A propaganda do Canal Futura, bem feita mas sem conteúdo, diz que "Robespierre queria ser igual e livre. Acabou na guilhotina".
Eles estão querendo achar que qualquer pessoa que tenha estudado sobre Revolução Francesa seja um idiota.
Robespierre foi para a guilhotina porque estava matando demais, essa é a verdade.
Matando camponeses (70%), pessoas comuns, cientistas, germanófilos, até prostitutas. Era um tirano dos mais imorais que já passou pela humanidade.
Queria todos iguais, mas no túmulo...
Contudo, o máximo que qualquer cidadão bem educado na adolescência já ouviu falar dos jacobinos foi 20 minutos, enquanto essa propaganda passa toda a hora na TV.
Pura lavagem cerebral.
Queria antes de mais nada ser ditador. Cometeu tantos assasinatos que assustou os Deputados. O prinscipal mentor de sua queda foi Fouchè (futuro Duque de Otranto...), jurado de morte pelo próprio Robiespierre.
É pois é, é isso aí.
Só "ensinam" imbecilidades, tudo errado, torto, deturpado, enviesado, falseado e manipulado.
Não há salvação possível NEM se o Brasil tivesse escolas.
Pensando bem, SOBRETUDO se o Brasil tiver escolas.
Não dá pra decidir se é melhor deixar todo mundo ignorante mesmo de uma vez, do tipo que nunca ouviu nem falar em nada disso, ou transformar todos em ignorantes com um diploma na mão repetindo imbecilidades.
Eles estão querendo achar que qualquer pessoa que tenha estudado sobre Revolução Francesa seja um idiota.
Desculpe-me discordar de você, pelo menos em parte, todas as pessoas que estudaram o Revolução Francesa nas escolas ou leram livros mais acessíveis ao grande público é realmente um idiota, eu falo por experiência própria. Já lá no ensino fundamental eu fui doutrinado a ser um grande admirador dos revolucionários franceses e ter ódio do rei e da rainha (Luiz XV e Maria Antonieta). Em realidade eles não eram melhores nem piores do que a maioria dos reis em qualquer época e a França por essa época era um país que tinha talvez a maior renda per capita no mundo no séc. XVIII.
Se alguém pegar um livro mais ou menos sério sobre a Revolução Francesa verá que os revolucionários eram tão fanáticos que fariam um Lula, Chavez ou Pedro Stédile corar e seus apoiadores uma ralé* tão imunda que faria com que os militantes do MST parecesses singelos coroinhas.
Seja como for, criou-se o mito (a Revolução) e seus respectivos heróis, Marat, Danton e Robespierre. Essa triade sanguinária causaram um morticínio sem paralelo na história moderna francesa e o que se vê hoje são escolas, ruas e praças com seus nomes e monumentos em sua homenagem. Assim fica difícil a um estudante entender a história. Foi nesse mesmo ano de 2007 que finda que minha filha de 16 anos estudou a Revolução Francesa no segundo ano do ensino médio e eu tive que fazer algumas correções no livro didático adotado pela escola e no que explicava seu professor.
*Para que não aja confusão, devo dizer que essa ralé eram todos desajustados sociais, vagabundos, trapaceiros e infratores da lei que de algum modo queriam se vingar de suas desgraças que eles viam como responsáveis o clero ou a realeza. Os pobres eram decentes como em qualquer época e formaram a maior parte da grande massa de pessoas mortas pela Revolução.
(...) todas as pessoas que estudaram o Revolução Francesa nas escolas ou leram livros mais acessíveis ao grande público é realmente um idiota (...)
Tudo isso por que? Medo da maioria cristã que compõe o povo brasileiro descobrir que é governada por um sistema que em verdade debocha dos seus valores e medo da maioria do povo descobrir a perversão que é o regime republicano.
Mas o REUNI está ai para formar uma nova geração "intelequituau" que vai mudar "effe paiff".
Agora vai.
A luta pelo poder é talvez uma das coisas mais importantes para se aprender, seja para o estudante de história ou o cidadão dito comum. Considero essa questão tão fundamental que deveria ter disciplina própria nas escolas. Porém não é do interesse das classes dominantes (intelectuais ou políticos) que a verdade sobre os movimentos das massas em benefício de um pequeno grupo seja compreendido. Veja você então que 99 % da sociedade, o que poderíamos chamar de massa amorfa, que é a principal interessada nos destinos dela própria desconhece as razões de seus atos e ela mesma paga com seu sangue sua idiotice.
