Será que a arte anda meio moribunda devido ao surgimento da picaretagem? ou por culpa das celebridades que pululam nas tvs com a velocidade que se prepara um nissin miojo e são equivocadamente chamados de artistas?
O pior é que tudo começou com uma tirada inteligente de Marcel Duchamp que nunca poderia imaginar que depois de anos muitos anos , lixo ou estrume de elefante virariam arte e o "biscoito fino" de Oswald de Andrade oque vcs pensam a respeito?
existe alguma arte tirando o cinema que se possa dizer dinâmica e se inovando?
ou tudo que tinha que acontecer nas artes plastica ficou lá no século 20:)
Antes que me perguntem odeio Andy Pop star e gosto demais deNorman Rockwel que retratou os Eua e suas pessoas comuns.
Penso que a arte são os artistas - claro - e por isso está sempre viva.
Mas o que é visto (ou ouvido, ou etc) pelo "público em geral" pode eventualmente ser uma outra coisa.
Daí que o que é entendido em determinado momento como arte - pode não obrigatoriamente ter a mesma avaliação em outro momento diferente da história humana...
E vice-versa, lógico: o que NÃO é visto como arte pode passar a ser entendido de outra forma depois - como qualquer linguagem...
E também acho que ela é dona absoluta de seus símbolos - e não pode estar "atrelada" a mais NADA!!!!!
Arte é uma "linguagem simbólica". Como existem montes de outras linguagens simbólicas. Representadora de uma determinada ética - e sua correspondente estética - como traduzida por seu "usuário" (o artista, enfim). Entendida ou não por seus leitores, conforme as circunstâncias.
É, no final das contas, muito simples: há linguagens que não são lidas no momento em que foram escritas, e só o serão muitos séculos depois. Há outras que serão lidas, mas depois esquecidas por longo tempo...
Para o artista, o que é VITAL, IMPORTANTÍSSIMO, e mesmo INDISPENSÁVEL é mandar a mensagem - não interessa quando (ou sequer "se") vai ser lida.
Se bem que, no momento em que a dita mensagem é escrita ou enviada, qualquer artista pressupõe um hipotético destinatário.
Eu, que vivi de arte uma vida inteira, já me fiz a pergunta - e demorei pra responder: Num mundo vazio, onde eu fosse a única habitante, ainda assim eu pintaria?
A resposta é NÃO.
A arte portanto, no meu entender, é uma mensagem cifrada - um código de símbolos, tão velho quanto a consciência humana, capaz de - uma vez entendido e decifrado - repetir um conceito. Mas tudo isso é completamente pessoal, ou seja: não serão todos que entenderão a mensagem, mas ela pressupõe a existência de (pelo menos) UM destinatário, ou UM "leitor".
E, sinceramente, não sei se a idéia é aprimorar alguém numa razão direta - talvez aprimorar alguém de uma outra forma (que seria considerar aprimoramento o fato em si que compreender muitas linguagens seria melhor que compreender poucas linguagens - ou seja, quanto mais, melhor).
Mas não sei, mesmo. Depende, é claro, da qualidade das linguagens, que é - em última análise - seu poder de expressão.
Talvez esse seja um conceito um tanto arrogante, ou uma simplificação meio primária, enfim...
Gostaria muito de ser "compreendida" - mas não sei se tal compreensão representaria um "aprimoramento" para outra pessoa, a não ser no sentido explicado acima.
o artista tradicional evazia-se para que algo maior "entre" nele(...)
JÁ O ARTISTA MODERNO , VOMITA A SI MESMO.
Entendo perfeitamente o que vc quer dizer, mas note que é uma definição puramente abitrária e preconceituosa.
Alguém poderia dizer que o "artista moderno" é pelo menos mais honesto, não tendo a pretensão megalomaníaca de um "artista tradicional" que considera sua arte mais legítima por ser supostamente inspirada em um "algo maior" indefinível e não em si mesmo.
- a música, do barroco ao romantismo, era essencialmente tonal, ou seja, baseava a harmonia em um fenomeno físico e natural: a diferença entre as frequencias. Pode-se concluir, com alguns experimentos, que a combinação de sons agradáveis obedece, empiricamente, este padrão, e a teoria musical tonal somente consagrou esta relação entre frequencias e bem estar.
- Schoenberg, numa coisa que eu considero uma "malandragem" intelectual, INVENTOU novas regras, aparentemente sem nenhuma explicação sonora, e criou o dodecafonismo, ou seja, a música atonal.
Com isto, as "músicas" perderam a beleza proporcionada pelas relações harmônicas e, mesmo tendo algumas explicações matemáticas, acabou parecendo desprovida de sentido.
