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O conhecimento do Status Quaestionis

Iniciado por eric_4 em 10/03/2008 · 6 mensagens

eric_4#1
O conhecimento do Status Quaestionis como pré-requisito para o estudante sério - Lucas Mendes

Frequentemente Olavo de Carvalho tem aludido ao status quaestionis, ou o estado da questão em relação a algum problema de estudo. Conforme define o autor, o estado da questão “é a evolução dos debates sobre um determinado ponto desde a origem da discussão até hoje”. E complementa “o conhecimento do status quaestionis distingue o erudito profissional do palpiteiro amador”.

Olavo considera que o estudante de alguma coisa tem que conhecer toda a evolução do debate em torno do problema que se está estudando, desde quando ele começou até hoje. E sentencia “isso é o mínimo de exigência necessária para que nós possamos julgar sua sinceridade na busca da verdade naquele ponto”.

Outra afirmação decorrente é que se o sujeito não tem interesse suficiente para entender o que foi estudado a respeito daquilo que se diz conhecer, por que nós temos que escutar o sujeito falar a respeito daquilo que ele mesmo ignora?

Decorre simplesmente que se o sujeito não conhece a história da investigação em torno daquele problema a que está estudando e se dispondo a falar a respeito - como e de que forma os grandes autores discutiram o tema - você não sabe como tratar a questão, não possui o domínio técnico da questão.

Para Olavo de Carvalho, o Brasil é um caso típico em que esta exigência mínima não é cumprida pela imensa maioria dos acadêmicos (mestres, doutores, jornalistas, intelectuais de mídia etc.) que, tornam-se, por isso, meros palpiteiros. Talvez, ainda mais alarmante seja o fato de que ele considera exemplos cabais desse desprezo pelo estado da questão diversos próceres da intelectualidade mundial. Autores que embora falem muito a respeito de determinado tema, incrivelmente não conhecem o status quaestionis daquilo a que se dizem (ou os outros lhe atribuem) autoridades. Entre eles, estão diversos paladinos da academia, a exemplo de Michel Foucault.

FONTE: http://austriaco.blogspot.com/
fillipe#2
Certíssimo.

Só temos que tomar cuidado para não invalidar, a priori, um argumento, ou mesmo uma tese, só porque em suas articulações notamos a ausência de estudo do status quaestionis, o que poderia ser extremamente falacioso.

Cabe refutarmos um argumento ou tese vazios desse aprofundamento teórico a partir dp estudo mesmo dos debates daquele tema na tradição filosófica, não apenas notando sua ausência, a não ser que queiramos "bater papo" também.
henrique#3
Com efeito. Igualmente, diria que a isso se somam alguns hábitos intelectuais perniciosos, que infelizmente se têm disseminado com força preocupante, como o de crer-se em condições de rejeitar a autoridade dos mais sábios e mais competentes, quer arrogando-se superior, quer considerando a sua maltrapilha opinião tão válida quanto a deles.
marcos_12#4
Caio, de fato. Esse é um dos estratagemas do Schopenhauer em Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão compilados pelo Olavo.

"Só temos que tomar cuidado para não invalidar, a priori, um argumento, ou mesmo uma tese, só porque em suas articulações notamos a ausência de estudo do status quaestionis, o que poderia ser extremamente falacioso."

Se não for por isso estaria ferrado, haha! Por isso é sempre necessário o autor de uma idéia que não atinja o status quaestionis saber sua exata medida e, com humildade, esclarecê-la aos ouvintes. É uma questão de honestidade intelectual.
eric_4#5
Pode a filosofia política desprezar os ensinamentos econômicos? - Lucas Mendeshttp://austriaco.blogspot.com/2008/03/pode-filosofia…ezar-os.html
eric_4#6
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