Lion também fez grande resistência a Revolução. Foi destruída e teve milhares de lioneses assassinados. Dizem que as aguas do Ródano eram vermelhas de sangue e os corpos deixados a vagar pelas suas águas, para passarem por outras comunidades ribeirinhas, como aviso aos que eram contra a revolução. Foi o período chamado Terror e Robespierre ditava a política na época. O homem que queria ser igual, acabou sendo, foi tragado pela própria causa que defendia. Talvez essa seja uma das poucas justiças na sua biografia sanguinária.
As causas metafísicas ou místicas da Revolução Francesa ou de qualquer outra movimento revolucionário nunca é abordado no ensino oficial da História da humanidade nas escolas ou meios acadêmicos. Mas você falou tudo.
Uma vez o Olavo disse haver uma íntima ligação do iluminismo francês com movimentos heréticos, satãnicos ou gnósticos. Alguém sabe alguma referência sobre o assunto?
Olavo escreveu muitas coisas sobre o Iluminismo. Pode procurar no site dele, pesquisando "iluminismo" no campo de busca, e você vai encontrar diversos artigos. http://www.olavodecarvalho.org/, nunca é demais repetir.
Que pena, mas funciona como consulta e referência, igual!
Quanto ao método descrito, HÁ MUITO utilizo tática semelhante no http://books.google.com/! Mas não conta pra ninguém!
Quebra um galho, como disse o Grimaldo. A maioria dos livros "limited preview" tem um limite de leitura, mesmo usando "a manha", aí o cara tem que dar um tempo, ou logar com outro nome. Ou utilizar algum peer-to-peer (emule é o meu preferido) e buscar em todos os servidores a obra em questão.
No emule dá pra baixar coisa "bagarai". Esses dias achei um manual militar para sobrevivência em um ambiente pós-guerra nuclear! hehehe
ßëñðë®, tudo o que vc disse tem cabimento: realmente o que se ensina sobre a Revolução Francesa foi tão reduzido e distorcido que não restou mais nada que não seja puro doutrinamento.
Na realidade, só faltou também dizerem que Marx queria unir os trabalhadores (e "acabou desempregado"), ou que Béria queria proteger a revolução (mas "acabou executado").
O que me referi era aos que realmente tiveram o privilégio de estudar qualquer coisa (até o fim) sobre a Revolução Francesa, um direito que a geração atual de professores está retirando dos estudantes.
Esses certamente se espantaram, porque Robespierre não foi alguém que foi morto por tentar a liberdade ou a igualdade, mas por seus próprios companheiros revolucionários, que entenderam que o Terror estava indo longe demais, matando gente que não representava qualquer ameaça aos jacobinos...
Ou seja, total viagem do canal Futura.
E esses fatos não são nenhuma novidade.
Minha alegria de 2007 foi quando eu presenciei dois estagiários dando uma aula (muito boa, por sinal, considerando considerandis) sobre revolução russa, na qual não tive qualquer intervenção. Logicamente, eles conduziram tudo para contrapor as vantagens do regime soviético.
Mas quando fizeram a pergunta se achavam melhor o socialismo ou o capitalismo, o melhor aluno foi rápido no gatilho: capitalismo!!!
Tudo bem que Maria Charlotte tenha matado Marat. Mas não devemos esquecer que ela era tão revolucionária como sua vítima e tão ou mais fanática que ele. O assassinato de Marat colocou mais lenha na fogueira da Revolução e deu mais armas aos revolucionários para matar quem era contra, sem falar que apartir da morte de Marat as perseguições aumentaram de forma geométrica.
O principal beneficiado pelo assassinato de Marat foi Robespierre (um adversário a menos...). Nove meses depois, o herói carcomido, nas palavras de Robespierre para se referir a Danton, foi executado. O caminho estava livre para as pretensões insanas de Robespierre. o assassinato de Marat causou mais mal do que ele tivesse morrido velho e doente.
Através da cena que Marat deixou vazia, os insondáveis olhos verdes de Robespierre examinavam cuidosamente a estatura de seu rival Danton*
Danton seria hoje ou na história passada recente do Brasil um Jango Goulart. Tinha sede de poder, era um bon vivant corrupto, tinha alguma coragem pessoal, porém era idiota demais e presa fácil para uma raposa feito Robespierre. Danton, ao menos pelo que me parece, não tinha competência para ser um ditador. O grande mérito de Robespierre na sua vida política foi uma habilidade fora do comum para dividir seus inimigos fazendo eles se destruirem um a um,s em que eles percebessem que suas hábeis mãos os manipulava.
