Agora, quanto ao grande Steven Pinker, vale destacar este trecho:
"Killing a baby is an immoral act, and we often express our outrage at the immoral by calling it a sickness. But normal human motives are not always moral, and neonaticide does not have to be a product of malfunctioning neural circuitry or a dysfunctional upbringing. We can try to understand what would lead a mother to kill her newborn, remembering that to understand is not necessarily to forgive."
"Matar um bebê é um ato imoral, e freqüentemente expressamos nossa raiva com o imoral chamando-o de doença. Mas as motivações humanas normais não são sempre morais, e o neonaticídio [assassinato de recém-nascidos] não tem que ser um produto do circuito neural defeituoso ou uma criação problemática. Nós podemos tentar entender o que levaria uma mãe a matar seu bebê, lembrando-se que entender não é necessariamente perdoar."
Julguem-no com atenção, por favor. Quem lê seus textos de primeira se assusta, normalmente.
Eu estou julgando com toda a atenção, Renan, estou mesmo.
Mas discordo profundamente do uso da palavra "normais".
Tendência a matar recém-nascidos é definitivamente patológica, configurando uma perversão séria.
Seja qual for a freqüência com que venha a acontecer.
Inclusive contraria dois instintos fortíssimos, os de proteger o patrimonio genético pessoal e de proteger o patrimonio genético da própria espécie, presentes aliás em todas as espécies, e expressos claramente na maioria delas.
Nem precisei chegar na moral, uma vez que essa "tendência" não é sequer "desumana", e sequer "desanimal": é "desvivente".
A mãe que a querida Maria descreve está doente - a depressão pós-parto é uma patologia.
De qualquer forma, o Sr. Pinker disse "normais", e aí reside seu erro.
"Normal" não é nem mesmo sinônimo de "freqüente", é claro. Há condições que acontecem com relativa freqüência, como "ter cáries", e nem por isso deixam de ser patológicas. Embora a depressão pós-parto, graças a Deus, não possa ser chamada de freqüente.
O próprio Jesus, ao "perdoar" todos pelos seus pecados, sem consultar antes os prejudicados por tais pecados, estava abrindo os portões da irresponsabilidade e cometendo uma injustiça com aqueles corretos.
MA-RA-VI-LHA!!! O próprio DEUS encarnado tinha que antes consultar as pessoas para saber se era "de bom tom" perdoar os pecados. A ação do verbo divino deveria ser precedida da opinião das pessoas:
- olha aqui, Deus, antes de fazer qualquer coisa, me consulte, ouviu bem? E não se atreva a fazer nada sem minha autorização!
Acabei de ler o texto inteiro do Constantino. Ele adora citar Dawkins, um cientista que é capaz de proferir a seguinte pérola:
“é bem possível que existam algumas questões profundas sobre o cosmo que permanecerão sempre para além da ciência”. Nosso conhecimento é limitado mesmo.
NÃÃÃOOO!!! É MESMO, DAWKINS?!! é bem "possível que existam" questões que permanecerão além da ciência? Incrível!! Porque não dão logo o Nobel a esse gênio? Quer dizer então que há aspectos da realidade que a ciência não alcança? Cara, virei seu fã! Aliás, ele não diz que de fato há questões que estão além da ciência, mas "é possível" que tais questões existam.
O Dawkins é o Lula da ciência. Aí, Dawkins, diz que você tem que voltar pra casa porque esqueceu a luz da geladeira acesa e não volta mais.
Muitas pessoas acham que não devemos debater religião. Eu não concordo, e nunca aceitei direito esta blindagem do tema. Há uma capa de proteção que torna as religiões, por mais irracionais que sejam, inatacáveis.http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2008/01/crenas-msticas.html
Foi só comigo ou vocês também tiveram este déjà vu? Aquele tópico memorável aqui no orkut começou com palavras parecidíssimas. Tudo bem, ele tá escrevendo na página dele, não na dos outros, mas será que ele não conseguiu aprender nada? Ele é masoquista ou sofre de amnésia?
Não é por acaso que o fanatismo religioso – e aqui incluo o comunismo ateu, uma ideologia com todas as características de seita dogmática – derramou rios de sangue durante a história da humanidade. (mesmo link acima)
Ele inclui o comunismo ateu no mesmo saco de gatos do fanatismo religioso. Ou seja, o ateísmo comunista - que como todo ateísmo rejeita a idéia de religião - é um tipo de... religião!!! Duas idéias violentamente antagônicas são magicamente mescladas para juntas servirem de argumento anti-religioso. Depois dessa vou dormir porque o dia foi altamente agressivo para minha bolsa escrotal.
"Ponham o Constantino para debater com o Dinesh D'Souza."
Aí não dá. DInesh já deu uma sova no Dennet e no Hitchens. Dawkins foge com medo. Disse que não entra em debate com ele de jeito nenhum. E você sugere que ele pegue um Constantino? Bater em criança é covardia, Fernando.
Acabei de ler o "What is so great about Christianity" e recomendo a todos que se interessem em conhecer os argumentos de Dinesh. Do ateísmo não fica pedra sobre pedra. Achei o livro muito bem escrito e muito bem documentado. Não sei se já foi publicado no Brasil. Fica aí a sugestão.
Mas discordo profundamente do uso da palavra "normais".
Tendência a matar recém-nascidos é definitivamente patológica, configurando uma perversão séria.
Seja qual for a freqüência com que venha a acontecer.
Eu também discordo. "Normal" em sentido estrito é aquilo que segue a norma, e se fosse normal matar recém nascidos a humanidade acabaria na segunda geração. Mas o impulso para matar está presente na natureza e embora não seja normal nem moral, pode ser considerado natural. Na verdade um dos fatores que nos diferencia como humanos há de ser justamente a capacidade de renunciar ao 'natural' nesse sentido.