(...) Concluo, com base nessa extensa lista de dados históricos a respeito da personalidade e das realizações de d Pedro II (que levaram o Brasil a ser o principal país das Américas em sua época) que o mesmo fora um brasileiro ímpar em todos os aspectos (...)
A perseguição ao Mauá praticada pelo D.Pedro II foi um grave erro mesmo. Isso é muito bem mostrado no filme "Mauá: o Imperador e o Rei". Quem não viu eu recomendo, é muito bom.
Falar de Dom Pedro II, como o maior brasileiro é bastante delicado, será que realmente poderíamos dizer que Pedro II era brasileiro. Questão a se pensar.
Quando se fala em brasileiro, tem de se supor que existe uma identidade nacional, e antes disso, a idéia de pertencimento a um povo e ser integrante do mesmo, com um passado em comum, etc., citar Dom Pedro como um brasileiro nesse sentido estrito, ao lado de Pelé, só para citar como exemplo, pode ser problemático, já que a identidade "Brasil" estava sendo criada nesse mesmo período nas discussões do IHGB, entre Adolfo Vanhargem e Capistrano de Abreu. Estamos falando de um Imperador de família portuguesa nascido aqui, que viveu entre conflitos políticos de portugueses do reino e da corte. Acho que o título de brasileiro nesse caso, acontece muito mais a posteriori, uma idéia de hoje, para o passado, pra mim soa bastante anacrônico, ou no mínimo uma questão a ser refletida.
Quando se fala em brasileiro, tem de se supor que existe uma identidade nacional, e antes disso, a idéia de pertencimento a um povo e ser integrante do mesmo, com um passado em comum, etc., citar Dom Pedro como um brasileiro nesse sentido estrito, ao lado de Pelé, só para citar como exemplo, pode ser problemático, já que a identidade "Brasil" estava sendo criada nesse mesmo período nas discussões do IHGB, entre Adolfo Vanhargem e Capistrano de Abreu
Não conheço a obra dos citados para poder emitir um julgamento a respeito.
Mas supondo ser esta uma obra, uma "tese", enquanto Capistrano de Abreu e Adolfo Vanhargen decidiam quem é brasileiro e quem não é, D Pedro II ajudava a construir um país. Teses podem ser construídas ou derrubadas, mas a obra de um homem permanece. E este foi o caso de D Pedro II.
Tentando entender um pouco melhor essa "tese", o fato de D Pedro II ser descendente de portugueses o faria menos brasileiro que outros brasileiros? Oras, tal suposição não lhe parece absurda?
Falando em identidade nacional, você tem ai algum fato de relevância dessas duas figuras que possa ao menos ser citada em comparação ao patriotismo de D Pedro II?
Pelé nasceu no Brasil e foi o maior atleta de todos os tempos. Isto é um fato inegável.
D Pedro II nasceu no Brasil e foi o maior governante que esse país já teve, de uma moral, de um caráter, de realizações que nenhum governante depois dele teve. Outro fato inegável. Poderia citar um Médici como exemplo de moral no governo, mas Médici não foi um liberal como foi D Pedro II.
Não entendo o que poderia fazer de Capistrano de Abreu ou de Adolfo Vanhargen, exemplos capazes de criar marcos de brasilidade para o resto da nação.
Assim sendo, não entendo o teor da sua oposição à D Pedro II.
O que tem de politicamente dizer que não haviam brasileiros?? O nacionalismo é um fenômeno moderno, até mesmo nos dicionários de época até meados do século XIX, o verbete nacionalismo era descrito de maneira totalmente diferente, do que se entende como nacionalismo nos dias atuais.
O Instituto História e Geográfico Brasileiro, foi criado na primeira metade do século XIX, e Dom Pedro II, foi um de seus maiores entusiastas, o objetivo dessa instituição era criar um ideólogo nacional, dar uma unicidade ao povo, que durante toda a história, podemos observar que sempre foi bastante fragmentado, com interesses distintos por todo o terrítorio. Para isso nesse período foram exaltados fatos de nossa história que poderiam criar uma identidade ao povo.