Então, hoje em dia, o autor não é um grande autor por causa de sua obra, mas sim a obra passa a ser grande por causa de seu autor. Ficou claro? Digamos o seguinte: se Stockhausen compor uma peça maluca (passarei alguns links para que possam escutar o que seria música contemporânea) a música é boa. Se for um zé qualquer, a música não é.
E o resultado prático disto é que, exceto em pequenos círculos de entendidos, ninguém mais ouve música erudita composta recentemente.
Aí vão alguns links para que possam contemplar as "belezas" da música contemporânea:
Eu conheço e critico toneladas de picaretas que na verdade não estão interessados em absolutamente nada além do possível dinheiro que vão ganhar dos imbecis vigentes.
Mas continuo dizendo que arte é uma linguagem simbólica, e se os autores são mixurucas é porque os leitores também são. Senão ela não existiria, a dita linguagem: não haveria interessados.
Se existe, é porque expressa, de alguma forma, uma possibilidade real de entendimento - por mais precária que seja. Se estamos andando esteticamente para trás, é porque estamos igualmente andando eticamente para trás.
Uma coisa é o espelho da outra, como sempre foi.
Eu sou pintora, mas naturalmente me interesso por outros tipos de arte. Vou ouvir e depois posto minha opinião.
Sincera, como sempre - nem sei o que você pensa a respeito...
Amigo:
Estou ouvindo agora. Sinceramente, gostei.
E não tenho nenhum compromisso com rigorosamente NADA. A música pode ser estranha, principalmente para quem (como eu) foi educada dentro da rigorosa métrica Bachiana, e a considera uma das máximas expressões da lógica do universo.
Mas, repito, gostei do camarada... É esquisito, e gostei assim mesmo.
Pra ser sincera, gostei até muito.
Pois é Celso... Eu já ouvi Stockhausen e aquele outro maluco, o Cage. Realmente, é coisa sem sentido algum, exceto o puramente técnico.
Convenhamos, fazer uma música composta só de silêncio ou uma sinfonia para helicópteros é mero exercício de sei-lá-o-quê, mas eu não consideraria música. Aquela do piano preparado é até interessante enquanto performance, ao vivo. Mas eu jamais imaginaria em ouvir aquilo em casa, por exemplo.
John Lennon comentou uma vez: "Quando trouxeram essa besteira de intelectualismo para a música, foi o fim da música".
Ou seja, a técnica (meio) sobrepuja o fim (som). E a tal música fica restrita a grupo hermétido de "iniciados". E ai de quem falar que não gosta, pois será acusado de "não entendimento da obra"
A peça para cravo (ou teclado, sei lá) é muito esquisita mesmo - mas também gostei. Não te digo que vou trocar meus concertos de Bach para harpa que eu escuto todos os dias, religiosamente - mas palavra de honra que não achei essa música ruim!
Eu já acho que o artista moderno é um picareta, pois "constroi" obras sem sginificado e deixa os intelectuais atribuírem um sentido qualquer nelas.
Eu não acho que arte precise ter significado. O problema é que os intelectuais insistem que TEM que ter, e não perdem a mania de analisar tudo que encontram pela frente.
Aliás, creio que isso vai de encontro ao que eu levantei em outro tópico: Estamos sempre procurando explicações e significados em tudo.
Eu não faço a menor idéia do que você está dizendo, Marco.
Não sou iniciada em porra nenhuma e não faço a menor questão de ser considerada nada. Mas, como disse antes ao Celso, achei a música BOA.
Boa de ouvir.
Sem nenhum compromisso com nenhuma coisa a não ser comigo mesma.
Verdade verdadeira, e olha que eu sou muito conservadora...
Priscila, pois para mim a coisa funciona exatamente como o que vc acabou de fazer: Ouviu e gostou! (Ou não gostou)
Pra mim arte é isso! Gostar ou desgostar simplesmente, saborear com o espírito, sem análises, reflexões e acrobacias mentais para justificar a coisa toda.
Cariocamente falando: zatamenti...
Não há outro critério.
Mas gosto de enfatizar que a estética é SEMPRE a face revelada da ética - em momentos em que essa ética decai, a estética correspondentemente decai também.
Então, hoje em dia, o autor não é um grande autor por causa de sua obra, mas sim a obra passa a ser grande por causa de seu autor.
Concordo. Mas mesmo no caso de grandes autores e grandes obras, atualmente há muito exagero.
Por exemplo, por maior que seja uma Van Gogh, justifica-se um quadro seu valer 82 milhões de dólares, quando a mesmíssima obra, se feita por um ilustre desconhecido, não valeria uma fração disso?
