia, que é a recordação do ato sacrificial definitivo. A recordação passa então a ter o valor de uma repetição sem necessidade de novas vítimas.

Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1...

Agora a vítima única se multiplica por si mesma no ato da Eucaristia: 1 x 1 x 1 x 1...

Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.
luizfernando#3
O problema é que o fim de um ciclo histórico não traz necessariamente, para as gerações seguintes, a consciência da mutação ocorrida.

Essa consciência deve ser reconquistada e retransmitida de geração em geração, e na sociedade moderna essa transmissão cessou já faz algum tempo. Pouquíssimas pessoas têm uma consciência clara do que ganharam com o Natal. A maioria, mesmo quando recebe presentes, não sabe que eles apenas simbolizam um ganho muito maior que já foi obtido 2003 anos atrás.

Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras:

Todo homem, pelo simples fato de existir, é atormentado pela culpa e vive num constante discurso interior de acusação e defesa, que produz medo, ódio, inveja, ciúme, busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam o homem vulnerável às palavras más, às acusações e insinuações que lhe chegam de seus semelhantes, da cultura ambiente ou de seu próprio interior. O conjunto dessas acusações e insinuações é o espírito demoníaco, que em razão da culpa mesma tem poder incalculável sobre o ser humano. Em busca de proteção contra esse poder, o homem se submete aos maus e aos intrigantes, isto é, aos representantes do próprio espírito demoníaco, acreditando que aqueles que podem feri-lo devem também poder ajudá-lo. Com isso ele se torna a vítima sacrificial, o bode expiatório num grotesco ritual simulado.
luizfernando#4
Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil, desnecessário e pecaminoso. Não existe no mundo um poder ou autoridade habilitado a exigir vítimas. Deus Pai só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem quer que, depois disso, se sinta culpado, não deve se oferecer como vítima sacrificial perante altar nenhum. Deve apenas recordar-se do sacrifício de Cristo e alegrar-se. Isso é tudo.

Muitas pessoas até sabem que as coisas são assim, mas entendem isso somente do ponto de vista religioso formal, sem tirar desse conhecimento as conseqüências práticas de ordem psicológica, que são portentosas:

Aquele que se ofereceu para ser sacrificado em nosso lugar não é um cobrador de dívidas nem um acusador, mas um salvador. Ele nada pede, apenas oferece. E em troca aceita uma palavrinha, um sorriso, uma intenção inexpressa, qualquer coisa, pois não é irritadiço nem orgulhoso: é manso e humilde.

Se, sabendo disso, você ainda é vulnerável aos olhares acusadores e às palavras venenosas, se ainda sente ante os intrigantes e os maldosos um pouco de temor reverencial e tenta aplacá-los com mostras de submissão para que eles não o exponham à vergonha ou não o castiguem de algum outro modo, é porque ainda não compreendeu o sentido do Natal.

Esse sentido é simples e direto: os maus e intrigantes não têm mais nenhuma autoridade sobre você. Não baixe a cabeça perante eles, não consinta que suas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.

Jesus Cristo já pagou a sua dívida.

É por isso que comemoramos o Natal.
denise#5
Alguém mem passou estes textos , nao lembro quem
mas enfim :
sao ótimos ,e cada semana repasso por e-mail como
reflexão para o advento

Por que celebrar o Natal
http://www.olavodecarvalho.org/textos/natal_2003.htm

Prece de Natal 2002
http://www.olavodecarvalho.org/semana/12212002globo.htm

Lembrete de Natal
http://www.olavodecarvalho.org/semana/natal2000.htm

O Natal não é para os covardes
http://www.olavodecarvalho.org/semana/051222jb.htm

Natal proibido
http://www.olavodecarvalho.org/semana/031220globo.htm
priscila#6
To Jesus on his birthday

For this your mother sweated in the cold,
For this you bled upon the bitter tree:
A yard of tinsel ribbon bought and sold,
A paper wreath, a day at home for me.
The merry bells ring out, the people kneel;
Up goes the man of God before the crowd;
With voice of honey and with eyes of steel
He drones your humble gospel to the proud.
Nobody listens. Less than the wind that blows
Are all your words to us you died to save.
O Prince of Peace! O Sharon´s dewy Rose!
How mute you lie within your vaulted grave!

The stone the angels rolled away with tears
Is back upon your mouth two thousand years.


Edna St. Vincent Millay
denise#7
Pedro
Obrigada este que vc colocou
e tao atual.....
como sempre o olavo esta frente....

por isso nao e compreendido ...
priscila#8
... Gostei. Estou morrendo de inveja!
luizfernando#9
(excertos de sermões do padre Antonio Vieira)

"Não sou eu que hei de pregar o nascimento de Cristo: o mesmo Cristo nascido é o que há de pregar o seu nascimento.

Aquele soberano e tão adiantado Orador, que, no mesmo dia em que nasce, prega seu próprio nascimento.

Notai. O Filho de Deus enquanto Deus, é palavra de Deus, não é obra de Deus: Genitum, non factum. O filho de Deus enquanto Deus enquanto Deus e Homem, é palavra de Deus e obra de Deus juntamente:
Verbo caro factum est.

As partes que constituem o perfeito orador são três: ensinar, deleitar, mover; e assim como antes de Deus Se fazer homem, se dividiam todas três por atribuição nas três Pessoas da Trindade: o Filho ensinando, o espírito Santo deleitando, e o Padre movendo; assim, depois que o Verbo Se vestiu da natureza humana, se uniram todas três na unidade de Cristo, como agora veremos pela mesma ordem.
luizfernando#10
"Primeiramente ensina, e ensina com seu nascimento o divino Orador do Presépio: mas como ensina, ou pode ensinar, se não fala? Assim o disse o anjo aos pastores: achareis um Menino que não fala. Pois se não falava, nem falou uma só palavra no Presépio, como ensina este Orador mudo, ou como podia ensinar? Os mesmos pastores entenderam, não rústica, senão altamente: passemos até Belém a ver esta palavra. Não dizem a ouvir, senão a ver, porque as palavras deste divino Orador (e por isso divino) não são palavras que se ouvem; são palavras que se vêem.