Para se entender esse período, temos que citar Adolfo Vanhargem e Capistrano de Abreu, o que eles escreviam não eram "teses" como você disse, e muito menos diziam quem era brasileiro ou não. Vanhargem nesse processo, exaltava a figura do português, e seu passado, como aquilo que deu forma e estava na alma do Brasil, a figura do português civilizador, etc. Capistrano de Abreu, evidenciava elementos menos elitistas, dando importância ao índio, e as presenças populares, e a importância da geografia local sobre a sociedade. Existiam outras correntes, porém essas são as que melhor expressam o período.
Então a questão que eu levanto é a seguinte, como dizer que Pedro II, seria o maior brasileiro de todos os tempos, ao lado de Pelé, se a identidade nacional, estava sendo criada naquele mesmo período, o sentimento de pertencimento à nação, ainda estava engatinhando no Brasil, como exemplo, a Inconfidência Mineira, foi colocada em evidência nesse mesmo período, ou seja, como dizer que é um legítimo brasileiro, alguém que está presenciando a criação desse conceito.
Ps.: Me refiro a brasileiro no sentido de identidade cultural e sentimento patriótico, obviamente Dom Pedro II, era brasileiro pelo simples fato de ter nascido aqui.
Continuo não entendedo a sua linha de reciocínio.
Pelo que você postou, seguindo a mesma continuidade, os Founding Fathers não poderiam ser considerados grandes americanos simplesmente por estarem testemunhando a origem do seu país. Um americano debocharia desse tipo de argumentação.
José Bonifácio de Andrada e Silva não seria um grande brasileiro nesse contexto. Então o Olavo de Carvalho está errado?
Sugiro que você reveja a sua argumentação.
Vamos lá, quanto aos Founding Father, sim nesse caso poderiam, a construção do nacionalismo norte americano é totalmente diferente à nossa, existia um sentimento de unidade, diferente do Brasil e até mesmo da América Latina de um modo geral. Não me lembro de quem foi a citação de que no Brasil, "Primeiro se criou a pátria, porém nela não tinham brasileiros", é do século XIX.
E realmente na minha opinião nesse caso, Olavo está errado.
Para deixar ainda mais clara a minha linha de raciocínio, é que baseado nas informações acima, na minha concepção, falar de Dom Pedro II ou até mesmo José Bonifácio, como grandes brasileiros, comparando-os com figuras atuais, é colocar um conceito posterior ao fato histórico, ou seja, está sendo atríbuido um conceito, posterior à existência desses personagens, conceito este que na época em que eles se inserem, não estava amadurecido como nos dias de hoje.
Será que você ainda não percebeu que a sua tese é absurda?
Você diz que os Estados Unidos tinham "um sentimento de unidade maior". Oras, e o que foi a guerra civil americana, com o Sul inteiro querendo se separar do resto do país?
No Brasil, o grande responsável pela união de um país que vinha se fragmentando foi D Pedro II.
Leia o texto do início do post e você verá quem foi D Pedro II.
Bom, quanto ao fato de você não citar José Bonifácio de Andrada e Silva como um grande brasileiro somente reforça os meus argumentos iniciais. Quem escreve isso sabe pouco sobre o país em que vive.
A Guerra Civil Americana, foi causada por interesses distintos, porém isso não invalida o sentimento de unidade, um mesmo povo lutando entre si, devido a interesses diversos, como acontece com a guerra civil inglesa, somente para citar um exemplo. Me refiro a sentimento de unidade de um mesmo povo.
E quanto a José Bonifácio, falar em brasileiro, no mesmo sentido que temos hoje, de alguém do século XVIII, é anacronismo, a nação brasileira é criação do século XIX, não só ela como a idéia de nacionalismo em caráter mundial.
Mais um exemplo, a elite criolla da América Latina, todos se viam como espanhóis, porém isso não impediu de brigas internas e confrontos armados. As divergências políticas não excluem a idéia de que é uma briga entre iguais.
A Guerra Civil Americana, foi causada por interesses distintos, porém isso não invalida o sentimento de unidade, um mesmo povo lutando entre si, devido a interesses diversos, como acontece com a guerra civil inglesa, somente para citar um exemplo. Me refiro a sentimento de unidade de um mesmo povo.
