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Apenas lembrando que o Profeta era analfabeto.
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Os homens e mulheres bombas não é tão corajosos como muitos afirmam e a maioria acredita.
Segundo Mohammed M. Hafez (escritor árabe e professor visitante do Departamento de Ciência Política da Universidade de Missouri) afirma em seu último livro "The Strategy and Ideology of Martyr" - aqui um resumo, em Português do livro -
http://frankherles.wordpress.com/2008/01/12/a-mitolo…o-no-iraque/ )Os canais via satélite iraquianos transmitem com freqüência “confissões” de sobreviventes de atentados fracassados que afirmam que não sabiam que estavam prestes a participar de uma operação suicida, porque uma outra pessoa estava no controle do detonador enquanto eles pensavam estar simplesmente entregando o caminhão em seu destino. Alguns dizem que tiveram suas mãos algemadas ao volante do veículo e outros afirmam terem recebido drogas e material pornográfico para se sentirem excitados e irem ao encontro de virgens celestiais.
E tem um tal de Marcelo, de SP, que nunca falta tb.
Se bem que ainda não ouvi o último programa. Vou conferir se eles estavam presentes.
Certamente o Islã incorpora idéias judaicas e cristãs que haviam se espalhado através da península arábica. E também é verdade que muitas dessas idéias lá chegaram parcialmente adulteradas. De qualquer forma, havia cristãos espalhados e judeus em grupos por toda a península - e mesmo entre os nômades pagãos, de alguma forma a influência das religiões monoteístas se fêz sentir.
O movimento chamado Hanif, sobretudo, foi muito importante, já que influenciou diretamente a Maomé. Os hanifs eram em parte pessoas que haviam sido cristãs, e outras que se tornaram cristãs mais tarde. E mesmo os que viveram sempre como hanifs adotavam um comportamento mais próximo do juadísmo e do cristianismo: "Zaid não tomava parte no culto aos ídolos, não comia o que havia morrido de morte natural, rejeitava a carne e o sangue dos animais sacrificados aos ídolos, proibia que se enterrassem vivoas as crianças do sexo feminino, e proclamava adorar o Senhor Abraão", diz um historiador da época a respeito de um hanif. O poeta Umayya, depois de ter lido as Sagradas Escrituras, passou a incitar a todos que abandonassem a idolatria e buscassem a Verdade.
Uma hipótese é que Maomé, assim como os hanifs, tenham tido como fonte comum contadores de histórias profissionais que, como também era comum na Europa Medieval, viajavam por toda a parte, e eram muito apreciados. Esses contadores se inspiravam em tradições judaicas e cristãs, e as agregavam àquilo que contavam.
A influência no periodo em que Maomé estava em Meca foi mais cristã do que judaica: a certeza na ressurreição, o terror do dia do Juízo, os sofrimentos do inferno e as delícias do Paraíso, todos esses conceitos são cristãos, e especialmente importantes no cristianismo arábico. Também são influências do Cristianismo a elevaçào de Jesus acima dos outros profetas, e práticas como a de se curvar durante as orações, e fazer vigílias. Também li que Maomé nessa época simpatizava com os cristãos de Bizâncio, então em guerra contra os persas.
E Maomé se referiu a diversos dogmas do Cristianismo, se bem que de forma meio truncada, pelo menos eu achei. A Santíssima Trindade, por exemplo, virou uma coisa confusa, uma espécie de "agrupamento" entre Deus, Jesus e Nossa Senhora, como se fosse a Sagrada Família. E Maomé também menciona, no período de Meca, o Verbo, e o espírito Santo. Eu acho que todas essas idéias cristãs foram mal-entendidas, e me parece que Maomé não sabia direito do que estava falando - assim, por exemplo, o Espírito Santo foi associado por ele ao anjo Gabriel.
(A essa altura eu já devo estar sendo considerada cinco vezes herege por todos os muçulmanos que porventura estiverem me lendo, mas é isso mesmo que eu penso...)
E Jesus recebe de Maomé todos os atributos - exceto o da divindade.
A crucificação, por sua vez, é interpretada como os gnósticos docéticos do século I a interpretam - Jesus tinha um corpo aparente, mas não real, e nunca foi realmente crucificado.
A parte escatológica da doutrina Islâmica é a mais obviamente tirada do Cristianismo, se bem com um enfoque completamente diferente, mais... ahn... mais "primitivo".
A concepção de Maomé é muito menos alegórica, infinitamente mais presa ao terreno e material, do que a do Cristianismo. O Paraíso não é um lugar onde a presença de Deus é a fonte da felicidade, como para os cristãos - é um lugar onde satisfações terrenas predominam, e o fiel vai finalmente poder fazer aquilo que durante toda a sua vida lhe foi proibido - o que eu acho contraditório ao ponto de dar enxaqueca, porque ou uma coisa é permitida o tempo todo porque é boa ou é proibida o tempo todo porque é má, e a idéia islâmica de que durante a vida uma coisa é um pecado horrível, e no Paraíso a mesma coisa vira uma recompensa divina não é aceitável para mim.
Por tudo isso, eu acho excessivo considerar o Islã uma heresia cristã. Acho que FALTA coisa demais que verdadeiramente ligue o Islã ao Cristianismo, para que seja assim.
"Heresia"significa ëscolha", no sentido de escolher uma outra interpretação da mesma coisa. O Islã não se diferencia do Cristianismo por uma "escolha', e nem mesmo por uma "série de escolhas". É uma completa "outra coisa", diversa, fundamentalmente diversa.
Eu acho que sofreu essas influências das quais eu falei, e muitas mais.
Do Judaísmo também.
Mas o Islã é o Islã. Não diria que é uma heresia cristã, não. Acho uma forçação de barra...
Silvinho, que texto interessante, hein?!