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Sobre a chacota geral do mundo

Iniciado por lvaro_4 em 20/04/2006 · 19 mensagens

lvaro_4#1
Vocês leram????

Se ainda não, leiam e vamos debater aqui.

Considero este texto um dos melhores do Olavo nas últimas semanas.
csarkyn#2
A impressão que me deu é que ele acha que ateus, agnósticos e deístas fazem parte de "movimentos" marginais.
fernando_20#3
ponham um link q eu quero ler isso!
marcos_12#4
O texto é excelente! Gosto muito quando o Olavo dá esse giro universal num determinado assunto de importância igualmente universal. Dá para observar razoavelmente como andam certos aspectos da humanidade.

Sobre o movimento gnóstico, é algo que eu sei muito pouco, mas sei o suficiente para dizer que sua herança ajudou a colocar o mundo de pernas para o ar.
marcos_12#5
Josué, a tal "ameaça gnóstica" não é apenas uma ameaça. É um fato se considerarmos seus frutos segundo seus efeitos contemporâneos.
O artigo deixa isso bem claro no seguinte trecho:

"Dessa proposta dupla do movimento gnóstico (a de que o mundo foi criado por um deus mal, e de que o gnóstico deve consertar esses mesmo mundo - palavras minhas) nasceu uma pluralidade caótica de seitas, das quais algumas se transformaram em movimentos de massa a partir do século XVIII, gerando as ideologias revolucionárias do anarquismo, do comunismo, do nazismo, do fascismo, do positivismo e da tecnocracia, bem como, para além delas, a proliferação de ocultismos da "Nova Era" e o plano da "Nova Ordem Mundial" ao qual esses ocultismos não servem senão de instrumento provisório."

E aí que eu quis dizer que o gnosticismo ajudou a colocar o mundo de pernas para o ar.
Na descoberta de que a realidade é "má", o gnóstico, tendo consciência desse fato, estará imbuido de uma "santidade" para transformar o mundo em algo bom. A consciência da maldade da realidade é um sentimento que se torna insuportável.
Portanto, se o movimento que ele faz é em nome do Bem absoluto, então todas as suas atitudes serão sacramentadas segundo sua nova perspectiva moral.
Daí emerge uma nova concepção existencial, da qual tudo o mais (cultura, moral, ética, comportamento, ordem) decorre. E essa mistura entre o mundo material e o dos deuses também é fatal, porque, para cumprir a vontade divina, teríamos que mudar inexoravelmente a realidade existente.

Os gnosticismo também herdou aos movimentos de massa a crença na infalibilidade de suas missões. Se o Bem a ser cumprido é absoluto, então ele deve ser cumprido.

Espero ter sido claro.
marcos_12#6
Mas o comunismo preserva, em seu subsconsciente coletivo, de que há algo errado com a realidade, e traduz esse sentimento de maneira explícita na luta de classes. Luta essa resultado das leis que regem o Cosmo (materialismo dialético e a marcha inexorável da História).
Veja que aí os marxistas apenas "mataram" os deuses, laicizando por completo seu pensamento.
lahouse#7
Não entendi porque é impossível ao ateu provar a inexistência divina, enquanto é apenas dificil provar a existência dele.
lahouse#8
É tão ou mais fácil do que provar a existencia dele, não acha?
lahouse#9
Ok. Eu não estudo filosofia, então provavelmente o argumento já deve ter sido estudado por alguns de vocês. Me perdoem se for o caso.

A explicação normalmente dada pelo "design inteligente" é que seria impossível que, por simples obra do acaso, fossem formadas as estruturas complexas que norteiam o universo em geral e, em particular, o ser humano, e , por isto, só poderiam ser obra de uma entidade superiora inteligente.

Ok. Parece lógico. Mas, utilizando-se o mesmo raciocínio, poderíamos concluir que uma entidade inteligente, capaz de gerar um universo inteiro, deve ser tão ou mais complexa do que sua criação.