Celso, a coisa é complicada pois existe a técnica, que só é acessível aos que a entendem.
Para os meus olhos, as obras de um Pollock são um monte de pingos de tinta, mas os entendidos em arte descobriram que os os pingos seguem um padrão da matemática dos fractais, e nunca ninguém jamais conseguiu reproduzir fielmente. E realmente, matemáticos analisando os quadros de Pollock confirmaram isso, chegando até a calcular quantas dimensões os fractais possuíam nas suas telas e notando que o valor aumentava nos quadros mais recentes, e fizeram paralelos com fenômenos naturais de natureza fractal.
E isso provavelmente contestaria a afirmação de que "o artista moderno vomita a si mesmo", afinal, Pollock reproduzia de forma inconsciente padrões matemáticos e naturais (Daí, seus quadros seriam expressão de "algo maior"?)
Portanto, os pingos de tinta feitos por uma criança de 2 anos ou por Pollock pra mim são idênticos, mas para o olho técnico, não são. E daí, temos uma arte que só pode ser apreciada por técnicos de arte, jamais pelo público em geral.
O problema é que, num contexto desses, deve haver um espaço enorme para picaretas e intelectualóides de todo o tipo, tentando impingir significado e lógica onde não há nenhuma, jogando com valores discutíveis e polêmicos.
Mesmo porque o gosto, preconceitos ou interesses de cada um pode influenciar bastante o julgamento: Tanto que na história da música clássica, frequentemente cada nova geração de músicos era incompreendida pela anterior, que consideravam sua música "absurda" ou mesmo "puro ruído".
Pessoalmente, não aprecio a técnica pura. Pra mim, a beleza da obra é o que conta. Exemplo: Não consigo suportar um guitarrista como Yngwie Malmsteen, que tecnicamente é um monstro, mas acho sua música chata pra chuchu.
Embore eu entenda o que vc quer dizer e concorde com o seu exemplo dos cantadores serem, enquanto arte, muito mais legítimos do que "cantadores" urbanos de praia, falar de coisas como BELO, SUBLIME ou ALGO MAIOR é tão subjetivo que cada um vai ter o seu conceito disso.
E quanto aos elefantes fazerem arte, bom... isso acontece na França, né...
Mas é o que eu disse: tal ética, tal estética!...
Vocês estão (nós todos estamos) assistindo à exposição do pensamento contemporâneo!
Se ele é imbecil (coletivamente imbecil), sua representação também será, ora! A arte é isso - uma linguagem simbólica, tradutora de idéias. Evidentemente que, em circunstâncias diversas, as obras resultantes desse específico momento artístico serão desprezadas (consideradas estúpidas, insignificantes) ou endeusadas (caso as coisas piorem ainda mais...).
Mas o artista decente não se liga nisso - ele simplesmente vai fazendo, vai fazendo, porque não tem como não deixar sua mensagem pessoal, sua cartinha na garrafa, seu papelzinho jogado ao vento.
E, em resposta ao comentário sobre Van Gogh: O postador diz que "a obra não valeria nada se fosse feita por qualquer outra pessoa". Como é que é? Ela vale exatamente PORQUE NÂO FOI FEITA POR NINGUÉM, e certamente JAMAIS SERIA, se não fosse a existência específica e única da pessoa de Vincent Van Gogh!!!!!
Francamente! Nada a ver com quanto CUSTA um quadro de Van Gogh. Tudo a ver com quanto VALE cada uma de suas iluminadas visões.
Mas só porque foi feito pelo artista A ou B passou a ter valor?
Não reparou que isto é uma forma de culto a determinada pessoa e não a arte propriamente dita?
Somente o fato de ter sido feita por A ou B não agrega valor a obra, a não ser em casos específicos, como por exemplo, um quadro de guerra pintada por alguém extremamente angustiado por estar no meio desta guerra.
Eu não falei que o quadro de um Van Gogh não "valeria nada" se fosse pintado hoje por outra pessoa, o que falei é que valeria muito menos do que os 82 milhões de dólares.
Mas o ponto é: A mesmíssima obra fica maior ou menor se é feita por A ou B? Não vejo o menor sentido nisso!
A nona sinfonia de Beethoven ficaria melhor ou pior se fosse composta hoje por um desconhecido?
A canção Eleanor Rigby ficaria melhor ou pior se não tivesse sido composta pelos Beatles nos anos 60, mas fosse composta hoje pelo Jota Quest? (escolhi Jota Quest de propósito pois ODEIO essa banda).
Ou seja: Há um culto mais à personalidade do artista do que à qualidade da obra em si, coisa que eu acho completamente equivocada.