"Interesses distintos" uma ova. O Sul queria se separar do resto do país e declarar independência formando uma nova Nação. Chegou-se a se cogitar a vinda de um monarca da Europa para assumir caso o Sul tivesse ganho a guerra.
E quanto a José Bonifácio, falar em brasileiro, no mesmo sentido que temos hoje, de alguém do século XVIII, é anacronismo, a nação brasileira é criação do século XIX, não só ela como a idéia de nacionalismo em caráter mundial.
José Bonifácio de Andrada e Silva é o pai da independência. O homem ajudou a fundar o país onde antes existia uma colônia de exploração. E a inspiração veio dos Estados Unidos. Portanto, se José Bonifácio não é um grande brasileiro, os Founding Fathers também não são grandes americanos o que é absurdo, como expus acima.
Anacrônico é dizer que as pessoas que ajudaram a fundar e constituir uma nação não possam ser consideradas grandes homens nessa nação. Nada mais contraditório e absurdo.
Cara a Guerra Civil Americana é algo totalmente diferente, como eu disse, estavam guerreando porém tinham a consciência que faziam parte de um mesmo povo, a guerra foi devido a interesses politíco-econômicos, esse fato não invalida o sentimento nacional, ambos continuavam sabendo que pertenciam a um mesmo povo. O que em hipótese alguma se aplica ao Brasil.
E quanto ao "pai da independência", é uma versão antiga da historiografia brasileira, há muito já ultrapassada.
Cara a Guerra Civil Americana é algo totalmente diferente, como eu disse, estavam guerreando porém tinham a consciência que faziam parte de um mesmo povo, a guerra foi devido a interesses politíco-econômicos, esse fato não invalida o sentimento nacional, ambos continuavam sabendo que pertenciam a um mesmo povo. O que em hipótese alguma se aplica ao Brasil.
Mesmo que houvesse um sentimento de unidade durante a guerra civil (para mim questionável). Os Founding Fathers não seriam grandes americanos simplesmente por não existir na época dos Founding Fathers esse sentimento de "unidade" que você menciona. O país ainda estava sendo formado.
A independência é um encadeamento de acontecimentos, que "desaguam" na independência, com seus artífices, sendo José Bonifácio um deles, chamar Bonifácio de pai da independência, seria o mesmo que dizer que suas primeiras medidas teriam como fim último a separação, seria mais uma vez, adotar os conceitos posteriores à uma época anterior aos mesmos.
Acho que você está misturando as estações.
Juridicamente é brasileiro quem nasceu no território nacional.
Mesmo assim ainda podem existir indivíduos que mesmo nascidos em território nacional aspirem outra identidade nacional. Por exemplo: fulano nasceu em Petrópolis mas tem alma alemã.
Nesse sentido ainda poderia concorda em talvez excluir Santos Dummont da minha lista. Santos Dummont, embora nascido no Brasil, tinha uma "alma" francesa.
Mas este, definitivamente, não é o caso de D Pedro II. D Pedro morreu com terra trazida do Brasil embaixo do travesseiro. Contentaria-se em ser mero professor para poder servir melhor ao seu país. D Pedro foi uma das pessoas que mais amaram esse país. Como pode ele não ser brasileiro? Então ele amava algo que negaria a sua paixão posteriormente?
Em última análise, quem seria o "modelo de brasileiro" para o cientista social? Lula?
Respeitando desde já sobre a sua grande erudição na área (confesso que não é a minha praia), o que você acha sobre essa "tese" de nacionalidade levantada pelo colega Léo?
Bom, então me parece, (veja, posso estar equivocado) que essa idéia de nacionalidade nunca passou de mera "tese" usada em sala de aula ou em livros em certos cursos de "nível superior" cuja legitimidade é no mínimo absurda. Exagerei?
Não sei se foi o maior dos brasileiros, mas foi certamente o mais honesto, culto e patriota governante desse país, em um período em que o zelo com a coisa pública e estadistas ainda não haviam se tornado artigos raros em solo brasileiro.