Vi ultimamente muito se discutindo aqui sobre o ensino ´superior´ no Brasil, inclusive sobre a opinião do Olavo sobre isso, e relatos de pessoas que foram obrigados a engolir ideologias de quinta categoria para conseguir se graduar.
Pois bem. Gostaria de deixar aqui meu depoimento pessoal.
Cursava eu uma faculdade particular considerada de primeira linha em São Paulo, um curso de gestão/administração de empresas fundado há mais de 50 anos em parceria com a Michigan University.
Tanto era (ou é) o prestígio desse curso que havia longas listas de espera para entrar, e praticamente quinze vezes mais candidatos do que vagas, apesar da salgada mensalidade (hoje cerca de R$2.000,00).
Os alunos desse curso são aspirantes a executivos e empreendedores. Conheci pessoas inteligentíssimas (algumas de fato se tornaram pessoas de muito sucesso), e não posso negar que tecnicamente o curso é excelente.
Não posso deixar de comentar, no entanto, algumas baixarias que presenciei que sujaram o nome dessa instituição para mim definitivamente.
A primeira foi o escandaloso apatismo político daquelas pessoas. Muitos detalhes sobre negócios, dinheiro, e saída pela tangente quando o assunto era a vida em comunidade, a política e a religião.
A segunda foi quando me deparei com a disciplina "Ciência Política".
Uma senhora enrugada, comunista até a alma, dirigindo seu Lada, enfiou-nos na garganta um filha da puta chamado Norberto Bobbio, pedindo que repetisse religiosamente seus conceitos nas provas.
Acreditem se quiserem: fui expulso da faculdade pois me recusei a fazer isso. Repito: fui expulso da faculdade pois não quis repetir as besteiras da porra do Bobbio.
É isso.
Se alguém tem dúvidas de que faculdade é essa podem me perguntar em PVT.
Precisando me formar, retomei os estudos em outra faculdade.
Mesma merda, mas dessa vez tive que ler Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Montesquieau, Marx, e (pasmem) Hitler.
Não que eu considere perda de tempo ler uns filhas da puta de vez em quando pra saber o que é o inferno, mas isso para mim não é um curso de filosfia política.
Dessa vez eu fiz a ´lição de casa´ e me formei.
O detalhe dessa passagem fica por conta daquele Yolhesman daquele professor: sem ensinar nada de Burke, coloca um trecho dele numa prova e pede para contrastar com Rousseau, passando, no entanto, uma imagem completamente adulterada do primeiro, como um indivíduo cínico, ensimesmado e fascista, claramente com a intenção de nos tirar o apetite de lê-lo.
obrigado pelas palavras. Realmente aquilo exigiu uma enorme coragem.
mas depois, como falei, repensei, e cheguei à conclusão de que não adianta se auto-flagelar para pagar o pecado dos outros. Não quero acabar como aquele bispo que desafiou o PT.
Confessei para o torturador o que não fiz para poder escapar.
Seria bom dar o nome da faculdade ou então apresentar uma boa justificativa para não tê-lo feito. Se tudo o que você diz é a pura verdade, não há o que temer.
Mas, ainda assim, tem duas perguntas que não saem da minha cabeça:
1. Por que você não foi apenas reprovado na disciplina? Sim, porque poderia ter escrito coisas que a professora não aceitasse e considerasse errado, terias tomado um belo zero, e teria apenas tomado bomba na disciplina, mas expulso da faculdade?!?! Explica aí!
2. E caso tivesse sido reprovado na disciplina (e mesmo tendo sido expulso da instituição) por que não procurou seus direitos na Justiça? Sim, algumas coisas, ainda que lentamente, ainda funcionam (ainda) no Brasil.
Insisto no conselho para que você procure seus direitos na Justiça. O curso pode ser ótimo, e apenas ter essa disciplina ruim. Se é um curso interessante para a sua carreira, não deixe que eles te vençam, não jogue a toalha. Não vê que é isso mesmo que a sua professora comunista quer?! Ela não quer que pessoas como você progridam na carreira.
Divulgar o nome do curso não comprometeria seus amigos. Aqui você está sucumbindo novamente. QUem compromete seus ex-colegas é a referida professora e a direção da instituição. Quem está arruinando o curso, comprometendo os alunos, não é você, é a professora e a direção da instituição.
O problemático não é você, são eles, não deixem que virem a jogo desta forma.
Acho que você tem a obrigação para consigo mesmo de divulgar (não apenas aqui na Olavo de Carvalho e no Orkut) o nome da professora, do curso e de seus principais diretores e coordenadores. O mínimo a fazer em seu próprio respeito.
Aproveite a onda e escreva para Reinaldo Azevedo, para o Olavo de Carvalho, para o Farol da Democracia, para os Diário do Commércio, para o JB, para a Folha, Globo, Estadão, etc. Entre na justiça e peça mais do que sua vaga de volta, peça indenização moral pelo que passou.
Eles querem te transformar em ruido. Seja um azougue.
Lucas, o COC é velho conhecido das manchetes de manipulação ideológica. O pessoal do Escola Sem Partido que o diga. =)
Ah, sim Johnny, procure o pessoal do ESP, tem comunidade aqui no Orkut, coloque seu tópico lá, escreva um texto e mande pra eles, tinha esquecido de falar do ESP. Tem muita gente aí disposta a repercurtir isso.