Mas não foi uma premissa anterior que disse que algo complexo não poderia sser obra do acaso?

Então, fica a pergunta:

Quem criou Deus, já que ele não poderia ter sido criado expontaneamente, tamanha a sua complexidade?

Ou Deus sempre existia? Isso tem algum raciocínio que não o dogma puro?

Neste caso, eu prefiro concluir que a premissa de que algo complexo não pode ser fruto do acaso é falsa.
lahouse#10
Melhor dizendo:

PODE ser falsa!
lahouse#11
Não é exatamente a minha dúvida.

Eu estou com dúvida da afirmação de que seria IMPOSSÍVEL justificar a inexistência divina, enquanto seria apenas DIFÍCIL justificar a sua existência.
marcos_12#12
Infelizemente não sei a resposta. Conheço pouco o assunto e ainda não li "A Nova Era e a Revolução Cultural".
gerson#13
Desda vez vou resistir à tentação de entrar no debate da existência/não-existência de deus... mas essa coceirinha é terrivel...
gerson#14
Apenas uma defesa a Carl Sagan.

Carl Sagan sempre buscou escrever de maneira mais acessível e objetiva possível, sempre buscou ilustrar seus argumentos com exemplos, ao contrário de muitos que preferem o caminho da abstração textual. Mas isso em nada quer dizer que seus argumentos sejam simplistas, pelo contrário, são de grande complexidade, mas o modo claro como ele os coloca o torna acessível à maioria das pessoas.
lahouse#15
Só uma coisa:

A leitura literal da Bíblia mostra indícios bastante claros da humanização divina.

Além de demonstrar sentimentos absolutamente humanos e incompatíveis, por exemplo, com sua oniciência, as contradições são frequentes e assustadoramente grandes para quem defende o livro como "A VERDADE".
gerson#16
Cientificismo e ourtas tentivas de passar dogmas como ciência (ateísmo, panteismo, naturalismo, materialismo) são surpestições que o Sagan não se interessava em atacar.

Quais são os dogmas que o cientificismo quer impor?
gerson#17
Que o método científico é a única maneira de se obter a verdade.

Conhece algum outro método com o qual se possa obter a verdade?

Que não existe sentido ou propósito maior em nada, visto que sentido e propósito maior não podem ser aferidos cientificamente.

E pq acha que necessariamente deve haver um propósito maior em tudo?

Que a matéria é tudo que existe, porque é tudo que pode ser verificado cientificamente.

É obvio, pq a ciência se arriscaria a respaldar qualquer especulação metafísica que está além de nossa potencial de compreenção?

Confundem um método com o único método.

E quais foram os outros métodos que trouxeram algum benefício prático à humanidade?

Deificam uma mera ferramenta. É mais ou menos como os episódios de sci-fi nos quais primitivos adoram um mega-computador como um deus, é algo ridículo e grotesco do ponto de vista filosófico.

Cientificismo não inclui nenhuma forma de idolatria, é uma simplificação maliciosa chamar a defesa da ciência de idolatria. Não misturemos as coisas.

Ciência é um método e um corpo de conhecimento, e só isso. Quem acha que é qualquer outra coisa é supersticioso e crédulo.

Realmente, mas quase sempre quem acha que é qualquer outra coisa são seus detratores.
leandro_13#18
Não gostei desse artigo.
Quer colocar o mundo em uma compota.
Não cabe...
daniel_3#19
Cadê a lógica nisso: é impossível provar a inexistência de Deus, logo acreditemos? Isso é absurdo. É justamente a legitimação do relativismo que Olavo tanto ataca, porque se: i) Não podemos provar que Deus não se chama Jeová, logo acreditamos que ele se chame Jeová; e ii) Não podemos acreditar que Deus não se chama Alá, logo acreditamos que ele se chame Alá, devemos, necessariamente, acreditar que Deus se chama Alá e Jeová ao mesmo tempo.

Não sei vocês, mas acho mais sensato acreditar no que foi provado verdadeiro do que acreditar no que não foi provado falso.

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