Quando Deus no Monte Sinai deu a Lei a Moisés, a qual toda pronunciou por sua própria boca, estava o imenso povo de Israel estendido em roda pelas raízes do monte; e diz o Testo sagrado, que todo o povo via as vozes de Deus. As vozes ouvem-se, não se vêem; são objeto dos ouvidos, e não dos olhos. E assim como os ouvidos não podem ouvir as cores, assim os olhos não podem ver as vozes. Como diz logo o Texto que o povo via as vozes de Deus? Porque eram de Deus, responde Filo Hebreu. Entre a voz humana e a divina (diz ele) há esta diferença: que a voz humana percebe-se com o ouvido, a voz divina com a vista.

Verbo divino é palavra divina; mas importa pouco que as nossas palavras sejam divinas, se forem desacompanhadas de obras. A razão disto, é porque as palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos.

O dizer de Deus é fazer. Quis Deus converter o mundo, e que fez? Mandou ao mundo seu Filho feito homem.
luizfernando#11
"As palavras que são palavras, ouvem-se; as que são obras vêem-se; e tais foram, hoje, as do divino Orador do Presépio.

Desta maneira satisfez o nosso Orador infante, à primeira obrigação de ensinar. Mas daqui mesmo se segue, ou parece, que não pode satisfazer à segunda. A segunda obrigação do perfeito orador, como dizia, é deleitar. Mas como pode ou podia deleitar no modo em que o acharam e viram os pastores? O pregador não há de ser mudo ou atado. Se víssemos um pregador que não falava palavra, e estivesse envolto e como amortalhado na sobrepeliz, e posto ou metido no púlpito, como sepultado nele, este pregador não podia deleitar o auditório; enfastiá-lo, esfriá-lo, e desagradá-lo, sim. pois este é o estado em que os pastores acharam ao nosso Orador do Presépio: mudo, e sem dizer ou falar palavra; atado e envolto sem se desenvolver; e posto e metido na manjedoura sem acção nem movimento. E, contudo, diz o anjo que haviam de gostar, e gostar muito dele: e que estas mesmas que pareciam impropriedades do ofício, e desares da pessoa, eram os sinais certos de acharem o que lhes prometia.

E porque razão tudo isto, parecendo tudo contrário à mesma razão? Porque tudo isto, como perfeitíssimo Orador, era o que pedia o decoro, a energia e a representação viva do que ensinava. Não falava: porque estava ensinando silêncio, humildade, resignação. Estava envolto e como amortalhado: porque entrara no mundo a repreender e estranhar desenvolturas; e estava ensinando modéstia, compostura, mortificação. E estava como sepultado no lugar, posto que vil, onde o tinham posto: porque, sobretudo, estava ensinando a perfeição da obediência.
luizfernando#12
"Obediência ao Pai, que o mandara vir ao mundo; obediência ao imperador que o mandara ir a Belém; e obediência à Mãe, que naquele pobre e abjecto lugar O pusera, sem lhe dar razão porquê, posto que a tivesse. E se assim posto, não tinha movimento nem acção, essa era a própria e a mais natural acção do que representava; porque o verdadeiro obediente não há de ter movimento nem acção própria. Vede, agora, se pregava o nosso Orador mudo, de modo que houvesse de deleitar?

É tão doce a eloquência do nosso orador mudo, que não há aspereza tão áspera que não abrande, nem amargura tão amarga que não adoce.

Para deleitarem as cousas que diz o Orador hão de ser novas, e hão de ser admiráveis.

Tais são as que diz mudamente o nosso Orador do Presépio.
k_orkut#13
luizfernando#14
"São novas: Deixai, filhas de Sião, de vos deleitar nas velhices da Lei antiga; e para que vejais uma cousa tão nova, qual nunca Deus fez, nem o mundo viu, não é necessário vagar por outras terras; porque dentro da vossa, no lugarinho de Belém, a vereis. Vereis um Menino nascido de um dia, já homem perfeito; e que este homem sendo tão grande como Deus, coube dentro em uma Virgem. Pode haver cousas mais novas? Não pode.

São também admiráveis as cousas que ali se vêem: porque ali se vê a Fonte com sede, o Pão com fome, a Alegria chorando, a Sabedoria muda, a Fortaleza fraca, a Onipotência atada, a Riqueza pobre, a Imensidade pequena, a Imortalidade, finalmente morta e passível; mas aí mesmo com segunda e maior admiração, se torna a ver a fome fartando, a sede refrigerando, a tristeza alegrando, o mudo ensinando, o fraco fortalecendo, o atado libertando, o pobre enriquecendo, o pequeno engrandecendo, o mortal, finalmente, dando vida, e o passível glória.

O dizer de Deus é FAZER. Quis Deus converter o mundo, e que fez? Mandou ao mundo seu filho FEITO homem.

Quem se não DESFAZ à vista do Verbo feito, não FAZ o que deve."
caio_2#15
Simplismente o amor e a Justiça levando a palavra de Deus e se sacrificando pela humanidade inteira em Sua sagrada paixão.
Jesus,amado mestre,bendita seja a tua vinda a esse mundo.
Feliz Natal a todos e um próspero Ano Novo...

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