Daí, ocorre o que já foi discutido: Qualquer porcaria feita por alguém famoso pode virar objeto de culto, basta esse alguém famoso fazer algo suficientemente confuso e enigmático para que ninguém tenha coragem de dizer que "não entendeu" (e passar por burro).
Daí os intelectuais de plantão ficam ruminando uma obra e encontrando sentido onde na verdade não há nenhum. E tanto o artista quanto os críticos e intelectuais acabam se tornado picaretas, armando um circo de picaretagem que se auto-alimenta de bobagens.
Quer um exemplo? Em 1968, John Lennon estava de saco cheio da fama e das interpretações geniosas que davam às suas letras. Daí, fez propositalmente uma música chamada "Glass Onion" com uma letra totalmente absurda. Bom, críticos de música teceram trocentas interpretações da músicas, elogiaram a poesia, citaram semelhanças com escritores eruditos, blá-blá-bla, houve até interpretações junguianas da coisa...
Mas pouco depois, Lennon disse que só juntou palavras sem sentido, só pra tirar sarro vendo o que a crítica iria dizer, ou seja, a coisa não significa ABSOLUTAMENTE NADA.
Concluindo: Um artista pode até criar uma grande obra, mas se criar grandes porcarias depois, há um grande risco de tais obras serem levadas a sério e valorizadas, pois todos tentarão "entender a genialidade oculta" na obra. Podem acreditar: Ninguém é corajoso o suficiente para admitir que não entendeu nada ou que acha aquilo uma porcaria.
Isso de 500 interpretacoes diferentes me lembra o 'De Olhos Bem fechados(abertos?). Qta interpretacao diferente e disparatada! Se tivesse sido feito por um desconhecido nao sei se despertaria tanta analise.
No Ecuador nao tem pagina de experts analisando, dando estrelas, aplausos, notas ou indicando filmes, entao, as pessoas iam e depois as opinioes eram as mais diversas: uns goataram desse filme de Almodovar, por exemplo, mal sabendo do aue em torno do nome dele, por causa disso, outros detestaram e tal. Meus amigos brasileiros que faziam genero 'intelectual' TODOS tinham apreciado alguns filmes os quais, coincidentemente, foram aclamados pelos criticos daqui. Pode ser coincidencia, isso tudo, mas...
Isso me lembra da fabula da Roupa Nova do Rei. Soh o garoto, com sua inocencia, e sem receio de parecer perverso ou ignorante pode gritar: hey, o rei estah nu!
Eu não quis detalhar demais a respeito do dodecafonismo e serialismo porque quem não entende de música provavelmente não entenda muito sobre o que se fala, mas acredito que ele tenha sido resultado diretos dos estudos tonais de Schoenberg.
Ele,em seu livro Harmonia, aborda a teoria tonal se afastando aos poucos do conceito de dissonânica, preferindo usar o termo "consonâncias mais distantes", porque todas as notas musicais podem ser obtidas através da sequencia harmonica tradicional.
Só que, em decorrência desta linha de raciocínio, aconteceu um problema grave: se todas as notas são harmônicas, então absolutamente QUALQUER COISA tocada passaria a pder ser considerada música.
Para que isto não se tornasse fato, ele INVENTOU algumas regras na formação das sequncias de notas e utilização do tempo, que segundo o autor, retirava a hierarquização entre as diversas notas.
Não consigo enxergar isto de outra forma senão um embuste intelectual, e, por isto, não consigo gostar de praticamente nada pós-romantismo.
Oh, gente! Isso está confuso, e cada vez mais!
A arte É o artista, o artista É sua arte.
Se tal ou qual vai ser considerado como tal - a arte considerada arte, e o artista correspondentemente considerado artista, isso vai depender de critérios agregados ao conjunto de valores (ou, se vocês preferirem, à FALTA desse conjunto de valores, ou à MEDIOCRIDADE do dito cujo) vigente em determinado momento. Não há como sair disso, pra tentar estabelecer que ISSO é arte e AQUILO não é: o máximo que se pode dizer é que essa porcaria aqui foi considerada arte nesse específico momento por um bando de idiotas que tinham um vagabundíssimo código de valores... Dizer isso melancolicamente, é claro - mas tal crítica (que eu acho não apenas necessária, como também indispensável) não é a mesma coisa que querer DEFINIR o que É, de verdade, ARTE.
Porque isso não é definível.
Em suma, Celso: Qualquer coisa tocada PODE ser considerada música - e, dado um espaço compriiiiiido de tempo, certamente VAI...
C'est ça.
Bingo.