Você deve ser professor. Parabéns pelos seus alunos. Na certa você tem alguma culpa por eles pensarem assim, ou seja, ver a realidade tal como ela é e não através de propaganda ideológica.
Na realidade, acredite, não tem nenhum dedo meu nisso.
O canal Futura é de má qualidade. Já comentei aqui que tinha um programa que analisa fatos históricos referindo-se ao bloco stalinista como "democracias populares", um termo tão errado quanto anacrônico.
Corday não tinha idéia do que adviria de sua ação. Lhe interessava somente o tiranicídio, eliminar Marat, que tanta gente mandou para a guilhotina com denuncismo barato no "Amigo do Povo".
Concordo com você, Maria Charlotte tinha apenas uma certeza quando decidiu eliminar Marat, a que seria guilhotinada, no mais ela acreditava que a morte de Marat poderia evitar uma guerra civil na França (o responsável por isso seria Marat, segundo ela) e ela seria lembrada como heroína que deu a vida para que isso não acontecesse. Ela morreu como previra e sua morte não serviu para nada a não ser a aumento do Terror. Mesmo nós não concordando 100% em relação aos méritos da atitude de Mademoiselle Corday, você há de convir comigo que ela agiu como uma fanática, talvez muito pior que o fanatismo que movia Marat, este estava mais para louco que para qualquer outra coisa, aliás a loucura dos lideres políticos era norma por aqueles tempos na França. O radicalismo da época não dava margem para moderados. Quem agisse com bom senso ou tentava ser conciliador era rotulado de traidor da revolução e isso significava ficar sem a cabeça sobre os ombros.
Eu lendo sobre Maria Charlotte Corday, confesso que cheguei a ter uma certa admiração pela coragem dessa mulher, mas isso não significa dar-lhe razão em sair assassinando alguém (mesmo sendo Marat, personagem pelo qual não tenho nenhum motivo para admirar). Não foi somente eu ou você que pode ter sido influenciados pela personalidade da moça, na época de sua decapitação muitos foram fisgados pelo misticismo que ela criou sobre ela mesma. Porém temos que ser realistas, o gesto de M C Corday foi improfícuo, porque ela ignorava a natureza real dos acontecimentos em que acabou participando, tal como você mesmo afirma em seu post em itálico acima.
Vamos rever alguns trechos do interrogatório de M C Corday para entender seus motivos, suas razões e sua falta de percepção da realidade:
-Quem lhe inspirou tanto ódio a Marat?
-Eu não precisava do ódio dos outros. Meu próprio ódio era o bastante.
-Que espera matado-o?
-Paz para meu País.
-Mas, supõe que tendo-o matado, matou todos os Marats?
-Este morreu, os outros talvez se amedrontem.
-Os jornais que leu devem ter causado a crença de que Marat era um anarquista
-Sim, fiquei sabendo que ele pervertia a França. Matei um homem para salvar centenas de milhares...
Fouquier-Tinville observou que o golpe foi hábil e mortal. Se a punhalada não seguisse determinado ângulo, Marat poderia ter sobrevivido. E comentou com sarcasmo: "parece que se adestrou muito bem nesse tipo de crime."
-Céus, gritou ela com indignação "Eles me tomam por uma assassina
Em outro interrogatório:
-Qual o objetivo de sua vinda a Paris?
-Matar Marat.
-Qual foi o motivo que a levou a uma decisão tão terrível?
-Seus crimes.
-De que crimes o acusa?
-Devastação da França e guerra civil por ele ateada em todo o Reino.
-Em que baseia essa resposta?
-Os crimes anteriores desse homem são indícios de seus crimes presentes. Foi responsável pelos Massacres de Setembro. Com o objetivo de se tornar ditador, ateou fogo na guerra civil. Violou a soberania do povo, ao provocar a expulsão e a prisão de membros da Convenção.
Ao seu advogado, Chauveau-Lagarde, apenas restou tentar justificar o crime pelo fanatismo político devido frieza e falta de remorsos de sua cliente. Não que isso pudesse salvá-la, mas por outro lado ele desconsiderou a alegação que fora sugerida pelo próprio Tribunal de alegar insanidade, com o objetivo de humilhá-la e retirar a aura de patriotismo que seu gesto envolvia e que tanto impressionara a assistência.
Fanatismo?... Insanidade?... Patriotismo?... Isso não teria muita importância para os futuros decapitados resultante de seu ato.