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Crimes e patifarias - 1

Iniciado por olavo em 16/02/2008 · 13 mensagens

olavo#1
O artigo 208 do Código Penal pune com detenção e multa os atos de “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa” e “vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”. Os srs. Rodrigo Constantino, Janer Cristaldo e Anselmo Heydrich já cometeram esse crime tantas vezes, que o simples fato de eu me contentar em xingar esses bandidinhos, em vez de denunciá-los à polícia, deveria ser considerado um exagero de caridade. Com bandido não se discute. Lugar de criminoso é na cadeia. Admito, porém, que não é a caridade, e sim a mera distância geográfica, que me impede de tomar contra os referidos as providências judiciais cabíveis.

Quanto à insistência obsessiva desses canalhas em me chamar de “astrólogo”, com a ênfase que a palavra tem quando associada a tipos como Walter Mercado, é fácil notar que nenhum dos três jamais examinou criticamente e nem mesmo citou de passagem qualquer escrito meu sobre a questão da astrologia. Se o fizessem, teriam de confessar que nada há em comum entre eu e os personagens grotescos com que pretendem associar a minha imagem. Optam então por ocultar as provas da diferença para poder criar uma semelhança postiça, dando-se assim, com a maior facilidade, ares de intelectuais iluminados que falam, desde o alto de uma superioridade infinita, sobre um devoto fanático de crendices bárbaras. O intuito deliberado de falsificar para melhor difamar não poderia ser mais evidente, e a eventual desculpa de que foi ofensa proferida impensadamente no calor da discussão já está impugnada antecipadamente pelo número de vezes que a ofensa se repetiu.
olavo#2
Constantino reduz o conceito de “tradição” ao de “repetição mecanizada”, opondo-o ao do exame racional maduro, mas linhas adiante reconhece que “há tradições boas”. Então é claro que, no seu entender, elas não são boas por ser tradições, mas pela coincidência casual do seu conteúdo com algo que o exame racional, feito por ele, aprova. As tradições são arbitrárias e irracionais em si, mas podem acertar casualmente como o resultado de um tiro às cegas pode coincidir, por sorte, com o da pontaria consciente tal como aferida pelo Rodrigo Constantino.
O truque consiste simplesmente em tirar proveito erístico de uma inconsistência brutal. O conceito de um gênero abrange necessariamente todas as suas espécies, de modo que, depreciado o gênero, todas as espécies vão juntas para o ralo. Se depois se alega que algo delas se salva, já não pode ser como pertencentes ao mesmo gênero e sim a algum outro. As tradições, enquanto tais, não valem nada, mas enquanto portadoras de conteúdos que a razão constantínica aprova, passam acidentalmente a valer alguma coisa. Usando a mesma palavra para designar dois gêneros diversos mas dando a impressão de que continua falando do mesmo, Constantino está livre para denegrir todas as tradições e depois chamar de “embusteiro” quem diga que ele o fez. E o pior é que ele faz isso sem nenhuma deliberação consciente: a vigarice, nele, é natural, espontânea e inconsciente como a respiração – é simplesmente o seu modo de ser.
Se há algo com que não se pode discutir, é com a irracionalidade estrutural firmemente decidida a teimar até o fim mediante o apelo a toda sorte de subterfúgios.
Para mim está claro que a “razão” da qual Constantino se alega o porta-voz é apenas um slogan publicitário, cujo uso lucrativo não traz para seu beneficiário nenhuma das obrigações do pensamento racional, nem mesmo a mais simplória delas, que é a consistência lógica.
ricardo_15#3
Perfeito, professor.
filipe_7#4
Muito bom!
paulo_15#5
--

"Se há algo com que não se pode discutir, é com a irracionalidade estrutural firmemente decidida a teimar até o fim mediante o apelo a toda sorte de subterfúgios."

Perfeito!
Isso é o que mais acontece nesse Brasil...