Destarte (uau!), cada coisa tem exatamente o valor que lhe é atribuído.
Resta evidentemente a nós todos "endossar" ou não tal valor. Atualmente, penso que a arte contemporânea é, na sua maioria, ruim à beça. Mas é, sim, arte contemporânea.
Só tenho críticas a artistas que por se prenderem a uma técnica, não evoluem, por falta de coragem e ainda desqualificam as outras.
Eu concordo. Hoje confunde-se muito a técnica com arte, o meio com o fim. Há artistas com técnica em excesso e inspiração zero.
Veja o caso do rock: Há bandas tecnicamente perfeitas com virtuoses espantosas, mas que são um pé-no-saco de ouvir. Alguns guitarristas por exemplo parecem mais interessados em fazer ginástica com os dedos, cuspir notas com a velocidade da luz e decorar todas as escalas do universo, mas eu acho isso apenas burocrático, chato, exibição de técnica. O que há de inspiração nisso? Pessoalmente, dou muito mais valor a um guitarrista de técnica pobre mas que saiba juntar umas poucas notas de maneira bela e pungente.
Entrentanto, a técnica pura vende pois impressiona, há aqueles que deliram com isso.
E creio que o mesmo deve acontecer com outras formas de arte.
Penso que a arte, como a filosofia e as ciências são atemporais. Aprecio a música do séc XVII e aprecio a música das décadas de 50,60, 70 e 80. Mas odeio a música dos anos 90 em diante. Estamos num período de estagnação. O mundo vive uma pobreza intelectual generalizada. E as artes são o reflexo disso. Muitíssimo pouca coisa de útil foi produzida nos últimos anos.
Parece que somente durante os grandes conflitos e as grande crises o homem é capaz de produzir arte de qualidade. Pode não ser uma regra, mas existem grandes movimentos artísticos em geral durante as revoluções e as grande crises. Alguém concorda com esse ponto de vista também?
Não sei se compreendi exatíssimamente, Salgado - mas - se entendi direito, concordo, sim.
Você diz que a pobreza intelectual causa a pobreza artística. Essa é a minha tese.
As reclamações sobre a pobreza artística procedem, mas o motivo disso é a indigência moral e intelectual. Arte é espelho, reflexo, retrato de determinada situação!!!!!
Quando eu disse que arte é o artista, quis explicitar que o artista e a arte têm entre si uma relação de máxima dependência. O artista é, sim, o meio - a arte é, sim, o fim.
Claro que, sem o "fim", o "meio" nem sequer passaria pela cabeça de ninguém.
Mas, sem o "meio", o "fim" simplesmente permaneceria oculto.
A obra transcende, com certeza, o artista (se amanhã alguém provasse irrefutavelmente que quem pintou oa quadros atribuídos a Vermeer foi um sujeito chamado Adolf Hitler - eu, de qualquer jeito, continuaria considerando os quadros maravilhas acima de qualquer crítica).
Mas eu teria que mudar minha visão das coisas, pra que dentro dela coubesse tal hipótese...
Daí que é possível pensar que a arte é o artista, e que o artista é a arte. O "corte" dessa ligação é impossível, no sentido que demandaria uma cisão meio "esquizofrênica" do pensamento do olhador da coisa.
...de forma que você tem razão quando pondera que não é preciso conhecer o artista pra valorizar a arte - lógico!
Mas é facilmente visível que (pra continuar a minha "metáfora", mesmo reconhecendo que ela é simplória, ou insuficientemente clara), Aldolf Hitler simplesmente NÃO PODERIA ter pintado como (ou o quê) Vermeer ou Velazquez pintaram.
É o que se chama uma impossibilidade metafísica...
Resumindo: O artista se revela em sua arte (nada a ver com o conhecimento do "nome" ou de qualquer espécie de "identidade física" do fulano; isso é irrelevante).
Ou, se você preferir, já que dá no mesmo e fica talvez mais fácil de entender, a ARTE REVELA O ARTISTA.
Priscila. Na ciência o homem é escravo da verdade universal. Na filosofia o homem é escravo da razão. Na arte o homem é dono do seu próprio universo. É o único momento em que o homem pode assumir o papel de criador (Deus?) de suas próprias verdades.
Na minha arte a gravidade poderia ser invertida. Na minha arte a música poderia propor que o tempo retrocedesse.
Mas o que tem acontecido é exatamente o inverso. Hoje os artistas são escravos do mundo. Estão limitados pelos sentidos, pelas coisas mundanas. Não existe nada de excepcional na arte de hoje em dia pq os artistas estão vendo muito pouco além da mesmice da vida cotidiana.