Ëu posso até comentar, depois que ler direito - mas basta uma passada de olhos pra ver que o título do texto deveria ser "conservadorismo econômico", não?
E a doutrina econômica do conservadorismo político é o velho e bom capitalismo.
Portanto, eu achei de cara (depois de uma lida rápida, admito) o texto "enviesado", meio torto, e o autor tenta fazer uma costura onde não deveria haver nenhuma.
Ficou franzido.
"Houve e haverá sempre pessoas cujos interesses egoístas exigem proteção para situações já estabelecidas e que esperam obter vantagens de medidas que restringem a competição."
E por que esta proteção não pode ser provida pela iniciativa privada, pelo livre mercado? Proibir a concorrência é permitir a falta de eficiência do serviço... Está aí o grande erro dos liberais clássicos...
Existe um livro do Eduardo Gianneti que trata desta questão sobre a moral. Neste livro, ele combate a idéia bem difundida em certos meios liberais segundo a qual a moralidade virtuosa seria incompatível com os princípios de uma economia pujante. Esta tese foi defendida primorosamente - pelo estilo, não pelos argumentos - por Bernard de Mandeville na época do Adam Smith, que o detestava.
Se não me engano, o título do livro é "Vícios Públicos Virtudes Privadas?"
MEU DEUS! Os libertários não consideram o ser humano como sendo intrinsecamente bom! O libertário reconhece que sempre haverão assassinos, bandidos, gananciosos, etc. É justamente por isso que ele permite a concorrência no serviço de proteção contra este tipo de gente! Hoje o Estado nos protege dos criminosos, mas quem é que pode nos proteger do próprio Estado se ele nos agride? E por que eu não posso contratar outra empresa de proteção se eu não estou satisfeito com o serviço provido por ele??
Você está certo neste ponto, Eric. Os libertários realmente não consideram o ser humano como intrinsecamente bom.
Pra considerar Rousseau um libertário, Caio, é preciso ou mudar o sentido de libertário ou reinterpetar Rousseau.
E Eric, não me leve a mal, mas esta língua grande de fora lhe deixa com uma cara de adolescente pentelho. Isso sem falar que é sumamente desagradável conversar com um sujeito que está com a língua estampada aí na frente. Muda a foto, por favor.
Nós falamos extensamente sobre os direitos individuais; mas, pode-se perguntar, e os “direitos da sociedade”? Eles não suplantam os direitos de um mero indivíduo? O libertário, contudo, é um individualista; ele acredita que um dos erros primários da teoria social é tratar a “sociedade” como se fosse realmente uma entidade existente. A “sociedade” é às vezes tratada como uma figura superior ou semi-divina, com “direitos” próprios que se sobrepõem a quaisquer outros; outras vezes, é considerada um mal que pode ser responsabilizado for todos os problemas do mundo. O individualista defende que apenas indivíduos existem, pensam, sentem, escolhem e agem; e que a “sociedade” não é uma entidade viva, mas simplesmente um rótulo para um conjunto de indivíduos em interação. Tratar a sociedade como algo que vive e age, então, obscurece as forças reais que estão em funcionamento. Se, numa pequena comunidade, um grupo de dez pessoas se reúne para roubar e expropriar três outras então isto é clara e evidentemente um caso de um grupo de indivíduos agindo em conjunto contra outro grupo. Nesta situação, se as dez pessoas pretendessem chamar a si próprias de “sociedade”, agindo de acordo com “seus” interesses, a desculpa seria ridicularizada pelo tribunal; mesmo os dez ladrões provavelmente teriam vergonha de usar este tipo de argumento. Mas basta que o seu número cresça para que a verdade seja obscurecida e o público seja enganado.
O uso falacioso de uma palavra que designa o coletivo “nação”, similar neste aspecto com a palavra “sociedade”, foi incisivamente apontado pelo historiador Parker T. Moon:
"Quando alguém usa a simples palavra “França”, pensa-se na França como uma unidade, uma entidade. Quando (...) nós dizemos “A França enviou suas tropas para conquistar Tunis”, nós atribuímos não apenas unidade, mas personalidade ao país. As próprias palavras escondem os fatos e fazem das relações internacionais um glamoroso drama no qual nações personificadas são os atores, e facilmente nos esquecemos dos homens e mulheres de carne e osso que são os verdadeiros atores. (...) [S]e nós não tivéssemos uma palavra tal como “França”, (...) nós descreveríamos mais precisamente a expedição a Tunis de uma forma tal como esta: “Alguns poucos destes trinta e oito milhões de pessoas mandaram trinta mil outros para conquistar Tunis.” Esta forma de expor o fato imediatamente sugere uma pergunta, ou melhor, uma série de perguntas. Quem eram os “poucos”? Por que eles mandaram trinta mil para Tunis? E por que estes obedeceram? A construção de impérios não é feita por “nações”, mas por homens. O problema perante nós é descobrir quais homens, quais minorias ativas de cada nação, estão diretamente interessadas no imperialismo e então analisar as razões pelas quais as maiorias pagam os custos e lutam nas guerras precipitadas pela expansão imperialista.8"
A visão individualista da “sociedade” pode ser resumida na seguinte frase: A “sociedade” é todo mundo a não ser você. Posta desta forma, esta análise pode ser usada para considerar aqueles casos onde a “sociedade” é tratada não apenas como um super-herói com super-direitos, mas como um super-vilão sobre cujos ombros é posta uma enorme culpa. Considere-se a visão típica que não é o indivíduo o criminoso, mas sim a “sociedade”, que é responsável por seu ato. Tome-se, por exemplo, o caso onde Smith rouba ou mata Jones. A visão “retrógrada” é a de que Smith é responsável pelo que fez. O liberal moderno9 responde que é a “sociedade” a responsável. Isto soa sofisticado e humanitário até que nós apliquemos a perspectiva individualista. Então nós vemos que o que os liberais estão realmente dizendo é que todos exceto Smith, incluindo, claro, a vítima Jones, são responsáveis pelo crime. Quase todas as pessoas reconheceriam o absurdo desta posição. Mas a invocação da entidade fictícia “sociedade” ofusca o processo. Como o sociólogo Arnold W. Green afirmou: “Segue-se, então, que se a sociedade é responsável pelos crimes, e não os criminosos, somente aqueles membros da sociedade que não cometem crimes podem ser responsabilizados por eles. Um absurdo desse tipo obviamente só pode ser resolvido considerando-se a sociedade como um demônio, um mal à parte das pessoas e do que elas fazem.”10
O grande libertário americano Frank Chodorov enfatizou esta visão da sociedade quando escreveu que a “Sociedade é as pessoas”.
"“Sociedade” é um conceito coletivo e nada mais; é uma conveniência para designar um número de pessoas. O mesmo vale para “família”, “multidão”, “gangue” ou qualquer outro nome que nós dermos a uma aglomeração de pessoas. A Sociedade (...) não é uma outra “pessoa”; se o censo totaliza cem milhões de pessoas, isso é tudo que há, nem um a mais, pois não pode haver nenhum acréscimo à Sociedade, a não ser através da procriação. O conceito de Sociedade como uma pessoa metafísica cai completamente quando observamos que a Sociedade desaparece quando suas partes componentes se dispersam; como no caso de uma “cidade fantasma” ou de uma civilização que nós conhecemos através dos artefatos que deixou. Quando os indivíduos desaparecem, também desaparece o todo. O todo não tem uma existência separada. Usar o substantivo coletivo com um verbo no singular nos leva a uma armadilha da imaginação; nós tendemos a personalizar o coletivo e a pensar nele como tendo um corpo e um espírito próprios.11"