=-=
rafael_2#6
Os modos mais constantes de atacar o Olavo consistem em: 1o) todas as vezes que se referem a ele, escrevem filósofo entre aspas; 2o) nunca rebatem seus argumentos; 3o) o chamam de astrólogo. Feito isso, julgam que seu oponente foi reduzido a cinzas e seu destino agora é ser esquecido.

Esta é a disputatio tupiniquim.
fernando_10#7
Por que todo ateu se comporta de maneira infantil?
Digo todo porque nunca vi um ateu razoável e equilibrado.

Talvez seja porque os ateus racionais logo deixam de ser ateus. (Anthony Flew?)

No final sobram apenas esses ateus moleques - um verdadeiro berçário intelectual que gera uma quantidade imensa de fraldas sujas.
olavo#8
O mesmo truque da confusão de gêneros é usado pelo Constantino com relação às religiões: primeiro ele reduz o conceito geral de religião ao de fanatismo, depois diz que não desaprova todos os religiosos, só os fanáticos.
A inconsistência lógica, no caso, revela algo de bem mais grave: o desejo de conciliar, no mesmo discurso, o ódio irracional à religião e a aparência de bom-mocismo tolerante, esclarecido, equilibrado. Esse modo de argumentação muito peculiar é o sintoma de uma “forma mentis” constituída inteiramente de pose, fingimento, camuflagem e autopromoção – mais nada.
olavo#9
Quanto à camuflagem, é preciso notar que, desde seus primeiros confrontos comigo, o referido passou a parasitar os meus temas e referências, com obsessividade doentia (e sem me dar os créditos, é claro, mas isso é perdoável por ser de uso geral no Brasil). Passou a falar de Ortega y Gasset, Victor Frankl, consciência moral reprimida, anti-multiculturalismo, etc., imitando o tom de quem tivesse uma longa experiência desses assuntos, mas revelando, na sua abordagem, um superficialismo atroz, isto é, transmutando em mero efeito jornalístico aquilo que nos meus escritos era exame sério, fruto de anos de anos de estudo dedicado.
olavo#10
Em qualquer leitura, a prova mais patente de superficialismo é passar por cima dos problemas, dificuldades e contradições, sem nem mesmo notá-los. Constantino ostenta esses autores e temas como meras griffes, sem parar para perceber, por exemplo, que toda a obra de Victor Frankl é absolutamente inconciliável com o materialismo militante, ou que não tem sentido condenar o multiculturalismo quando se advoga a soberania absoluta do mercado em matéria de valores culturais e morais. A mente do rapaz é toda fragmentária, descosida, e sua escrita não passa de um esforço desesperado de simular unidade para camuflar uma confusão interior francamente patológica, um abismo de insegurança adolescente e necessidade de atenção compensatória. Seus pretensos argumentos não são argumentos, são sintomas, por isso mesmo não tem sentido discuti-los enquanto argumentos, só analisá-los psicologicamente, ou melhor, psicoterapeuticamente. Isso dá um trabalho estafante, e não vejo por que eu deva me fazer de analista do Constantino sem ser pago para isso. No fundo, todas as suas investidas polêmicas são um longo e reiterado pedido de socorro.
fbio_6#11
Excelentes comentários, Olavo!
adermir#12
Percebo essa mesma infantilidade nas diatribes do tal de Anselmo, que me parece um menino tardio ressentido com alguma ofensa do tipo "papai me ignorou".
henrique_3#13
Acho que o Professor diagnosticou bem a doença do Constantino: "vampirismo intelectual". Convém citar Eric Voegelin:

"Se a exposição teórica não chegar, pelo menos em parte, a ativar experiências correspondentes, dará sempre a impressão de ser conversa fiada ou poderá ser rejeitada como expressão irrelevante de opiniões subjetivas. O debate teórico só pode ser conduzido entre 'spoudaios', no sentido aristotélico; a teoria não tem argumentos contra o homem que se sente, ou finge sentir-se, incapaz de reproduzir a experiência." ("A Nova Ciência da Política" - Ed. UnB, pág. 56 e 57)

A única saída para o 'spoudaios' é desmascarar as invectivas erísticas do impostor.

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