Você conseguiu me convencer a dizer o nome da instituição. Que se dane. É a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV).
De resto, vou seguir seus conselhos. Conheço bem as idéias do pessoal do ESP, é um pessoal muito bom, muito bom mesmo.
O ocorrido já faz um tempo, mas as vezes me sinto como um desertor que tem medo de denunciar sua antiga facção por medo de represálias.
Antônio, o cara é um tipinho bem cliché pelo que pude ver.
Entre no profile dele: [url]/Profile.aspx?uid=2308053373388363003[/url]
O cara ama o Evo Morales, odeia Globo "anti-Lula", diz que não lê a "inVeja", odeia o neoliberalismo, dá esporro em quem discorda dele na sala de aula, é ultra-pró tv públicca, emfim, tipinho manjado digno de pena. Fica impressionando aluninho desantenado com chavões pró esquerda (pelo que sei a faculdade agrega a classe média e a elite que não tem dinheiro para ir pra PUC, que não passa no vestibular para as públicas e que por isso mesmo nem pensam em pedir bolsa numa PUC)
Nunca pisei nessa FACHA, mas juro que fazia melhor juizo dela.
Johnny, muita coragem sua. Provavelmente eu não teria feito a mesma coisa.
A propósito, sou bacharel em Geografia pela UFRGS, onde o esquerdismo rola solto.
No meu trabalho de conclusão tive o Olavo de Carvalho censurado pelo meu orientador. Isso mesmo: censura aberta. Qual foi a justificativa do meu professor? Que o Olavo não servia para o trabalho, e a justificativa escrita dele - muito do trabalho foi comentado via e-mail - não tinha objeção clara à minha proposta. Quando insisti pela segunda vez no Olavo, ele negou-o peremptoriamente, dizendo que o Olavo trabalhava "por dinheiro" (sic - lembro bem disto). O assunto encerrou-se ali.
Noutra ocasião, comentei com o mesmo professor de ter lido um texto sobre revoluções do Plínio Corrêa de Oliveira - que eu não conhecia na época. Ele quase teve um ataque, ficou completamente alterado e renegou-o.
Ademais, alguns colegas meus diziam que ele era filiado ao PT, mas isso não sei se era verdade.
Bah, Marcos, que absurda essa tua história. Porto Alegre é mesmo uma cidade de extremos. Enquanto surgem alguns bons defensores de causas liberais aqui e ali, tornando a cidade uma das referências no Brasil para qualquer pretensão de "reforma de pensamento político", por assim dizer, também ainda se vê muito do extremismo petista, pcdbista. Inegavelmente o espírito do latino idiota é o que ainda toma conta de Porto Alegre.
Conheci um cara esses tempos que tinha uma teoria bem engraçada, mas até com algum fundo de verdade: de que o visual e o clima da cidade, a sua ambientação (muitas árvores, muitos parques, muitos morros e ruazinhas e alamedas, muito calor no verão e frio não tão intenso no inverno, prédios envelhecidos, pouquíssimos arranha-céus) favorecem essa cultura "neo-hippie" e "neo-folk", que nada mais são do que uma repetição do movimento hippie dos anos 60, da contra-ditadura dos anos 70. Quem mora em POA sabe que comunista sujo e maconheiro aqui "é mato".
É, Johnny, não é mole. Quando você iniciou o tópico eu já sabia que era a GV (também famosa pelas festas de arromba e pela publicação de fotos com gente fazendo sexo em cafofos nas mesmas...), minha ex namorada estuda lá e eu fiquei conhecendo um bocado da faculdade. Acho que o pior perigo por lá é o fato de uma grande parte dos alunos estar mais procupada com a empresa ou banco onde vai trabalhar e ficar propensa a comprar opiniões políticas desses cretinos esquerdinhas por falta de tempo mesmo. Ao menos o IBMEC tem o Gianetti (provocação, é brincadeira).
O problema que você encontrou eu acho que o Olavo já mencionava: a elite econômica está pouco propensa a defender os mesmos ideais que a constituíram. Se a maré intelectual e políticac está à esquerda, é para lá que eles vão.
matou a charada Tiago, o ponto chave de toda essa estória é exatamente o que você falou:
É gravíssimo o fato de que as pessoas nao se importam com o que ocorre em torno delas. O fato de que isso ocorra numa faculdade particular e "de ponta", como a FGV, que forma líderes políticos e econômicos é mais um raio x do cenário de guerra, dessa cegueira voluntária.
Eu me lembro que na época só de pensar em ostentar um diploma da FGV eu sentia ânsia (ou seria, uma anta?)
Essa do Gianetti foi boa hehehe... o IBMEC nao fica devendo nem um pouco para a FGV
(aliás, em off, como se ninguém soubesse, o Suplicy é professor de honra da FGV).
Eu adoro uma frase que o Olavo sempre fala, não lembro exatamente as palavras nem de quem era, alguém pode ajudar, "Dêem-lhes uns trocados, eles lhe entregarão gentilmente o poder"
Vale ressaltar, no entanto, como bem colocado pelo Tiago, que as festas eram realmente excelentes.